Quinta-feira de Cinzas:
«Aqui estamos de novo a alimentar laços de amizade. Jesus convida-te hoje a segui-Lo, tomando a cruz. Que significa para ti a Cruz?»
Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
quinta-feira, 10 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
O sonho
Eis o sonho das pessoas consagradas:
amar com todo o coração (castidade);com toda a alma (obediência);
com todas as forças (pobreza).
Interrogação
Por onde queres passar? – Eu sou o caminho.
Onde queres chegar? – Eu sou a verdade.
Onde queres ficar? – Eu sou a vida.
Onde queres chegar? – Eu sou a verdade.
Onde queres ficar? – Eu sou a vida.
StellaMariS_Quaresmais1
Quarta-feira de Cinzas:
«Hoje iniciamos como cristãos o tempo da Quaresma. Jesus convida-nos a mudar de vida. Que gostarias de mudar? Escuta o teu interior e recorda algumas palavras do Evangelho.»
«Hoje iniciamos como cristãos o tempo da Quaresma. Jesus convida-nos a mudar de vida. Que gostarias de mudar? Escuta o teu interior e recorda algumas palavras do Evangelho.»
segunda-feira, 7 de março de 2011
Início da Quaresma com a celebração das Cinzas
08:00h - Missa com imposição das Cinzas.
09:00h - Missa com imposição das Cinzas.
20:30h - Missa com imposição das Cinzas.
20:30h - Missa com Imposição das Cinzas.
sábado, 5 de março de 2011
Avisos, Março 7-13
07 Segunda
Dia de oração pelos defuntos da Ordem.
09 Quarta-feira de cinzas
Início do tempo da Quaresma
08:00 - Missa com imposição das Cinzas.
09:00 - Missa com imposição das Cinzas.
20:30 - Missa com imposição das Cinzas.
11 Sexta-feira de cinzas
08:30 - Exercício da Via Sacra.
12 Sábado
16:00h - Reunião da Pastoral Litúrgica: Acólitos + Cantores + Leitores + MEC + Zeladoras e quem queira associar-se.
13 Domingo I da Quaresma
17:15 - Exercício da Via Sacra.
14 Segunda
21:00 - Encontro com a Bíblia.
Dia de oração pelos defuntos da Ordem.
09 Quarta-feira de cinzas
Início do tempo da Quaresma
08:00 - Missa com imposição das Cinzas.
09:00 - Missa com imposição das Cinzas.
20:30 - Missa com imposição das Cinzas.
11 Sexta-feira de cinzas
08:30 - Exercício da Via Sacra.
12 Sábado
16:00h - Reunião da Pastoral Litúrgica: Acólitos + Cantores + Leitores + MEC + Zeladoras e quem queira associar-se.
13 Domingo I da Quaresma
17:15 - Exercício da Via Sacra.
14 Segunda
21:00 - Encontro com a Bíblia.
Escutar e cumprir
Durante os últimos domingos centrámos a vivência da nossa fé na escuta do Sermão da Montanha.
O discurso de Jesus apelou à recusa em ajuizar sobre os demais; a amarmos os inimigos, ao perdão e a não pagarmos o mal com o mal.
Hoje escutamos um texto também ele fulcral: uma casa — a casa da Igreja! — constrói-se com a intenção de a manter segura, ou então mais vale fazer orelhas moucas e não ir ouvir Jesus.
(Em chegada a hora certa o ninho parece rebelar-se contra os que lá cresceram, isto é, mostra-se estreito e acanhado. Há, então, que fazer-se à vida, bater asas e erguer uma casa.)
Finalmente o Sermão da Montanha acabou. Vimos escutando-o desde há uma bom par de domingos. Escutámo-lo em quase desassossego, porque Jesus não fala para acomodar, mas para erguer e elevar. E isso custa o esforço que sempre custou.
Encerrado o Sermão, Jesus confronta-nos para nos dizer que, em boa verdade, falara para constructores e engenheiros de casas, ou melhor, da Casa – a Igreja.
Jesus fala, como que dizendo: também de ti depende a construção da Casa comum! E é que depende mesmo. Na sua construção nenhuma pedra está a mais, nenhuma força é escassa, nenhuma boa vontade pode ser esquecida, nenhuma areiazita é desprezível, nenhum cimento é dispensável.
A tua Casa depende de ti!
A tua Casa necessita de ti!
E não é bastante dizer «Senhor, Senhor!», ao compasso da mão que bate no peito.
É preciso que a Casa que recebemos se renove a cada geração, seja afagada e afeiçoada para os que vão entrando e nela querem crescer. A construção é constante e depende de cada um de nós, das forças das nossas mãos e do amor puro do nosso coração.
Sejamos mais concretos: Depois do discurso, Jesus usou uma técnica confrontativa típica da conclusão dos discursos dos mestres da sua cultura. Disse Jesus: «Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o insensato que edificou a sua casa sobre a areia.»
Jesus disse o que queria dizer. Perdoe-se-me, mas Jesus não gosta de falar para o boneco. Quando fala, fala para chegar aos corações. A sua palavra é Evangelho que confronta a vida, e tantas vezes desassossega quem se apoia nos rituais, se sacia com preceitos, se empanturra com prescrições. De que basta decorar o catecismo se a Palavra de Jesus não ilumina o esconso da nossa vida, nem abana as falsas seguranças em que nos instalamos?
Para Jesus ou se constrói ou se constrói. Afinal de contas construir mal não é construir! Dos que ouvem a Palavra todos contribuem para a construção da Casa. Sim, todos gostam de erguer algo belo e duradoiro. Porém, é fácil de ver que o contributo não é todo igual. Basta que chegue a tempestade para verificarmos que não é de igual maneira que construímos.
O domingo é o dia da escuta da Palavra.
Não podemos construir sem ouvir a força de Deus. E quando a ouvimos será que ouvimos? Na verdade, uns constroem sobre areia; outros sobre rocha firme. Porque há ouvir e ouvir!
Quem são os que constroem sobre areia? São os que ouvem a Palavra de Jesus e dizem eles mesmos muitas palavras e orações santas, mas não põem em prática o mandamento de Jesus. Deles diz Jesus aos seus discípulos que não são dignos de confiança. As casas que constroem caem facilmente e são levadas pela correnteza das águas.
E existem casas construídas sobre a rocha. São as que resistem aos ventos impetuosos e nem as chuvas torrenciais nem os nevoeiros traiçoeiros deterioram as fachadas ou os interiores. Essas são de gente prudente, que escuta a Palavra de Jesus e a põe em prática.
Quem escuta a Palavra de Jesus e a cumpre, esse está a construir sobre a firmeza de Jesus, o rochedo do nosso refúgio.
Escutar e cumprir.
Escutar parece que todos escutamos; e afinal de contas quem não conhece a Palavra de Jesus desde a catequese? Cumprir, é que nem todos cumprimos com as exigências do Evangelho.
Todos temos a nossa casa ainda inconclusa. Eu e a minha família, a Igreja, a minha nação e a minha comunidade carecemos ainda de cumprimento. Os verbos escutar Jesus e cumprir a sua palavra são o melhor cimento para a ajudar à construção.
Pergunte-se: Deus e o próximo têm o mesmo lugar no seu coração e na sua casa? É crente porque sim ou por convicção? Partilha os seus bens com critérios de solidariedade? Ou, prefere construir sobre as fragilidades da areia da busca do poder e do prestígio alcançado por compromissos pouco éticos?
Chama do Carmo I NS 100 I Março 6, 2011
O discurso de Jesus apelou à recusa em ajuizar sobre os demais; a amarmos os inimigos, ao perdão e a não pagarmos o mal com o mal.
Hoje escutamos um texto também ele fulcral: uma casa — a casa da Igreja! — constrói-se com a intenção de a manter segura, ou então mais vale fazer orelhas moucas e não ir ouvir Jesus.
(Em chegada a hora certa o ninho parece rebelar-se contra os que lá cresceram, isto é, mostra-se estreito e acanhado. Há, então, que fazer-se à vida, bater asas e erguer uma casa.)
Finalmente o Sermão da Montanha acabou. Vimos escutando-o desde há uma bom par de domingos. Escutámo-lo em quase desassossego, porque Jesus não fala para acomodar, mas para erguer e elevar. E isso custa o esforço que sempre custou.
Encerrado o Sermão, Jesus confronta-nos para nos dizer que, em boa verdade, falara para constructores e engenheiros de casas, ou melhor, da Casa – a Igreja.
Jesus fala, como que dizendo: também de ti depende a construção da Casa comum! E é que depende mesmo. Na sua construção nenhuma pedra está a mais, nenhuma força é escassa, nenhuma boa vontade pode ser esquecida, nenhuma areiazita é desprezível, nenhum cimento é dispensável.
A tua Casa depende de ti!
A tua Casa necessita de ti!
E não é bastante dizer «Senhor, Senhor!», ao compasso da mão que bate no peito.
É preciso que a Casa que recebemos se renove a cada geração, seja afagada e afeiçoada para os que vão entrando e nela querem crescer. A construção é constante e depende de cada um de nós, das forças das nossas mãos e do amor puro do nosso coração.
Sejamos mais concretos: Depois do discurso, Jesus usou uma técnica confrontativa típica da conclusão dos discursos dos mestres da sua cultura. Disse Jesus: «Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o insensato que edificou a sua casa sobre a areia.»
Jesus disse o que queria dizer. Perdoe-se-me, mas Jesus não gosta de falar para o boneco. Quando fala, fala para chegar aos corações. A sua palavra é Evangelho que confronta a vida, e tantas vezes desassossega quem se apoia nos rituais, se sacia com preceitos, se empanturra com prescrições. De que basta decorar o catecismo se a Palavra de Jesus não ilumina o esconso da nossa vida, nem abana as falsas seguranças em que nos instalamos?
Para Jesus ou se constrói ou se constrói. Afinal de contas construir mal não é construir! Dos que ouvem a Palavra todos contribuem para a construção da Casa. Sim, todos gostam de erguer algo belo e duradoiro. Porém, é fácil de ver que o contributo não é todo igual. Basta que chegue a tempestade para verificarmos que não é de igual maneira que construímos.
O domingo é o dia da escuta da Palavra.
Não podemos construir sem ouvir a força de Deus. E quando a ouvimos será que ouvimos? Na verdade, uns constroem sobre areia; outros sobre rocha firme. Porque há ouvir e ouvir!
Quem são os que constroem sobre areia? São os que ouvem a Palavra de Jesus e dizem eles mesmos muitas palavras e orações santas, mas não põem em prática o mandamento de Jesus. Deles diz Jesus aos seus discípulos que não são dignos de confiança. As casas que constroem caem facilmente e são levadas pela correnteza das águas.
E existem casas construídas sobre a rocha. São as que resistem aos ventos impetuosos e nem as chuvas torrenciais nem os nevoeiros traiçoeiros deterioram as fachadas ou os interiores. Essas são de gente prudente, que escuta a Palavra de Jesus e a põe em prática.
Quem escuta a Palavra de Jesus e a cumpre, esse está a construir sobre a firmeza de Jesus, o rochedo do nosso refúgio.
Escutar e cumprir.
Escutar parece que todos escutamos; e afinal de contas quem não conhece a Palavra de Jesus desde a catequese? Cumprir, é que nem todos cumprimos com as exigências do Evangelho.
Todos temos a nossa casa ainda inconclusa. Eu e a minha família, a Igreja, a minha nação e a minha comunidade carecemos ainda de cumprimento. Os verbos escutar Jesus e cumprir a sua palavra são o melhor cimento para a ajudar à construção.
Pergunte-se: Deus e o próximo têm o mesmo lugar no seu coração e na sua casa? É crente porque sim ou por convicção? Partilha os seus bens com critérios de solidariedade? Ou, prefere construir sobre as fragilidades da areia da busca do poder e do prestígio alcançado por compromissos pouco éticos?
Chama do Carmo I NS 100 I Março 6, 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Decálogo da serenidade
Decálogo do Papa Bom, João XXVIII, que ele escreveu e procurou viver.
Com serenidade.
Com serenidade.
1. Procurarei viver, pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida e de uma só vez.
2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência; cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.
3. Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.
4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.
5. Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi a ninguém.
7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado, talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei, e fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.
9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.
10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Trapézio sem rede!
Jesus continua na montanha a pregar o Sermão da Montanha.
Das suas palavras sai a Nova Lei que oferece à comunidade dos seus discípulos. Porque Jesus só dá e só diz o que vive. Entre as muitas coisas que lhes diz — e vale bem a pena lê-las e ouvi-las! — diz exactamente assim: «Não vos preocupeis quanto à vossa vida.»! Jesus é sempre surpreendente; e justifica-se convidando-nos para a simplicidade. «Olhai os passarinhos do céu», «olhai os lirios do campo»!Ah, se prestássemos mais atenção a Jesus!
A crise — lá vem a crise, novamente! — tem aqui a solução: Nem Salomão se vestiu com a leveza dos lírios selvagens, nem jamais os passarinhos armazenaram sementes; e nem um cai sem que Deus o permita!
Valha-me Deus! Como Jesus nos trabalha!
Como pode ser: então não ouvi já milhentas vezes: «Deus esqueceu-se de mim»? Que amargura leio eu nessas palavras! Como nessas alturas me cresce um novelo no estômago que não me deixa sair a voz, e quando sai é tão de falsete que nem a mim convence!
Contaram-me a história dum filósofo que renunciou a tudo. A tudo mesmo, menos a uma pequena malga que guardou para beber água do fontanário. Mas quando observou um cão bebendo sem malga até a sua deitou fora!
Como falar da confiança? Neste tempo de tantos apegos e de apoios impingidos como falar da confiança que Jesus nos propõe?
(Jamais esquecerei aquele meu jovem amigo que, desapoiado, me confiava não estar preparado para casar; e casou daí a seis meses!)
Como é díficil a arte do trapézio sem rede, e mais ainda nas coisas da fé! E mais ainda como Jesus, que não tinha biblioteca nem travesseiro!
Quando ouço «Até Deus me abandonou», lembro-me sempre do grito de Jesus na Cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». E não é que por vezes parece mesmo? Embora também leia nas Escrituras Sagradas que se uma mãe abandonar o filho — o que acontece, o que acontece... — «Eu, diz o Senhor, não te abandonarei!». Mas quando, meu Deus, quando confiarei num amor mais seguro que o duma mãe? Quando me sentirei como um pardal ou um lirio?
«Eu nunca te esquecerei», promete o Senhor; e agora, agora como é que eu, com responsabilidades e obrigações para com outros, me vou dispor a confiar caminhando num trapézio sem rede?
Algo tem de mudar. E o que tem de mudar é exactamente os apoios que julgamos que o são, e o mais certo é que o não sejam.
Que confiança extraordinária temos no dinheiro! (Eu sei, eu sei, que precisamos dele!) É tão poderoso que o levamos para todo o lado! (Até para a igreja, que no ofertório ainda não se aceitam cartões de crédito...) É tão poderoso que o levamos no bolso, mas quem anda no bolso do dinherio somos nós, que o deixamos apropriar-se do nosso coração.
Tomou conta da nossa vida, até para as rosas de mais um aniversário de casamento!
Sem ele já nada se faz, já não sabemos viver. Aparentemente tudo se vende e tudo se compra. Tudo tem um preço! E nem sempre justo, antes desmesuradamente cínico.
E não é que somos apenas um sopro, um soprozinho que dura setenta ou oitenta anos? E não é que nada podemos garantir, pelo menos ninguém se pode garantir mais um dia de vida!
Sim, dentro das possibilidades, temos de planear o futuro, de viver o presente lançando os alicerces do que há-de vir. E isso inclui ganhar dinheiro. Não podemos dar-nos à preguiça , a vegetar ou a sugar o suor dos outros. O mundo criado é para ser trabalhado com a força dos braços e da inteligência, porém de sorriso nos lábios e sem o sufoco que é fruto da angústia. Não se corra o risco de deixar que o dinheiro se assenhoreie do nosso coração e não deixe espaço para nos ocuparmos das pessoas, por só sabermos comerciá-las e comerciar as relações.
(Mas, poderá alguma vez ser tudo entregue confiadamente ao dinheiro? Você confiaria o seu bébé a um monte de moedas d’Euro?)
«Ou Deus ou o dinheiro», disse Jesus, que hoje nos ajuda a descobrir o cuidado amoroso de Deus por todas as criaturas: flores, passarinhos e seres humanos. Nós estamos nas mãos de Deus, e nas mãos de Deus é que estamos bem!
Entre nós e Deus há um trapézio sem rede, chama-se confiança. É nosso exercício cruzar o arame. Para o qual temos toda a vida. O truque para não cair no abismo é pensar mais nos outros que em nós, e acreditar que Ele tem umas mãos poderosas que depois do vale das trevas nos hão-de acariciar e secar as lágrimas, e uns braços fortes para, como uma mãe e um pai, nos aconchegar junto ao peito.
Hoje já andou de trapézio?
Chama do Carmo I NS 99 I Fevereiro 26, 2011
Das suas palavras sai a Nova Lei que oferece à comunidade dos seus discípulos. Porque Jesus só dá e só diz o que vive. Entre as muitas coisas que lhes diz — e vale bem a pena lê-las e ouvi-las! — diz exactamente assim: «Não vos preocupeis quanto à vossa vida.»! Jesus é sempre surpreendente; e justifica-se convidando-nos para a simplicidade. «Olhai os passarinhos do céu», «olhai os lirios do campo»!Ah, se prestássemos mais atenção a Jesus!
A crise — lá vem a crise, novamente! — tem aqui a solução: Nem Salomão se vestiu com a leveza dos lírios selvagens, nem jamais os passarinhos armazenaram sementes; e nem um cai sem que Deus o permita!
Valha-me Deus! Como Jesus nos trabalha!
Como pode ser: então não ouvi já milhentas vezes: «Deus esqueceu-se de mim»? Que amargura leio eu nessas palavras! Como nessas alturas me cresce um novelo no estômago que não me deixa sair a voz, e quando sai é tão de falsete que nem a mim convence!
Contaram-me a história dum filósofo que renunciou a tudo. A tudo mesmo, menos a uma pequena malga que guardou para beber água do fontanário. Mas quando observou um cão bebendo sem malga até a sua deitou fora!
Como falar da confiança? Neste tempo de tantos apegos e de apoios impingidos como falar da confiança que Jesus nos propõe?
(Jamais esquecerei aquele meu jovem amigo que, desapoiado, me confiava não estar preparado para casar; e casou daí a seis meses!)
Como é díficil a arte do trapézio sem rede, e mais ainda nas coisas da fé! E mais ainda como Jesus, que não tinha biblioteca nem travesseiro!
Quando ouço «Até Deus me abandonou», lembro-me sempre do grito de Jesus na Cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». E não é que por vezes parece mesmo? Embora também leia nas Escrituras Sagradas que se uma mãe abandonar o filho — o que acontece, o que acontece... — «Eu, diz o Senhor, não te abandonarei!». Mas quando, meu Deus, quando confiarei num amor mais seguro que o duma mãe? Quando me sentirei como um pardal ou um lirio?
«Eu nunca te esquecerei», promete o Senhor; e agora, agora como é que eu, com responsabilidades e obrigações para com outros, me vou dispor a confiar caminhando num trapézio sem rede?
Algo tem de mudar. E o que tem de mudar é exactamente os apoios que julgamos que o são, e o mais certo é que o não sejam.
Que confiança extraordinária temos no dinheiro! (Eu sei, eu sei, que precisamos dele!) É tão poderoso que o levamos para todo o lado! (Até para a igreja, que no ofertório ainda não se aceitam cartões de crédito...) É tão poderoso que o levamos no bolso, mas quem anda no bolso do dinherio somos nós, que o deixamos apropriar-se do nosso coração.
Tomou conta da nossa vida, até para as rosas de mais um aniversário de casamento!
Sem ele já nada se faz, já não sabemos viver. Aparentemente tudo se vende e tudo se compra. Tudo tem um preço! E nem sempre justo, antes desmesuradamente cínico.
E não é que somos apenas um sopro, um soprozinho que dura setenta ou oitenta anos? E não é que nada podemos garantir, pelo menos ninguém se pode garantir mais um dia de vida!
Sim, dentro das possibilidades, temos de planear o futuro, de viver o presente lançando os alicerces do que há-de vir. E isso inclui ganhar dinheiro. Não podemos dar-nos à preguiça , a vegetar ou a sugar o suor dos outros. O mundo criado é para ser trabalhado com a força dos braços e da inteligência, porém de sorriso nos lábios e sem o sufoco que é fruto da angústia. Não se corra o risco de deixar que o dinheiro se assenhoreie do nosso coração e não deixe espaço para nos ocuparmos das pessoas, por só sabermos comerciá-las e comerciar as relações.
(Mas, poderá alguma vez ser tudo entregue confiadamente ao dinheiro? Você confiaria o seu bébé a um monte de moedas d’Euro?)
«Ou Deus ou o dinheiro», disse Jesus, que hoje nos ajuda a descobrir o cuidado amoroso de Deus por todas as criaturas: flores, passarinhos e seres humanos. Nós estamos nas mãos de Deus, e nas mãos de Deus é que estamos bem!
Entre nós e Deus há um trapézio sem rede, chama-se confiança. É nosso exercício cruzar o arame. Para o qual temos toda a vida. O truque para não cair no abismo é pensar mais nos outros que em nós, e acreditar que Ele tem umas mãos poderosas que depois do vale das trevas nos hão-de acariciar e secar as lágrimas, e uns braços fortes para, como uma mãe e um pai, nos aconchegar junto ao peito.
Hoje já andou de trapézio?
Chama do Carmo I NS 99 I Fevereiro 26, 2011
Na sua declaração de IRS ajude o GAF
Sabia que na Declaração de IRS, pode “doar” parte do imposto que suporta?
Esta acção, designada por consignação de imposto, não implica qualquer custo para o contribuinte.
Assim, de uma forma simples e rápida, sem qualquer encargo para si, está a fazer com que o Estado destine 0,5% do seu IRS liquidado ao GAF.
Deste modo, contribui para programas de educação para a saúde, projectos de desenvolvimento e de intervenção com famílias, jovens e crianças em risco, mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos, tornando-se cidadão activo na luta contra a pobreza e exclusão social.
Quando entregar a sua declaração de IRS do ano 2010, faça a sua consignação do imposto liquidado a favor do Gabinete de Atendimento à Família, precisando para isso apenas de inserir o nosso Número de Identificação Fiscal (NIF) – 503 748 935 no campo 901 do Quadro 9 do anexo H (Benefícios fiscais e Deduções) da Declaração de Rendimentos Modelo 3 do IRS do ano de 2010, cujo prazo de entrega decorre durante o ano de 2011.
Não implica mais encargos pessoais e está a ajudar quem mais precisa.
Perde-se apenas 1 minuto por ano para ajudar os outros, 50 segundos a escolher a nossa Instituição e 10 segundos para escrever o Numero de Contribuinte 503 748 935.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Carta aos Capítulos Provinciais
O Padre Geral, Frei Saverio Cannistrà, enviou uma carta a todos os Capítulos Provinciais manifestando a sua proximidade e convidando todos a viver cada Capítulo partindo do objetivo da «busca do projecto de Deus sobre nós, onde se manifesta a verdade mais profunda daquilo que somos no presente e do que somos chamados a ser no futuro.»
Na carta o Prepósito Geral disse de «estar convicto que não podemos fazer um bom discernimento sem uma verdadeira mudança interior. Esta é a «única coisa necessária para não transformar os Capítulos em mera mudança institucional negligenciando a novidade do Espírito», tão necessária na nossa vida religiosa.
O Padre Geral insiste sobre a necessidade de retomar em cada Capítulo as conclusões emanadas dos encontros regionais que nos últimos meses o Paddre Geral e o respectivo Definidor realizaram com os Provinciais e os seus Conselhos.
«Espero que a leitura pessoal e partilhada dos escritos de Santa Teresa possa servir de apoio e de orientação e vos ajude a assumir a responsabilidade que tendes nas vossas respectivas circunscrições.»
Na carta o Prepósito Geral disse de «estar convicto que não podemos fazer um bom discernimento sem uma verdadeira mudança interior. Esta é a «única coisa necessária para não transformar os Capítulos em mera mudança institucional negligenciando a novidade do Espírito», tão necessária na nossa vida religiosa.
O Padre Geral insiste sobre a necessidade de retomar em cada Capítulo as conclusões emanadas dos encontros regionais que nos últimos meses o Paddre Geral e o respectivo Definidor realizaram com os Provinciais e os seus Conselhos.
«Espero que a leitura pessoal e partilhada dos escritos de Santa Teresa possa servir de apoio e de orientação e vos ajude a assumir a responsabilidade que tendes nas vossas respectivas circunscrições.»
Avisos, Fevereiro 27 - Março 07
27 Domingo
Hoje é Domingo das Bênçãos da Família, que celebramos em todas as Eucaristias.
02 de Março, Quarta
Tarde de Adoração Eucarística.
03 Quinta
Dia de oração pelas vocações.
07 Segunda
Dia de oração pelos defuntos da Ordem.
Hoje é Domingo das Bênçãos da Família, que celebramos em todas as Eucaristias.
02 de Março, Quarta
Tarde de Adoração Eucarística.
03 Quinta
Dia de oração pelas vocações.
07 Segunda
Dia de oração pelos defuntos da Ordem.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Processo de beatificação de assassino
Jacques Fesh foi condenado à morte e agora encontra-se em processo de beatificação. Na história da Igreja só há um precedente de um condenado à morte por delitos comuns e elevado à honra dos altares. Trata-se do Bom Ladrão, há 2.000 anos!
Depois do processo diocesano celebrado a Paris, chegam a Roma neste mês os autos da Causa de Beatificação de Jacques Fesch, um jovem francês guilhotinado aos 53 aos pelo homicídio de um polícia, durante um assalto.
Seu pai, Georges Fesh, dirigia um banco em Saint Germain, perto de Paris. Ateu e de temperamento autoritário, não entendia as inseguranças de seu filho Jacques, sensível e inquieto. Para conseguir algum dinheiro, no dia 24 de fevereiro de 1954, o jovem entra armado em uma loja de câmbio em Paris para o assalto. Na fuga dispara sobre um polícia e mata-o. Preso, os pais vão visitá-lo na prisão. Quando a mãe, católica, fica sabendo que o filho poderia ser condenado à morte, oferece a Deus a própria vida, para que o filho ao menos «morra bem».
Enquanto a justiça dos homens faz o seu percurso com os processos, os interrogatórios, as acusações do ministério público e os planos da defesa, o jovem, na solidão da sua cela, lê revistas, clássicos e romances que lhe passam. Também o Capelão e o seu advogado, Baudet, um convertido que se tornara terceiro carmelita lhe incentivam leituras espirituais. Jacques é fulminado pelas figuras de Francisco de Assis, Teresa de Jesus e Teresinha do Menino Jesus a quem chamava de minha Pequena Teresa, bem como pela Divina Comédia. Depois de um ano de detenção tem uma experiência mística em que, conforme relato seu expresso numa carta: «Como um vento impetuoso que passa, sem que se saiba de onde vem, o Espírito do Senhor me agarrou».
A um amigo seu confiou certa vez: «Agora tenho verdadeiramente a certeza de começar a viver pela primeira vez. Estou em paz e dei um sentido à minha vida, enquanto antes não era mais que um morto vivo». Isolado numa pequena cela comunica a sua fé por cartas que depois se tornaram objeto de reflexão por parte dos jovens católicos franceses.
Jacques espera a execução em oração, aceitando-a como ocasião de graça.
Às 5:30h do primeiro dia de Outubro de 1957 (festa de Santa Teresinha), os guardas que vão buscá-lo encontram-no de joelhos e em oração ao lado da cama bem arrumada.
«Senhor, não me abandoneis, eu confio em Vós!» - foram suas últimas palavras.
Jacques e Teresinha
«Que bela esta pequena santa, pois como está tão perto de nós! Pela pequena via, sei que posso levantar-me. Dê as pequenas coisas que não são muito difíceis. Darei o meu cigarro». Jacques se coloca no lugar de Pranzini: Ela salvou a alma de um homem condenado à morte e seu caso é muito semelhante. Teresa de Lisieux era comemorada, naquela época, no dia 3 de outubro, Jacques espera morrer naquele dia: «Sinto que a quinta-feira se aproxima com a minha pequena Santa Teresinha do Menino Jesus». Ele faleceu no dia 1 de Outubro, dia que, depois do Vaticano II, passou a ser o dia da festa de Teresinha.
Depois do processo diocesano celebrado a Paris, chegam a Roma neste mês os autos da Causa de Beatificação de Jacques Fesch, um jovem francês guilhotinado aos 53 aos pelo homicídio de um polícia, durante um assalto.
Seu pai, Georges Fesh, dirigia um banco em Saint Germain, perto de Paris. Ateu e de temperamento autoritário, não entendia as inseguranças de seu filho Jacques, sensível e inquieto. Para conseguir algum dinheiro, no dia 24 de fevereiro de 1954, o jovem entra armado em uma loja de câmbio em Paris para o assalto. Na fuga dispara sobre um polícia e mata-o. Preso, os pais vão visitá-lo na prisão. Quando a mãe, católica, fica sabendo que o filho poderia ser condenado à morte, oferece a Deus a própria vida, para que o filho ao menos «morra bem».
Enquanto a justiça dos homens faz o seu percurso com os processos, os interrogatórios, as acusações do ministério público e os planos da defesa, o jovem, na solidão da sua cela, lê revistas, clássicos e romances que lhe passam. Também o Capelão e o seu advogado, Baudet, um convertido que se tornara terceiro carmelita lhe incentivam leituras espirituais. Jacques é fulminado pelas figuras de Francisco de Assis, Teresa de Jesus e Teresinha do Menino Jesus a quem chamava de minha Pequena Teresa, bem como pela Divina Comédia. Depois de um ano de detenção tem uma experiência mística em que, conforme relato seu expresso numa carta: «Como um vento impetuoso que passa, sem que se saiba de onde vem, o Espírito do Senhor me agarrou».
A um amigo seu confiou certa vez: «Agora tenho verdadeiramente a certeza de começar a viver pela primeira vez. Estou em paz e dei um sentido à minha vida, enquanto antes não era mais que um morto vivo». Isolado numa pequena cela comunica a sua fé por cartas que depois se tornaram objeto de reflexão por parte dos jovens católicos franceses.
Jacques espera a execução em oração, aceitando-a como ocasião de graça.
Às 5:30h do primeiro dia de Outubro de 1957 (festa de Santa Teresinha), os guardas que vão buscá-lo encontram-no de joelhos e em oração ao lado da cama bem arrumada.
«Senhor, não me abandoneis, eu confio em Vós!» - foram suas últimas palavras.
Jacques e Teresinha
«Que bela esta pequena santa, pois como está tão perto de nós! Pela pequena via, sei que posso levantar-me. Dê as pequenas coisas que não são muito difíceis. Darei o meu cigarro». Jacques se coloca no lugar de Pranzini: Ela salvou a alma de um homem condenado à morte e seu caso é muito semelhante. Teresa de Lisieux era comemorada, naquela época, no dia 3 de outubro, Jacques espera morrer naquele dia: «Sinto que a quinta-feira se aproxima com a minha pequena Santa Teresinha do Menino Jesus». Ele faleceu no dia 1 de Outubro, dia que, depois do Vaticano II, passou a ser o dia da festa de Teresinha.
Agradeço-te, Senhor
Agradeço-te, Senhor, por respirar e existir.
Agradeço-te por tudo o que tenho e me rodeia.
Agradeço-te pelo que comi: é dádiva tua.
Agradeço-te por me teres permitido
viver e trabalhar hoje, e sentir alegria;
por ter encontrado esta pessoa,
e ter comprovado a fidelidade daquela.
Agradeço-te por tudo.
Romano Guardini (1885 – 1968)
Agradeço-te por tudo o que tenho e me rodeia.
Agradeço-te pelo que comi: é dádiva tua.
Agradeço-te por me teres permitido
viver e trabalhar hoje, e sentir alegria;
por ter encontrado esta pessoa,
e ter comprovado a fidelidade daquela.
Agradeço-te por tudo.
Romano Guardini (1885 – 1968)
Nova Carminhada dos Jovens do Carmo
Os Jovens Carmelitas carminharam por terras e areias de Vila Praia de Âncora, num inesperado e belo dia de sol! Dizem que ali descobriram o oceano que faltava. Saiba qual, e muito mais. Eles que foram bem acolhidos pela comundiade local: jovens, catequistas e Pároco, contam tudo aqui.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Queridos Inimigos!
Jesus está na montanha a pregar o Sermão da Montanha. Ficou louco, Jesus? Fizeram-lhe mal as alturas? É que, de facto, a sua proposta sai-lhe tão ousada, tão arrebatada, que não parece ser de levar a sério. Mas é. Jesus está mesmo bom da cabeça quando propõe o amor aos inimigos.
Vivemos tempos neutros; tempos aos quais já quase não se fazem propostas radicais, com o arrojo das de Jesus. São por isso tempos que se vão vivendo por não apetecê-los.
E se todos tratássemos os inimigos como amigos, como queridos inimigos?
Dizem-me que nós os padres já não pregamos como antigamente, que os retiros são passeios ou encontros, que já ninguém propõe com seriedade o Evangelho, que temos tanto medo de falar em exigência, por sermos tão poucos, que evitamos perder os poucos que ainda nos restam.
Seja, embora não creia que seja tanto assim.
Vivemos tempos débeis. Nada nos anima a caminhar de tão ténue e breve é o que nos propomos. Ninguém quer experiências que durem ou fidelidades que permaneçam. O que vale é o que passa depois que por lá passamos sem nos molharmos, sem muito nos comprometermos. O que vale é que Eu estive lá, mas agora vivo como se lá não tivesse ido. Curtir é que é bué da fixe e muito tótil.
O compromisso e a exigência obrigam a dar o corte porque é muito fatela e xunga de mais.
Cada um é como cada qual, já não há lugar para e seriedade, e a verdade é o que fôr a conveniência do momento. Para quê afirmar verdades se cada um pode viver com a sua opinião? Sim, mas como poderemos nós viver tão medianos, indistintos e indiferenciados sem dar lugar ao que é e deve ser?
Vamos, pois, ao cerne, sem o qual nada se sustenta.
No excerto do Evangelho deste domingo Jesus propõe-nos algo radical. E, sinceramente, não me parece que tenha falado apenas para um punhado de eleitos ou privilegiados. A proposta radical do Evangelho continua válida e válida se repropõe a todos. Não a afoguemos nem a adociquemos. A proposta de Jesus é só uma e bem clara: Sede santos como o vosso Pai do céu é santo!
Quereríamos desafio mais radical? Não creio que seja possível radicalizar mais, porque lá diz o refrão do povo, que o parece ter lido a Bíblia: Tal pai, tal filho. Que tal filho como qual pai.
O certo, porém, é que, subrepticiamente, o cancro também nos minou a nós. Como os demais quisemos ser modernos e descartamos a fidelidade; aquele pedaço de Evangelho é exigente?, então será porque é só para alguns; A caridade é difícil?, então é fácil reclamar o nosso direito ao descanso e ao bem-estar.
O Evangelho perdeu o ferrão, e o cristão de tão ecuménico já quase não sabe o que deve ou não deve, pode ou não pode fazer, porque, no fim de contas, os outros também o fazem.
E a regra que passa a valer é a do Todos à uma, mesmo que o caminho seja errado.
Se é certo que muitos advogam que o Cristianismo deveria deixar de pregar aos não crentes, também é certo que a caridade é o nosso tónus indeclinável. E por isso indispensável do que somos.
O diferente sempre interpelou mais e mais deixou a consciência aos sobressaltos. Por isso não creio que baste ser simpático e sorrir, ter olhar sincero e seguir em frente.
Por onde passamos deixamos mais ou menos indelével a nossa pegada cristã, que ainda que não queiramos brilha nas obras que fazemos. Creio que era isso que Cristo queria dizer no Evangelho. Um cristão é um cristão, mesmo que não lhe exijam que prove a sua fé.
Nós repugnamos o fizeste-as paga-las!, porque o amor aos inimigos é o Evangelho que nos ungiu, o coração que late em nós. Estará, porém, ao alcance sincero das nossas forças declinar a ira e repudiar o desejo de vingança? Este desafio tão radical de Jesus — de amarmos os inimigos, é honestamente possível?
Humanamente não, divinamente sim.
Por alguma razão lemos no Evangelho: «Orai por aqueles que vos perseguem»; isto é, juntai às forças humanas da não beligerância a suave unção da oração, porque quando rezamos pelos inimigos então já eles deixaram de o ser.
E na segunda leitura, Paulo diz o seguinte: «O Espírito Santo vive em vós!». Ora, quando rezamos pelos inimigos e lhes perdoamos e até os amamos, estamos, simplesmente, deixando que Deus seja Deus em nós e pelas nossas acções, e que, humilde, deixe que se nos atribua o mérito que lhe é devido. É pois possível amar os inimigos? É. É tão possível quanto deixamos que Deus viva e actue na estreiteza da nossa vida e no nada das nossas acções. Se Deus desde o céu «faz nascer o sol sobre bons e maus», porque haveria de deixar de ser Deus quando na terra habita o nosso coração?
Olá, pois, Queridos Inimigos!
Chama do Carmo I NS 98 I Fevereiro 20, 2011
Vivemos tempos neutros; tempos aos quais já quase não se fazem propostas radicais, com o arrojo das de Jesus. São por isso tempos que se vão vivendo por não apetecê-los.
E se todos tratássemos os inimigos como amigos, como queridos inimigos?
Dizem-me que nós os padres já não pregamos como antigamente, que os retiros são passeios ou encontros, que já ninguém propõe com seriedade o Evangelho, que temos tanto medo de falar em exigência, por sermos tão poucos, que evitamos perder os poucos que ainda nos restam.
Seja, embora não creia que seja tanto assim.
Vivemos tempos débeis. Nada nos anima a caminhar de tão ténue e breve é o que nos propomos. Ninguém quer experiências que durem ou fidelidades que permaneçam. O que vale é o que passa depois que por lá passamos sem nos molharmos, sem muito nos comprometermos. O que vale é que Eu estive lá, mas agora vivo como se lá não tivesse ido. Curtir é que é bué da fixe e muito tótil.
O compromisso e a exigência obrigam a dar o corte porque é muito fatela e xunga de mais.
Cada um é como cada qual, já não há lugar para e seriedade, e a verdade é o que fôr a conveniência do momento. Para quê afirmar verdades se cada um pode viver com a sua opinião? Sim, mas como poderemos nós viver tão medianos, indistintos e indiferenciados sem dar lugar ao que é e deve ser?
Vamos, pois, ao cerne, sem o qual nada se sustenta.
No excerto do Evangelho deste domingo Jesus propõe-nos algo radical. E, sinceramente, não me parece que tenha falado apenas para um punhado de eleitos ou privilegiados. A proposta radical do Evangelho continua válida e válida se repropõe a todos. Não a afoguemos nem a adociquemos. A proposta de Jesus é só uma e bem clara: Sede santos como o vosso Pai do céu é santo!
Quereríamos desafio mais radical? Não creio que seja possível radicalizar mais, porque lá diz o refrão do povo, que o parece ter lido a Bíblia: Tal pai, tal filho. Que tal filho como qual pai.
O certo, porém, é que, subrepticiamente, o cancro também nos minou a nós. Como os demais quisemos ser modernos e descartamos a fidelidade; aquele pedaço de Evangelho é exigente?, então será porque é só para alguns; A caridade é difícil?, então é fácil reclamar o nosso direito ao descanso e ao bem-estar.
O Evangelho perdeu o ferrão, e o cristão de tão ecuménico já quase não sabe o que deve ou não deve, pode ou não pode fazer, porque, no fim de contas, os outros também o fazem.
E a regra que passa a valer é a do Todos à uma, mesmo que o caminho seja errado.
Se é certo que muitos advogam que o Cristianismo deveria deixar de pregar aos não crentes, também é certo que a caridade é o nosso tónus indeclinável. E por isso indispensável do que somos.
O diferente sempre interpelou mais e mais deixou a consciência aos sobressaltos. Por isso não creio que baste ser simpático e sorrir, ter olhar sincero e seguir em frente.
Por onde passamos deixamos mais ou menos indelével a nossa pegada cristã, que ainda que não queiramos brilha nas obras que fazemos. Creio que era isso que Cristo queria dizer no Evangelho. Um cristão é um cristão, mesmo que não lhe exijam que prove a sua fé.
Nós repugnamos o fizeste-as paga-las!, porque o amor aos inimigos é o Evangelho que nos ungiu, o coração que late em nós. Estará, porém, ao alcance sincero das nossas forças declinar a ira e repudiar o desejo de vingança? Este desafio tão radical de Jesus — de amarmos os inimigos, é honestamente possível?
Humanamente não, divinamente sim.
Por alguma razão lemos no Evangelho: «Orai por aqueles que vos perseguem»; isto é, juntai às forças humanas da não beligerância a suave unção da oração, porque quando rezamos pelos inimigos então já eles deixaram de o ser.
E na segunda leitura, Paulo diz o seguinte: «O Espírito Santo vive em vós!». Ora, quando rezamos pelos inimigos e lhes perdoamos e até os amamos, estamos, simplesmente, deixando que Deus seja Deus em nós e pelas nossas acções, e que, humilde, deixe que se nos atribua o mérito que lhe é devido. É pois possível amar os inimigos? É. É tão possível quanto deixamos que Deus viva e actue na estreiteza da nossa vida e no nada das nossas acções. Se Deus desde o céu «faz nascer o sol sobre bons e maus», porque haveria de deixar de ser Deus quando na terra habita o nosso coração?
Olá, pois, Queridos Inimigos!
Chama do Carmo I NS 98 I Fevereiro 20, 2011
Avisos, Fevereiro 20-27
21, SegundaDia de oração pelos defuntos da Ordem.
22, Terça
Festa da Cadeira de São Pedro.
23, Quarta
Memória de S. Policarpo, bispo e mártir (69 -155).
27, Domingo
Celebramos o Domingo das bênçãos.
22, Terça
Festa da Cadeira de São Pedro.
23, Quarta
Memória de S. Policarpo, bispo e mártir (69 -155).
27, Domingo
Celebramos o Domingo das bênçãos.
Se a criança…
Se uma criança vive na crítica aprende a condenar.
Se uma criança vive na hostilidade aprende a combater.
Se uma criança vive na ironia aprende a ser tímido.
Se uma criança vive na vergonha aprende a sentir-se culpada.
Se uma criança vive na tolerância aprende a ser paciente.
Se uma criança vive no encorajamento aprende a ter confiança.
Se uma criança vive no louvor aprende a apreciar.
Se uma criança vive na sinceridade aprende a justiça.
Se uma criança vive na segurança aprende a ter fé.
Se uma criança vive na aprovação aprende a aceitar-se.
Se uma criança vive na aceitação e na amizade
aprende a encontrar o amor no mundo.
Dorothy Law Nolte
Senhor,
ajuda-me a amar a verdade,
a lutar pela paz,
a não colaborar com os mais violentos
e viver na alegria.
Amen.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Catequese papal sobre São João da Cruz
"Queridos irmãos e irmãs,
há duas semanas, apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus. Hoje, desejo falar de outro importante Santo daquelas terras, amigo espiritual de Santa Teresa, reformador, juntamente com ela, da família religiosa carmelitana: São João da Cruz, proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI, em 1926, e chamado na tradição de Doctor mysticus, “Doutor místico”.
João da Cruz nasceu em 1542, no pequeno vilarejo de Fontiveros, próximo de Ávila, de Castilha a Velha, filho de Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. A família era paupérrima, porque o pai, de nobre origem de Toledo, havia sido expulso de casa e deserdado por ter desposado Catalina, uma humilde tecelã de seda. Órfão de pai em tenra idade, João, aos nove anos, transferiu-se, com a mãe e o irmão, a Medina del Campo, próximo a Valladolid, centro comercial e cultural. Ali frequentou o Colegio de los Doctrinos, desempenhando alguns humildes serviços para a Igreja-convento da Madalena.
Sucessivamente, dadas as suas qualidades humanas e os seus resultados nos estudos, foi admitido primeiro como enfermeiro no Hospital da Conceição, depois no Colégio dos Jesuítas, recém fundado em Medina del Campo: ali, João entrou aos dezoito anos e estudou, por três anos, ciências humanas, retórica e línguas clássicas. Ao final da formação, ele tinha bem clara a sua vocação: a vida religiosa e, entre tantas ordens presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo.
No verão de 1563, iniciou o noviciado junto aos Carmelitanos da cidade, assumindo o nome religioso de Matias. No ano seguinte, foi destinado à prestigiada Universidade de Salamanca, onde estudou por um triénio arte e filosofia. Em 1567, foi ordenado sacerdote e retornou a Medina del Campo para celebrar a sua Primeira Missa, circundado pelo afecto dos familiares. Exactamente aqui acontece o primeiro encontro entre João e Teresa de Jesus. O encontro foi decisivo para ambos: Teresa lhe expôs o seu plano de reforma do Carmelo também no ramo masculino da Ordem e propôs a João para aderi-lo "para maior glória de Deus"; o jovem sacerdote ficou fascinado pelas ideias de Teresa, tanto que se tornou um grande apoiador do projeto. Os dois trabalharam em conjunto alguns meses, partilhando ideais e propostas para inaugurar o mais rápido possível a primeira casa de Carmelitanos Descalços: a abertura acontece em 28 de Dezembro de 1568 em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila.
Com João, formavam essa primeira comunidade masculina reformada outros três companheiros. Ao renovar a sua profissão religiosa segundo a Regra primitiva, os quatro adoptaram um novo nome: João chamou-se então “da Cruz”, como será depois universalmente conhecido. Ao final de 1572, sob pedido de santa Teresa, torna-se confessor e vigário do Mosteiro da Encarnação de Ávila, do qual a Santa era priora. Foram anos de estreita colaboração e amizade espiritual, que enriqueceu a ambos. Naquele período, surgem também as mais importantes obras teresianas e os primeiros escritos de João.
A adesão à reforma carmelitana não foi fácil e custou a João também graves sofrimentos. O episódio mais traumático foi, em 1577, o seu rapto e encarceramento no Convento dos Carmelitanos da Antiga Observância de Toledo, após uma injusta acusação. O Santo permanece aprisionado por meses, submetido a privações e constrições físicas e morais. Ali compôs, juntamente a outras poesias, o célebre Cântico espiritual. Finalmente, na noite entre 16 e 17 de Agosto de 1578, consegue fugir de modo aventureiro, abrigando-se no mosteiro das Carmelitanas Descalças da cidade. Santa Teresa e as companheiras reformadas celebraram, com imensa alegria, a sua libertação e, após um breve tempo de recuperação das forças, João foi destinado à Andaluzia, onde passa dez anos em vários conventos, especialmente em Granada. Assume encargos sempre mais importantes na Ordem, até tornar-se Vigário Provincial, e completou a elaboração de seus tratados espirituais.
Retornou depois à sua terra natal, como membro do governo geral da família religiosa teresiana, que já gozava de plena autonomia jurídica. Morou no Carmelo de Segóvia, desenvolvendo o ofício de superior daquela comunidade. Em 1591, foi dispensado de suas responsabilidades e destinado à nova Província religiosa do México. Enquanto preparava-se para a longa viagem com outros dez companheiros, retirou-se para um convento solitário próximo a Jaén, onde ficou gravemente doente. João enfrentou com exemplar serenidade e paciência enormes sofrimentos. Morreu na noite entre 13 e 14 de Dezembro de 1591, enquanto os coirmãos recitavam o Ofício matutino. Despediu-se deles dizendo: "Hoje vou cantar o Ofício no céu". Os seus restos mortais foram transladados a Segóvia. Foi beatificado por Clemente X em 1675 e canonizado por Bento XIII em 1726.
João é considerado um dos mais importantes poetas líricos da literatura espanhola. As obras maiores são quatro: Subida ao Monte Carmelo, Noite escura, Cântico espiritual e Chama viva de amor.
No Cântico espiritual, São João apresenta o caminho de purificação da alma, isto é, a progressiva posse alegre de Deus, até que a alma passe a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é amada por Ele. A Chama viva de amor prossegue nessa perspectiva, descrevendo mais detalhadamente o estado de união transformadora com Deus. A comparação utilizada por João é sempre aquela do fogo: como o fogo quanto mais arde e consome a lenha tanto mais se faz incandescente até tornar-se chama, da mesma forma o Espírito Santo, que durante a noite escura purifica e “pule” a alma, com o tempo a ilumina e a aquece como se fosse uma chama. A vida da alma é uma contínua festa do Espírito Santo, que deixa entrever a glória da união com Deus na eternidade.
A Subida ao Monte Carmelo apresenta o itinerário espiritual do ponto de vista da purificação progressiva da alma, necessária para escalar o cume da perfeição cristã, simbolizada pelo cume do Monte Carmelo. Tal purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, colaborando com a acção divina, para libertar a alma de todo apego ou afecto contrário à vontade de Deus. A purificação, que para chegar à união com Deus deve ser total, inicia a partir da vida dos sentidos e prossegue naquela que se obtém por meio das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade.
A Noite escura descreve o aspecto "passivo", ou seja, a intervenção de Deus nesse processo de "purificação" da alma. O esforço humano, de fato, é incapaz sozinho de chegar até as raízes profundas das inclinações e dos hábitos cativos da pessoa: pode somente freá-los, mas não erradicá-los completamente. Para fazê-lo, é necessária a acção especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe à união de amor com Ele. São João define "passiva" tal purificação de amor com Ele exactamente porque, embora aceita pela alma, é realizada pela acção misteriosa do Espírito Santo que, como chama de fogo, consome toda a impureza. Nesse estado, a alma é submetida a todo o tipo de provação, como se se encontrasse em uma noite escura.
Essas indicações sobre as obras principais do Santo ajudam-nos a aproximarmo-nos dos pontos salientes da sua vasta e profunda doutrina mística, cujo objectivo é o de descrever um caminho seguro para chegar à santidade, o estado de perfeição a que Deus chama a todos nós. Segundo João da Cruz, tudo aquilo que existe, criado por Deus, é bom. Através das criaturas, nós podemos chegar à descoberta d'Aquele que, nelas, deixou um traço de si. A fé, porém, é a única fonte dada ao homem para conhecer a Deus assim como Ele é em si mesmo, como Deus Uno e Trino. Tudo aquilo que Deus queria comunicar ao homem, o fez em Jesus Cristo, a sua Palavra feita carne. Jesus Cristo é a única e definitiva via ao Pai (cf. Jo 14,6). Todas as coisas criadas são nada em relação a Deus e nada tem valor fora d'Ele: por consequência, para chegar ao amor perfeito de Deus, todo outro amor deve configurar-se em Cristo ao amor divino. Daqui deriva a insistência de São João da Cruz sobre a necessidade da purificação e do esvaziamento interior para transformar-se em Deus, que é a meta única da perfeição.
Essa "purificação" não consiste na simples privação física das coisas ou do seu uso; aquilo que torna a alma pura e livre, ao contrário, é eliminar toda a dependência desordenada das coisas. Tudo é colocado em Deus como centro e fim da vida. O longo e cansativo processo de purificação exige certamente o esforço pessoal, mas o verdadeiro protagonista é Deus: tudo aquilo que o homem pode fazer é "dispor-se", estar aberto à acção divina e não colocar obstáculos. Vivendo as virtudes teologais, o homem se eleva e dá valor ao próprio empenho. O ritmo de crescimento da fé, da esperança e da caridade anda de mãos dadas com a obra de purificação e com a progressiva união com Deus, até transformar-se n'Ele. Quando se chega a essa meta, a alma emerge na própria vida trinitária, de modo que São João afirma que ela chega a amar a Deus com o mesmo amor com que Ele a ama, porque a ama no Espírito Santo. Eis porque o Doutor Místico sustenta que não existe verdadeira união de amor com Deus se não culmina na união trinitária. Nesse estado supremo, a alma santa conhece tudo em Deus e não deve mais passar através das criaturas para chegar a Ele. A alma se sente já inundada pelo amor divino e se alegra completamente nele.
Queridos irmãos e irmãs, ao fim permanece a questão: esse santo, com a sua alta mística, com esse árduo caminho rumo ao cume da perfeição, tem algo a dizer também a nós, ao cristão normal, que vive nas circunstâncias desta vida de hoje, ou é um exemplo, um modelo somente para poucas almas eleitas que podem realmente iniciar essa via da purificação, da ascese mística? Para encontrar a resposta, devemos, antes de tudo, ter presente que a vida de São João da Cruz não foi um "voar sobre nuvens místicas", mas foi uma vida muito dura, muito prática e concreta, seja como reformador da ordem, onde encontrou tantas oposições, seja como superior provincial, seja no cárcere de seus coirmãos, onde era exposto a insultos inacreditáveis e a maltratos físicos. Foi uma vida dura, mas exactamente nos meses passados nos cárceres ele escreveu uma das suas obras mais bonitas. E, assim, podemos compreender que o caminho com Cristo, o andar com Cristo, "a Via", não é um peso a mais ao já suficientemente duro fardo da nossa vida, não é algo que tornaria mais pesado esse fardo, mas é algo completamente diferente, é uma luz, uma força, que nos ajuda a levar esse fardo.
Se um homem carrega consigo um grande amor, esse amor lhe dá quase asas, e suporta mais facilmente todas as moléstias da vida, porque leva em si essa grande luz; isso é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus. Esse deixar-se amar é a luz que nos ajuda a levar o fardo todo o dia. E a santidade não é uma obra nossa, muito difícil, mas é exactamente essa "abertura": abrir as janelas da nossa alma para que a luz de Deus possa entrar, não esquecer a Deus, porque exactamente na abertura à sua luz se encontra a força, se encontra a alegria dos remidos. Peçamos ao Senhor para que nos ajude a encontrar essa santidade, deixemo-nos amar por Deus, que é a vocação de nós todos e a verdadeira redenção. Obrigado."
Sua Santidade, Papa Bento XVI.
Tradução de Leonardo Meira
Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé
há duas semanas, apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus. Hoje, desejo falar de outro importante Santo daquelas terras, amigo espiritual de Santa Teresa, reformador, juntamente com ela, da família religiosa carmelitana: São João da Cruz, proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI, em 1926, e chamado na tradição de Doctor mysticus, “Doutor místico”.
João da Cruz nasceu em 1542, no pequeno vilarejo de Fontiveros, próximo de Ávila, de Castilha a Velha, filho de Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. A família era paupérrima, porque o pai, de nobre origem de Toledo, havia sido expulso de casa e deserdado por ter desposado Catalina, uma humilde tecelã de seda. Órfão de pai em tenra idade, João, aos nove anos, transferiu-se, com a mãe e o irmão, a Medina del Campo, próximo a Valladolid, centro comercial e cultural. Ali frequentou o Colegio de los Doctrinos, desempenhando alguns humildes serviços para a Igreja-convento da Madalena.
Sucessivamente, dadas as suas qualidades humanas e os seus resultados nos estudos, foi admitido primeiro como enfermeiro no Hospital da Conceição, depois no Colégio dos Jesuítas, recém fundado em Medina del Campo: ali, João entrou aos dezoito anos e estudou, por três anos, ciências humanas, retórica e línguas clássicas. Ao final da formação, ele tinha bem clara a sua vocação: a vida religiosa e, entre tantas ordens presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo.
No verão de 1563, iniciou o noviciado junto aos Carmelitanos da cidade, assumindo o nome religioso de Matias. No ano seguinte, foi destinado à prestigiada Universidade de Salamanca, onde estudou por um triénio arte e filosofia. Em 1567, foi ordenado sacerdote e retornou a Medina del Campo para celebrar a sua Primeira Missa, circundado pelo afecto dos familiares. Exactamente aqui acontece o primeiro encontro entre João e Teresa de Jesus. O encontro foi decisivo para ambos: Teresa lhe expôs o seu plano de reforma do Carmelo também no ramo masculino da Ordem e propôs a João para aderi-lo "para maior glória de Deus"; o jovem sacerdote ficou fascinado pelas ideias de Teresa, tanto que se tornou um grande apoiador do projeto. Os dois trabalharam em conjunto alguns meses, partilhando ideais e propostas para inaugurar o mais rápido possível a primeira casa de Carmelitanos Descalços: a abertura acontece em 28 de Dezembro de 1568 em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila.
Com João, formavam essa primeira comunidade masculina reformada outros três companheiros. Ao renovar a sua profissão religiosa segundo a Regra primitiva, os quatro adoptaram um novo nome: João chamou-se então “da Cruz”, como será depois universalmente conhecido. Ao final de 1572, sob pedido de santa Teresa, torna-se confessor e vigário do Mosteiro da Encarnação de Ávila, do qual a Santa era priora. Foram anos de estreita colaboração e amizade espiritual, que enriqueceu a ambos. Naquele período, surgem também as mais importantes obras teresianas e os primeiros escritos de João.
A adesão à reforma carmelitana não foi fácil e custou a João também graves sofrimentos. O episódio mais traumático foi, em 1577, o seu rapto e encarceramento no Convento dos Carmelitanos da Antiga Observância de Toledo, após uma injusta acusação. O Santo permanece aprisionado por meses, submetido a privações e constrições físicas e morais. Ali compôs, juntamente a outras poesias, o célebre Cântico espiritual. Finalmente, na noite entre 16 e 17 de Agosto de 1578, consegue fugir de modo aventureiro, abrigando-se no mosteiro das Carmelitanas Descalças da cidade. Santa Teresa e as companheiras reformadas celebraram, com imensa alegria, a sua libertação e, após um breve tempo de recuperação das forças, João foi destinado à Andaluzia, onde passa dez anos em vários conventos, especialmente em Granada. Assume encargos sempre mais importantes na Ordem, até tornar-se Vigário Provincial, e completou a elaboração de seus tratados espirituais.
Retornou depois à sua terra natal, como membro do governo geral da família religiosa teresiana, que já gozava de plena autonomia jurídica. Morou no Carmelo de Segóvia, desenvolvendo o ofício de superior daquela comunidade. Em 1591, foi dispensado de suas responsabilidades e destinado à nova Província religiosa do México. Enquanto preparava-se para a longa viagem com outros dez companheiros, retirou-se para um convento solitário próximo a Jaén, onde ficou gravemente doente. João enfrentou com exemplar serenidade e paciência enormes sofrimentos. Morreu na noite entre 13 e 14 de Dezembro de 1591, enquanto os coirmãos recitavam o Ofício matutino. Despediu-se deles dizendo: "Hoje vou cantar o Ofício no céu". Os seus restos mortais foram transladados a Segóvia. Foi beatificado por Clemente X em 1675 e canonizado por Bento XIII em 1726.
João é considerado um dos mais importantes poetas líricos da literatura espanhola. As obras maiores são quatro: Subida ao Monte Carmelo, Noite escura, Cântico espiritual e Chama viva de amor.
No Cântico espiritual, São João apresenta o caminho de purificação da alma, isto é, a progressiva posse alegre de Deus, até que a alma passe a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é amada por Ele. A Chama viva de amor prossegue nessa perspectiva, descrevendo mais detalhadamente o estado de união transformadora com Deus. A comparação utilizada por João é sempre aquela do fogo: como o fogo quanto mais arde e consome a lenha tanto mais se faz incandescente até tornar-se chama, da mesma forma o Espírito Santo, que durante a noite escura purifica e “pule” a alma, com o tempo a ilumina e a aquece como se fosse uma chama. A vida da alma é uma contínua festa do Espírito Santo, que deixa entrever a glória da união com Deus na eternidade.
A Subida ao Monte Carmelo apresenta o itinerário espiritual do ponto de vista da purificação progressiva da alma, necessária para escalar o cume da perfeição cristã, simbolizada pelo cume do Monte Carmelo. Tal purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, colaborando com a acção divina, para libertar a alma de todo apego ou afecto contrário à vontade de Deus. A purificação, que para chegar à união com Deus deve ser total, inicia a partir da vida dos sentidos e prossegue naquela que se obtém por meio das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade.
A Noite escura descreve o aspecto "passivo", ou seja, a intervenção de Deus nesse processo de "purificação" da alma. O esforço humano, de fato, é incapaz sozinho de chegar até as raízes profundas das inclinações e dos hábitos cativos da pessoa: pode somente freá-los, mas não erradicá-los completamente. Para fazê-lo, é necessária a acção especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe à união de amor com Ele. São João define "passiva" tal purificação de amor com Ele exactamente porque, embora aceita pela alma, é realizada pela acção misteriosa do Espírito Santo que, como chama de fogo, consome toda a impureza. Nesse estado, a alma é submetida a todo o tipo de provação, como se se encontrasse em uma noite escura.
Essas indicações sobre as obras principais do Santo ajudam-nos a aproximarmo-nos dos pontos salientes da sua vasta e profunda doutrina mística, cujo objectivo é o de descrever um caminho seguro para chegar à santidade, o estado de perfeição a que Deus chama a todos nós. Segundo João da Cruz, tudo aquilo que existe, criado por Deus, é bom. Através das criaturas, nós podemos chegar à descoberta d'Aquele que, nelas, deixou um traço de si. A fé, porém, é a única fonte dada ao homem para conhecer a Deus assim como Ele é em si mesmo, como Deus Uno e Trino. Tudo aquilo que Deus queria comunicar ao homem, o fez em Jesus Cristo, a sua Palavra feita carne. Jesus Cristo é a única e definitiva via ao Pai (cf. Jo 14,6). Todas as coisas criadas são nada em relação a Deus e nada tem valor fora d'Ele: por consequência, para chegar ao amor perfeito de Deus, todo outro amor deve configurar-se em Cristo ao amor divino. Daqui deriva a insistência de São João da Cruz sobre a necessidade da purificação e do esvaziamento interior para transformar-se em Deus, que é a meta única da perfeição.
Essa "purificação" não consiste na simples privação física das coisas ou do seu uso; aquilo que torna a alma pura e livre, ao contrário, é eliminar toda a dependência desordenada das coisas. Tudo é colocado em Deus como centro e fim da vida. O longo e cansativo processo de purificação exige certamente o esforço pessoal, mas o verdadeiro protagonista é Deus: tudo aquilo que o homem pode fazer é "dispor-se", estar aberto à acção divina e não colocar obstáculos. Vivendo as virtudes teologais, o homem se eleva e dá valor ao próprio empenho. O ritmo de crescimento da fé, da esperança e da caridade anda de mãos dadas com a obra de purificação e com a progressiva união com Deus, até transformar-se n'Ele. Quando se chega a essa meta, a alma emerge na própria vida trinitária, de modo que São João afirma que ela chega a amar a Deus com o mesmo amor com que Ele a ama, porque a ama no Espírito Santo. Eis porque o Doutor Místico sustenta que não existe verdadeira união de amor com Deus se não culmina na união trinitária. Nesse estado supremo, a alma santa conhece tudo em Deus e não deve mais passar através das criaturas para chegar a Ele. A alma se sente já inundada pelo amor divino e se alegra completamente nele.
Queridos irmãos e irmãs, ao fim permanece a questão: esse santo, com a sua alta mística, com esse árduo caminho rumo ao cume da perfeição, tem algo a dizer também a nós, ao cristão normal, que vive nas circunstâncias desta vida de hoje, ou é um exemplo, um modelo somente para poucas almas eleitas que podem realmente iniciar essa via da purificação, da ascese mística? Para encontrar a resposta, devemos, antes de tudo, ter presente que a vida de São João da Cruz não foi um "voar sobre nuvens místicas", mas foi uma vida muito dura, muito prática e concreta, seja como reformador da ordem, onde encontrou tantas oposições, seja como superior provincial, seja no cárcere de seus coirmãos, onde era exposto a insultos inacreditáveis e a maltratos físicos. Foi uma vida dura, mas exactamente nos meses passados nos cárceres ele escreveu uma das suas obras mais bonitas. E, assim, podemos compreender que o caminho com Cristo, o andar com Cristo, "a Via", não é um peso a mais ao já suficientemente duro fardo da nossa vida, não é algo que tornaria mais pesado esse fardo, mas é algo completamente diferente, é uma luz, uma força, que nos ajuda a levar esse fardo.
Se um homem carrega consigo um grande amor, esse amor lhe dá quase asas, e suporta mais facilmente todas as moléstias da vida, porque leva em si essa grande luz; isso é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus. Esse deixar-se amar é a luz que nos ajuda a levar o fardo todo o dia. E a santidade não é uma obra nossa, muito difícil, mas é exactamente essa "abertura": abrir as janelas da nossa alma para que a luz de Deus possa entrar, não esquecer a Deus, porque exactamente na abertura à sua luz se encontra a força, se encontra a alegria dos remidos. Peçamos ao Senhor para que nos ajude a encontrar essa santidade, deixemo-nos amar por Deus, que é a vocação de nós todos e a verdadeira redenção. Obrigado."
Sua Santidade, Papa Bento XVI.
Tradução de Leonardo Meira
Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Oração (I)
Não oramos para que Deus altere a sua mente a nossa respeito, mas para mudarmos a nossa mente acerca de Deus.
Não oramos para manipular a história e dobrá-la à nossa vontade, mas porque Deus quer que recebamos as coisas de acordo com as nossas orações e, por isso, as reconheçamos como dons.
A oração educa os nossos desejos e faz de nós pessoas apaixonadas.
A oração cura os nossos desejos de fantasia e põe-nos em contacto com as nossas aspirações fundamentais.
Timothy Radcliffe.
Não oramos para manipular a história e dobrá-la à nossa vontade, mas porque Deus quer que recebamos as coisas de acordo com as nossas orações e, por isso, as reconheçamos como dons.
A oração educa os nossos desejos e faz de nós pessoas apaixonadas.
A oração cura os nossos desejos de fantasia e põe-nos em contacto com as nossas aspirações fundamentais.
Timothy Radcliffe.
Oração
Quando rezamos em conjunto, devemos também ter confiança que a oração penetra no mundo, atravessando os muros da igreja.
Quando rezamos em conjunto, isso tem implicações em todo o lado; o mundo à nossa volta torna-se mais transparente e acolhedor. Criamos uma atmosfera nova. O campo dos pensamentos e dos sentimentos humanos altera-se.
A oração produz um verdadeiro terramoto no mundo, que deixa de ser o que era.
Anselm Grun.
Quando rezamos em conjunto, isso tem implicações em todo o lado; o mundo à nossa volta torna-se mais transparente e acolhedor. Criamos uma atmosfera nova. O campo dos pensamentos e dos sentimentos humanos altera-se.
A oração produz um verdadeiro terramoto no mundo, que deixa de ser o que era.
Anselm Grun.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Sexto aniversário
Celebram-se hoje os seis anos do nascimento da Irmã Lúcia para o Céu, onde foi acolhida com carinho pelo Pai.
fr
fr
O Itinerário espiritual de Francisco Palau (I)
O que é um itinerário espiritual?
A vida humana é um itinerário até à plena realização pessoal. Aplicado à vida espiritual, a noção de itinerário sublima a ideia de crescimento. Fala-se de crescimento porque o progresso no caminho espiritual é constante, mas não linear, não é uma subida gradual e harmónica, não está desprovida de contradições, dado a presença do pecado. Incluiu momentos de plenitude, de estagnação e inclusive de retrocesso. Dentro do crescimento dão-se crises e noites, próprias de todo o caminho humano que, assumidas com liberdade e sabedoria, permitem seguir avançando com maior profundidade.
O itinerário da vida espiritual de Francisco Palau, desenvolve-se em etapas. Narrou-a e reflectiu sobre ela retrospectivamente. Peregrinação que dura toda a vida. É o progressivo crescimento do amor de Deus visto e centrado no mistério da Igreja. Não se mede por ouros critérios, já que a sua espiritualidade é radicalmente “eclesiocêntrica”.
Esse crescimento em processo com a misteriosa realidade da Igreja no seu aspecto visível, desembocou numa expansão vital nas suas relações com Ela através:
- Do enriquecimento conceptual: chamado à união com Deus.
- Da maturidade afectiva: a oração procura a presença consciente e viva. Integra as principais dimensões do ser humano: (intelectual, afectiva e prática).
- Da vida teologal in crescendo: processo lento em fé, esperança e amor. Estrutura de graça, para viver da Palavra. Não há outro caminho. Experiência de conversão.
- Disponibilidade de serviço: a graça se converte em compromisso. Um salto na sua fé, esperança e amor, na sua acção pastoral.
Ânsias do encontro definitivo: sem véus.
Um caminho de experiência
Francisco Palau atrai pela totalidade da sua pessoa, o seu modo de pensar e de sentir, a maneira de se decidir e de se relacionar com Deus e com os seus semelhantes, pelo modo de proceder nos assuntos mais diversos que lhe aconteceram. E lhe perguntamos: Onde esteve o segredo de tanta harmonia, da sua personalidade tão realizada e tão fecunda? A resposta é que a sua vida teve muito de busca e de encontro, de tenacidade e docilidade, onde por um lado é transparente a acção de Deus, e por outro o seu esforço totalmente entregue às obras do amor, ao serviço da Sua Amada.
Processo vital de encontro com Deus
- Personalizado: original e irrepetível. Experiência de graça.
- Contextualizado: Não à margem da vida social desenvolvida no espaço e no tempo: a Igreja e a sociedade do século XIX (1811- 1872). Todo o itinerário espiritual se processa numa situação que nos desafia. A Sua foi uma espiritualidade encarnada na história, com todas as consequências que daí advêm.
- Eclesial comunitário. O caminho espiritual de Francisco Palau se estabelece no marco de uma eclesiologia de comunhão baseada no simbolismo bíblico.
Elementos do progresso onde se dá o crescimento no caminho da mística:
- A busca, ou a tensão entre uma vida concebida como fixação no dado, o conformismo, ou como pergunta pelo sentido de tudo, pelo amor, pela salvação. A necessidade de optar.
- A profundidade, tensão que afecta a reflexão da própria vida e os acontecimentos desde a perspectiva de Deus, o modo de perceber a realidade, a necessidade de confiança e abandono. Vai à raiz das coisas, ao fundo, mediante o silêncio, a oração e o acolhimento da Palavra.
- A oblação, que marca a tensão afectiva e determina a sua entrega, em fé, esperança e amor. A plenitude humana vive-se na entrega para anunciar o evangelho. A melhor expressão em Francisco Palau, encontramo-la na Eucaristia, compreendida e vivida nas suas duas dimensões: a sacramental e a existencial.
- A criatividade, que faz referência ao dinamismo de mudança e novidade, a abertura à Providência e ao plano de Deus.
- Seguimento e configuração com Jesus Cristo. A sua experiência se fundamenta na Escritura e no Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo, até fazer Dele o centro da própria vida Atitude de docilidade à acção do espírito.
Carmelitas Missionárias de Beja
A vida humana é um itinerário até à plena realização pessoal. Aplicado à vida espiritual, a noção de itinerário sublima a ideia de crescimento. Fala-se de crescimento porque o progresso no caminho espiritual é constante, mas não linear, não é uma subida gradual e harmónica, não está desprovida de contradições, dado a presença do pecado. Incluiu momentos de plenitude, de estagnação e inclusive de retrocesso. Dentro do crescimento dão-se crises e noites, próprias de todo o caminho humano que, assumidas com liberdade e sabedoria, permitem seguir avançando com maior profundidade.
O itinerário da vida espiritual de Francisco Palau, desenvolve-se em etapas. Narrou-a e reflectiu sobre ela retrospectivamente. Peregrinação que dura toda a vida. É o progressivo crescimento do amor de Deus visto e centrado no mistério da Igreja. Não se mede por ouros critérios, já que a sua espiritualidade é radicalmente “eclesiocêntrica”.
Esse crescimento em processo com a misteriosa realidade da Igreja no seu aspecto visível, desembocou numa expansão vital nas suas relações com Ela através:
- Do enriquecimento conceptual: chamado à união com Deus.
- Da maturidade afectiva: a oração procura a presença consciente e viva. Integra as principais dimensões do ser humano: (intelectual, afectiva e prática).
- Da vida teologal in crescendo: processo lento em fé, esperança e amor. Estrutura de graça, para viver da Palavra. Não há outro caminho. Experiência de conversão.
- Disponibilidade de serviço: a graça se converte em compromisso. Um salto na sua fé, esperança e amor, na sua acção pastoral.
Ânsias do encontro definitivo: sem véus.
Um caminho de experiência
Francisco Palau atrai pela totalidade da sua pessoa, o seu modo de pensar e de sentir, a maneira de se decidir e de se relacionar com Deus e com os seus semelhantes, pelo modo de proceder nos assuntos mais diversos que lhe aconteceram. E lhe perguntamos: Onde esteve o segredo de tanta harmonia, da sua personalidade tão realizada e tão fecunda? A resposta é que a sua vida teve muito de busca e de encontro, de tenacidade e docilidade, onde por um lado é transparente a acção de Deus, e por outro o seu esforço totalmente entregue às obras do amor, ao serviço da Sua Amada.
Processo vital de encontro com Deus
- Personalizado: original e irrepetível. Experiência de graça.
- Contextualizado: Não à margem da vida social desenvolvida no espaço e no tempo: a Igreja e a sociedade do século XIX (1811- 1872). Todo o itinerário espiritual se processa numa situação que nos desafia. A Sua foi uma espiritualidade encarnada na história, com todas as consequências que daí advêm.
- Eclesial comunitário. O caminho espiritual de Francisco Palau se estabelece no marco de uma eclesiologia de comunhão baseada no simbolismo bíblico.
Elementos do progresso onde se dá o crescimento no caminho da mística:
- A busca, ou a tensão entre uma vida concebida como fixação no dado, o conformismo, ou como pergunta pelo sentido de tudo, pelo amor, pela salvação. A necessidade de optar.
- A profundidade, tensão que afecta a reflexão da própria vida e os acontecimentos desde a perspectiva de Deus, o modo de perceber a realidade, a necessidade de confiança e abandono. Vai à raiz das coisas, ao fundo, mediante o silêncio, a oração e o acolhimento da Palavra.
- A oblação, que marca a tensão afectiva e determina a sua entrega, em fé, esperança e amor. A plenitude humana vive-se na entrega para anunciar o evangelho. A melhor expressão em Francisco Palau, encontramo-la na Eucaristia, compreendida e vivida nas suas duas dimensões: a sacramental e a existencial.
- A criatividade, que faz referência ao dinamismo de mudança e novidade, a abertura à Providência e ao plano de Deus.
- Seguimento e configuração com Jesus Cristo. A sua experiência se fundamenta na Escritura e no Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo, até fazer Dele o centro da própria vida Atitude de docilidade à acção do espírito.
Carmelitas Missionárias de Beja
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Uma vida, dois caminhos. Por que temos de escolher?
A crise não é de agora. Digo, a crise de valores, a verdadeira crise, que da outra pouco sei.
O povo de Israel, nosso irmão mais velho na fé, não se limitou a rezar e a ensinar-nos a rezar. É certo que é um povo orante, que como ninguém alçou as mãos ao céu e até lá ergueu louvores e salmos como nenhum outro.
Mas não sabe só de orações, sabe também de pensamento e teve os seus pensadores. Eram pensadores que rezavam e pensavam no contexto da fé e do Pacto que Deus aliançara com o Povo Eleito. Jesus Ben Sirá é um deles. Viveu uns duzentos anos antes de Jesus Cristo, ao tempo em que a cultura grega minava a cultura e a fé israelitas. Os jovens abandonavam a fé dos pais, seduzidos pelo brilho superior da sabedoria dos gregos.
É aqui que entra Ben-Sirá que ergue a sua voz para vincar os valores do Judaísmo, cultura e fé que nada devem a povo algum por mais evoluído que pareça. Sente algum paralelismo com os dias de hoje?
Com muita frequência a vida apresenta-se-nos como obrigação de escolha entre duas escolhas. Este tema tem raízes profundas no pensamento religioso de Israel sobre o sentido da vida, normalmente posicionado numa escolha entre a felicidade pela fidelidade à Aliança e a eleição da autosuficiência, à margem de Deus.
A primeira leitura deste domingo posiciona-nos nesta questão raramente pensada por nós: na vida podemos eleger um de dois caminhos, o da vida ou o da morte. O da vida, que é o de Deus; o da morte, que é o da ausência de Deus. Esse foi, podemos dizer, o resumo do percurso da história do povo de Israel, que umas vezes escolheu o caminho do bem e foi feliz, e outras vezes escolheu o da morte e deitou-se a perder. Quando Israel escolheu a opção Deus foi um povo solidário, fecundo, equilibrado, próspero. Quando escolheu a opção homem foi um povo egoista, dividido, vingativo, decrépito. A história de Israel foi lida a posteriori sob este foco e sob esta luz foi verificado que as tragédias nacionais de Israel coincidaram com a escolha do caminho do egoismo e das costas voltadas para Deus.
Faz, pois, muito sentido trazer para a assembleia cristã esta leitura do Livro de Ben Sirá, por necessidade de iluminar a nossa história pessoal e comunitária. Que devemos fazer perante as opções que a vida nos oferece? Será o ser humano um mero objecto nas mãos dum Deus mesquinho que o manipula a seu bel-prazer?
Jesus Ben Sirá reconhece o homem como um ser livre, jamais um instrumento abúlico nas mãos de Deus que o liga e desliga segundo as conveniências. Essa é a grandeza da humanidade: podemos escolher! Nós temos nas mãos o percurso do nosso destino, que é influenciado quer pela escolha do bem quer pela do mal. Deus surge na nossa vida não para impedir a liberdade de escolha, mas para oferecer a vida em abundância que se alcança pela escolha do caminho da felicidade.
Deus não obriga, apenas assinala. A eleição e a construção é nossa, é andamento nosso.
Os caminhos abrem-se aos nossos passos e decisões. Que fazer? Que escolher?
Verdadeiramente, creio, esse é o nosso drama. Gostamos de escolher, mas não gostamos das consequências da escolha. Gostamos de escolher e acertar, de escolher sem sofrer, de escolher e colher proveitos imediatos. Não é sempre assim. Por vezes, a escolha do caminho, mesmo quando é acertada, supõe a (possível) passagem por túneis escuros, desertos áridos e vales tenebrosos. As escolhas têm consequências a que não podemos escapar.
Somos obrigados a escolher o caminho de Deus? Não. Somos livres, Deus deixa-nos livres. Escolhemos a opção que queremos, porque Deus não se nos impõe, apenas se nos propõe. Se é certo que Deus não se impõe nem nos trata como matraquilhos, também é certo que frequentemente até aqueles que excluem ou negam a existência de Deus reclamam o preço a pagar por não ser Ele a decidir, ou decidir mal!
A vida tem dois caminhos, ou, se quisermos, frequentes e constantes opções de escolha. Por que temos de escolher? Porque somos livres e nada há que oblitere ou anule a nossa liberdade. Deus respeita maximamente a nossa escolha, mesmo quando é contra Ele, isto é, mesmo quando fere de morte os filhos mais pequeninos dos mais pequeninos do seu reino.
É difícil escolher. Por que não rezar quando temos de o fazer? Por que não incluir a comunidade no discernimento das nossas opções? É mais fácil fazer escolhas quando somos ajudados pela família e pela comunidade, quando não temos de lutar contra as conveniências e o politicamente correcto. É por isso que eu gosto da frase de São João da Cruz: «Vale mais ser fraco e estar carregado junto de quem é forte; do que considerar-se forte e estar aliviado junto dum fraco!»
Chama do Carmo I NS 97 I Fevereiro 13, 2011
O povo de Israel, nosso irmão mais velho na fé, não se limitou a rezar e a ensinar-nos a rezar. É certo que é um povo orante, que como ninguém alçou as mãos ao céu e até lá ergueu louvores e salmos como nenhum outro.
Mas não sabe só de orações, sabe também de pensamento e teve os seus pensadores. Eram pensadores que rezavam e pensavam no contexto da fé e do Pacto que Deus aliançara com o Povo Eleito. Jesus Ben Sirá é um deles. Viveu uns duzentos anos antes de Jesus Cristo, ao tempo em que a cultura grega minava a cultura e a fé israelitas. Os jovens abandonavam a fé dos pais, seduzidos pelo brilho superior da sabedoria dos gregos.
É aqui que entra Ben-Sirá que ergue a sua voz para vincar os valores do Judaísmo, cultura e fé que nada devem a povo algum por mais evoluído que pareça. Sente algum paralelismo com os dias de hoje?
Com muita frequência a vida apresenta-se-nos como obrigação de escolha entre duas escolhas. Este tema tem raízes profundas no pensamento religioso de Israel sobre o sentido da vida, normalmente posicionado numa escolha entre a felicidade pela fidelidade à Aliança e a eleição da autosuficiência, à margem de Deus.
A primeira leitura deste domingo posiciona-nos nesta questão raramente pensada por nós: na vida podemos eleger um de dois caminhos, o da vida ou o da morte. O da vida, que é o de Deus; o da morte, que é o da ausência de Deus. Esse foi, podemos dizer, o resumo do percurso da história do povo de Israel, que umas vezes escolheu o caminho do bem e foi feliz, e outras vezes escolheu o da morte e deitou-se a perder. Quando Israel escolheu a opção Deus foi um povo solidário, fecundo, equilibrado, próspero. Quando escolheu a opção homem foi um povo egoista, dividido, vingativo, decrépito. A história de Israel foi lida a posteriori sob este foco e sob esta luz foi verificado que as tragédias nacionais de Israel coincidaram com a escolha do caminho do egoismo e das costas voltadas para Deus.
Faz, pois, muito sentido trazer para a assembleia cristã esta leitura do Livro de Ben Sirá, por necessidade de iluminar a nossa história pessoal e comunitária. Que devemos fazer perante as opções que a vida nos oferece? Será o ser humano um mero objecto nas mãos dum Deus mesquinho que o manipula a seu bel-prazer?
Jesus Ben Sirá reconhece o homem como um ser livre, jamais um instrumento abúlico nas mãos de Deus que o liga e desliga segundo as conveniências. Essa é a grandeza da humanidade: podemos escolher! Nós temos nas mãos o percurso do nosso destino, que é influenciado quer pela escolha do bem quer pela do mal. Deus surge na nossa vida não para impedir a liberdade de escolha, mas para oferecer a vida em abundância que se alcança pela escolha do caminho da felicidade.
Deus não obriga, apenas assinala. A eleição e a construção é nossa, é andamento nosso.
Os caminhos abrem-se aos nossos passos e decisões. Que fazer? Que escolher?
Verdadeiramente, creio, esse é o nosso drama. Gostamos de escolher, mas não gostamos das consequências da escolha. Gostamos de escolher e acertar, de escolher sem sofrer, de escolher e colher proveitos imediatos. Não é sempre assim. Por vezes, a escolha do caminho, mesmo quando é acertada, supõe a (possível) passagem por túneis escuros, desertos áridos e vales tenebrosos. As escolhas têm consequências a que não podemos escapar.
Somos obrigados a escolher o caminho de Deus? Não. Somos livres, Deus deixa-nos livres. Escolhemos a opção que queremos, porque Deus não se nos impõe, apenas se nos propõe. Se é certo que Deus não se impõe nem nos trata como matraquilhos, também é certo que frequentemente até aqueles que excluem ou negam a existência de Deus reclamam o preço a pagar por não ser Ele a decidir, ou decidir mal!
A vida tem dois caminhos, ou, se quisermos, frequentes e constantes opções de escolha. Por que temos de escolher? Porque somos livres e nada há que oblitere ou anule a nossa liberdade. Deus respeita maximamente a nossa escolha, mesmo quando é contra Ele, isto é, mesmo quando fere de morte os filhos mais pequeninos dos mais pequeninos do seu reino.
É difícil escolher. Por que não rezar quando temos de o fazer? Por que não incluir a comunidade no discernimento das nossas opções? É mais fácil fazer escolhas quando somos ajudados pela família e pela comunidade, quando não temos de lutar contra as conveniências e o politicamente correcto. É por isso que eu gosto da frase de São João da Cruz: «Vale mais ser fraco e estar carregado junto de quem é forte; do que considerar-se forte e estar aliviado junto dum fraco!»
Chama do Carmo I NS 97 I Fevereiro 13, 2011
Em vez de
Escolhe amar em vez de odiar.
Cria em vez de destruir.
Persevera em vez de desistir.
Louva em vez de criticar.
Cura em vez de ferir.
Reconcilia em vez de guerrear.
Ensina em vez de esconder.
Partilha em vez de roubar.
Actuar em vez de adiar.
Crescer em vez de conservar.
Compreender em vez de julgar.
Unir em vez de separar.
Alumiar em vez de esconder.
Abençoar em vez de blasfemar.
Partilhar em vez de armazenar.
Semear em vez de colher.
E em vez de morrer viverás.
E saberás por que a minha palavra é palavra de vida,
e o meu evangelho boa notícia.
Ainda que muito se cuide,
de nada serve deitar remendo novo em vestido velho
e vinho novo em odres velhos.
Deixa de pensar só em saldos,
em normas e truques legais.
E não tentes comprar o reinod o meu Pai,
nem rastejes sob o peso da lei.
Animado pelo amor, corre livremente.
E em vez de morrer, vive!
Começa a ser cristão!
Florentino U.
Cria em vez de destruir.
Persevera em vez de desistir.
Louva em vez de criticar.
Cura em vez de ferir.
Reconcilia em vez de guerrear.
Ensina em vez de esconder.
Partilha em vez de roubar.
Actuar em vez de adiar.
Crescer em vez de conservar.
Compreender em vez de julgar.
Unir em vez de separar.
Alumiar em vez de esconder.
Abençoar em vez de blasfemar.
Partilhar em vez de armazenar.
Semear em vez de colher.
E em vez de morrer viverás.
E saberás por que a minha palavra é palavra de vida,
e o meu evangelho boa notícia.
Ainda que muito se cuide,
de nada serve deitar remendo novo em vestido velho
e vinho novo em odres velhos.
Deixa de pensar só em saldos,
em normas e truques legais.
E não tentes comprar o reinod o meu Pai,
nem rastejes sob o peso da lei.
Animado pelo amor, corre livremente.
E em vez de morrer, vive!
Começa a ser cristão!
Florentino U.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Promoção vocacional!
Numa paróquia, durante uma sessão de catequese, o padre faz promoção vocacional. "Já pensaram que Jesus quer a vossa felicidade? Se calhar até gostava que alguns de vocês fossem para o se... semi...", diz, esperando que as crianças completem a frase.
E as crianças respondem em coro: "Cemitério".
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Avisos, Fevereiro 14-19
14 Segunda
>> Memória dos irmãos São Cirilo (827 - 869) e São Metódio (815 - 884), Co-padroeiros da Europa.
>> 21:00h Encontro com a Bíblia.
18 Sexta
Memória de S. Teotónio (1082 - 1162), primeiro santo português, natural da nossa Diocese.
19 Sábado
Carminhada jovem em Vila Praia de Âncora. Contactar Maria João Brito ou Frei João.
>> Memória dos irmãos São Cirilo (827 - 869) e São Metódio (815 - 884), Co-padroeiros da Europa.
>> 21:00h Encontro com a Bíblia.
18 Sexta
Memória de S. Teotónio (1082 - 1162), primeiro santo português, natural da nossa Diocese.
19 Sábado
Carminhada jovem em Vila Praia de Âncora. Contactar Maria João Brito ou Frei João.
A minha oração de enfermeira
Senhor,
que ao aproximar-me daqueles que sofrem a doença do corpo
eu seja capaz de ver o Teu Rosto sofredor...
Que ao tocá-los, o faça como se a Ti eu cuidasse
Que eles encontrem no meu sorriso a ternura do Teu Amor...
Une Senhor, o seu sofrimento e os meus cuidados,
à Tua obra de Redenção
para que por seu intermédio nos unamos cada vez mais a Ti!
JP III
que ao aproximar-me daqueles que sofrem a doença do corpo
eu seja capaz de ver o Teu Rosto sofredor...
Que ao tocá-los, o faça como se a Ti eu cuidasse
Que eles encontrem no meu sorriso a ternura do Teu Amor...
Une Senhor, o seu sofrimento e os meus cuidados,
à Tua obra de Redenção
para que por seu intermédio nos unamos cada vez mais a Ti!
JP III
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