terça-feira, 31 de maio de 2011

Concerto O Nazareno


 
 
E também houve por aqui nestes tempos um concerto! Por cápouco há de tão consensual como o Grupo Vocal Consenso, de Braga, que sob a batuta do Maestro A. Vilas Boas nos visitou mais uma vez e nos deliciou com o concerto O Nazareno. Somos fãs, com autógrafos e tudo! É certo que era Páscoa e que o concerto talvez aponte mais para a Quaresma. Mas o mistério pascal estava todo lá, na poesia e na voz, na música e no silêncio.
Foi uma delícia.
O Ofertório da Missa das Seis - que os Consenso tão belamente animaram - reverteu para o GAF, que, depois, através da Comunidade de Inserção esteve presente no beberete.
Vejam-se as fotos.
A todos muito obrigado.
Que a Senhora do Carmo abençoe este projecto lindo daquele irredutível punhado de jovens bracarenses que trabalham, estudam, se dedicam à música e amam o GAF.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Bênção de peregrinos

Um grupo de Peregrinos de Santiago pediu e foi-lhe dada a bênção antes de partirem em peregrinação. Depois da oração de bênção - para feliz surpresa dos peregrinos -, foram convidados a visitar o Albergue São João da Cruz dos Caminhos. «Não sabíamos, disseram, que havia disto em Viana!»
A bênção foi há tantos dias que já foram e regressaram de Santiago em paz. Afinal, a bênção foi no dia 5 de Maio! Mas nunca é tarde para o noticiar.

Retiro dos crismandos

 
Lemos, ouvimos e cremos. Reflectimos, rimos e rezamos. Foi o retiro dos crismandos. Aconteceu na Quinta do Menino Jesus, no dia 21 de Maio. Mas só agora houve tempo para dizer. A manhã foi nova, intensa e fria por fora. Por dentro, quente. A tarde continuou sendo nova, igualmente intensa e toda quente. De manhã esteve o Frei João com os Crismandos, da parte da tarde a Julieta Palma.
Valeu a pena.
Tudo terminou com uma Eucarista, e embora nos víssemos obrigados não apetecia sair dali. Que bela é a paz e o sossego. Fico a vontade e a sede do próximo retiro.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Um olhar samaritano

Senhor!
Ensina-nos a olhar
e a ver-nos com o olhar com que nos olhas!

Dá profundidade ao nosso olhar!

Ensina-nos
a olhar o mundo como Tu o olhas,
numa espera infinita
de Pai que conhece e cuida
o frágil, o importante ser humano que somos.

Ensina-nos a aprender
a visão dos santos
que, enraizados em Ti,
souberam descobrir-Te
no rosto dos pobres
e dos sem ninguém.

Dá-nos um olhar samaritano
como o de Maria Clara do Menino Jesus.

Olhar que nos faça descer do egoísmo
que produz cegos
que recusam ver,
passando ao lado dos feridos pela vida,
caídos nas bermas das nossas estradas,
a poucos metros de nós…

Ensina-nos
a dar-nos tempo,
para fixar o nosso olhar no Teu olhar,
para vermos mais longe e mais perto,
para Te abraçarmos
naqueles que vivem ao lado de nós,
sedentos da proximidade
de alguém que os fite
com um olhar de amor!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Que eu chegue a Ti, Senhor


Que eu chegue a Ti, Senhor,
por um caminho seguro e recto;
caminho que não se desvie
nem na prosperidade nem na adversidade,
de tal forma que eu te dê graças nas horas felizes e nas difíceis,
e conserve a paciência,
não me deixando exaltar pelas primeiras nem abater pelas outras.

Que nada me alegre ou entristeça,
excepto o que me conduz a Ti ou que de Ti me separa.
Que eu não deseje agradar nem receie desagradar senão a Ti.
Que tudo o que é passageiro se torne desprezível a meus olhos
e tudo o que Te diz respeito me seja agradável,
mas Tu, meu Deus, mais do que tudo o resto.

Faz com que qualquer alegria, sem Ti, me seja desagradável
e nada eu deseje fora de Ti.
Que qualquer trabalho, Senhor, feito por amor, me seja agradável
e insuportável todo aquele de que estiveres ausente.
Concede-me a graça de erguer continuamente o coração para Ti
e que, quando eu cair, me arrependa e me levante.

Torna-me, Senhor meu Deus, obediente, pobre e casto;
paciente, sem reclamação; humilde, sem fingimento;
alegre, sem superficialidade; triste, sem abatimento;
reservado, sem rigidez; activo, sem leviandade;
sincero, sem duplicidade; fazendo o bem sem presunção;
corrigindo o próximo sem arrogância;
edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidade.

Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante,
e que nenhum pensamento fútil o arraste para longe de Ti;
um coração nobre que nenhuma afeição indigna enfraqueça;
um coração recto que nenhuma intenção equívoca desoriente;
um coração firme, que nenhuma adversidade abale;
um coração livre, que nenhuma paixão subjugue.

Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça,
uma vontade que Te procure, uma sabedoria que Te encontre,
uma vida que te agrade, uma perseverança que Te espere
e uma confiança que me leve a repousar serenamente em Ti.
Amén.

(S. Tomás de Aquino)

domingo, 22 de maio de 2011

B. Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899): Religiosa, fundadora, Mãe dos pobres.

Ontem, 21 de Maio de 2011, foi beatificada em Lisboa a Mãe Clara, Mãe dos pobres. Na pia baptismal recebeu o nome de Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles de Albuquerque. Nasceu na Amadora, no dia 15 de Junho de 1843. Tendo ficado órfã nas epidemias de 1856-57, foi educada no Asilo Real da Ajuda, em Lisboa, destinado às órfãs de famílias nobres. Aos 19 anos foi acolhida no Palácio dos Marqueses de Valada, com quem viveu cerca de 5 anos. Após este tempo, vivido no meio de luxos e vaidade social, decidiu renunciar a tudo e entrar no Pensionato de S. Patrício, junto das Irmãs Capuchinhas Concepcionistas, orientado pelo Padre Raimundo dos Anjos Beirão.

Aqui, percebendo o chamamento do Senhor, iniciou uma caminhada de entrega definitiva a Deus, consagrando-se na Ordem Terceira de S. Francisco, sob a orientação espiritual do Padre Raimundo, ele também frade franciscano. Recebeu o hábito de Capuchinha em 1869, com o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus.
Em Portugal vigorava a proibição das Congregações Religiosas. A Irmã Maria Clara foi então a Calais, França, para aí fazer o seu noviciado e emitir os votos públicos. Era urgente a fundação de um Instituto religioso português para dar resposta às necessidades da pobreza e de todos os tipos de miséria das pessoas.
Regressada a Portugal a 1 de Maio de 1871, deu início à Congregação das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus. Fundou a primeira comunidade no dia 3 de Maio daquele ano e, cinco anos depois, a 27 de Março de 1876, a Congregação era aprovada pela Santa Sé.
Dotada de um coração transbordante de bondade e de ternura pelos mais pobres e abandonados, dedicou a vida inteira a minorar sofrimentos e dores. Encheu Portugal de Centros de Assistência, Atendimento e Educação, onde todos os desvalidos pudessem encontrar carinho, agasalho e amparo, qualquer que fosse a condição social.
No tempo em que foi Superiora Geral, abriu mais de 100 obras e recebeu mais de mil irmãs!
A Congregação procurava estar presente e actuante em todo o lugar onde houvesse o bem a fazer. No meio dos sofrimentos de toda a espécie: na solidão, na doença, na perseguição de que foi alvo, na incompreensão e na calúnia, a Madre Maria Clara soube manter-se sempre fiel a Deus e à missão que Ele lhe confiara; viveu em constante serviço alegre e generoso a todos. Sem excepção. Desculpava e perdoava a todos, com caridade e fé heróicas. Àqueles de quem recebia maiores ofensas servia de joelhos.
Convicta de que “nada acontece no mundo sem permissão divina”, tudo recebia como vindo das mãos de Deus: pessoas e acontecimentos, dores e alegrias, saúde e doença. A única razão de ser da Congregação deveria consistir em servir, animar, acolher e aconchegar a todos. Iluminar e aquecer. A hospitalidade.
Viveu toda a sua vida numa esperança e confiança inabaláveis. Nada possuindo além do amor de Deus em Cristo Crucificado, que ela experimentava em todos aqueles a quem chamava a “minha gente”.
Repousa hoje na Cripta da Capela da Casa Mãe da Congregação, em Linda-a-Pastora, Oeiras.
No ano de 1856, a epidemia de cólera-morbus invadiu a capital e grande parte do Reino, fazendo inúmeras vítimas. No ano seguinte caiu o terrível flagelo da febre amarela. O Reino viu-se confrontado com a necessidade de responder às urgências de uma tal situação, nomeadamente tratar dos órfãos, filhos desta tragédia.
Era rei D. Pedro V, que decidiu ceder parte do seu Palácio da Ajuda e aí fundou o Asilo Real, que dava educação às filhas órfãs das famílias nobres e fidalgas de então. O seu predecessor, D. Pedro IV, extinguira todas as Casas Religiosas por decreto de 30 de Maio de 1834. Por essa razão não havia Institutos Religiosos no país que ajudassem a minorar os efeitos da epidemia.
Foi nesse colégio que a Libânia do Carmo fez a sua educação e formação.
Entretanto, a feroz perseguição orquestrada pela Maçonaria e que pôs o país em risco de guerra civil, levou novamente à expulsão de todas as Ordens Religiosas de Portugal e ao consequente encerramento dos conventos. Os bens foram confiscados e incorporados na Fazendo Nacional; e os seus membros — os que não fugiram do País — foram condenados à “rua”.
Foi neste contexto histórico que nasceu a Congregação das Irmãs Hospitaleiras. E nasce apenas e só pelo simples facto de haver necessidade de alguém que continuasse a manter os olhos e o coração abertos aos outros e ao mundo.
É que ontem, como hoje (ao contrário do que se quer fazer crer), as respostas às necessidades sociais, incluindo a própria sobrevivência, só com a ajuda de pessoas com Evangelho de Jesus Cristo a correr-lhes nas veias é que se podia minorar tanta miséria. E foi o que aconteceu com a nossa protagonista, Madre Maria Clara. Ela pôs-se à frente deste mistério que foi o de fazer de todos os pobres a «sua gente».
Chama do Carmo I NS 111 I Maio 22, 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Oração do Bem-aventurado João Paulo II

Ó Maria, aurora do mundo novo
mãe dos viventes,
confiamo-Vos a causa da vida:
olhai, Mãe, para o número sem fim
de crianças a quem é impedido nascer,
de pobres para quem se torna difícil viver,
de homens e mulheres vítimas de inumana violência,
de idosos e doentes assassinados
pela indiferença ou por uma suposta compaixão.

Fazei com que todos aqueles que crêem no Vosso Filho
saibam anunciar com desassombro e amor
aos homens do nosso tempo o Evangelho da vida.

Alcançai-lhes a graça de o acolher
como um Dom sempre novo,
a alegria de o celebrar com gratidão
em toda a sua existência
e a coragem para o testemunhar
com laboriosa tenacidade, para construírem,
juntamente com todos os homens de boa vontade,
a civilização da verdade e do amor,
para louvor e glória de Deus Criador e amante da vida.
Amen.

Preces para a semana da vida

Oremos a Deus, por intercessão de Maria, a grande causa da vida. Dizendo: Rainha das famílias, rogai por nós.

1- Para que todas as mães e pais abram o coração às pequenas vidas que Deus lhes entrega e acolham com amor todos os filhos desde o momento da concepção. Com Maria, oremos ao Senhor.

2 – Por todos os bebés em perigo, por todas as mães que sofrem a tentação do aborto, por todos aqueles que trabalham a favor da Vida. Com Maria, oremos ao Senhor.

3 – Por todos os que de algum modo estão ou já estiveram envolvidos na prática do aborto, especialmente pelas mães que abortaram e os profissionais de saúde, para que se arrependam e encontrem conforto e esperança na misericórdia de Deus, e na alegria do Seu Perdão se tornem os mais fortes defensores do valor sagrado da Vida. Com Maria, oremos ao Senhor.

4 – Pelos políticos e por todos os que têm poder de decisão, para que nas suas funções construam uma sociedade melhor em que a vida humana seja realmente inviolável e sempre defendida desde o momento da concepção até à morte natural. Com Maria, oremos ao Senhor.

5 – Por nós próprios, para que a nossa oração se traduza em compromisso pessoal e efectivo que nos leve a estar ao serviço da Vida em todas as suas dimensões. Com Maria, oremos ao Senhor.

6- Pelo Papa, e pelos Bispos a ele unidos na Fé, pelos sacerdotes, religiosos e religiosas, para que, num mundo que cada vez mais quer calar a voz da Igreja, permaneçam fiéis ao Evangelho da Vida e dele dêem corajoso testemunho. Com Maria, oremos ao Senhor.

7 – Por todas as grávidas em dificuldades, para que tenham um coração grande e generoso, e encontrem sempre a mão amiga necessária que as ajude a dizer Sim à Vida e Não ao aborto. Com Maria, oremos ao Senhor.

8 – Por todas as famílias cristãs, para que pelo amor e união entre todos os seus membros, sejam testemunho da verdade da Família, fonte de vida, escola de respeito e solidariedade, e célula básica da sociedade. Com Maria, oremos ao Senhor.

9 – Por todos os casais cristãos, para que num mundo em que tudo parece relativo e transitório, sejam exemplo de fidelidade alegre à Aliança sagrada que os une. Com Maria, oremos ao Senhor.

10 – Por todas as famílias em crise ou em situações de sofrimento, para que a presença de Deus nas suas vidas as faça sempre crescer na Fé, na Esperança e no Amor. Com Maria, oremos ao Senhor.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dia Internacional da Família

O ano de 1994 foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Família, e o dia 15 de Maio como o Dia Internacional da Família. O seu tema, "Família, Capacidades e Responsabilidades num Mundo em transformação", destacava a família como "a pequena democracia no coração da sociedade", reconhecendo-se assim o papel nuclear da família na sociedade e a importância de adotar estratégias que a capacitem.
A 24 de Maio desse mesmo ano, com o intuito de desenvolver respostas sociais de qualidade, com um espírito humanista e solidário, que promovessem os direitos, a qualidade de vida, a inclusão e a cidadania de indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social e/ou económica, a Ordem dos Padres Carmelitas de Viana do Castelo, criou o Gabinete de Atendimento à Família (GAF), uma Instituição Particular de Solidariedade Social.
Reunindo apoios de diferentes parceiros, assim como de cidadãos e cidadãs da comunidade vianense, ao longo dos anos, o GAF foi criando diversos serviços diferenciados, com equipas multidisciplinares e metodologias de intervenção que se caracterizam pela sua inovação e dinamismo, com amplo reconhecimento nacional e internacional.
Desde o início, o GAF entende a Família como uma «unidade estruturante da sociedade e o contexto mais significativo do desenvolvimento do ser humano. Tendo um desígnio educativo e formativo tão exigente, e uma responsabilidade crucial no equilíbrio psicossocial dos seus membros, o GAF pretende potenciar a Família nas suas diferentes dimensões, promovendo a qualidade das experiências e das relações interpessoais aí vividas.»
Problemas sociais como Pobreza, Violência Doméstica, HIV/SIDA e Toxicodependência, exigem planos de ação integrados e em rede, que capacitem as famílias para que respondam autonomamente às suas necessidades. Para tal, é essencial o envolvimento solidário de toda a comunidade, com apoios humanos, materiais e financeiros, para a continuidade deste projeto.

Apoios possíveis:
- defender as causas GAF e tornar-se voz ativa contra a exclusão social e divulgar as ações que o GAF desenvolve;
- colaborar com as nossas iniciativas através de voluntariado;
- contribuir com donativos em espécie (alimentos, eletrodomésticos, mobiliário, artigos para o lar, roupas);
- contribuir para o desenvolvimento de projetos através de donativos pecuniários (numerário, cheque, vale postal ou transferência bancária).
A todas as pessoas que têm colaborado com o grande projeto GAF e todas aquelas que venham a colaborar.....
Bem hajam!
Comemore connosco o aniversário GAF!
Comemore connosco a Família!

Durante o mês de Maio, o GAF irá partilhar com a Comunidade Vianense:
- O Concerto “O Nazareno”, com o Grupo Vocal Consenso, sob a Direção do Maes-tro António Maia Vilas Boas. O evento terá lugar na Igreja do Carmo, às 16H00, no dia 15 e pretende celebrar o XVII aniver-sário do Gabinete de Atendimento à Família, assinalando o Dia Internacional da Família.
- A celebração eucarística comemorativa do XVII aniversário do GAF, às 11:30h do dia 22, Domingo, na Igreja do Carmo.
- A partilha de conhecimento científico, através das XVII Jornadas, desta vez dedicadas à temática “Educação Sexual em tempos de Sida”, no Castelo de Santiago da Barra, nos dias 26, 27 e 28.
Contamos com a sua participação!

Dra Isabel Fernandes
Chama do Carmo I NS110 I Maio 15, 2011

4900- 561 Viana do Castelo - Tel 258 829 138
http://www.gaf.pt/ geral@gaf.pt
NIF: 503748935
NIB: 0007 0000 0062 9490716 23
Rua da Bandeira, 342

terça-feira, 10 de maio de 2011

Oração pelas vocações

Senhor Jesus Cristo,
Bom Pastor da vossa Igreja,

Vós que tanto nos amastes
que destes a vida por todos nós,
e, depois de ressuscitado de entre os mortos,
prometestes estar connosco até ao fim dos tempos,
nós vos suplicamos:

fazei com que haja mais cristãos
que se deixem cativar pelo Vosso amor
e se ofereçam para o irradiar pelo mundo
como sacerdotes, religiosos ou religiosas.

Ajudai‑nos, Senhor, a tudo fazermos
para que esta graça nos seja concedida
na comunidade cristã a que pertencemos.
Teremos então mais razões para Vos bendizer,
em união com Santa Maria, Vossa Mãe bendita:
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Ámen.

domingo, 8 de maio de 2011

Os seus olhos estavam impedidos de O reconhecer!

Este terceiro Domingo de Páscoa é também chamado o Domingo das Aparições de Jesus.

De acordo com a narrativa de Emaús Jesus ressuscitado aparece a dois discípulos, caminha com eles e com eles fala. Por fim, acedeu ao convite e acolhe-se na casa deles. Depois, à mesa, recita a bênção e parte o pão. Quando se abriram os olhos aos discípulo Ele desapareceu. Porquê?Eis por que muito gosto da narrativa dos Discípulos de Emaús: Porque é intemporal.

Não creio que seja apenas um relato longínquo, acontecido uns poucos anos antes da metade do primeiro século cristão.
Não. O percurso para Emaús é muitas vezes o percurso de tantos dos discípulos de Jesus ao longo de todos os tempos.
Um pouco de atenção é o bastante para nos pormos em sintonia com aqueles dois corações nublados, tristes, entorpecidos, decepcionados.
Depois de terem vivido os dias da mais bela exaltação do anúncio do Reino e testemunharem a proclamação das Bem--aventuranças, eles sentiam agora que as águas cristalinas já não cantavam aos seus ouvidos, nem havia sininhos nos seus corações.
Depois do inebriamento que culminou com a magnífica entrada de Jesus em Jerusalém e da serena intimidade da Última Ceia, também eles acabaram abandonando-O. Também eles O viram atraiçoado, humilhado, esfacelado, crucificado, morto, frio e ensanguentado ao colo choroso da Mãe Dolorosa.
Ignomínia total.
Morto o Pastor, dispersava-se o rebanho ferido por estupor, desconcerto e aturdimento.
A vertigem da queda e o anti-clímax não são fáceis de tragar em época alguma.
Que dirão em casa? Que dirão aos amigos da aldeia depois da longa digressão de três anos? Não, não, eles não temem voltar ao trabalho, apesar de que, mais que nunca, ele tenha o sabor a amargo e a ranço.
Sim, é verdade, também eles haviam fugido. Mas no fundo do coração não tinham renegado a Jesus, esse homem espantoso em gestos e sinais! Sim, o encontro com o Mestre galileu fora tão intenso que não será fácil de olvidar. Tinham vivido como num sonho das arábias e o sonho acabara, mas era doce de mais para esquecer. A desilusão era agora tão grande como antes tinham sido lindos os sonhos!
O caminho de regresso era tão duro por isso, porque parecia o fim do sonho. Porém, em boa verdade, eles não sabem falar de outra coisa que não de Jesus. E é quando regressam desiludidos remoendo a desilusão, como quem chupa um caroço amargo, que Jesus se põe a caminho com eles.
(Deixem-me que actualize o plano:)
Quando o vale se revela mais profundo e escuro, quando o negrume mais se apossa do nosso coração e das artérias do espírito, quando humanamente o caso está perdido, quando mais ninguém viria, então, sim então, Jesus vem para o caminho connosco. Quando viramos costas ao futuro, Ele vem. Quando regressamos ao passado, Ele vem. Quando o véu da desilusão nos vela, Ele vem.
Ontem e hoje, o Senhor vem. Por todos os caminhos vem o Senhor connosco. Onde houver discípulos de coração acabrunhado Ele virá aquecer-lho porque não sabe fazer outra coisa!
Em qualquer caminho de qualquer era, o Senhor vem caminhar no meio de todos os discípulos, até mesmo dos mais cobardes.
É isso que o relato de Emaús quer dizer: O Senhor jamais deixa de caminhar connosco!
Mas, então, se o Senhor vem, se o Senhor caminha connosco, se o Senhor não nos abandona, porque, então, O não sentimos a caminhar connosco? Porque não se aquece o nosso coração até rebentar como outrora aos de Emaús? Porque O não reconhecemos no meio de nós? Porque estão os nossos olhos impedidos de O reconhecer também em nossos dias caminhando connosco?
Causa e razão simples: porque vivemos no passado, porque lemos as Escrituras por conveniência própria e sem o Espírito de Jesus, porque ainda não lhe debitamos a Ele todas as nossas dores, angústias e desilusões!
Emaús é qualquer lugar aonde regressemos desamparados e sós. E é oportunidade feliz de Jesus fazer caminho connosco até que a ilusão de novo se incendeie até à incandescência!
A certeza é esta: ainda que atravessemos o Vale da Morte Ele nos acompanhará, nos ouvirá, nos explicará as Escrituras, se sentará connosco à mesa, nos repartirá o Pão, nos incandescerá até não mais precisarmos de viver chupando o passado da desilusão!
Quem quer vir para o caminho?

sábado, 7 de maio de 2011

Avisos

08 DOMINGO
Início da Semana de oração pelas vocações.

13 SEXTA-FEIRA
Festa de-Nossa Senhora de Fátima. -
Na recitação do Terço realizaremos uma Procissão de Velas nos claustros do Convento.

14 SÁBADO
Festa do Apóstolo S. Matias.

OFERTÓRIOS
A Comunidade entregou na Cúria Diocesana os seguintes ofertórios: Cáritas (185,00€); Contributo Pe-nitencial (211,10€); Lugares Santos (40,00€).

CONCERTO PELO VOCAL CONSENSO
No próximo Domingo, dia 15, pelas 16:00h, o Vocal Consenso, sob a direcção do Maestro A. Vilas Boas, apresentará na nossa Igreja do Carmo O Nazareno.
A partilha reverte em favor do GAF.

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES
Para a Peregrinação anual ao Santuário do Menino Jesus de Praga, em Avessadas (5 de Junho); está garantido o regresso a tempo de cada eleitor proceder ao dever de expressão de voto.
e para a Peregrinação carmelitana ao Santuário de Fátima (2 e 3 de Julho).

NA HORA DA DESPEDIDA
A COMUNIDADE SAÚDA O FREI DANIEL SACHIPANGUE
nosso conventual desde Outubro de 2010.
Agradecemos-lhe a sua alegria e trabalho dedicado. E auguramos-lhe as melhores venturas no anúncio do Reino, que o Senhor convidou a fazer na Comunidade do Menino Jesus de Praga de Avessadas.

Oração pelas vocações


(Iniciamos neste Domingo a Semana de Oração pelas Vocações. Esta é a oração oficial desta Semana. Não deixemos de a rezar pessoalmente, em família e em comununidade.)

Senhor Jesus Cristo,

Bom Pastor da vossa Igreja:

Vós que tanto nos amastes
que destes a vida por todos nós, e,
depois de ressuscitado de entre os mortos,
prometestes estar connosco
até ao fim dos tempos,
nós vos suplicamos:

fazei com que haja mais cristãos
que se deixem cativar pelo Vosso amor
e se ofereçam para o irradiar pelo mundo
como sacerdotes, religiosos ou religiosas.

Ajudai-nos, Senhor,
a tudo fazermos
para que esta graça nos seja concedida
na comunidade cristã a que pertencemos.

Teremos então mais razões para Vos bendizer,
em união com Santa Maria,
Vossa Mãe bendita:

Vós que viveis e reinais
pelos séculos dos séculos.
Ámen.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma peregrinaçãopara recordar

O despertador tocou às 05h00, eu e os meus amigos acólitos tínhamos de fazer uma viagem atétinha de estar junto ao autocarro as 6h00 Nacional dos Acólitos. Chegamos ao Santuário de Fátima por volta das 10h00, ao chegar cada um dos acólitos pegam na sua alba e em grupo fomos para a Igreja da santíssima Trindade. Iremos celebra Eucaristia do segundo Domingo de Pascoa, presidiu o Bispo Dom Anacleto actual Bispo de Viana Do Castelo . Na sua Homilia falou de “Que cada um de nós leva uma recordação deste dia” . O Dom Anacleto quando nos referiu esta frase quer dizer que devemos levar sempre no nosso coração a maior recordação de todos que é a eucaristia. Esta recordação é o alimento da nossa alma. Foi mais um ensinamento para nós acólitos. Para podermos compreender melhor este verdadeiro mistério que é “servir”. Também fomos convidados a olhar para o nosso padroeiro em Portugal o Beato Francisco.
Em seguida a Eucaristia, fomos almoçar. Durante o almoço recebemos uma visita muito especial. O novo Provincial o P. Joaquim Teixeira. Que muito alegrou os ACÓLITOS CARMELITAS.
Ao inicio da tarde realizamos uma pequena peregrinação as lojas onde se vendem todos os objectos religiosos. Como se sabe todos querem levar um pequeno objecto para a mãe ou pai… também houve tempo para colocar algumas velas por familiares ou até amigos.
Por volta das 16h00, tínhamos encontro marcado na capela das aparições de Nossa Senhora de Fátima. Aqui rezamos o terço a Nossa Senhora de Fátima com muita fé e contemplação como Acólitos Carmelitas que somos. Durante todo o dia partilhamos, sorrisos, experiencias e até algumas confissões. Por fim estava na hora de regressar a casa, sem antes de ouvir umas anedotas de três pequenos Acólitos Carmelitas. No final todas as caras tinham um grande sorriso que vinda da alma… Muito Obrigado Meu Deus por este dia em que todos os acólitos serviram – o a Si com ainda mais felicidade e ainda mais confiantes na sua própria fé.
Joana Costa, Acólita do Carmo de Viana do castelo

domingo, 1 de maio de 2011

Trinta anos, cinco Provinciais!

No próximo dia 21 de Maio a Província Portuguesa de Nossa Senhora do Carmo celebrará o trigésimo aniversário da sua Restauração. É uma data feliz. Este Capítulo fará história. E como seremos reestruturados – Que palavra jurídica tão dura de tão seca! – convém ir alinhando as linhas que teceram a nossa história recente.
No XI Capítulo estavam presentes os cinco Provinciais da história da Restauração da Província. Oportunamente eles posaram para a história. Aqui fica a memória dos anos dos seus mandatos:
  • P. Jeremias Carlos Vechina: 1981 - 1984; 1984 - 1987.
  • P. Pedro Lourenço Ferreira: 1987 - 1990; 1990 - 1993.
  • P. Agostinho dos Reis Leal: 1993 - 1996; 1996 - 1999.
  • P. Pedro Lourenço Ferreira: 1999 - 2002.
  • P. Alpoim Alves Portugal: 2002 - 2005.
  • P. Pedro Lourenço Ferreira: 2005 - 2008; 2008 -2011.
  • P. Joaquim da Silva Teixeira: 2011.
Julgamos não haver erro, mas far-se-ão as correcções que houver de fazer-se.

No dia da Beatificação de João Paulo II

A melhor maneira de homenagear a memória de João Paulo II seria ler os seus textos (ou pelo menos um) na íntegra. Porque esta tarefa não é fácil de concretizar aqui juntamos algumas frases. Não são uma síntese da sua vida ou pensamento. São sementes que no futuro poderão dar muito fruto.

Só a liberdade que se submete à verdade conduz a pessoa humana ao seu verdadeiro bem. O bem da pessoa consiste em estar na verdade e em realizar a verdade.

Todo ser humano, desde sua concepção, tem direito de nascer, quer dizer, a viver a sua própria vida. Não só o bem-estar, mas também, de certo modo, a própria existência da sociedade, depende da salvaguarda deste direito primordial. Se à criança por nascer é negado este direito, será cada vez mais difícil reconhecer sem discriminações o mesmo direito a todos os seres humanos.

O futuro depende, em grande parte, da família. Ela traz consigo o futuro da sociedade; o seu papel especialíssimo é o de contribuir eficazmente para um futuro de paz.

A pessoa humana tem uma necessidade que é ainda mais profunda, uma fome que é maior que aquela que o pão pode saciar – é a fome que possui o coração humano da imensidade de Deus.

A autêntica intuição artística vai além do que percebem os sentidos e, penetrando a realidade, tenta interpretar seu mistério escondido.

Os verdadeiros discípulos de Cristo têm consciência de sua própria fragilidade. Por isto colocam toda sua confiança na graça de Deus que acolhem com coração indiviso, convencidos de que sem Ele não podem fazer nada. O que os caracteriza e distingue do resto dos homens não são os talentos ou as disposições naturais. É a sua firme determinação em caminhar sobre as pegadas de Jesus.

Que ninguém se iluda de que a simples ausência de guerra, mesmo sendo tão desejada, seja sinônimo de uma paz verdadeira. Não há verdadeira paz sem vir acompanhada de igualdade, verdade, justiça, e solidariedade.

  Quando um homem ora, coloca-se perante Deus, perante um Tu, um Tu divino, e compreende ao mesmo tempo a íntima verdade de seu próprio eu: Tu divino, eu humano, ser pessoal criado a imagem de Deus.

  Em nossas noites físicas e morais, se Tu estás presente, e nos amas, e nos falas, já nos basta, embora muitas vezes não sentiremos o consolo.

  Há vinte e quatro anos, no dia 29 de Outubro de 1978, duas semanas depois da eleição à Sede de Pedro, abri a minha alma e expressei-me assim: O Rosário é minha oração predilecta. Uma prece maravilhosa! Maravilhosa em sua simplicidade e em sua profundidade.

A Profissão Religiosa coloca no coração de cada um e cada uma de vós, queridos Irmãos e Irmãs, o amor do Pai; aquele amor que há no coração de Jesus Cristo, Redentor do mundo. Este é um amor que abarca o mundo e tudo o que nele vem do Pai e que ao mesmo tempo deve vencer no mundo tudo o que não vem do Pai.

A fé e a razão são como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade. Deus colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, definitivamente, de conhecê-lO para que, conhecendo-O e amando-O, possa alcançar também a plena verdade sobre si mesmo.

A Tua presença na Eucaristia começou com o sacrifício da Última Ceia e continua como comunhão e doação de tudo o que és.

Também vós, queridos jovens, enfrentais o sofrimento: a solidão, os fracassos e as desilusões; as dificuldades de adaptação ao mundo dos adultos e à vida profissional; as separações e os lutos em vossas famílias; a violência das guerras e a morte dos inocentes. Porém, sabeis que nos momentos difíceis, que não faltam na vida de cada um, não estais sós: como a João ao pé da Cruz, Jesus vos entrega também a Mãe dele, para que vos conforte com ternura.

A missão maternal de Maria aos homens de nenhuma maneira escurece nem diminui a única mediação de Cristo, pelo contrário, mostra a sua eficácia. Esta função maternal brota, segundo o privilégio de Deus, da sobreabundância dos méritos de Cristo; dela depende totalmente e da mesma extrai toda a sua virtude.

A Igreja é a carícia do amor de Deus ao mundo.

A guerra é sempre uma derrota da humanidade.

Amar é o contrário de utilizar.

A pior prisão é um coração fechado.

O sofrimento humano alcançou seu ápice na paixão de Cristo.

Rico não é aquele que tem, mas aquele que dá.

Ser santo é lutar contra o pecado de todos os dias.
Chama do Carmo I NS 108 I Maio 1, 2011

Nova Comunidade

Entretanto foram também eleitas as novas comunidades e a de Viana do Castelo também, que é como segue:
  • P. João Manuel Teixeira da Costa, prior.
  • P. Joaquim da Rocha Maciel.
  • P. António Fernandes Gonçalves.
  • P. Carlos Manuel Gonçalves.
  • P. Silvino Teixeira Filipe
  • Frei Domingos Borlido de Melo.
A Comunidade saúda o Frei Daniel Sachipangue que era nosso conventual desde os inícios de Outubro de 2010. Agradece-lhe a sua alegria e trabalho dedicado. E augura-lhe as melhores venturas no anúncio do Reino a que o Senhor o convidou a fazer na Comunidde do Menino Jesus de Praga de Avessadas.
A Comunidade acolhe com fraterna alegria o Frei Silvino dos Sagrados Corações, que chega da Comunidade do Carmo de Aveiro onde era Prior.

Duas decisões maiores

Duas decisões Capitulares assinalam desde já o nosso futuro:

1) A possibilidade de abrir uma Missão em Timor, e começa desde longe a prepará-la.
2) A adesão à reflexão sobre a Reestruturação das Províncias Ibéricas numa Província única.

Conselheiros Provinciais

Depois da eleição o novo Provincial  propôs e o Capítulo elegeu o Conselho Provincial composto pelos seguintes religiosos:
  • P. Agostinho R. Leal (I Conselheiro);
  • P. Alpoim A. Portugal (II Conselheiro);
  • P. Pedro L. Ferreira (III Conselheiro);
  • P. Vasco T. Costa (IV Conselheiro).
Cabe-lhes assessorar o governo da Província de forma mais directa.

Capitulares

Estes eram os 17 Capitulares. Com o Provincial recém-eleito.

Novo Superior Provincial

O XI Capítulo Provincial da Província Portuguesa dos Carmelitas Descalços ou de Nossa Senhora do Carmo decorreu como previsto entre os dias 26 e 29 de Abril. Numa das primeiras sessões, depois de lidos os relatórios habituais sobre o trénio findo, foi eleito o Frei Joaquim Teixeira de S. Teresa de Jesus como novo Superior Provincial.
É conhecido desta comunidade, porque aqui foi Prior na viragem do século.
O P. Joaquim Teixeira tem 46 anos, é natural de Rosém - Marco de Canaveses e frequentou os Seminários da Ordem em Viana do Castelo, Avessadas e Porto. É Mestre em Teologia pela Universidade Católica, na área da antropologia teológica. Desempenhou os mais variados cargos na vida da Provincia, tendo estado quase sempre ligar à formação dos candidatos à Ordem, além de trabalhar na animação missionária e na pastoral familiar. No último triénio foi conventual da comunidade do Porto, onde desempenhava as funções de mestre de formação dos postulantes e dos professos simples.

Os Calvários

 
 
Acabou a Quaresma, começou a Páscoa. Mas faltava dar conta deste pequeno gesto vivido em família e pequenos grupos como foi o da construção do Calvário.  E o que se pode dizer é que a Comunidade tem artistas, que com a sua arte nos ajudam a contemplar e a rezar. Não interessa a altura e a dimensão dos artistas; interessa, isso sim, que o seu trabalho foi oração que nos ajudou a contemplar o mistério da Cruz.
Muito obrigado. Que Deus vos abençoe.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Até já!

Vamos para o Monte Carmelo de Avessadas. Até já.
Regressamos com notícias depois do Capítulo Provincial.

Missão cumprida

(Inicia-se hoje no Centro de Espiritualidade de Santa Teresa em Avessadas, XI Capítulo Provincial da nossa Província Carmelita.A todos pedimos a proximidade e o acompanhamento na oração, para que saiba-mos escutar a voz do Espírito que conduz a Igreja de Jesus a fim de tomarmos as oportunas decisões de serviço à Igreja.)
Aqui termina o caminho que aqui começámos em Maio de 2008.
Abro as mãos e dou graças a Deus por ele. E agradeço-Lhe por me ter trazido até aqui, consciente de que Ele sabe por que vim e por que vamos indo.
Durante estes três anos o Carmo de Viana do Castelo foi-me confiado a mim e aos Padres Caetano, Maciel, Carlos, ao Irmão Domingos, e mais recentemente ao Frei Daniel.
Termina agora o nosso tempo. Saímos em paz, com os pés cansados do caminho. Perdão pedimos se ou corremos de mais ou de mais parámos.
Do dia 26 ao 29 reúne-se o Capítulo Provincial. É a assembleia magna da nossa Ordem, à imitação do primeiro Cenáculo.
Tudo é graça!
O chegar, o estender e acomodar da tenda, o permanecer e o partir são graça.
O que de graça me foi entregue de graça o devolvo antes do Capítulo Provincial. Entrego-o com graça e um sorriso.
Até o intervalo é graça.
Agora que o tempo passou já não há dor que doa, mas renovo de Páscoa e esperança de que aqui ou noutro lugar continuaremos a caminhar com igual compromisso de não parar.
Para cada um de nós os seis Viana tem agora o nome de Ur, como a da região da Caldeia: Pode, pois, chegar a ordem de partir para uma nova terra que nos venham a indicar.
Aos meus cinco irmãos carmelitas agradeço a vénia do serviço com que juntos servimos e a companhia que me deram. E aos leigos a disponibilidade do copo de água e as brancas flores silvestres que estenderam nas veredas. Sem uns e outros a missão não seria cumprida!
Porém, como é belo alçar o olhar e dar o passo de saída! Mesmo que só seja para aqui ficar.
Frei João Costa, prior

domingo, 24 de abril de 2011

Andemos como ressuscitados!

De repente, sim, a mim parece-me de repente, o mundo descobriu Jesus; por exemplo: os responsáveis dos filmes sobre Jesus descobriram no tema uma nova mina de ouro; além de que todos os anos, digo, todas as páscoas, surge sempre uma nova notícia sobre uma novel descoberta arqueológica que toca a pessoa de Jesus.

Há um novo fascínio pela Igreja, pela sua história e os seus mistérios, isto é, as suas realidades.
É certo que as mais das vezes a abordadem é sobretudo suposta e ficcional, o que faz perigar a história de Jesus e a nossa fé. Mas era pior se não falassem de nós.
Sinto-me sempre interpelado por mais esta ou menos aquela pretensa descoberta de tabuinhas, textos, retratos ou túmulos de Jesus que brotam nos media por altura de cada Páscoa.

Porém, não tremo.
A minha fé cristã funda-se na rocha da história, na história duma pessoa de bem, Jesus, que percorreu e doriu os pés nos caminhos da Palestina ocupado em fazer bondade: enxugando lágrimas, curando dores e feridas, clamando para a comunhão, serenando ventos e marés, reverdecendo membros, dando vida.
A cada Páscoa o baú faz saltar umas pretensas novidades sugerindo que aqui ou ali a Igreja teve interesse em esconder algo acerca da pessoa de Jesus. Este ano foram as tabuinhas. E mais uma vez saíram ao lado.
Páscoa é passagem. A passagem é de si um não-lugar difícil de precisar e falar. É um ir, um mudar. Também é certo que o assunto da ressurreição de Jesus nos é muito difícil de entender e de explicar. Ela aconteceu, é histórica; significa a saída dos limites terrenos da história e a entrada na eternidade.
A nós ela dá-nos uma imensa alegria e paz. Ainda assim é muito difícil de entender e por isso mesmo frequentemente vítima de manipulação dos mais ansiosos e inseguros.
Que fique claro: nenhum dos discípulos de Jesus ou dos seus seguidores foram testemunhas directas do momento da ressurreição. Nenhum dos evangelhos se ocupou da narração inteira do facto da ressurreição.
O túmulo vazio depois que ali Jesus foi sepultado e as aparições do Ressuscitado a alguns dos que Ele mais amou enquanto caminhou na terra são as razões mais fortes da nossa fé na ressurreição.
(Um túmulo vazio e um Ressuscitado dizem apenas que o corpo não está, e que agora Ele está com os seus mas de outra maneira!)
Para o hoje da história nenhuma destas razões é válida. Por isso, só a fé pode aderir a tais razões. Acresce ainda que os primeiros discípulos que estiveram tão próximos do acontecimento se quedaram sem palavras para nos dizer essa realidade de fé; daí que me questione, como as haveremos de ter nós? Teremos, isso sim, de aprender a ler a linguagem simbólica que eles usaram para dizer a novidade da ressurreição – porque ela é muito mais que os factos da história e a simbologia a melhor linguagem para dizer a união entre o tempo e a eternidade, entre o Jesus histórico e o Senhor a quem devotamos a nossa fé.
Deus não deixou Jesus preso no reino da morte. Deus interviu e resgatou Jesus das ignóbeis garras da morte.
Sim, Deus intervém na história. Sim, os dias de Jesus e os nossos, os nossos sonhos e sucessos, os nossos perigos e lágrimas, a abertura à vida ou o último fechar de olhos, tudo, sim, tudo mesmo, tudo que é nosso, tudo que é ungido pelo sopro humano jamais é indiferente a Deus.
Nós não somos indiferentes a Deus, a sorte de Jesus não é indiferente ao Pai, a história e a natureza estão no coração das pré-ocupações de Deus. Deus é amor e o amor nunca está ocioso, indeciso ou esquecido. Nem jamais é temeroso quando algum de nós morre para o tempo.
De facto, não sabemos contar a Páscoa e a ressurreição de Jesus, mas isso não significa que as possamos dispensar ou delas devamos prescindir por não se encontrarem ao alcance da nossa total compreensão.
Celebrar a Páscoa é espanar o pó inerme e avivar a memória da intervenção amorosa e salvadora de Deus. Nesse avivar Deus diz à alma de cada um de nós:
– Vistes o meu Filho, a sua glória e o seu triunfo? Confia! Como Ele tu não morrerás!
A fé cristã não afirma que não sofreremos ou não morreremos, mas que se a nossa opção for a de Jesus nós não morreremos sós e para sempre!
No fim de contas, o mais importante não é perceber a ressurreição de Jesus ou a nossa. Mas que façamos da nossa fé na ressurreição um experiência vital que, desde já, nos anime a viver como ressuscitados que no agora da história já comungam da vida do Ressuscitado!
Como os demais homens e mulheres sujeitamo-nos às leis da dor e da morte, mas sabedores de que elas não são definitivas e de que vivendo ainda sob a sua tirania podemos já viver com sentido de eternidade e ressurreição!
Chama do Carmo I NS 107 I Abril 24, 2011

Santa Páscoa!

Ressuscitou como disse!

domingo, 17 de abril de 2011

HORARIO DO TRÍDUO PASCAL



QUINTA-FEIRA SANTA 
Dia da Eucarístia e do Sacerdócio 
18:00   Celebração da Ceia do Senhor.
Instituição da Eucarístia
Instituição do Sacerdócio
Gesto fraterno do Lava-pés
Adoração Eucarística.
SEXTA-FEIRA SANTA
Dia de jejum e abastinência

08:00   Oração de Laudes
18:00   Celebração Paixão e Morte do Senhor
Adoração da Santa Cruz
Distribuição da Reserva da Eucarístia.

SÁBADO SANTO
Dia de silêncio e de esperança
08:00   Oração de Laudes

21:30   Solene Vigilia Pascal
Bênção do Lume Novo
Canto do Precónio Pascal
Leitura da História da Salvação
Entoação do Aleluia
Bênção da Água
Renovação das Promessas do Baptismo
Eucaristia.
DOMINGO DE PÁSCOA
O Dia que o Senhor fez!

08:00   Missa da Ressurreição
10:00   Missa da Ressurreição
11:30   Missa da Ressurreição
18:00   Missa da Ressurreição.

Tríduo Pascal, nossa Páscoa!

Temos notícia de que no século III já os cristãos preparavam o Domingo de Páscoa com dois dias de jejum: Sexta e Sábado Santos. Actualmente o Tríduo Pascal é mais que um tempo de preparação, é uma só coisa com a Páscoa. São três dias ditos «santos» porque nos fazem reviver o acontecimento central da nossa Redenção. São três dias que poderemos considerar com um único dia.
O Tríduo Pascal começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, alcança o seu apogeu na Vigília Pascal e termina com as vésperas do Domingo de Páscoa. Todo este tempo é um só dia que inclui os sofrimentos e a glória da ressurreição.

A Quinta-Feira Santa
A Quinta-Feira Santa está marcada pela instituição da Eucaristia. Nesse dia não pode celebrar-se a eucaristia sem fiéis e recomenda--se a concelebração, que confere uma nota de eclesialidade eucarística e de unidade entre eucaristia e sacerdócio.
A cerimónia sugestiva e humilde do Lava-Pés orienta-se também para a Eucaristia.

A Sexta-feira Santa
A Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor é constituída por uma liturgia austera e sóbria.
É um dia de intenso luto e dor, mas iluminado pela esperança cristã. A devoção à Paixão do Senhor está fortemente arreigada na piedade cristã. A Igreja apresenta grande austeridade, nada distrai o nosso olhar do altar e da cruz.

O Sábado Santo
O Sábado Santo é um dia de silêncio e de serena esperança e preparação orante para a Ressurreição. Os cristãos dos primeiros séculos jejuavam neste dia como em Sexta-feira Santa.
A Vigília Pascal é uma vasta celebração da Palavra de Deus que continua com a renovação do Baptismo e com a Eucaristia. Os símbolos são abundantes e de uma grande riqueza espiritual – o ritual do fogo e da luz, o Círio Pascal, que evoca a ressurreição de Jesus e o povo de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo; a liturgia da Palavra com Salmos e orações, percorrendo as etapas da história da salvação; a liturgia da iniciação cristã que, pelo Baptismo, incorpora novos filhos na Igreja; a renovação das promessas do baptismais e aspersão com a água benta que recorda a água com que fomos baptizados; por fim a Eucaristia que proclama a ressurreição do Senhor, esperando a sua última vinda.

Domingo da Ressurreição
A liturgia convoca de novo os fiéis para o «Dia que o Senhor fez» na missa do dia. A piedade cristã realiza a procissão da Ressurreição, ornamentando os caminhos e tocando sinos e entoando o Regina Coeli à Mãe de Jesus. O Aleluia que foi suprimido durante a Quaresma aparece agora repetidas vezes em sinal de alegria e vitória!
Celebremos, pois, o Tríduo Pascal que é a Páscoa do Senhor com todo o vigor da nossa fé e com a alegria da nossa esperança.
Aleluia!
Chama do Carmo I NS106 I Abril 17, 2011

domingo, 10 de abril de 2011

— Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!

Betânia deveria ser linda. Digo também que a comunidade de Betânia era muito aprazível para Jesus.

Por que a imaginação imagina sempre o que quer, eu vejo aquela localidade como um lugar belo. Por que ficava a poucos quilómetros de Jerusalém talvez os peregrinos não se detivessem muito por lá, mas Jesus recolhia-se àquele remanso sempre que ia à Cidade Santa. Ia à Cidade e ali regressava para repousar.
Mais que lugar, Betânia significa para mim comunidade cristã acolhedora.
Ali, Marta presidia, Maria ouvia, rezava e ungia. Lázaro não sei que papel tivesse, mas tinha um lugar grande no coração de Jesus. Tão grande que na sua morte Jesus o chorou! Tão grande que mesmo sabendo que o ressuscitaria, Jesus se enterneceu e lamentou que tivesse morrido!
A vida, a morte e o retorno à vida é o centro do evangelho deste Domingo V da Quaresma. As duas irmãs, que é como quem diz, desde as chefias às bases, lamentaram a morte do irmão com as mesmas palavras: — Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!

O lamento é de fé confiante, mas também de busca e desconhecimento. Porém, tudo acontecia para que se manifestasse a glória de Deus.
E o povo que não é parvo reivindicava à sua maneira, dizendo: — Então, Ele, [que no domingo passado] abriu os olhos ao cego, não podia ter feito com que este homem não tivesse morrido?
Poder podia, mas não seria a mesma coisa. E o mistério da misericórdia de Deus tem os seus caminhos.
A fé cristã confirma-nos na vida; isto é, que Deus é o Deus da vida e que Jesus é um vencedor. Ele venceu a morte, o mais terrível dos inimigos. Venceu-a no campo de batalha do corpo do seu amigo Lázaro e venceu-a no seu corpo.
E é também verdade que o Espírito do Senhor vencedor habita os nossos corpos.
Celebramos neste domingo a quinta etapa do nosso itinerário quaresmal. Quem faltou a alguma das outras etapas terá mais dificuldades em renovar a fé, porque menos assistiu, e sobretudo menos celebrou a acção salvadora de Deus na vida de cada um de nós e da sua comunidade.
Hoje celebramos a vitória da vida.
Porém, desconfiamos. Somos cépticos como quem aceita porque talvez seja bom aceitar, tal é a desmesura da verdade. E olhamos de soslaio como quem busca inventar uma saída, como quem teme que outra não exista. Que Deus me perdoe, dizemos. E duvidamos, e desconfiamos.
Perante as mortes de mais um terramoto ficámos mudos. Se depois do terramoto veio o tsunami, mais mudos ficámos. Se depois de tudo isto cai a vergasta da contaminação nuclear, nem um ai, nem um suspiro nos sai. Na Líbia vemos guerras como que feitas para filmes. Só que neste filme as mortes são verdadeiras! Na Costa do Marfim idem, aspas, aspas. Parece frio e é a realidade: são mortes de humanos! De outra cor, mas humanos! E aqui no nosso terreiro é o que se sabe e a gente sente: silêncio e desespero por toda a parte, por toda a crise!
E o nosso desespero berra surdo, tão surdo quanto é também para si que busca soluções: — Ai, Senhor, Senhor, se tivesses estado aqui...
Quão pequeninos somos! Na curteza de vistas e de fé, isso é o que sentimos: Se Deus existe, se está connosco, se continua a actuar no mundo, como é que ele continue à deriva? Será Deus capaz de resgatar todas estas vidas que morreram antes de tempo? Quem fará justiça a tantos inocentes? Quem abrirá tantos sepulcros? Quem declarará sagrada tanta terra banhada por sangue inocente? E quem defenderá o seu direito depois de também ela ter sido ferida de morte? Se Deus é Deus da vida, como vivemos rodeados de tanta morte? Por onde andas, Senhor, quando precisamos de Ti?
Restam-me do evangelho deste domingo duas respostas, que rezo, a fim de que me infundam serenidade e fortaleza.
Uma: Quando avisaram Jesus da gravidade da doença de Lázaro, Ele apenas referiu que aquela era uma situação para manifestar a glória de Deus. Quando se decidiu a ir vê-lo já ele morrera; e então declara, que «o nosso amigo Lázaro está a dormir». A visão cristã da morte inscreve-se aqui: é apenas um sono; a ressurreição é que é o verdadeiro cume glorioso!
Duas: Jesus chega à amada Betânia quatro dias depois da morte do amigo. É impossível fazer algo, e Marta, a chefe, acusa-o disso! E Maria, a assembleia, acusa-o disso também! Chegara tarde! Jesus, porém, apenas promete que Lázaro ressuscitará. E ao ver todos a chorar chora também. Mostra claramente que ama o amigo.
Poderá a morte vencer o amor? Não. A morte só não vence o amor. Por isso, Jesus invoca o Pai que sempre O escuta e pede-Lhe que o milagre aconteça, para que os que amam vejam e acreditem.
E o morto obedeceu e saiu do lugar da morte.
Sim, Senhor, eu amo, mas aumenta a minha fé!
Chama do Carmo I NS 105 I Abril 10, 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bento XVI apresenta S. Teresa do Menino Jesus

Catequese do Papa na audiência da Quarta-feira, 6 de abril de 2011.

Queridos irmãos e irmãs:
Eu gostaria hoje de vos falar de Santa Teresa de Lisieux, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, que viveu neste mundo apenas 24 anos, no final do século XIX, levando uma vida simples e oculta, mas que depois de sua morte e da publicação dos seus escritos, se tornou uma das santas mais conhecidas e amadas. A pequena Teresa não deixou de ajudar as almas mais simples, os pequenos, os pobres, os que sofrem e os que lhe rezam, mas iluminou também toda a Igreja, com sua profunda doutrina espiritual, tanto assim que o Venerável João Paulo II, em 1997, quis dar-lhe o título de Doutora da Igreja, acrescentando o título de Padroeira das Missões, dado por Pio XI, em 1939. Meu querido predecessor definiu-a como uma "especialista na ‘scientia amoris'" (‘Novo Millennio ineunte', 27). Esta ciência, que vê brilhar no amor toda a verdade da fé, Teresa a expressa principalmente no relato da sua vida, publicado um ano após a sua morte com o título de História de uma Alma. É um livro que foi de imediato um enorme sucesso; foi traduzido para muitas línguas e distribuído em todo o mundo. Eu gostaria de convidar-vos a redescobrir este pequeno-grande tesouro, este luminoso comentário do Evangelho plenamente vivido! A História de uma Alma, é de facto, uma maravilhosa história de amor, contada com tal autenticidade, simplicidade e frescor, que o leitor não pode deixar de ficar fascinado! No entanto, qual é esse amor que preencheu a vida de Teresa, desde a infância até sua morte? Queridos amigos, este amor tem um rosto, tem um nome, é Jesus! A santa fala continuamente de Jesus. Percorramos, então, as grandes etapas de sua vida, para entrar no coração de sua doutrina.
Teresa nasceu em 2 de Janeiro de 1873, em Alençon, uma cidade da Normandia, na França. Foi a última filha de Louis e Zelie Martin, esposos e pais exemplares, beatificado os dois em 19 de Outubro de 2008. Eles tiveram 9 filhos, dos quais 4 morreram na infância. Restaram 5 filhas, que se tornaram todas religiosas. Teresa, aos 4 anos, foi profundamente afectada pela morte de sua mãe (Ms A, 13r). O pai, com as filhas, mudou-se então para a cidade de Lisieux, onde se desenvolveu toda a vida da Santa. Mais tarde, Teresa, sofrendo uma doença nervosa grave, curou-se devido a uma graça divina, que ela definiu como "o sorriso de Nossa Senhora" (ibid., 29v-30v). Recebeu a Primeira Comunhão, vivida intensamente (ibid., 35r), e colocou Jesus Eucaristia no centro da sua existência.
A "Graça do Natal" de 1886 marcou o ponto de inflexão, o que ela chamou de "conversão completa" (ibid., 44v-45r). De facto, ela curou-se totalmente de sua hipersensibilidade infantil e iniciou um "caminho de gigante". Na idade de 14 anos, Teresa aproximou-se cada vez mais, com muita fé, de Jesus Crucificado, e levou muito a sério o caso, aparentemente desesperado, de um criminoso condenado à morte e impenitente (ibid., 45v-46v). "Eu queria a todo custo evitar que ele fosse para o inferno", escreveu a Santa, com a certeza de que a sua oração o teria colocado em contato com o sangue redentor de Jesus. É sua primeira e fundamental experiência da maternidade espiritual: "Tão confiante estava na infinita misericórdia de Jesus", escreveu. Com Maria Santíssima, a jovem Teresa ama, crê e espera, com "um coração de mãe" (cf. PR 6/10r).
Em Novembro de 1887, Teresa vai em peregrinação a Roma, com seu pai e sua irmã Celina (ibid., 55v-67r). Para ela, o momento culminante foi a audiência do Papa Leão XIII, a quem pede permissão para entrar, com apenas 15 anos, no Carmelo de Lisieux. Um ano depois, o seu desejo foi realizado: ela torna-se carmelita, para "salvar almas e rezar pelos sacerdotes" (ibid., 69v). Ao mesmo tempo, começou a dolorosa e humilhante doença mental de seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação do Rosto de Jesus em sua Paixão (ibid., 71rv).
Assim, seu nome religioso - Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face - expressa o programa de toda a sua vida, na comunhão com os mistérios centrais da Encarnação e da Redenção. Sua profissão religiosa, na festa da Natividade de Maria, em 8 de Setembro de 1890, é para ela um verdadeiro matrimónio espiritual, na "pequenez" do Evangelho, que se caracteriza pelo símbolo da flor: "Que festa bonita a Natividade de Maria para me tornar a esposa de Jesus!", escreve. Era a pequena Virgem Santa de um dia que apresentava sua pequena flor ao Menino Jesus (ibid., 77r). Para Teresa, ser religiosa significa ser esposa de Jesus e mãe das almas (cf. Ms B, 2v). No mesmo dia, a Santa escreveu uma frase que mostra a orientação da sua vida: pede a Jesus o dom do seu amor infinito, de ser a menor e, especialmente, pede a salvação de todos os homens: "Que nenhuma alma se condene hoje" (Pr 2). De grande importância é a seu Ato de Oferta ao Amor Misericordioso, feito na Festa da Santíssima Trindade em 1985 (Ms A, 83v-84r; Pr 6): uma oferta que Teresa partilhou com suas irmãs, sendo já auxiliar da mestra de noviças.
Dez anos após a "Graça do Natal", em 1896, chega a "Graça da Páscoa", que abre o último período da vida de Teresa, com o início da sua paixão profundamente unida à Paixão de Jesus; trata-se da Paixão do corpo, com a doença que a levou à morte através de grandes sofrimentos, mas acima de tudo se trata da paixão da alma, com uma muito dolorosa prova de fé (Ms C, 4v-7v). Com Maria, junto à cruz de Jesus, Teresa vive agora a fé mais heroica, como luz nas trevas que invadem a sua alma. A Carmelita tem a consciência de viver esta grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, chamados por ela de "irmãos". Ela viveu, então, mais intensamente o amor fraterno (8r-33v): com as irmãs de sua comunidade, com seus irmãos espirituais missionários, com os sacerdotes e com todos os homens, especialmente aqueles mais distantes. Ela se torna uma "irmã universal"! Sua caridade amável e sorridente é a expressão da profunda alegria cujo segredo ela nos revela: "Jesus, minha alegria é amar-te" (P 45/7). Neste contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas menores coisas da vida cotidiana, a Santa leva a pleno cumprimento a sua vocação de ser o amor no Coração da Igreja (cf. Ms B, 3v).
Teresa morreu na noite de 30 de Setembro de 1897, dizendo as palavras simples: "Meu Deus, eu te amo!", olhando para o crucifixo, que apertava com as mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de todos os seus ensinamentos, da sua interpretação do Evangelho. O acto de amor, expresso em seu último suspiro, era como a respiração contínua da sua alma, como o bater do seu coração. As simples palavras "Jesus, eu te amo" são o centro de todos os seus escritos. O acto de amor a Jesus introdu-la na Santíssima Trindade. Ela escreveu: "Ah, tu sabes, divino Jesus, eu te amo,/ o espírito de Amor inflama-me com seu fogo /e, amando-te, eu atraio o Pai" (P 17/2).
Queridos amigos, também nós, com Santa Teresinha do Menino Jesus, podemos repetir cada dia ao Senhor, que queremos viver de amor a Ele e aos outros, aprender na escola do santos a amar de maneira autêntica e total. Teresa é um dos "pequenos" do Evangelho, que são guiados por Deus nas profundezas do seu mistério. Uma guia para todos, especialmente para os que, no povo de Deus, desenvolvem o ministério de teólogos. Com a humildade e a fé, caridade e esperança, Teresa entra continuamente no coração das Sagradas Escrituras, que contêm o mistério de Cristo. E essa leitura da Bíblia, alimentada pela ciência do amor, não se opõe à ciência acadêmica. A ciência dos santos, de fato, da qual ela fala na última página de História de uma Alma, é a ciência mais alta: "Todos os santos a entenderam; em particular, talvez, aqueles que encheram o universo com a irradiação do ensinamento do Evangelho. Não será, talvez, por meio da oração, que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e muitos outros ilustres amigos de Deus obtiveram essa ciência divina que encanta os maiores gênios?" (Ms C, 36r). Inseparável do Evangelho, a Eucaristia é, para Teresa, o sacramento do Amor Divino que desce até ao extremo para nos elevar até Ele. Em sua última carta, a Santa escreveu estas simples palavras sobre a imagem que representa o Jesus Menino na Hóstia consagrada: "Não posso temer um Deus que por mim tornou-se tão pequeno! (...) Eu o amo! De fato, Ele é só Amor e Misericórdia!" (LT 266).
No Evangelho, Teresa descobre sobretudo a misericórdia de Jesus, a ponto de dizer: "Ele deu-me a sua misericórdia infinita; através dela contemplo e adoro a demais perfeições divinas! (...) E então todas me parecem radiantes de amor; a própria justiça (e talvez mais do que qualquer outra), parece-me revestida de amor" (Ms A, 84r). Assim se expressa também nas últimas linhas da História de uma Alma: "Basta folhear o Santo Evangelho e imediatamente respiro o perfume da vida de Jesus e sei para onde correr... Não é ao primeiro lugar, mas ao último que me dirijo... Sim, eu o sinto; inclusive se tivesse sobre a consciência todos os pecados que se podem cometer, iria com o coração partido de arrependimento lançar-me nos braços de Jesus, porque sei o quanto Ele ama o filho pródigo que retorna a Ele" (Ms C, 36v-37r). "Confiança e amor" são, portanto, o ponto final do relato da sua vida, duas palavras que, como faróis, iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar no seu próprio "pequeno caminho de confiança e amor", da infância espiritual (cf. Ms C, 2v-3r; LT 226). Confiança como a da criança que se abandona nas mãos de Deus, inseparável pelo compromisso forte, radical do verdadeiro amor, que é o dom total de si mesmo, para sempre, como diz a Santa, contemplando Maria: "Amar é dar tudo, é dar a si mesmo" (P 54/22). Assim, Teresa indica a todos nós que a vida cristã consiste em viver em plenitude a graça do Baptismo, no dom total de si ao amor do Pai, para viver como Cristo, no fogo do Espírito Santo, o seu próprio amor aos outros.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs:
Padroeira das missões e doutora da Igreja, Santa Teresa de Lisieux, apesar da sua vida breve, que terminou em 1897, tornou-se uma das santas mais conhecidas e amadas. Um ano após a sua morte, foi publicada a sua obra autobiográfica, História de uma Alma. Trata-se de uma maravilhosa história de amor que encheu toda a vida Teresa; este amor tem um rosto e um Nome: é Jesus. Recebida a autorização papal, pôde, aos dezesseis anos, entrar no Carmelo de Lisieux, assumindo o nome de Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. Era movida pelo desejo de salvar almas e rezar pelos sacerdotes. Um ano antes da sua morte, iniciou a sua paixão pessoal que viveu em profunda união com a Paixão de Cristo. Tratou-se de uma paixão do corpo, com a doença que acabaria por levá-la à morte, mas, sobretudo, tratou-se de uma paixão na alma com uma dolorosa prova da fé, a qual ofereceu pela salvação de todos os ateus do mundo. Neste contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas pequenas coisas da vida diária, Teresa realizou a sua vocação de ser o Amor no coração da Igreja. De fato, as palavras "Jesus, eu Vos amo" estão no centro de todos os seus escritos, nos quais ressalta o "pequeno caminho de confiança e amor" que ela percorreu e procurou inculcar aos demais.
Queridos peregrinos lusófonos, a todos saúdo e dou as boas-vindas, particularmente, aos portugueses vindos de Espinho e aos brasileiros de Divinópolis. Possa essa peregrinação reforçar o vosso zelo apostólico para fazerdes crescer o amor a Jesus Cristo na própria casa e na sociedade! Que Deus vos abençoe!
[Tradução: Aline Banchieri. © Libreria Editrice Vaticana]