domingo, 19 de outubro de 2008

CERCA DE 15.000 CATÓLICOS

Cerca de 15.000 católicos de vários países assistiram neste Domingo, em Lisieux, no norte de França, à beatificação dos Pais de Santa Teresinha, Célia e Loius Martin, a quem é atribuída a cura milagrosa dum menino.
Antes deles só outro casal — Maria e Luig Beltrane — tinham sido beatificados simultaneamente.
Os restos mortais de Loius, relojoeiro, e Célia, bordadeira, foram trazidos para a Basílica de Lisieux, a segunda cidade santuário mais importante de França, depois de Lourdes.

PAPA APRESENTA EXEMPLO DE AMOR DOS PAIS DE SANTA TERESINHA

O Papa Bento XVI apresentou neste domingo, dia da sua beatificação, o exemplo de amor e de fé que continuam oferecendo hoje os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Louis Martin e Célia Guérin. O segundo casal da história elevado à glória dos altares — Célia viveu entre 1831 e 1877 e Louis entre 1823 e 1894. O casal foi beatificado numa cerimónia presidida na basílica de Lisieux pelo cardeal José Saraiva Martins, legado pontifício.A data de sua beatificação é significativa, o Dia Mundial das Missões, pois a filha dos novos beatos, Santa Teresa de Lisieux, foi declarada por Pio XI padroeira das missões."Estes novos beatos acompanharam e compartilharam, com sua oração e seu testemunho evangélico, o caminho de sua filha chamada pelo Senhor a consagrar-se a Ele sem reservas entre as paredes do Carmelo", explicou o Papa desde o Santuário de Pompéia, perto de Nápoles (Itália). "Com sua vida de casal exemplar, anunciaram o Evangelho de Cristo. Viveram ardentemente sua fé e a transmitiram em sua família e a seu redor"."Que sua oração seja fonte de alegria e de esperança para todos os pais e todas as famílias", desejou.O exemplo de amor dos novos beatos foi sintetizado pelo Papa com uma expressão escrita por sua filha: "No coração da Igreja, minha mãe, serei o amor". Pensando na beatificação dos esposos Martin, Bento XVI recordou "outra intenção que levo no coração, a família, cujo papel é fundamental na educação dos filhos num espírito universal, aberto e responsável para com o mundo e seus problemas, assim como na formação das vocações à vida missionária".

sábado, 18 de outubro de 2008

PROCUREMOS CAMINHAR SEMPRE DE BEM EM MELHOR!


O Capítulo Provincial é o órgão máximo da gestão da vida da Ordem do Carmo em Portugal.
Reúne-se de três em três anos. O último, o décimo, reuniu-se em Avessadas, de 25 a 29 de Março passado. Nele foi re-eleito Provincial o P. Frei Pedro Ferreira.
Na sequência das reflexões do Capítulo o anterior Superior deste Convento, P. Fernando Reis,
foi eleito superior do Carmo do Porto. O P. Agostinho Castro também anterior conventual desta comunidade, foi eleito superior de Braga. E foram destinados para esta Comunidade do Carmo de Viana do Castelo três religiosos sacerdotes: o P. Joaquim Maciel, o P. Carlos Gonçalves e o P. João Costa.
Este último na qualidade de Prior da Comunidade. O P. Caetano e o Irmão Domingos completam a comunidade religiosa. Entretanto, passado o tempo natural de adaptação e o das férias, a vida da nossa comunidade religiosa e também da cristã começa a correr em velocidade de cruzeiro.
Disso demos conta na Abertura do Ano Pastoral e aqui se resume.

O DOMINGO DA FAMÍLIA
O Projecto Pastoral da nossa Diocese tem como destinatário a família. A célula básica da sociedade sempre foi preocupação central da Igreja. Como apoiar as famílias?, com que pedagogia?, com que cuidados?, e as famílias com saúde cuidam-se da mesma maneira que as mais fragilizadas? E se nem todas as famílias são iguais, cuidam-se todas como se fossem cristãs?
Como não nos cabe todo este cuidado, propusemo-nos fazer com singeleza e dignidade o poucochinho que está ao nosso alcance. Assim, em comunhão com a nossa Diocese, criamos o Domingo da Família e em união com o Santuário do Menino Jesus de Praga, abençoaremos as famílias no Domingo das Bênçãos, que é o que se situa mais perto do dia 25. Na nossa igreja as bênçãos da família começam neste mês em que são beatificados os pais de S. Teresinha. Cada Domingo das Bênçãos da Família será anunciado antecipadamente, porém, confira já como será organizado:
Vespertina Bênção das Mães antes do parto.
08:00h Bênção dos filhos.
10:00h Bênção da família.
11:30h Bênção das crianças.
18:00h Bênção das Mães depois do parto.

O ANO DE SÃO PAULO
É para nós uma imensa graça celebrar o bimilenário do nascimento de São Paulo. Assim, na semana em que celebraremos a festa da sua conversão (25 de Janeiro) a Comunidade poderá dispor de vários momentos de reflexão e animação espiritual em torno à figura do Apóstolo das Gentes e dos nossos santos. Nesta jornada de reflexão e oração procuraremos congregar outros irmãos cristãos que muito valorizam a figura do Apóstolo. Esteja atento e participe.

OS GRUPOS APOSTÓLICOS
A Comunidade tem neste momento os seguintes grupos apostólicos: Carmelo Secular; Ministros da Comunhão; Leitores; três grupos corais; GOT; Pavlvs; Jovens (missionários) Kanimambo.
Estes grupos já têm a sua história e o seu caminho; mas todos eles precisam de reforços. Se puder ajudar não fique em casa ou sentado no banco. Venha, ajude, apoie, reforce. Podem surgir outros grupos de serviço à comunidade? Podem e devem. Venha, vamos. Porque espera?

ABERTURA
E ENCERRAMENTO DO ANO PASTORAL
A abertura do Ano Pastoral permite aproximar os membros da comunidade cristã e partilhar objectivos comuns e os de cada grupo. O Ano Pastoral está aberto; havemos de encerrá-lo em ambiente mais ameno e descontraído. E como já ensinava Santa Teresa: Quando perdiz, perdiz; quando penitência, penitência. E há aí muita sabedoria!

A FOLHA DO CHAMA DO CARMO
A folha Chama do Carmo é uma sarrabiscadela. Aparecerá — assim Deus o queira — todos os Domingos. Será mais um elemento de coesão da Comunidade. Aqui iremos dizer quem somos e o que fazemos, o que falta fazer e onde é preciso ajuda. O que cantamos e acreditamos, e o que nos aquece o coração. Esteja atento e informe-se aqui.
O blog chamadocarmo.blogspot.com tem o mesmo objectivo, e é ainda mais directo. Confira.

RETIROS NOS TEMPOS FORTES
Quem põe os pés ao caminho tem, por força, de parar e refrescar-se. Assim a alma dos peregrinos na fé. Já pensou que deveria retirar-se e descansar um pouco em comunidade? Para isso oferece-mos os retiros dos tempos fortes, no Advento e na Quaresma. Aproveite. (Que Deus oa espera!)
E por aqui ficamos, embora mais houvera que dizer. Porém, fique a certeza da nossa vontade: Estamos aqui para caminhar de bem em melhor!

(Chama do Carmo - NS1 - 19Out08)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Beatificação de Louis e Célia Martin (IV)

Card. José Saraiva Martins
No início do ano, a 14 de Janeiro, o jornal Il Mattino di Napoli publicou um artigo de Claude Risé, sob o título significativo: O amor na família está doente.
Sofre de muitas doenças o amor na família actual. As crianças, por exemplo, mais que serem objecto de amor de seus pais são um pólo entre outros vários que atraem os pais!
As filhas do casal Martin testemunham: «Toda a minha vida o bom deus me rodeou de amor; as minhas primeiras recordações estão cheias de sorrisos e de carícias de ternura.
Os esposos Martin não são santos por terem dado ao mundo uma santa, mas por desejarem ser santos como casal. Eles animaram-se reciprocamente e juntos procuraram ser santos.
Com o exemplo dos Martin a Igreja propõe aos fiéis a santidade e a perfeição de vida cristã que este casal buscou exemplarmente até ao heroísmo.
Louis e Célia abraçaram a vida conjugal para seguir a Cristo. Em Cristo foram esposos, cônjuges e pais e viveram o matrimónio como um chamamento e uma missão concedidos por Deus. Com as suas vidas eles anunciaram a todos a boa nova do amor em Cristo: o amor forte; o amor que não se esquece de recomeçar em cada manhã; o amor capaz da confiança e do sacrifício.
Eles tinham o seu olhar fixo só em Jesus. Viviam sacramentalmente a comunhão mútua através da comunhão que ambos viviam em Deus. Eles são o novo Cântico dos Cânticos, próprio dos cônjuges cristãos. Não aquele Cântico que eles devem cantar, mas aquele que só eles podem cantar. O amor cristão é um Cântico dos Cânticos que o casal canta com Deus.

Beatificação de Louis e Célia Martin (III)

D. Pierre Pican, bispo de Lisieux
Loius e Célia Martin, casados há 150 anos viveram a sua vida de casal como muitos dos seus contemporâneos: participavam intensa, activa, regular e comprometidamente na vida da Igreja. Alimentaram-se dos sacramentos, apoiaram a sua paróquia e consagraram diariamente tempo à oração partilhada, ao recolhimento, á meditação e ao ritmo respeitoso e discreto da intimidade de cada um. Jamais se recusaram receber o sacramento da reconciliação seundo o ritmo que a Igreja preceituava.
Nesta família comum, iluminada pela fé, confrontada pelos acasos da vida, minada pela doença, cresceram e afirmaram-se e desenvolveram-se as respostas vocacionais das suas cinco filhas.
A beatificação deste casal traz para a luz a resposta escondida deste casal preocupado em que cada uma das suas filhas respondesse ao compromisso cristão e ao crescimento espiritual de cada uma delas. Mas serão também confrontados com os acontecimentos muito dolorosos nas suas vidas, mas a sua fé impassível, forte, ardente e enraizada na vida da Igreja fará com que se mantenham firmes.

Não se vai de Ferrari para o Paraíso!

Pergunta: É preciso sofrer para se ser santo?
D. Guy Gaucher
: Corro o risco de ser bruto, mas tenho que responder que sim. Qualquer pessoa sabe que toda a gente sofre aqui na Terra. Mas o cristão pode sofrer doutra maneira, com Cristo. Ele morreu para nos salvar, e o cristão pode unir-se à sua Paixão. Mas é o amor e não o sofrimento que tem o primeiro lugar. Porém o amor verdadeiro é sempre crucificado. Hoje é-se frequentemente condenado e marginalizado por afirmar isto. Mas não se vai de Ferrari para o Paraíso!

Oração da Família


Senhor nosso Deus,
nós Vos louvamos e bendizemos
pela família de Santa Teresinha do Menino Jesus,
que no seu empenho de vivência cristã e de santidade
nos convida a construir a Igreja doméstica
no amor, na fé e na união.

Afastai de nossa família o perigo do desamor,
da divisão, de qualquer atentado à vida,
de qualquer mal.

Senhor,
que pela intercessão de Santa Teresinha e de seus pais,
os veneráveis Luís e Célia,
possamos experimentar a força do amor
que nada e ninguém pode destruir.

Unidos no vosso amor,
nós Vos pedimos que a nossa família e todas as famílias,
superando as dificuldades,
se tornem presença viva do vosso amor.

No trabalho, na saúde, na paz,
possamos caminhar juntos aqui na Terra
para um dia juntos vivermos a bem-aventurança do vosso Reino
por toda a eternidade.
Ámen.

Exemplo de santidade dos pais de Santa Teresinha! (2)

Ambos desejam ser santos e vivem com fidelidade as suas obrigações de estado, exercendo o seu trabalho e dando o melhor de si para a educação de seus filhos. Se se pensa em beatificá-los como casal no próximo domingo, é porque a heroicidade de suas virtudes foi reconhecida em ambos. O Papa João Paulo II já reconheceu oficialmente essa heroicidade.
Esta santidade foi particularmente manifestada através das provações. O casal Martin viveu o abandono à Providência, principalmente quando a conjuntura económica não favorecia os negócios. E, embora, no geral, tenham vivido em boa situação financeira, jamais se deixaram envaidecer por isso. Célia, numa das suas cartas, afirma que «a prosperidade constante afasta de Deus».
Eles experimentaram ainda a provação de perder dois filhos e duas filhas ainda bébés. Célia angustiar-se-á tanto com estes episódios, que só encontrará consolo na oração. Desde 1864, começará a sentir os sintomas do cancro de mama, que a levará à morte 1877. Assumirá com coragem a sua doença e dedicar-se-á aos filhos e ao trabalho até o fim. Ela deseja apenas viver o instante presente, que é onde Deus se revela, dando-nos uma lição de confiança: «Eu me resigno a todos os acontecimentos adversos que me vêm ou que me podem vir. Eu penso: foi Deus quem quis assim! E não penso mais nisso!». Dez dias antes de morrer ela escreve a seu irmão: «Que querem vocês?, se a Santa Virgem não me cura… É sinal que o meu tempo chegou e o Bom Deus quer que eu repouse noutro lugar e não sobre a terra».
Célia morreu com 46 anos, no dia 28 de Agosto de 1877. Teresa tem apenas quatro anos e meio.
Após a morte de Célia, Luís muda-se para Lisieux, atendendo ao convite de seu cunhado Isidore Guérin, instalando-se com as cinco filhas na casa Buissonnets. Assiste feliz ao ingresso de todas as suas filhas na vida religiosa. Vive feliz, consciente de todas as graças que recebeu do Senhor. Um dia revela às filhas que costuma fazer a seguinte oração: «Senhor, é demais! Sim, sou muito feliz. Mas não é possível ir ao céu desta maneira. É preciso que eu sofra um pouco por vós». E oferece-se ao Senhor. Pouco tempo depois ele experimenta a terrível humilhação da doença mental, consequência de uma arteriosclerose. É internado em Caen, no hospital Bom Salvador, onde se tratam os loucos. Grande provação para ele e para as suas filhas. Teresinha, a respeito dessa enfermidade, escreverá: «Os três anos do martírio de meu pai pareceram-me os mais amáveis, os mais frutuosos de toda nossa vida. Eu não os trocaria por todos os êxtases e as revelações dos santos!».
A beatificação de Luís e Célia Martin não é por serem pais de uma santa. Mas porque foram cristãos normais, vivendo no mundo. O seu exemplo mostra que a santidade não é um ideal inacessível, mesmo para pessoas casadas, tendo obrigações e responsabilidade de família, comprometidas nos trabalhos comerciais, etc. Ao cumprir no dia a dia o seu dever de estado, eles acolheram simplesmente a vontade de Deus para eles. Não há, nesta simplicidade, como que uma amostra grátis da “pequena via” descoberta por sua filha?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Beatificação de Louis e Célia Martin (II)

D. Guy Gaucher, OCD
Uma auréola para dois.
Os trabalhos referentes à possível beatificação dos esposos Luis e Célia Martin iniciaram-se em 1957. Porém, desde há muito tempo que os esposos e as famílias têm vindo a receber favores e graças por sua intercessão.
Evidentemente que eles não são beatificados por terem gerado «a maior santa dos tempos modernos», nas palavras de Pio X, mas porque casa um deles viveu o Evangelho o mais plenamente que pode.
Foi o Papa João Paulo II quem juntou a causa de beatificação dos esposos Martin, declarando-os veneráveis em 1994. Só faltava um milagre, que aconteceu em Milão, em 2002: a cura dum bebé acontecida de modo inexplicável e por intercessão do casal Martin.
O Papa Bento XVI autorizou assinou a autorização da beatificação em Julho de 2008.
Na pequena cidade de Alençon, Louis Martin era joalheiro e relojoeiro, e Célia, nascida Guérin, era tecedeira da famosa renda de Alençon. Eram cristãos fervorosos, de caridade concreta e efectiva. Tiveram nove filhos. A mortalidade infantil era muito elevada nos finais do séc XIX, e levou-lhes quatro deles: duas meninas e dois meninos.
Trabalharam duramente para educar as cinco filhas.
A última das cinco, Teresa, nasceu quando Célia já tinha 41 anos e foi amamentada por uma ama de Semaillé.
O cancro da mama, associado a grandes sofrimentos, conduziu Célia à morte quando Teresinha tinha apenas quatro anos e meio. Foi no dia 28 de Agosto de 1877. Apesar de muito pequenina, Teresinha conservou memória dos seus primeiros anos cheios de amor e de alegrias familiares.
Toda a família sofreu amargamente a perda da mãe. Mas quem mais sofreu foi a pequenina Teresa. O sofrimento foi tão profundo que tardou dez anos a recompor-se.
Viúvo e com cinco filhas menores, Louis Martin fez o sacrifício de se mudar para Lisieux, a fim de educar as suas filhas com a ajuda dos seus cunhados, o casal formado pelo farmacêutico Isidoro Guérin e a esposa Celina.
Louis sobreviveu 17 anos à esposa e tocou-lhe também viver a ‘paixão’ duma doença que se prolongou por seis. Coube-lhe, contudo, aceitar e abençoar a vocação religiosa das suas cinco filhas.
Esta é uma família normal, que afinal não o era. Foi uma família que viveu o que Teresa escreveu na poesia 54, de 1897: «Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo».

Beatificação de Louis e Célia Martin (I)

Dr. François Leroy
A Diocese de Bayeux-Lisieux publicou o testemunho do Dr. François Leroy, que participou na exumação dos pais de Santa Teresinha. Perguntaram-lhe: Que experiência reteve para si?
Resposta: Devo dizer que vim para este trabalho com um sentimento neutro para com o casal Martin. Quase nada sabia deles os dois. Mas senti-me comovido pelas palavras do carmelita italiano, que me disse: «estou muito feliz por saber que é um homem casado, e que tenha sido você a fazer o reconhecimento do casal». Para mim isso é muito importante. A minha mulher e eu participámos durante 10 anos nas Equipas de Nossa Senhora, e agora unimo-nos à comunidade Rejouis-toi (Alegra-te!). Noutras épocas a Igreja propôs-nos como modelos os mártires, eremitas, fundadores de ordens religiosas, místicos… E agora vai beatificar um casal cristão. Este é um grande sinal para os casais cristãos.

Uma oração da Bem-aventurada Célia Martin

Senhor, dá-me muitos filhos, e que eles sejam todos consagrados a Ti.

Exemplo de santidade dos pais de Santa Teresinha! (1)

Todos os que conhecem a vida de Santa Teresinha sabem do amor maior que a unia a seus pais. Órfã de mãe muito cedo, é natural que o seu apego a seu pai tenha sido muito forte. Louis Martin era o seu “Rei”. Teresa era, sem dúvida, a filha predileta, a “Rainhazinha” do senhor Martin.
Luís José Aloísio Estanislau Martin, o pai, nasceu em Bordeaux, França, a 22 de Agosto de 1823. Nesse dia, seu pai, militar, estava ausente, numa expedição em Espanha. Os pais de Luis José foram: Pedro Francisco Martin e Fanny Boureau. Devido ao trabalho do pai, Luís passou a infância em vários lugares: Avignon, Estrasbourg e, finalmente, Alençon, onde fixou residência a partir de 1830.
Calmo, piedoso, dado à contemplação, Luís desejou abraçar a vida monacal. Para tanto, visitou o Mosteiro do Monte São Bernardo, em 1843. Porque não conhecia o latim, não foi aceite na Ordem Cisterciense. Voltando a Alençon, abriu uma relojoaria, em 1850.
Célia, mãe de nossa santa, chamava-se Célia Maria Guérin. Nasceu aos 23 de dezembro de 1831, em Gandelain, França. Quando jovem, sonhou e chegou mesmo a ingressar na Ordem das Visitandinas, mas a Superiora logo descobriu que Célia não possuía vocação religiosa. Porém, este sonho permanecerá em sua cabeça. Em 1844, mudou-se para Alençon, onde estudou com as Damas da Adoração e aprendeu a profissão de rendeira, especializando-se na famosa renda de Alençon. Finalmente começou a fabricar a renda para uma casa de Paris. Por volta de 1863 começou a trabalhar por conta própria, ao abrir uma pequena empresa.
Célia Guérin e Luís Martin casaram-se em Alençon, no dia 13 de Julho de 1858. Pretendiam viver como irmãos. Convencidos por um confessor, decidiram ter filhos e tiveram-nos em número de nove: sete meninas e dois meninos. Célia fez por eles a seguinte oração: «Senhor, dá-me muitos filhos, e que eles sejam todos consagrados a Ti».
A oração foi integralmente atendida.
Nada há de extraordinário na vida deste casal cristão. Vida simples, decididamente voltada para Deus que está no centro de tudo: missa diária, devoção ao Sagrado Coração de Jesus, participação em alguns movimentos da Igreja, solidariedade e caridade para com os menos afortunados.
Luís e Célia amam-se muito. Durante uma viagem, ela escreve: «Estou ansiosa para estar perto de ti, meu querido Luís… Eu amo-te de todo meu coração e ainda agora sinto redobrar minha afeição pela privação de tua presença». Eles completam-se harmoniosamente, tomam juntos as decisões importantes referentes ao casamento e ao trabalho. São generosos com os pobres e os infelizes.

AVISOS SEMANA 19 / 26 OUTUBRO


HOJE, 19 DE OUTUBRO, É DIA MUNDIAL DAS
Missões. Estará connosco a Irmã Cidália, Carmelita Missionária na Tanzânia. O ofertório das missas da nossa Igreja destina-se a apoiar a sua Missão de Orusha.

OCORRE TAMBÉM, HOJE, 19 DE OUTUBRO A BEATIFICAÇÃO
dos pais de S.Teresinha, Louis Martin e Célia Guérin.

QUINTA-FEIRA - DIA 23
convidamos a rezar pela evangelização dos povos.

ENCONTRA-SE ABERTA NO ESPAÇO E
uma exposição missionária realizada pelos Jovens Kanimambo. Pode ser visitada no fim das Missas e também durante a semana, à hora de expediente.

O QUE ACREDITAMOS ANUNCIÁMO-LO
com alegria, até por cima dos telhados. Os blogues são hoje uma ferramenta desse dizer. Assim, no blog
www.chamadocarmo.blogspot.com encontra referências úteis e notícias frescas sobre a nossa Comunidade; e no blog dos jovens leigos missionários carmelitas:
www.jovenskanimambo.blogspot.com pode encontrar referências e orações de sabor missionário carmelita.

O PEDITÓRIO DE OUTUBRO A FAVOR DO
restauro dos sinos da nossa Igreja, rendeu €336,25. Muito obrigado. O contrato já foi fechado.

DECORRE EM ROMA, ATÉ AO PRÓXIMO DIA 26,
o Sinodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Rezemos pelos bons fruto do Sínodo.

(Chama do Carmo - NS1 - 19Out08)

ORAÇÃO PELO SÍNODO DOS BISPOS

Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai
nos encomendou escutar como seu Filho amado:
iluminai a vossa Igreja,
para que nada seja para ela mais santo
que escutar vossa voz e segui-la.
Vós, que sois Sumo Pastor e Senhor de nossas almas,
dirigi o vosso olhar para os Pastores da vossa Igreja,
que nestes dias se reúnem com o Sucessor de Pedro
em assembleia sinodal.
Nós Vos pedimos que os santifiqueis na verdade
e os confirmeis na fé e no amor.
Enviai, Senhor Jesus Cristo,
o vosso Espírito de amor e de verdade
sobre os Bispos que celebram o Sínodo
e sobre aqueles que os auxiliam nas suas tarefas:
fazei que sejam fiéis ao que o Espírito Santo diz às Igrejas
e, deste modo, inspirai as suas almas
e ensinai-lhes a verdade.
Através do seu trabalho, que os fiéis
possam ser purificados e reforçados no espírito,
para aderir ao Evangelho da salvação,
e se convertam em oblação viva ao Deus do céu.
E Maria, a santíssima Mãe de Deus e da Igreja,
auxilie hoje os Bispos como um dia
auxiliou os Apóstolos no Cenáculo
e interceda com seu materno apoio,
para que honrem a comunhão fraterna,
tenham serenidade, prosperidade e paz e,
perscrutando com amor os sinais dos tempos,
celebrem a majestade de Deus,
Senhor misericordioso da história,
para louvor e glória da Santíssima Trindade,
Filho e Espírito Santo.
Amen.

(Chama do Carmo - NS1 - 19Out08)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O livro das Fundações

O Papa Bento XV desafiou a que a história mostrasse factos que pudessem competir com as realizações de Santa Teresa de Jesus. Num tempo ingrato e agreste para a mulher autónoma, a Santa fundou 17 carmelos em vinte anos, de 1562 a 1582. E ainda colaborou na fundação de dois conventos do Carmo!
Você imagina-se a dedicar 20 anos da sua vida a fundar conventos? Sabe o que custava fazer uma fundação? Sabe o que era preciso? Era preciso ter boas vocações, isto é mulheres que neles quisessem entrar consagrando-se ao Senhor! Era preciso arranjar dinheiro, que muito havia onde o gastar: em erguer fundações; contratar pedreiros que acomodassem as casas; contratar carroceiros para ir duma cidade para outra; conseguir bons confessores para as religiosas; conseguir autorizações; responder, calar ou fugir de perseguições…
Qual é o espírito necessário para se fazer uma empresa destas? Bastará a vaidade? Chegaria o reconhecimento público? — Não. Claro que não! A Santa Madre Teresa sabia que Deus a cumulava com tantas graças, que não era justo guardar só para si esse tesouro. Tinha de ser partilhado. Era por isso que não ficava sem fazer nada: era uma mulher inquieta e andarilha!
Ouçámo-la justificar-se: «O tempo fazia crescer em mim o desejo de contribuir para o bem de alguma alma; eu muitas vezes sentia-me como quem tem um grande tesouro guardado e deseja dá-lo para que todos gozassem, e ao mesmo tempo tem as mãos atadas para não poder distribuí-lo. Eu tinha a impressão de estar com as mãos atadas dessa maneira, porque eram tantas as graças recebidas naqueles anos que me pareciam mal empregues apenas em mim. Eu servia ao Senhor com minhas pobres orações e procurava que as irmãs fizessem o mesmo e valorizassem muito o bem das almas e o progresso de Sua Igreja. Quem com elas se relacionava saía edificado. E nisso se embebiam os meus grandes desejos." [Livro das Fundações. 1, 6]

É impossível narrar todas as fundações teresianas. Baste recordar que elas foram feitas com muitas dificuldades, mas também com muita oração e determinação não somente por parte da Madre Fundadora, mas por todas aquelas monjas que participaram daqueles feitos e muitos outros amigos que também os tinha. Santa Teresa fundou mosteiros por toda a Espanha: em Ávila (1562), Medina del Campo (1567), Malagón, Valladolid (1568), Toledo, Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas, Sevilla (1575), Caravaca (1576), Villanueva de la Jara, Palencia (1580), Soria (1581), Granada e Burgos (1582). Algo que sempre marcava as fundações de Santa Teresa de Jesus era a presença do Santíssimo Sacramento, em primeiro lugar. A casa só estaria realmente edificada quando o Santíssimo estivesse no sacrário.
Dos quatro grandes livros que a Santa escreveu, o Livro das Fundações é o que talvez menos se leia. É porém um livro onde a Santa Madre escolheu tratar do que acontecia com ela e com suas irmãs nas suas fundações. Escreve-o em tom de aventura e de narrativa bem contada. Nesse caso, o mais interessante é descobrir no livro as peripécias pelas quais passou, as dificuldades e até as anedotas, sempre recheadas do seu bom humor

OREMOS
Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe Fundadora!
Fazei que, guiados pelo Espírito Santo,
caminhemos sempre por caminhos de verdade
em direcção ao Pai,
e que construamos as nossas casas sobre a rocha,
segundo o ensinamento de Jesus Cristo.
Amen

À Santa Madre Teresa de Jesus

Monja andarilha e abadessa andante
que ao serviço de Nossa Senhora
alanceavas moinhos e carneiros.
Tu, princesa, sopeira e mendicante;
tu que sabias a hora
a que Deus vinha fiscalizar os tachos;
tu, que depois te deleitavas cara a cara
a confidenciar com Ele à sobremesa.

E era quase teu irmão
aquele que te enchia a cabeça
de anjinhos e de fundações.

E tu logo partias
a pregar canções e razões
como se brincasses às Ave Marias.
Teresa de Jesus, tu que soubeste
carregar os êxtases e o dardo
glorioso o peito e a mirada triste,
trémula a alma e andar galhardo.

Tu, que és da Divina
Pomba que ao ouvido te ditava
as suas lições de amor e de doutrina
e de consolo musical, enquanto

a nuvem desenhava
um atril de marfim para o teu canto.
Tu, senhora de toda a gentileza,

acolhe-me no teu abrigo,
Teresa de Jesus, Madre Teresa,
não me deixes estar só comigo.
(Inácio B. Anzoátegui)

Os livros de Santa Teresa

Desde tenra infância Santa Teresa foi amiga de livros. Leu muitos, e segundo parece, depois da sua conversão, cada livro leu elevou-a a novo patamar espiritual ao ponto de deixar de precisar de ler.
Quando a proibiram de ler a Bíblia, escutou Jesus que lhe disse: Eu sou o teu livro, já não quero que tenhas mais conversas com homens.


Livro da Vida
O primeiro livro escrito por S. Teresa de Jesus chama-se Livro da Vida. Como o título sugere é a sua autobiografia, escrita ao longo de alguns anos, e encerrada após a fundação do primeiro mosteiro, em 1567. Teresa fala sobre sua infância e o relacionamento com os irmãos; a sua entrada no Carmelo, a luta pela conversão, e vai até a fundação do Carmelo de São José, em Ávila. Mas Teresa não se contenta apenas em contar sua vida. Em determinado momento ela abre um parêntesis para falar "algumas coisas de oração", e lá se vai metade do livro!
Faz então uma bela analogia da alma com um jardim, que devemos enfeitar com as flores das virtudes, onde o Senhor vem passear. A mensagem é que no início a vida de oração é dura, cheia de dificuldades, mas precisamos enfrentá-las se quisermos ir adiante.

Caminho de Perfeição
Outro livro importante de Santa Teresa é o Caminho de Perfeição, escrito na forma de conselhos às irmãs que ingressam nos mosteiros fundados por ela. Foi escrito a pedido destas irmãs. Ela fala sobre três virtudes essenciais para quem deseja seguir a Cristo: a humildade, o desapego e a caridade fraterna. Além disso, ela mostra um amadurecimento espiritual muito grande em relação ao Livro da Vida. Nesse livro, a Santa Madre também comenta mais profundamente sobre os graus mais elevados de oração: oração de recolhimento, oração de quietude, etc.
Sabendo que sendo mulher não seria bem aceite escrever sobre temas espirituais, Santa Teresa disfarça esses graus de oração em um comentário sobre a oração do Pai Nosso, o que ocupa toda a segunda metade do Caminho de Perfeição.
Castelo Interior
O livro mais importante de Santa Teresa é o Castelo Interior. Nele, Teresa compara a alma a um castelo, que possui um grande tesouro em seu interior. Para chegar à sala onde o tesouro se encontra, é necessário atravessar sete moradas, ou aposentos. Cada uma dessas moradas corresponde a um estágio na vida espiritual. O tesouro é a presença de Deus em cada um de nós. À medida que avançamos, são encontrados novos desafios, novas dificuldades, e novos sinais da graça de Deus. Mas as moradas não são estágios padrão, que todos passamos da mesma maneira: cada um de nós tem uma forma de seguir a Deus, e Deus se revela de formas diferentes a cada um. A grande mensagem desse livro é que a oração é um caminho pessoal, íntimo, em busca de um tesouro que todos trazemos dentro de nós desde que nascemos.
Livro das Fundações
Além desses livros, existe um muito interessante, o Livro das Fundações, onde a Santa narra em detalhe as fundações dos seus Mosteiros. É um livro interessantíssimo de ler.

Cartas e poesias
Santa Teresa tem ainda outros escritos menores, algumas poesias, e muitas cartas, das quais existem até hoje cerca de 470.Poderia ficar aqui um convite a todos para que leiam as obras de Santa Teresa. Nós, católicos, temos um costume ruim de aceitar as explicações que nos são dadas como se fossem verdades universais. Os livros de Santa Teresa são tão profundos, e ao mesmo tempo tão pessoais, que cada um que os lê tem uma experiência própria, como se a Santa falasse pessoalmente a cada um de nós através deles.
Vale a pena ler Santa Teresa.

OREMOS
Santa Madre Teresa de Jesus,
que conheceste profundamente os tesouros da vida espiritual,
e guiaste a todos que te procuraram por esse caminho;
ainda hoje continuas a guiar-nos através de teus livros.
Por isso, pedimos-te, confiantes,
que sejamos fiéis ao caminho da oração,
sem desanimar nas dificuldades,
e possamos encontrar o tesouro do Amor de Deus
que se encontra em cada um de nós.
Amen.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Vida de S. Teresa de Jesus

Teresa de Cepeda e Ahumada y Cepeda nasceu na Espanha, na cidade de Ávila, cidade dos cavaleiros, no ano de 1515. Tinha muitos irmãos, e a sua educação sempre foi esmerada e muito sólida nas virtudes cristãs. Desde criança gostava muito de brincar fazendo de freira com seus irmãos, especialmente com Rodrigo, sendo que para isso chegavam a construir pequenos oratórios e mosteiros. Certa vez fugiu com Rodrigo, ligeiramente mais velho, com o desejo de ser martirizada pelos mouros, pois ouvira dizer que os mártires têm lugar garantido no céu. Graças a um tio, que os encontrou logo à saída de Ávila, esse projecto não foi levado adiante.
Aos vinte anos, Teresa ingressou no Mosteiro Carmelita da Encarnação. Como era de costume na época, a sua vida era muito apegada às criaturas, conversas de mexericos sem propósito. Era também muito apegada aos amigos e à família. Percebendo que esse não era o centro da vida religiosa, Teresa esforçava-se por melhorar, sem nunca obter sucesso. Após dezanove anos de luta contra si mesma, dois acontecimentos levaram à sua conversão: a leitura do livro As Confissões, de Santo Agostinho, e uma visão duma imagem de Cristo chagado, diante da qual Teresa se ajoelha e jura que só se levantará quando estiver convertida.
Daí em diante, ela deixa de lado tudo aquilo que considera superficial, e dedica-se totalmente à oração. Percebendo que o mosteiro onde vivia era grande demais, e por isso facilitava as distracções, Teresa sente necessidade de fundar um novo convento. Mais pequeno e familiar. Assim, no dia 24 de Agosto de 1562, Teresa funda o Convento São José, também em Ávila, juntamente com um punhado de irmãs que a acompanhavam. É nesse dia que passa a chamar-se Teresa de Jesus.
Nascia assim a Ordem dos Carmelitas Descalços.
Muitas pessoas, inclusivé muitos frades e monjas, não entenderam a sua obra, e por isso Teresa passou por muitas tribulações, perseguições e dificuldades. Mas com o tempo as coisas esclareceram-se, e ela conseguiu também a autorização para fundar dois convento de frades, o que aconteceu em Duruelo, a 28 de Novembro de 1567.
Ao longo de sua vida, Teresa escreveu muitos livros, que são até hoje um grande tesouro da literatura espiritual. Além dos livros, também ficaram conservadas muitas de suas cartas, nas quais podemos aprender muito sobre a vida quotidiana dos mosteiros, e também muitos conselhos sobre dificuldades diversas encontradas pelas suas irmãs.
Teresa faleceu em 1582, em Medina del Campo, num convento fundado por ela. Ainda em vida era reconhecida como santa, e foi canonizada cerca de 40 anos após sua morte. A sua herança espiritual é tão importante para a Igreja, que em 1970 o Papa Paulo VI concedeu-lhe o título de Doutora da Igreja.

ORAÇÃO
Santa Madre Teresa de Jesus,
que soubeste dar gosto a todos quando vivias no mundo,
sendo por isso muito querida de quantos te conheceram,
agora que vives no céu tu nos favoreces com maior razão.
Por isso te pedimos confiantes:
que saibamos aproveitar a tua doutrina,
para desejar os bens celestiais
e desprezar o que nos pode apartar do bem,
vivendo como tu viveste,
purificados pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.
— Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!

Hoje celebramos uma Vigília de Oração, pelas 20:30, na nossa Igreja do Carmo de Viana do Castelo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Suportámo-lo com alegria e até com um sorriso

Você sabia que estão a arrebentar com a via pública à frente da nossa Igreja? Eu também não. Sabe para quê, eu também não. Mas como sou novo cá, a razão é útil e boa concerteza. Só não sabemos qual. O que lamentamos.
Também lamentei não ter podido informar os fregueses da nossa Igreja do Carmo desta alteração e deste incómodo. Gostaria de o ter feito. Tenho pena de não o ter feito. Peço desculpa de não ter feito.
Entretanto, cabe sempre aqui um sincero pedido de desculpas pelo incómodo. As melhorias e benfeitorias trazem consigo adventícios incómodos. Por que é para o bem do nosso bairro, suportámo-lo com alegria e até com um sorriso.
Mas Igreja do Carmo é para muitos mais fregueses que os do nosso bairro. Para esses o nosso muito especial pedido de desculpas pelo incómodo e pelo ruído enquanto rezam.

ORAÇÃO PELO SÍNODO DOS BISPOS


Senhor Jesus Cristo,
a quem o Pai nos encomendou escutar como seu Filho amado:
ilumina tua Igreja,
para que nada seja para ela mais santo
que escutar tua voz e segui-la.
Tu, que és Sumo Pastor e Senhor de nossas almas,
dirige teu olhar aos Pastores de tua Igreja,
que nestes dias se reúnem com o Sucessor de Pedro
na assembleia sinodal.
Nós te pedimos que os santifiques na verdade
e os confirmes na fé e no amor.
Senhor Jesus Cristo,
Envia o teu Espírito de amor e de verdade
sobre os Bispos que celebram o Sínodo
e sobre aqueles que os auxiliam em suas tarefas:
faz que sejam fiéis ao que o Espírito Santo diz às Igrejas
e, deste modo, inspira suas almas e ensina-lhes a verdade.
Através de seu trabalho,
que os fiéis possam ser purificados e reforçados no espírito,
para aderir ao Evangelho da salvação,
e se convertam em oblação viva ao Deus do céu.
E Maria, a santíssima Mãe de Deus e da Igreja,
auxilie hoje os Bispos como um dia
auxiliou os Apóstolos no Cenáculo e
interceda com seu materno apoio,
para que honrem a comunhão fraterna,
tenham serenidade, prosperidade e paz serenos e,
perscrutando com amor os sinais dos tempos,
celebrem a majestade de Deus,
Senhor misericordioso da história,
para louvor e glória da Santíssima Trindade, Filho e Espírito Santo.
Amen.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

AVISOS SEMANA 12/19 OUTUBRO

I. DIA 12 DOMINGO
TRÍDUO DE SANTA TERESA
Inicia-se o Tríduo de preparação da Festa de Santa Teresa, nossa Fundadora.

II. DIA 14 TERÇA-FEIRA
VIGÍLIA DE ORAÇÃO TERESIANA
20:30h O Grupo de Oração Teresiana promove uma vigília de oração teresiana. Todos somos convidados a participar e partilhar.

III. DIA 15 QUARTA-FEIRA
FESTA DE SANTA TERESA
No dia da nossa mãe Santa Teresa celebraremos solenemente as Missas das 08:00h e das 09:00h.
E também à noite, às 21:00h, celebrar-se-á Eucaristia para os que não puderam participar pela manhã.
No final das Eucaristias é dada a venerar a Relíquia da Santa Doutora.

IV. DIA 17 SEXTA-FEIRA
MEMÓRIA DE S. INÁCIO DE ANTIOQUIA, BISPO E MÁRTIR.

V. DIA 18 SÁBADO
FESTA DE SÃO LUCAS, O EVANGELISTA DA MISERICÓRDIA.

VI. DIA 18 SÁBADO
ABERTURA DO ANO PASTORAL DO CARMO

No próximo dia 18 de Outubro proceder-se-á à Abertura do Ano Pastoral da nossa Comunidade do Carmo. Todos estamos convidados a participar. Porque somos uma porção de povo que caminha como Povo de Deus, espera-se e deseja-se a participação de todos os grupos pastorais desta Comunidade. O Programa constará:
16:00h Abertura do Ano Pastoral na Sala dos Terceiros.
18:00h Eucaristia de Compromisso.
19:00h Prova do vinho da terra.

VII. DIA 18 SÁBADO
21.00h Abertura da exposição missionária.
21:00h Conversa com uma missionária Carmelita.
21:30h Vigília de oração missionária

VIII. DIA 19, DOMINGO
É o dia mundial das missões.
É o dia da beatificação dos pais de S. Teresinha, Louis e Célia Martin.

São Paulo, um Mestre para os Mestres do Carmo

Professor: Frei João Costa
Secretária: Isabel Gonçalves (Braga)

A Conferência do XV Horeb, sobre o tema “S. Paulo, um mestre para os mestres do Carmo” teve como orador Frei João Costa.

São Paulo, em hebraico Saulo, nascido em Tarso da Cilícia, refere-se a si dizendo que se tornou “cristão como um aborto”. Esta expressão deve-se ao facto de inicialmente Saulo ter sido um perseguidor de cristãos, pois julgava que deveria opor-se ao nome de Jesus Cristo. Prendeu numerosos santos e consentiu no martírio de todos, incluindo Estêvão, antigo companheiro de escola.

Numa das perseguições, indo a caminho de Damasco, viu um resplendor de luz no céu que o cercou, e caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: “— Saulo, Saulo, porque me persegues?” (Act. 9, 1-22). Foi neste momento que Saulo abandonou a perseguição e, ingressando na Igreja pelo Baptismo, passou a ser um seguidor de Jesus Cristo. A partir daqui conhecemo-lo com o nome latino de Paulo.

O Apóstolo S. Paulo, o abortivo, é considerado por muitos cristãos como o mais importante discípulo de Jesus. Foi concerteza um Apóstolo diferente, sobretudo quando decidiu — e foi aceite pelo Colégio Apostólico —, que espalhasse a mensagem da Boa Nova de Jesus Cristo entre os gentios. Anunciar aos não judeus, aos pagãos ou gentios era a sua missão. É ele o Apóstolo missionário, sempre a caminho, incansável testemunha da ressurreição de Jesus.

(Terá, por exemplo, segundo se crê, anunciado o Evangelho na Península Ibérica!)

Paulo escreveu várias epístolas, catorze das quais chegaram até nós. Escreveu preferentemente às comunidades que fundara, e assim fincava o seu testemunho de Apóstolo, reforçava os seus ensinamentos ou corrigia desvios. Foi o caso das Cartas aos Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses. A Carta aos Hebreus provavelmente não é sua, mas atribuída por um discípulo à sua autoridade. A Carta as Romanos foi escrita antes do Apóstolo ali chegar e visava preparar a sua chegada, dar-se a conhecer e mostrar a boa nova que pregava. Escreveu também a discípulos bispos: Timóteo e Tito; e ao amigo Teófilo para que recebesse um escravo que lhe fugira e entretanto se fizera cristão.

No decorrer do ensinamento do Frei João rezámos um hino retirado da Carta aos Efésios (1, 3-6. 11-12), donde, depois salientámos algumas expressões mais marcantes: o facto de sermos “filhos adoptivos e herdeiros de Jesus Cristo”. Ainda não existia mundo e já nós existíamos, Deus via no amor cada um de nós. É Jesus que nos faz filhos de Deus, existindo uma herança que vai passando de mestre para mestre, herdamos de Paulo o que ele herdou de Jesus.

Na Carta que escreveu à Igreja, intitulada “No inicio do novo milénio”, o Papa João Paulo II convida-nos a lembrarmos o Passado com agradecimento, a viver o Presente com paixão (a termos fé apaixonadamente) e caminharmos para o Futuro com confiança, porque “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre”.

Ser mestre é ser santo. A partir de agora vamos chamar aos nossos santos, santos e mestres. É esse o significado. E o que é ser santo? Diz alguém que, segundo a Bíblia, ser santo é sair de si próprio ao encontro do outro. Mais uma vez, JPII:“Saí e caminhai sempre com os olhos no passado, com os pés no presente e caminhando para o futuro, caminhai para uma perspectiva de santidade. Vós sois chamados a ser santos. Não tenhais medo!”

A santidade é saída de si. Não podemos ficar fechados em nós, temos de sair ao encontro do nosso mundo. Havemos de sair, num sair por amor, um sair da prisão dos nossos interesses para sair ao encontro do outro. Um exemplo claro e muito reconhecido desta santidade foi Madre Teresa de Calcutá. Aquilo em que acreditava, ela o confirmava com obras.

Uma questão que nos colocámos é se os nossos santos, apenas falaram ou também actuaram. Existem, é certo, várias formas de amar e, entre elas, a que mais se salienta é ir ao encontro dos pobres com o coração cheio. Porém, de acordo com o Papa Paulo VI: “Não há cristão que não deva algo ao Carmo”! Sim, é verdade. Também os Carmelitas saem de si para servir os outros. Só somos Carmelitas se formos santos, se sairmos de nós ao encontro dos necessitados. O Carmo existe para a Igreja. O coração dum Carmelita está cheio do “fazer o bem aos outros”. Se da Igreja saírem aqueles que rezam, que fazem da vida uma oração, a Igreja não é verdadeiramente Igreja! Pensando bem: a Igreja pode ser comparada a um arco-íris; ora, se ao arco-íris lhe tiramos uma cor, o arco-íris não é verdadeiramente um arco-íris. Portanto, existem várias maneiras de fazermos o arco-íris da Igreja: e a cor do Carmo é muito bela! E não pode faltar! Ao fazermos o bem à Igreja e ao Mundo pela oração — pela oração de louvor, pela de intercepção, de acção de graças, … —, pedindo não só por nós mas também pelos outros, nós fazemos o bem, erguemos o arco-íris, construímos um mundo mais belo.

A vida de cada Carmelita “é um altar” donde se elevam orações e preces para Deus em favor da Igreja e do nosso Mundo. Nós somos prece: Prece pela escola, pelos professores, pelos trabalhadores, pecadores, pelos missionários, pelas criancinhas, pelos velhinhos, pelo Papa, pelos sacerdotes, pelos catequistas, pelos chefes das nações, pelos…
Ai de mim se não evangelizar”, era o grito de São Paulo que ainda hoje se ouve. Depois deste grito fomos escolher o nosso grito — o nosso just do it, segundo o Frei João —, a exemplo de S. Rafael Kalinowsky que escolheu para lema do seu apostolado a exortação de S. Paulo “Caridade, alegria e paz” (Gál 5:22), ou segundo a Bem-aventurada Isabel da Trindade que elegeu ser «Quero viver para ser louvor da glória de Deus». E escolhemos como se poderá verificar noutro lugar.

in Blog Carmo Jovem

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Encontrei a verdade

Encontrei a verdade ao jantar. Trazia um saquinho verde escuro da Harrods. Boa tarde, disse-me ela. Venho humildemente dizer-lhe, que para não ser tão azedo tem aqui uns doces típicos (Quem sabe se directamente importados da Tailândia, pensei eu!) de Inglaterra. Daqueles bons que não chegam à mesa de Sua Majestade. Pode oferecer à restante comunidade.
(Agradeci.)
E continuou, prazenteira. Também lhe trago um whisky daquele que não há; a que só os Lordes acedem em segredo e saboreiam nos dias maiores envoltos em semi-escuridade povoada por muito fumo.
(!)
E concluiu. Agora escreva lá naquele seu berloque que a verdade disse a verdade. E disse. E está escrita.
(Agora vamos aguardar pelo dia da perdiz e saber se condiz com o whisky do segredo dos Lordes.)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Parabéns, P. Carlos

O Padre Carlos Gonçalves fez hoje 54 anos. Não houve no reino de cá quem não soubesse da efeméride. No tempo em que estamos — um tempo em constante aceleração — 54 anos são mais que um século! O Carlos fez certamente mais que uma centúria de anos, não importando para o caso que o Bilhete de Identidade o desminta. O homem é jovem; e de espírito, mais que muitos.
O dia foi pesado em avaliações, decisões e relançamento da vida comunitária, em telefonemas e reboliço de papéis académicos. Foi tudo menos um dia ligeiro. Mas, Carlos, quer celebres aniversários ou não, que tenhas muitos dias assim. Hoje a construir a fraternidade, amanhã a erguer socalcos e a plantar urzes. Sempre em favor do Reino e da Humanidade nova que todos ansiamos ver despontar.
De resto, l’important c’est la rose. Crois-moi.
Parabéns, Carlos.

A vida de Paulo (IV)

Do ano 33 ao ano 35. A primeira missão. O mundo árabe. Paulo conhecia bem o cristianismo dos helenistas; reconhecia nele um risco para o judaísmo legal do ramo do fariseismo. Portanto, temos de considerar que Paulo conhecia Jesus, porque conhecia o que perseguia quando perseguia os missionários helenistas. É por essa razão, que depois da sua conversão, não tem de aprender quem é Jesus e quem é a Igreja, porque já os conhece bem. Este é, pois, o contexto em que se situam os três anos do que podemos chamar a sua missão árabe. «Mas quando Deus que me escolheu desde o ventre materno (…) quis revelar-me o seu Filho para que eu O anuncie entre os pagãos, eu não consultei nem a carne nem o sangue, nem fui a Jerusalém falar com os que eram apóstolos antes de mim, antes fui para a Arábia e depois regressei outra vez a Damasco» (Gal 1:17).
Tudo nos leva a entender que Paulo actua como membro da Igreja de Damasco e que realiza uma missão na Síria nabateia, a Arábia. Os três primeiros anos de Paulo como cristão estão vinculados a essa «missão na Arábia», depois de partir de Damasco, cidade que tinha afinidades com aquela região.
O êxito de Paulo não parece ter sido grande e, tendo regressado a Damasco, teve de fugir: «Em Damasco, o governador da cidade, em nome do Rei Aretas, policiava a cidade na esperança de me prender. Mas eu fui descido pelo muro, dentro duma cesta, depois de sair por uma janela. Foi assim que escapei às suas mãos» (2Cor 11:32-33).
Mas o que foi essa missão na Arábia, que terminou com uma fuga sem retorno? Não sabemos bem. Porém, deveria ser por nós melhor conhecida. Foi uma espécie de incursão no deserto, como quiserem entender certas tradições proféticas, que, como Oseias, falavam dum novo Israel que nasce no deserto? Foi uma esperança apocalíptica, na linha de João Baptista que começou no deserto, ou até na linha de Jesus que também se retirou para o deserto antes de pregar? O primeiro anúncio de Paulo pode situar-se nesta linha interpretativa?
São perguntas que ficam.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ir a Londres e voltar

Esta vida são dois dias e o primeiro já lá vai. (Passa muito depressa a vida!) Por isso, no aproveitar há muito ganho. Se nem tudo é de aproveitar é certo também que um fim de semana em Londres não é de deitar fora. Por lá andou o nosso Pe Caetano, bem acompanhado e assessorado pelo Sr. Carlos Freitas e outros amigos. Este amigo madeirense foi Noviço da Ordem, depois de ter frequentado o nosso Seminário de Aveiro. (Ainda não havia o de Viana, que já não há…). Depois a vida levou-o para Londres, onde há muitos anos preside à Associação das Comunidades Madeirenses.
Na Primavera estivera de visita a Viana, e a visita foi agora retribuída no Outono.
Turista internacional por um fim de semana, o Pe Caetano veio encartado e encantado, apesar de lá a vida ser mais cara e se conduzir ao contrário. Londres é uma cidade incomum, e com muito que a não recomende. Mas tem museus como ninguém e monumentos que só eles. Tem portugueses que fazem esquecer que estamos fora de água, e cristãos que rezam com fervor e cantam canções que já não lembram. Por lá viu o sol e também Nossa Senhora do Carmo, em casa do filho Carmelita. Só não compreendi é como sendo um empedernido benfiquista se deixou fotografar ao lado de três leões? (Será presságio para a segunda volta?)
Quando houve de regressar regressou. Não trouxe a prenda que pedi, mas como a vontade de lá voltar (e a de receber) é muita, fica para a próxima. A ver vamos, como diz o cego (que nunca viu). Oxalá vejamos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

S. Paulo, um Mestre para os Mestres do Carmo

Foi em Braga que cerca de 50 Jovens Leigos Carmelitas, vindos do norte e centro do País, nos encontrámos para celebrar o XV HOREB – Encontro Anual do Carmo Jovem. Horeb é significado de carminhada e encontro, de revelação e amizade renovada com o Senhor e com os amigos. O tema do XV Encontro era «S. Paulo - um mestre para os mestres do Carmo». E obviamente também para nós, jovens do séc. XXI.

Veja mais em Agência Ecclesia e no blog Carmo Jovem.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Posso entrar?

Bateu. E perguntou: Posso entrar?
Era o meu antigo Mestre de Noviciado. O Padre Brito. E entrou sereno, como um profeta que já cumpriu a sua missão. Sentou-se um pouco e foi revendo a vida da comunidade a que também já pertenceu por mais que uma vez. Faltava-lhe rever um frade e fomos bater-lhe à porta. E saiu lá de dentro um venerável a receber outro venerável. Queres entrar, perguntou o primeiro? E a porta fechou-se. E eu vim escrever este post.
Bem-vindo a casa, Padre Brito.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Hoje é dia de Santa Teresinha

Hoje é dia de Santa Teresinha. Já fizemos a sua festa com a Eucaristia bem solenizada. Não faltaram os cânticos e as rosas, os sacerdotes e os devotos, um restinho do seu corpo, Jesus, a sua Palavra, o Céu e os pecadores.
Deste dia retenho a sua fortaleza e a certeza de que todo o lugar é bom para se ser santo. Todo o lugar é lugar bom para amar; todo o momento é momento bom para amar. Para amar Jesus e ensinar a amá-lo.
Santa Teresinha ensina que só é preciso ter os olhos fixos em Deus, tal como a águia os fixa na sua presa, e voar em direcção a Ele com todas as forças.
Façamos como ela, busquemos a santidade com força e determinação animados com a certeza de que uma alma que se eleva, eleva o mundo.