quarta-feira, 8 de abril de 2009

Peregrinação a pé a Fátima

Os Jovens Carmelitas vão a pé a Fátima. A Terceira Peregrinação a pé a Fátima do Carmo Jovem vai realizar-se nos dias 1-3 de Maio. Mais informações em: http://carmojovem.blogspot.com/2009/04/peregrinacao-pe-1-3-mai09.html

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Natal vai chegar

É feio prometer e não um cumprir. Um Domingo destes, Domingo das bênçãos, os Sobrinhos Melo (segunda e terceira gerações) visitaram-nos; melhor dito: visitaram o tio, irmão Domingos.
A visita foi feita, a Missa foi rezada e a foto tirada. E foi prometido que iria para ao blog. Por esta e mais aquela razão não foi, mas vai hoje. Até porque está prometido um presépio... e convém aqui lembrar que, sem nos darmos conta, o Natal vai chegar.
Muito obrigado.

Contem com o Carmo Jovem!

O Carmo Jovem é um paixão!
Que mais nos animaria a reunir durante quatro horas, depois de percorrermos uma centena de quilómetros, correndo orisco de não jantar e de nos obrigarmos a regressar pelo mesmo caminho? Só mesmo o Carmo Jovem.
Ao longo do ano o Movimento oferece aos jovens 8 actividades diferentes. É obra, mesmo para gente tão pouca e tão fraca! Mas quando reunimos, reunimos. Foi o caso de ontem, dia 6. Foi aqui, em Viana. Os apetrechos estão na foto como meros acesssórios, apenas querem significar que sabemos deitar mão ao trabalho, mesmo que seja duro.
Viu-se!
A Peregrifáti ficou organizada, a Clarminhada e os Acampákis também. É o nosso jeito e o nosso contributo para a causa da Igreja, um serviço apaixonado que prestamos, porque não sabemos prestar doutro modo. Porque, afinal, ou prestamos este serviço jovem e apaixonado à causa do Evangelho ou não prestamos para nada!
E aqui está quem presta!
Contem com o Carmo Jovem!
(à reunião faltou a Vera Lúcia por imperativo de força maior: emprego. Mas essa é outra maneira de participar nas reuniões. Mas como se vê pela foto os claustros carecem da limpeza final. Ela que se apronte, pois há quem se disponha a ajudá-la.)

Beato Nuno na imprensa

As notícias e as opiniões começam a correr. Agora foi no jornal público. Confira: http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2.asp%3Fdt%3D20090405%26page%3D4%26c%3DC

Onde vais estar no 25 de Abril? (IV)

Visitas de meninos

Quinta-feira passada, dia 2 de Abril, foi dia de meninos aqui no Carmo. Primeiro chegou o João Manuel, de Avessadas, com os pais Célia e Luis; depois, de forma improgramada, chegou o Guilherme, do Porto,também com os pais Silvia e Nuno.
É muito belo ver os jovens farnqueando as nossas portas, ocupando os nossos passos, trazendo as primícias dos frutos e apresentá-los ao Senhor. É isso que o João Manuel e o Guilherme são: primícias oferecidas a Deus. Os dois meninos que ainda mal gatinham desregularam-nos a vida nesse dia com as suas birras e choros. Mas foi tão bom que só podemos pedir que se repita. Ficamos todos, mas todos mesmo, à espera.
João e Guilherme, muito obrigado pela vossa visita e dos vossos pais.
E que Deus vos abençoe.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Da família do Carmo

Depois de ouvir dizer que esta era a Casa de Nossa Senhora do Escapulário, a Lídia veio da cidade da Guarda pedir um. Depois de participar na Missa das Nove recebeu a imposição do Santo Escapulário das mãos do Prior da Comunidade. E ficou assim pertencendo à família do Carmo — ela que já pertencia por desejo — participando agora da sua missão e da sua herança espiritual.
Parabéns, Lídia!

sábado, 4 de abril de 2009

A canonização do Beato Nuno

A Santa Sé fez saber que no dia 26 de Abril o Beato Nuno, ou Frei Nuno de Santa Maria, ou o já aclamado pela vox populi como o Santo Condestável, será formalmente canonizado.
O Carmo rejubilou: é nosso, é nosso irmão!; a Igreja rejubilou: mais um dos seus filhos vê reconhecidas as virtudes que o assemelham a Cristo!; o país rejubilou: ele é um herói português!; A portugalidade rejubilou, por razões óbvias; o pretendente ao trono, idem; o Presidente e o Parlamento, aspas aspas.
Há consenso, até quando se diz que de Espanha, contra quem ele ergueu a espada, vinham as maiores oposições. Mas um santo é um santo, mesmo que antes usasse espada.
Que fazer? Que faremos aqui no Carmo?
Pois, damos graças a Deus e cantamos-Lhe, a Ele que é a fonte única da santidade!

>> Já mandámos restaurar a sua imagem que se encontrava anichada num recanto da nossa igreja e havemos de entronizá-la;

>> poremos à venda uma pequena biografia ilustrada, que dará a conhecer a vida deste herói e santo;

>> também pode passar pelo blog onde tem assunto que se veja e leia, nomeadamente a Nota Pastoral dos nossos bispos (http://www.chamadocarmo.blogspot.com/2009/03/exemplo-heroico-em-tempo-de-crise-nota.html)

>> e no dia 25 de Abril, iremos em marcha até ao Monte do Castelo, em Castelo do Neiva, num tributo que prestaremos a este homem da pátria e de Deus.

>> Na sacristia e na portaria, existe uma folha, onde poderá registar o seu donativo para ajuda do restauro da imagem que, para alegria dos devotos, já está exposta à entrada do presbitério.

Chegou a hora de Jesus!

O Evangelho de São João poderia chamar-se o Evangelho da Hora de Jesus. Ao longo da narrativa evangélica várias vezes Jesus vai referindo: «Ainda não chegou a minha Hora».
Nos treze curtos versículos do Evangelho do domingo passado, falava Jesus cinco vezes da sua Hora, e em três delas declara: «Chegou a Hora».
Chegou, pois a Hora de Jesus. Chegou o agora temporal onde se faz presente o hoje eterno de Deus. Chegaram os dias em que Deus «estabelecerá uma nova aliança com a casa de Judá».
Existe, portanto, a Hora de Jesus com cujo sangue se sela a Nova Aliança, e existe também a nossa hora, que, paradoxalmente, vive obnubilada pelo poder das trevas.

A hora do Cordeiro
Segundo São João, o Evangelista, Jesus entregou a sua vida na Cruz, realizando o seu sacrifício supremo na mesma hora em que os judeus imolavam o cordeiro pascal que seria comido na Ceia da Páscoa.
João organizou o seu Evangelho fazendo convergir tudo para a Hora, a Hora da glorificação de Jesus, que passa justamente pela porta estreita da sua tremenda Paixão.
Ao se aproximarem os dias da memória da Paixão de Jesus, pergunto-me: por onde andarão a nossa cabeça e o nosso coração, se não considerando que foi Ele homem de dores, que tremendamente sofreu o martírio mais injusto? Como poderemos viver todos os dias por igual — mais cinzentos, que azuis! —, sem assumir que Ele padeceu, recusando-se a viver impassível e estóico como um super-homem?
Sim. Jesus partilhou todos os nossos sentimentos de dor, medo, angústia, dúvida, lamentação e crise existencial. Em chegada a hora, até Jesus tremeu! E quem não tremeria?

O mediador solidário
E só pode surpreender-se que seja assim, quem ainda não percebeu que Jesus comungou profunda e solidariamente a nossa vida. Ele medeia e dá a vida como um Pontífice que bem conhece de experiência as nossas debilidades e temores. E é por isso que se recusa a pairar sobre a história, preferindo antes, ao ser chegada a sua Hora, oferecer o seu corpo ao impoder do terror.
Páscoa significa combate e vitória contra o mal e o pecado. É a hora da Cruz, porque não existe Páscoa sem Cruz. É a Hora de Jesus, a Hora terrível do julgamento e da expulsão do príncipe deste mundo, que está sentado num trono de arrogância, tem no coração uma pedra negra e dura, cinge-o uma coroa de corrupção e de assassínios e o seu ceptro férreo de injustiça e opressão dos humildes.

A hora do combate
A Hora é agora. E já soaram as trombetas convocando para o combate. A batalha
— à partida ganha, mas sem o sabermos —, tem lugar no corpo triturado de Jesus,
oferecido aos crentes como prova da Nova Aliança entre o Céu e a Terra.
Ele combate, Ele vence por nós. Mas a sua vitória é a sua derrota: é sua a morte às mãos do Inimigo. Porém, confiemos, Ele vence, porque não se ama a si mesmo e soube perder a vida em favor de muitos irmãos.
Se Jesus veio ao mundo que antes criou para, precisamente, nele suceder esta Hora, como, — perguntaremos nós —, como havemos de excluir-nos dela, deixando-O só no combate?

O momento de crise
A Hora é o momento da decisão, é o momento crítico do mundo que quer viver afoito e
despreocupado, de si mesmo para si mesmo. Fechado em bolha de mais vale assim que pior. Enclausurado, como se não existisse sentido se não em si. E é assim que do mundo vai ficando
excluída a ideia da salvação vinda de Jesus, tal como do coração de Jesus, gota a gota, se exauriu a vida. O sentido da vida vem de Jesus, que se deu ao combate por nós, para nos ganhar resgatando-nos ao Inimigo.
A vida cristã é união com Cristo. E se Ele não poupou a sua, também o discípulo não a
poupará nem esconjurará a sua hora, pois não está dispensado do sofrimento nem da decisão pessoal. Também temos a nossa hora!
Jesus não faltou à Hora. Não houve desacerto ou desencontro algum. A Hora da glorificação está próxima, e passa pela Cruz. Quantos discípulos não se espantam com o horror da Hora e fogem, desertando do caminho!
Sim a abençoada Hora chegou, já estamos a viver nela. Porquê fugir? Para onde fugir?
Chama do Carmo I NS 25 I 5 Abril 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Rumo à Canonização (IX)

EPITÁFIO
O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no Terramoto de 1755. O seu epitáfio era: «Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo.»

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

Rumo à Canonização (VIII)

HERÓI E SANTO

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Rumo à Canonização (VII)

HINO DO BEATO NUNO DE SANTA MARIA
Coro:
Herói e Santo, D. Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!(Bis)

I
Dom Nuno Álvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.

II
Em vosso peito de crente
E robusto lutador
Ardem continuamente
Chamas de fé e amor

III
Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.

IV
Ébria de sonho e de aurosa,
Voss'alma fremente e bela,
Brilhou nas eras de outrora
Mais alto do que uma estrela.

Onde vais estar no 25 de Abril? (I)

Rumo à Canonização (VI)

A BANDEIRA DE D. NUNO

Na Idade Média o fervor religioso era particularmente forte. Amparava o homem nos trabalhos mais difíceis. Em momentos de perigo tinha necessidade de se sentir protegido por Deus e Santos Protectores.
D. Nuno, em manifestação de fé, como pedido de ajuda para si e companheiros, para terem comportamento corajoso na luta, mandou fazer uma bandeira, que quando desfraldada mostrava a figura do Salvador e de sua Santa Mãe. Tinha grande significado, invocando com ela protecção espiritual para todos e incentivo para alcançar vitória, nas pelejas que fossem obrigados a travar. Enchia de ânimo e coragem o coração dos combatentes que sentiam ter protecção Divina, de S. Jorge e de Santiago.
A bandeira de D. Nuno era branca, simbolizando pureza. Tinha ao meio uma grande cruz da cor do sangue do Redentor, que a dividia em quatro partes iguais:
- Na metade de cima, do lado da haste, apresentava a imagem de Jesus Cristo crucificado, de sua Santa Mãe Nossa Senhora, símbolo de virtude e mediadora entre Jesus Cristo e Deus Pai, que rezava ajoelhada a seus pés. Estava acompanhada por S. João que recordava a evangelização dos povos cristãos;
- Na mesma metade, distante da haste, estava representada a imagem da Virgem com o Menino Jesus ao colo, lembrando o amor maternal e a protecção particular das mães a seus filhos;
- Na metade inferior, junto à haste, S. Jorge orava de joelhos e mãos postas, com o bacinete pousado a seu lado. Era considerado o “padroeiro”, protector, de Portugal desde D. Afonso Henriques;
- Na mesma metade, distante da haste, Santiago Maio, protector da Península Ibérica, rezava de joelhos e mãos postas, junto ao seu bacinete. D. Nuno tinha-lhe grande afeição.
Alguns estudiosos são de opinião que estando S. Jorge e Santiago Maio voltados um para o outro, em postura de diálogo, pretende significar que D. Nuno teria gostado de resolver as “diferencias de opinião” pela via do diálogo e que só tomava a via do confronto quando obrigado.
A bandeira de D. Nuno apresenta a cada canto o escudo de armas dos Pereiras, composto por uma cruz branca, aberta pela metade, em campo vermelho.

terça-feira, 31 de março de 2009

Rumo à Canonização (V)

IMORTAL

Mas nunca foi que este erro se sentisse
No forte Dom Nuno; mas antes,
Posto que em seus irmãos tão claro o visse,
Reprovando as vontades inconstantes,
Àquelas duvidosas gentes disse,
Com palavras mais duras que elegantes,
A mão na espada, irado e não facundo,
Ameaçando a terra, o mar e o Mundo

Canto IV, estrofe XIV dos Lusíadas

Rumo à Canonização (IV)

«Exemplo heróico em tempo de crise»
Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa
por ocasião da canonização de Nuno Álvares Pereira


1. Nuno Álvares Pereira proclamado santo
A 21 de Fevereiro de 2009, o Papa Bento XVI anunciou a canonização de D. Nuno Álvares Pereira – o já beato Nuno de Santa Maria – para o dia 26 de Abril, junto com outras quatro figuras ilustres da Igreja. Este facto é para Portugal e os portugueses motivo de júbilo e de esperança. Deve também constituir ocasião de reflexão sobre as qualidades e virtudes heróicas desta relevante personagem histórica, digna de ser conhecida e imitada nos dias de hoje.
Nuno Álvares Pereira viveu em tempos difíceis de crise dinástica, com fortes divisões no tecido social e político português, que punham em perigo a própria identidade e independência da Nação.

Os Bispos de Portugal, em nome de todos os católicos do nosso país, desejam exprimir a sua alegria e gratidão pelo reconhecimento oficial da santidade heróica de mais um filho da nossa terra. Ultrapassando a mera saudade do passado e assumindo, com realismo e esperança, o tempo que nos é dado viver, querem ressaltar algumas virtudes heróicas de Nuno Álvares Pereira, cuja imitação ajudará a responder aos desafios do tempo presente. 2. Breves dados biográficos Nascido em 1360, Nuno Álvares Pereira foi educado nos ideais nobres da Cavalaria medieval, no ambiente das ordens militares e depois na corte real. Tal ambiente marcou a sua juventude. As suas qualidades e virtudes impressionaram particularmente o Mestre de Aviz, futuro rei D. João I, que encontrou em D. Nuno o exímio chefe militar, estratega das batalhas dos Atoleiros, de Aljubarrota e Valverde, vencidas mais por mérito das suas virtudes pessoais e da sua táctica militar do que pelo poder bélico dos meios humanos e dos recursos materiais.
Casou com D. Leonor Alvim de quem teve três filhos, sobrevivendo apenas a sua filha Beatriz, que viria a casar com D. Afonso, dando origem à Casa de Bragança. Tendo ficado viúvo muito cedo e estando consolidada a paz, decidiu aprofundar os ideais da Cavalaria e dedicar se mais intensamente aos valores do Evangelho, sobretudo à prática da oração e ao auxílio dos pobres. Assim, pediu para ser admitido como membro da Ordem do Carmo, que conhecera em Moura e apreciara pela sua vida de intensa oração, tomando o profeta Elias e Nossa Senhora como modelos no seguimento de Cristo.

De Moura, no Alentejo, vieram alguns membros da comunidade carmelita, para o novo convento que ele mesmo mandara construir em Lisboa. Em 1422, entra nesta comunidade e, a 15 de Agosto de 1423, professa como simples irmão, encarregado de atender a portaria e ajudar os pobres. Passou então a ser Frei Nuno de Santa Maria. Depois de uma intensa vida de oração e de bem fazer, numa conduta de grande humildade, simplicidade e amor à Virgem Maria e aos pobres, faleceu no convento do Carmo, onde foi sepultado.Logo após a sua morte começou a ser venerado como santo pela piedade popular. As suas virtudes heróicas foram oficialmente reconhecidas pelo Papa Bento XV, que o proclamou beato, em 1918, passando a ter celebração litúrgica a 6 de Novembro.

3. Virtudes e valores afirmados na vida de Nuno Álvares Pereira
D. Nuno Álvares Pereira não é apenas o herói nacional, homem corajoso, austero, coerente, amigo da Pátria e dos pobres, que os cronistas e historiadores nos apresentam. Ele é também um homem santo. A sua coragem heróica em defender a identidade nacional, o seu desprendimento dos bens e amor aos mais necessitados brotavam, como água da fonte, do amor a Cristo e à Igreja. A sua beatificação, nos começos do século XX, apresentou o ao povo de Deus como modelo de santidade e intercessor junto de Deus, a quem se pode recorrer nas tribulações e alegrias da vida.Conscientes de que todos os santos são filhos do seu tempo e devem ser vistos e interpretados com os critérios próprios da sua época, desejamos propor alguns valores evangélicos que pautaram a sua vida e nos parecem de maior relevância e actualidade.

Os ideais da Cavalaria, nos quais se formou D. Nuno, podem agrupar se em três arcos de acção: no plano militar, sobressaem a coragem, a lealdade e a generosidade; no campo religioso, evidenciam se a fidelidade à Igreja, a obediência e a castidade; a nível social, propõem se a cortesia, a humildade e a beneficência. Foram estes valores que impregnaram a personalidade de Nuno Álvares Pereira, em todas as vicissitudes da sua vida, como documentam os seus feitos militares, familiares, sociais e conventuais. Fazia também parte dos ideais da Cavalaria a protecção das viúvas e dos órfãos, assim como o auxílio aos pobres. Em D. Nuno, estes ideais tornaram se virtudes intensamente vividas, tanto no tempo das lides guerreiras como principalmente quando se desprendeu de tudo e professou na Ordem do Carmo. Como porteiro e esmoler da comunidade, acolhia os pobres de Lisboa, que batiam às portas do convento e atendia os com grande humildade e generosidade. Diz-se que teve aqui origem a «sopa dos pobres».

Levado pela sua invulgar humildade, iluminada pela fé, desprendeu se de todos os seus bens – que eram muitos, pois o Rei o tinha recompensado com numerosas comendas – e repartiu os por instituições religiosas e sociais em benefício dos necessitados. Desejoso de seguir radicalmente a Jesus Cristo, optou por uma vida simples e pobre no Convento do Carmo e disponibilizou‐se totalmente para acolher e servir os mais desfavorecidos. Esta foi a última batalha da sua vida. Para ela se preparou com as armas espirituais de que falam a carta aos Efésios (cf. Ef 6, 10 20) e a Regra do Carmo: a couraça da justiça, a espada do Espírito (isto é, a Palavra de Deus), o escudo da fé, a oração, o espírito de serviço para anunciar o Evangelho da paz, a perseverança na prática do bem.

Precisamos de figuras como Nuno Álvares Pereira: íntegras, coerentes, santas, ou seja, amigas de Deus e das suas criaturas, sobretudo das mais débeis. São pessoas como estas que despertam a confiança e o dinamismo da sociedade, que fazem superar e vencer as crises.

4. Apelo à Igreja em Portugal e a todos os homens e mulheres de boa vontade
Ao aproximar-se a data da canonização do beato Nuno Álvares Pereira, pelo Papa Bento XVI, em Roma, alegramo-nos por ver mais um filho da nossa terra elevado às honras dos altares. Algumas peregrinações estão a ser organizadas para marcar a nossa presença na Praça de S. Pedro, na festa da sua canonização, no dia 26 de Abril. Confiamos que outras iniciativas pastorais sejam promovidas para dar a conhecer e propor como modelo o exemplo de virtude heróica que nos deixou este nosso irmão na fé.

A pessoa e acção de Nuno Álvares Pereira são bem conhecidas do povo português. A nível civil, é lembrado em monumentos, praças e instituições; a nível religioso, é celebrado em igrejas, imagens e associações. Figura incontornável da nossa história, importa revitalizar a sua memória e dar a conhecer o seu testemunho de vida. Para além de ser um modelo de santidade, no seguimento radical de Cristo, que «não veio para ser servido mas para servir» (Mt 20, 28), apraz nos pôr em relevo alguns aspectos de particular actualidade, para todos os homens e mulheres de boa vontade:

– Nuno Álvares Pereira foi um homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências, pretensões ou carreira. Fez da sua vida uma missão, correndo todos os riscos para bem servir a Pátria e o povo.

– Em tempo de grave crise nacional, optou corajosamente por ser parte da solução e, numa entrega sem limites, enfrentou com esperança os enormes desafios sociais e políticos da Nação.

– Coroado de glória com as vitórias alcançadas, senhor de imensas terras, despojou se dos seus bens e optou pela radicalidade do seguimento de Cristo, como simples irmão da Ordem dos Carmelitas.

– Não se valeu dos seus títulos de nobreza, prestígio e riqueza, para viver num clima de luxos e grandezas, mas optou por servir preferencialmente os pobres e necessitados do seu tempo.

Vivemos em tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais. O esbanjamento, a corrupção, a busca imparável do bem estar material, o relativismo que facilita o uso de todos os meios para alcançar os próprios benefícios, geraram um quadro de desemprego, de angústia e de pobreza que ameaçam as bases sobre as quais se organiza a sociedade. Neste contexto, o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também um apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão do melhor humanismo ao serviço do bem comum.

Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos.
Fátima, 6 de Março de 2009

Rumo à Canonização (III)

NUNO ÁLVARES PEREIRA

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

‘Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

(Fernando Pessoa)

Rumo à Canonização (II)


D. NUNO ÁLVARES PEREIRA E O CASTELO DE NEIVA (II)

Após a aclamação de D. João I nas cortes de Coimbra, resolveu D. Nuno Álvares Pereira ir em romaria ao túmulo de Santiago de Compostela, aproveitando a peregrinação para se assenhorar de algumas terras, onde a autoridade de D. João I não estivesse ainda reconhecida.
Caminhando pelo litoral em direcção a Viana da Foz do Lima, chegou às fraldas do monte do Castelo ao pôr-do-sol no dia 12 de Abril de 1385.
Depois de cumprir os planos previamente estabelecidos, D. Nuno Álvares Pereira com os seus homens, submeteu o castelo de Neiva cujo alcaide Álvaro Gomes Bacelar havia dado voz por Castela, tal como outros do Minho, tendo sido morto durante a refrega. Álvaro Gomes Bacelar era casado com D. Isabel Lopes Lira, filha do Meirinho mor de entre Douro e Minho e alcaide de Braga e Ponte de Lima. Lopo Gomes de Lira que por sua, vez era irmão do alcaide de Viana.
Segundo Fernão Lopes, era o castelo de Neiva muito forte e bem defendente.
A resistência esperada por D. Nuno Álvares Pereira, ficou reduzida a pouco, pois pouco depois do começo da luta, o alcaide caía mortalmente ferido e a guarnição logo se rendeu.
D. Isabel Lopes de Lira, viúva do governador, pediu ao Santo Contestável que lhe guardasse honra, fazendo-lhe mercê de a mandar entregar a Ponte de Lima onde seu pai, o destemido Meirinho mor da província era alcaide mor.
Acedendo gentilmente ao pedido da castelã viúva, Nuno Álvares Pereira, lembrando-lhe o respeito da sua dignidade e fidalguia, mandou levar a ilustre Dona com respeitosa comitiva até ser entregue ao poder paterno na manhã do dia seguinte. Se a tomada do castelo de Neiva, a primeira desta incursão do santo Condestável pelo Minho, foi rápida e relativamente fácil, já a praça de Viana foi mais difícil e de algumas perdas para as hostes de D. Nuno Álvares Pereira. Sabedores do sucesso, os alcaides dos outros castelos, nomeadamente o de Monção, Vila Nova de Cerveira e Caminha, enviaram-lhe emissários a prestar submissão. Prosseguindo a sua peregrinação a Santiago de Compostela, D. Nuno Álvares Pereira deixou como responsável no castelo de Neiva, Pêro Afonso do Casal com certos homens de armas seguindo a sua viagem com o forte da sua gente.
O simples frade Carmelita, Nuno de Santa Maria, antes o herói e celebrado guerreiro D. Nuno Álvares Pereira, foi beatificado pelo papa Bento XV em 23 de Janeiro de 1918, mas o processo de canonização caíra praticamente no esquecimento. No decurso do oitavo centenário da fundação de Portugal em 1940 foi pedido a sua santidade ao Papa Pio XII, pelo Supremo Magistrado da República e pelo Rev.mo Senhor Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa, juntamente com os Arcebispos e Bispos de todo o País e pela ínclita Ordem Carmelita, que reassumisse a causa de tão grande herói e se lhe abrisse o caminho para que as supremas honras dos altares lhe fossem conferidas pela Sé Apostólica.
A Sagrada Congregação dos Ritos, deu parecer favorável e no ano seguinte em 28 de Maio de 1941, o Santo Padre autorizou o processo. Para manter a devoção e obter as graças necessárias à sua canonização, foi decidido peregrinar as suas relíquias por todas as sedes dos concelhos, praticamente em todas as cidades e vilas de Portugal.
(Continua)
António Lousa Barbosa

segunda-feira, 30 de março de 2009

Rumo à Canonização (I)

D. NUNO ÁLVARES PEREIRA E O CASTELO DE NEIVA (I)

Segundo reza a história, pressupõe-se que o castelo de Neiva tenha sido uma construção medieval, não se conhecendo com exactidão as suas origens. Alguns historiadores têm chegado à conclusão, que ele teria sido construído para defender o vizinho convento e Mosteiro de S. Romão de Neiva, suas terras, suas gentes das investidas mouriscas ou das incursões piratas do século IX ou X, a exemplo de castelo de Guimarães edificado no século X, com a finalidade de defender o mosteiro e o burgo locais, por iniciativa da condessa D. Mumadona.
É possível que a construção do castelo de Neiva, venha já do tempo do conde D. Henrique, mas a informação que nos parece mais válida é a data de 1127tendo sido algum tempo depois cabeça administrativa e judicial da vasta zona das Terras de Neiva, que reunia em seu torno 54 freguesias, 11coutos e 7 conventos. Foi em 1127, altura em que o futuro rei de Portugal, Afonso Henriques o conquistou à sua mãe juntamente com o castelo de faria nas proximidades de Barcelos que lhe viria a dar apoio, mas foi principalmente o castelo de Neiva, quem desempenhou um papel importante na preparação da batalha de S. Mamede próximo a Guimarães e, 1128.
O castelo de Neiva, tal como outros espalhados pelo Alto Minho, diz Ferreira de Almeida, tinham uma grande densidade e uma significação de mais alta importância e considerados como os mais característicos da Idade Média.
As funções do castelo eram multiformes, nelas se encontravam o refúgio e defesa, administração e justiça, funções essas que viriam a desaparecer no reinado de D. João I em 1385 com a reorganização administrativa do território, em que as freguesias pertencentes ao julgado de Neiva ficaram a depender de novos centros administrativos.
Sabe-se por outro lado, que o castelo de Neiva, terá caído em decadência de forma que o D. Fernando rei de Portugal o mandou reconstruir em 1373.
Em 1385, o reino de Portugal entra em crise com a morte de D. Fernando e nessa altura candidata-se ao trono de Portugal, o rei de Castela, casado com D. Beatriz, filha única de D. Fernando e muitos nobres apoiados por várias fortalezas tomaram o seu partido, entre essas fortalezas se contava o castelo de Neiva pela voz do seu alcaide, Álvaro Gomes Bacelar.
(Continua)
António Lousa Barbosa

domingo, 29 de março de 2009

Família Fernandes, de Joane

Somos uma família grande! Tão grande que nem nos conhecemos todos! De quando em vez entram-nos pela porta ora um ora outro ex-seminarista. É uma alegria para quem recebe, e não é menor para quem chega com gosto de ver, rever, contar e recordar, reatar laços.
Hoje foi o Custório Fernandes, de Joane, Famalicão, antigo aluno dos bons tempos e de boas cepas. Aqui foi aluno juntamente com um primo e o irmão, o saudoso P. Joaquim Fernandes. Trouxe a família, participou na Eucaristia, viu os claustros revoltos, conversou, riu e recordou. Foi uma bela maneira de, juntos, celebrarmos os 390 anos desta casa!
Venham mais, venham mais cinco.

João, Custório e Afonso

— Como se fazem os santos?
— Juntos.

Missa das 11:30

Virginie Carvalho, 21 anos, acólita da Missa das 11:30.

Missa das 10:00

Joana Costa, 17 anos, acólita da Missa das 10:00.
Alfredo Rufo, 29 anos, monitor da Missa das 10:00.

Aprovação do Relatório de Contas do GAF

Num lugar servíamos a Cristo e a Igreja, em retiro e oração. Noutro lugar, um pouco ao lado, servíamos a Cristo e a Igreja cuidando, reflectindo e fortalecendo o GAF que procura cuidar dos mais pobres dos pobres da nossa sociedade. Uns rezando com as mãos ao alto, outros com o coração apertado e dores de cabeça porque a crise aperta, a fome aumenta, os necessitados crescem e o bem querer e o bem fazer nunca são demais. E porque nunca o amor está ocioso jamais a caridade está concluida!
Rezar em retiro e rezar em reunião lendo relatórios, apreciando contas, agradecendo empenho, animando e semeando futuro. A fotografia regista a reunião do Conselho Geral do GAF, o momento de aprovação do Relatório de Contas de 2008.
Foi neste Sábado, na Biblioteca do Convento do Carmo.

As Bem-aventuranças

Para o retiro quaresmal da nossa Comunidade convidámos como pregador o professor José Lima, sacerdote retirado do ministério, e em cujo coração arde forte a fogueira do Espírito. Foram três horas de intensa comunicação, oração e de partilha sobre As Bem-aventuranças. Fosse outro o contexto e poderia dizer-se que é como andar de bicicleta, não se esquece. Mas como é neste, podemos testemunhar que a fidelidade e o amor à Igreja estão engrandecidos e foram servidos para o bem dos irmãos.
Muito obrigado.
A bênção.

Domingo V da Quaresma

Horário das celebrações da Semana Santa

5 Domingo de Ramos na Paixão do Senhor
Em todas as Missas haverá bênção de ramos

6 - 8 Segunda e Quarta-feira Santa
07:30 Oração de Laudes na Capela de S. Miguel Arcanjo
08:00 Missa da Paixão
08:30 Confissões
09:00 Missa da Paixão
09:30 Confissões.

9 Quinta-feita Santa da Ceia do Senhor
08:00 Oração de Laudes na igreja
08:30 Confissões
10:00 Missa Crismal na Sé

18:00 Celebração da Ceia do Senhor
Lava-pés
Procissão do Santíssimo
Adoração do Santíssimo .

10 Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor
08:00 Oração de Laudes na igreja
08:30 Exercício espiritual da Via Sacra
09:30 Confissões

18:00 Celebração da Paixão
Narração da Paixão
Adoração da Santa Cruz
Comunhão.

11 Sábado Santo
08:00 Oração de Laudes na igreja
08:30 Confissões

21:30 Vigília da Ressurreição
Bênção do lume novo
Canto do Precónio pascal
Bênção da água
Renovação promessas Baptismo.

12 Domingo de Pascoa
08:00 Missa da Ressurreição
10:00 Missa da Ressurreição
11:30 Missa da Ressurreição
18:00 Missa da Ressurreição.