
Simão era um profissional. Não sabia de figos e figueiras bravias, ofício do profeta Amós; nem de ovelhas e rebanhos, com0 o rei David.
Sabia pescar, escolher as melhores águas, ler os ventos e as estrelas, guiar a barca até aos bancos de peixe que lhe garantiam riqueza a si, a André e ao pai Jonas, e o sustento das famílias dos pescadores contratados. Na verdade, teria pelo menos dois barcos, talvez até uma pequena frota. Não era um pescador pelintra que logo passa fome quando o mar manda. Eram próspero, tinha uma PME de pesca, secagem, armazenamento e venda de peixe. (Comercearia até talvez com Roma!)
Por essa altura de florescimento económico dois jovens agitavam as águas das consciências galileias. Um era o intrépido Baptista que perdera entretanto a cabeça na prisão. O outro era Jesus, o carpinteiro de Nazaré. Este logo entra improvável na vida de Simão. À primeira vista nada no famoso rabi o recomenda para a faina: quem se julgava ele para chegar e logo mandar sair as barcas para a pesca à plena luz do dia? Por certo saberá de enxós e martelos, mas isso não garante saberes de redes, velas e correntezas. Por isso, Simão hesitou porque a ordem de Jesus era bem certo que era errada; por outro lado, ele já vira como a palavra de Jesus era eficaz (quando a sua sogra estivera doente com febre)! Nestas alturas qualquer homem hesita, até um habituado a dar o peito às tempestades. Além disso, a ordem era segura e serena. Simão hesitou, mas obedeceu e confiou. E ao leme lá conduziu a barca para águas profundas. E o improvável milagre deu-se. Aqui ficam os factos e o diálogo, e uma interpretação:
1. «Estavam a lavar as redes.»
Quer a faina tenha sido rica de peixes ou de algas ninguém regressa ao aconchego do lar sem o lavar das artes. A boa ordem das coisas assim o exige. Aquela brega nocturna fora dura (porque sem Jesus) e mais duro era o lavar por não haver recompensa...
2. «E do barco pôs-se a ensinar a multidão.»
Era concerteza uma enorme multidão concentrada à-beira lago. Por isso a barca de Simão se revelou o lugar ideal para Jesus pregar. Sinal que uma barca não serve só para a pesca e o amanho da vida, serve também para anunciar e oferecer a libertação.
3. «Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
O profissional da pesca não está nada convencido que a maneira do carpinteiro pescar seja melhor que a sua. Mas a palavra de Jesus deveria ser bem poderosa. E não teve maneira de a ignorar, só pôde obedecer e confiar. Simão Pedro depressa compreenderá que é sempre melhor embarcar nos projectos de Jesus, que manda a Igreja abandonar a segurança das águas calmas e avançar para as profundas.
4. «E apanharam tão grande quantidade de peixes.»
Na noite de todas as oportunidades a faina falhara, porque só tinham confiado nas próprias forças, na perícia e tino humanos. No mais que improvável lançar das redes ao meio-dia apanharam tão avultada quantidade de peixe que quase afundou não uma mas duas barcas! Entre um e outro lançamento das redes, o frustrado e o abundante, esteve Jesus e a confiança na sua palavra.
5. «Fizeram sinal para os virem ajudar.»
A medida de Deus é diferente das medidas humanas. Onde o homem vê falência e fraqueza Deus vê possibilidade e abundância. Depois da descrença de Pedro veio a confiança e esta viu-se recompensada com uma pescaria excessiva, milagrosa, suficiente para outros que tinham confiado menos que Pedro. E até esses tiveram de se converter e acorrer para ajudar!
6. «Sou um homem pecador.»
Perante a poderosa manifestação do poder de Jesus, de duas coisas tomou Pedro consciência: de que era homem, e de que era pecador. Aquele pescador primário e de carácter áspero deixa sair do fundo do coração uma sincera oração e reconhecimento: só Deus pode criar do nada, tirar abundância da debilidade, fazer reverdecer o corpo cansado, reanimar para um anúncio renovado! Perante Deus o homem pode reconhecer os seus limites e oferecer a disponibilidade para que a graça se comunique.
7. «Eles deixaram tudo e seguiram Jesus.»
A prova provada é que a vida com Jesus é diferente, luminosa. Se Jesus aceita frequentar as nossas frágeis barcas para desde ali anunciar o Reino, também é possível e justo que nos habilitemos a ir com Jesus na sua barca. Hoje na nossa, amanhã na dele. A nossa poderá ir ao fundo, a de Jesus se for ao fundo será só para provar que todos podemos caminhar sobre as águas.
Chama do Carmo I NS56 I Fevereiro 07, 2009
1 comentário:
Este é um trecho de cataquese,que pretende dar a entender o que implica para um APÓSTOLO dizer SIM a CRISTO que o convida a segui-lo.
PESCADOR HOMENS !
SIGNIFICA TIRA-LOS DA CONDIÇÃO DE
MORTE EM QUE SE ENCONTRAM, significa
substraí-los às forças do mal,que,como
cerrentes impetuosas , os dominam ,
arrastam e submergem.
O APÓSTOLO DE CRISTO NÃO TEME AS ONDAS
E ENFRENTA-AS CORAJOSAMENTE, MESMO
QUANDO SÃO IMPETUOSAS. Não deixa de salvar um irmão,mesmo quando este se encontra em situações humanamente sem
esperanças:Quando é escravo da droga,
do alcool,das paixões desenfreadas,do
seu caráter irascível,agressivo, intratável. . . NÃO HÁ NENHUMA SITUAÇÃO QUE NÃO POSSA SER RECUPERADA
PELO APÓSTOLO DE CRISTO.
SE TODOS OS CRISTÃOS FOSSEM ASSIM !
GRAÇA E PAZ.
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