Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
sábado, 28 de março de 2009
Preparar um retiro
sexta-feira, 27 de março de 2009
Dias de luz
Amen.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Homens escuros e sem luz
Existem homens luz e homens sombra. São mais os segundos. É bem certo que o mundo não gosta da Luz, porque a Luz denuncia as sombras e as escuridões de quem se diz iluminado e é só noite.Quem faz as obras da luz aproxima-se da Luz para que sejam vistas.
Quem faz as das sombras, foge e oculta-se defendendo-se na escuridão.
Dão-se a seguir quatro exemplos de homens sombra e noite, que em diferentes épocas expulsaram a Luz, até que, por fim, Ela os alcançou, os iluminou, os seduziu, os incandesceu.
São quatro histórias simples que mostram que, por vezes a Luz é mais forte e vence.
Diz-se que quando encontramos uma pérola valiosa nos empenhamos de veras em adquiri-la.
Foi isso que fizeram os quatro exemplos que damos (haveria muitos outros) e é isso que havemos de fazer nós também, porque também nós somos luz, pertencemos à Luz, e não à sombra ou à noite!
Agostinho
Metade da sua vida foi caminho de escuridão. Não lhe faltaram oportunidades para caminhar na Luz... A mãe tentou educá-lo o melhor possível, mas ele não escutava a mãe. Um grande amigo seu estando em perigo de morte disse-lhe que estava a preparar-se para receber o Baptismo, mas ele riu-se do amigo. Teve a Bíblia na mão e poderia ter lido algo, mas pareceu-lhe um livro feito para gente de pouco cultura.
Caminhou 32 anos nas trevas, numa busca contínua até alcançar a Luz que, sem saber buscava mal: buscou-A nas tabernas, na seita dos maniqueus, na libertinagem, no jogo, nas discussões, na filosofia. Queria ser feliz mas não era, tudo era escuridão. Um dia contemplando um bêbado teve inveja dele: ao menos o bêbado ainda se ria.
Mas como não parava de buscar foi alcançado pela Luz e a sua vida iluminou-se e mudou de rumo. Chama-se Agostinho, Agostinho de Hipona, é o grande S. Agostinho!
André
Era nobre de nascimento, não de vida. Quem com os lobos anda com eles aprende a uivar e caçar. A sua vida de menino rico e mimado era exclusivamente dedicada à caça, aos jogos e aos amores. A da mãe, a chorar e a rezar na Igreja do Carmo da cidade. Não lhe faltaram os bons exemplos e modelos, mas ele preferia os maus, os prazeres e os vícios.
«Lobo feroz te vi eu em sonhos antes de nasceres», gritou-lhe, desesperada, a mãe certa vez. E aí o rapaz converteu-se. A mãe deixou de precisar de ir à igreja para chorar e rezar, mas passou a ir o filho.
Quando no palácio anunciou que se faria Carmelita a mãe declarou: «O meu filho será sempre louco, mas eu prefiro esta loucura.» Foi Carmelita, um grande Carmelita. Abandonado o luxo e a vida louca revestiu-se com um pobre hábito remendado. Foi depois um grande bispo construtor de paz. Chama-se S. André Corsini.
Hermann [Agostinho]
Era judeu. Aprendeu piano aos 4 anos, foi o aluno preferido de Liszt. Em Paris iniciou uma carreira brilhante como pianista, professor e compositor. Foi amigo dos mais famosos anticatólicos do seu tempo. Frequentou os salões da aristocracia da Europa, ganhava imenso dinheiro e perdia-o copiosamente no jogo. Mergulhou em todos os vícios. E quase se afogou. Aos 28 anos inicia a sua iluminação quando, a pedido do princípe de Moscovo, toma provisoriamente a direcção do coro da sua capela particular. Não sendo crente sente uma comoção particular durante a bênção do Santíssimo. O sentimento repete-se a cada Sexta-feira. Converte-se — Os amigos dizem-no transtornado pelos excessos! —, baptiza-se e faz-se Carmelita. O Frei Agostinho do Santíssimo Sacramento é o fundador da Adoração Nocturna.
João
É português. Afoito, fugiu de casa aos oito anos, sem dinheiro nem qualquer outro apoio. A mãe morreu de desgosto com a notícia. O pai morreu mais tarde também desgostoso, num convento.
Quando a negrura da fome e do frio apertaram foi pastar gansos, depois cabras, por fim vacas. Mas a vida de armas era mais aventureira e apelativa que a de pastor. E com uma espada na mão era um terror temido!
Desertou do exército e quase deixou a cabeça na forca. Serviu um nobre português exilado da fortuna, fundou uma livraria, e nunca deixou, ao que parece de ser devoto de Nossa Senhora. Até nada da sua vida fora especialmente belo e exaltante. Um dia ouvindo um sermão decidiu mudar de vida: ofereceu os livros bons, queimou os maus. Prenderam-no por isso, porque parecia louco! Soltaram-no. Quando em Granada ardeu o Hospital Real a cidade ficou impotente a apreciar o espectáculo. Só o Louco rompeu as chamas e salvou todos os doentes acamados. Deixou ali de ser o Louco para passar a ser o Santo. Deu o resto da sua vida aos pobres, aos doentes e aos inválidos. Muitos o imitaram, chama-se São João de Deus.
Estes e outros muitos e muitas viveram no reino das trevas, mas fizeram a passagem para o da Luz. Convenceram-se que eram grandes e não passavam de míseros vassalos. Quando escolheram ser vassalos foram grandes e encheram o mundo de Luz!
Chama do Carmo I NS 23 I 21 de Março de 2009
Cruz da Família Marques
domingo, 22 de março de 2009
Um casal de apóstolos
E não são catequistas conformados ou de desistir. Gostam de inovar, atrair, interessar e empenhar os catequizandos. Por isso, neste Domingo visitaram o nosso Centro de Espiritualidade de Nossa Senhora do Carmo para futuramente aqui organizaram uma acção catequética atraente e diversa, que possa interessar os miúdos.
E nós enchemo-los de mais coragem ainda.
Parabéns! Sigam em frente!
Em família
E serão sempre bem-vindos.
E serão sempre bem-vindos.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Ala dos Enamorados
Obviamente estamos já a trabalhar para dar um pouco de brilho ao dia. Hoje reuniu-se A Ala dos Enamorados criada um pouco ao jeito da Ala dos Namorados, que o Santo criou para a Batalha de Aljubarrota. A verdade é que, ontem como hoje, para grandes trabalhos são precisos grandes desejos. E aqui está quem os tem. (Pelo menos no nome!)
E já ficou dito que o dia 25 de Abril será marcado com uma marcha até ao Monte do Castelo, em Castelo do Neiva, onde rezam as memórias locais ter o Santo ali travado combate. Quando? Contra quem? Lenda? Verdade? É o que iremos averiguar. Mas já pode ir reservando esse dia para essa caminhada!
quinta-feira, 19 de março de 2009
Consagração a São José
Ó Glorioso Patriarca São José,eis-me aqui, prostrado de joelhos ante vossa presença,
para vos pedir a vossa proteção.
Desde já vos elejo como meu pai, protector e guia.
Sob vosso amparo ponho meu corpo e minha alma,
propriedade, vida e saúde.
Aceitai-me como filho vosso.
Preservai-me de todos os perigos, ataques e laços do inimigo.
Assisti-me em todo momento
e sobre tudo na hora de minha morte.
Amen.
domingo, 15 de março de 2009
Os três magos de Argoncilhe
A Cruz da Ana Maria
A Visita do Seminário Diocesano
(Da Nota Pastoral de D. José Augusto Pedreira)
Na manhã deste Domingo Terceiro da Quaresma, um pouco antes da Missa das 10:00h, entrou-nos pela Sacristia adentro o P. Arcélio Sousa, Perfeito do Seminário Diocesano Frei Bartolomeu dos Mártires e os seus 17 seminaristas. Connosco rezaram a Eucaristia e fizeram penitência pelos pecados da Igreja. Apresentaram-se à comunidade e cantaram os cânticos que o Grupo Coral propôs. No fim, para memória futura, tiraram uma fotografia nas escados do Seminário Missionário Carmelitano. Muito obrigado pela visita e pela vossa oração. Deus vos abençoe e o manto da Senhora do Carmo vos proteja.
sábado, 14 de março de 2009
No Domingo da Caridade
Diariamente estamos a ser confrontados e intimamente tocados pela preocupante situação económica e social em que Portugal e outros países ocidentais se encontram mergulhados. Todos nos sentimos envolvidos por este fenómeno de carácter cada vez mais global. Multiplicam-se as análises elaboradas por especialistas na matéria, frequentes sinais de alerta, arriscam-se previsões a curto e médio prazo, mais ou menos pessimistas sobre o futuro.A perspectiva cristã nestas situações deve ser encarada com serenidade e alicerçada sobre a dinâmica da esperança, capaz de mobilizar um esforço generoso e colectivo em favor dos cidadãos afectados pela crise, na convicção de que depois da tempestade virá a bonança. Entretanto, porém, não podemos cruzar os braços ou encolher os ombros, na expectativa de que a crise não nos atinja. Urge agir porque há vítimas que solicitam auxílio.
Estamos conscientes de que a procura de soluções políticas para ultrapassar este complexo problema incumbe prioritariamente aos poderes públicos, aos governantes legitimamente mandatados para promover e administrar o bem comum, com equidade ética, justiça e paz. A eles compete acompanhar com atenção e sabedoria o evoluir das comunidades a que presidem, particularmente nos momentos mais difíceis, consagrando singular cuidado às parcelas mais frágeis da população. Nesta tarefa, os governantes são coadjuvados pelas instituições que deles dependem, particularmente pelas que actuam nesta área social.
A Igreja e os cristãos que a constituem, em razão da sua missão e competência, não podem ficar alheios a este fenómeno social. É verdade que a Igreja não se confunde com o poder político. Mas, no respeito pela independência e autonomia própria de cada um, sente que ambos servem a vocação pessoal e social dos mesmos seres humanos. Por isso, está sempre disponível para empreender uma sã cooperação, que se afigura condição essencial para se obter maior eficácia no serviço que se presta ao bem de todos (cf. GS. 76). Não se exclui, antes se requerer igualmente o contributo de todos os cidadãos, nomeadamente dos trabalhadores e empresários afectos à promoção e segurança no campo do trabalho.
A comunidade cristã e as instituições de que dispõe sabem que nada que toque com os diversos aspectos da vida do ser humano, no âmbito material como no espiritual, nos pode ser alheio. Basta recordar a função emblemática desempenhada através dos séculos pelas misericórdias, orfanatos, asilos ou lares de idosos, os apoios em momentos de epidemias e de catástrofes, que deixaram na história marcas indeléveis do génio do cristianismo.
As questões sociais têm merecido a atenção da Igreja através dos tempos, com particular acuidade a partir do papa Leão XIII com a carta encíclica “Rerum Novarum 1891”. Desde então, têm sido frequentes as tomadas de posição da Igreja sobre problemas de ordem social como este que estamos a viver.
No nosso tempo, é clara a posição assumida pelo C. Vat. II: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (GS. 1). Muito antes, nos primeiros séculos do cristianismo, já S.to Ireneu tinha afirmado: «A glória de Deus é o homem vivo».
Consciente dessa missão, no início desta Quaresma, o bispo desta diocese de Viana do Castelo dirige a todos os diocesanos uma sentida exortação, um vivo apelo, a darmos as mãos a fim de empreender uma ajuda solidária e fraterna às vítimas desta recessão económica. A todas as instituições diocesanas encorajamos a que estejam preparadas e cada vez mais atentas às situações criadas pela actual crise e às consequências funestas dela emergentes.
Tendo como base os estudos que vão sendo publicados, afigura-se-nos que as faixas mais vulneráveis da sociedade são: os desempregados ou em risco de o serem; as famílias monoparentais perante o risco de perda do emprego, único braço de sustento da família; os reformados com magras pensões sociais, os idosos que não acompanharam o aumento do nível de vida verificado nas últimas décadas, os jovens à procura do primeiro emprego e as populações imigrantes em busca de trabalho, agora ainda mais escasso. Especial atenção devem merecer-nos as famílias com crianças ou jovens em idade escolar.
Este nosso apelo dirige-se prioritariamente a todas e cada uma das paróquias e outras comunidades cristãs, que não deixarão de o ter em conta nos seus projectos e orçamentos, nomeadamente na moderação de gastos dispensáveis na programação das festas religiosas e outros eventos, a fim de alargar a sua capacidade de auxílio; às Cáritas diocesana e paroquiais, às Misericórdias e respectivas instituições, às Conferências Vicentinas e outras associações de fiéis com notório e reconhecido empenho neste serviço humanitário e de solidariedade cristã.
Papel relevante poderão vir a desempenhar também os Centros Sociais Paroquiais pela relação de proximidade que os caracteriza, pela implantação de que beneficiam dentro das mesmas comunidades e pelo largo saber adquirido na já longa experiência de serviço aos mais carenciados. Para isso, deverão poder contar com o generoso contributo individual de todos e cada um dos fiéis.
Aqueles que presidem a estas ou a outras instituições similares, bem como os que delas fazem parte pela sua partilha de bens, descobrirão a melhor forma de prestar este serviço aos cidadãos atingidos pela presente crise. Hoje, as instituições de apoio social utilizam novos métodos na prestação de serviços, podem dispor de adicionais meios materiais e acrescida qualidade de condições técnicas, o que lhes permitirá alargar o âmbito da sua actuação e atingir um nível cada vez mais elevado de humanização dos serviços prestados. A capacidade criativa, “a fantasia da caridade”, deve estar sempre presente no horizonte dos objectivos a atingir, em ordem à qualidade e delicadeza de trato nos serviços de atendimento à pessoa em situação de carência.
Estamos prestes a iniciar o tempo da Quaresma, tempo de reflexão cristã, de renovação espiritual, de purificação e de partilha fraterna, significadas pelo jejum, abstinência e esmola. A Igreja diocesana, por sua parte, destina desde já à Cáritas diocesana a maior parte da «renúncia quaresmal» do corrente ano, reforçando o seu habitual orçamento, para que esta possa atender às situações mais prementes. Apenas um terço será destinado à manutenção dos Seminários diocesanos, suavizando assim os encargos económicos dos pais dos nossos alunos.
É com muita esperança que levamos até vós, em forma de Mensagem Pastoral, esta preocupação de amor fraterno. Os irmãos carentes agradecem e Deus vos retribuirá “cem por um”.
No dia litúrgico de S. Teotónio, Viana do Castelo, 18 de Fevereiro de 2009.
+ José Augusto Pedreira, Bispo de Viana do Castelo
É com muita esperança que levamos até vós, em forma de Mensagem Pastoral, esta preocupação de amor fraterno. Os irmãos carentes agradecem e Deus vos retribuirá “cem por um”.
No dia litúrgico de S. Teotónio, Viana do Castelo, 18 de Fevereiro de 2009.
+ José Augusto Pedreira, Bispo de Viana do Castelo
Comerciar com Deus
O comércio é feito de tantas ilusões e enganos que associá-lo ao divino é rebaixar a Deus. Nós comerciamos, mas a mercadoria hoje é tanto de usar e deitar fora que o comércio, no conjunto das tarefas humanas, parece uma obra menor ou baixa.
Mas o certo é que os grandes autores espirituais, inspirando-se como sempre nas realidades ordinárias e comezinhas da vida, falam do comércio da pessoa com Deus para dizer o diálogo e a troca que há de nós para Deus, entre Deus e nós, e vice versa. Comerciar com Deus pode querer dizer, por exemplo: dialogar com Deus, dar e receber de e a Deus.
O relato do Evangelho deste domingo é duro e choca-nos. Choca-nos por vermos o doce Jesus naqueles preparos, e tomado de ira. (Ainda que talvez fosse santa, pensam os mais santos de nós!) Como foi possível que Jesus tenha feito o que fez? Visto que falou de amor ao próximo e de nos tratarmos como irmãos, como é que actuou tão violentamente, mais parecendo um descontrolado agitador social?
Não é aprazível nem pacificador ler o relato da expulsão dos vendedores do Templo.
(A piedade popular chama-lhe vendilhões!). Onde está o sempre doce e misericordioso Jesus? Talvez o problema não seja de Jesus. Talvez o problema esteja nos vendedores e não em Jesus. Mas afinal, que mal, se mal fizeram, que mal fizeram eles, que mal justificaria a actuação iracunda do Salvador?
Sim, o problema está nos vendedores, e quem sabe, também em nós. É por isso que este trecho do Evangelho é lido na Quaresma, a fim de reorientarmos o nosso comércio com Deus.
Os vendedores do Templo eram um conjunto de comerciantes que englobavam cambistas (pois ao Templo afluiam pessoas vindas de muitas nações) e vendedores de animais: passarinhos, pombas e rolas, cordeiros, cabritos, touros. O seu comércio redundou no aproveitamento do culto a Deus para alcançar um enriquecimento pessoal injusto. (A liturgia do Templo implicava a oferta e imolação de animais a Deus.) Por isso, a reacção de Jesus é contra o comércio feito à sombra de Deus, que convida mais aos sacrifícios (imolação) de animais, que à conversão do coração do peregrino (e hoje, o nosso).
O mais certo é que Jesus soubesse que muitos dos seus contemporâneos buscavam a Deus em todos os sítios, menos dentro do seu coração. Jesus sabia que o mais fácil é o cumprimento do ritual externo, e que o mais esquecido e desprezado é a conversão do coração.
Choca-nos a indignação de Jesus? Então, cuidado! Porque também é possível que ainda hoje, nós, os crentes, continuemos a viver uma fé pouco séria e à margem da conversão a Deus e aos seus critérios de justiça e amor. Choca-nos a ideia de comerciar com Deus? Então, cuidado! Porque ainda hoje é muito frequente a fé-comércio: — Eu dou orações, Tu, ó Deus, dás-me tal e qual, o que te pedir!
São muitas as situações que nos reforçam a ideia deste comércio religioso: oferecer algo a Deus em troca do que Lhe peço; zangar-me com Ele se não me ouvir; fazer-lhe promessas se Ele consentir nos nossos pedidos (não vá Ele dizer que não!).
Mandou outrora Deus dizer pelo Profeta que quer «misericórdia e não sacrifícios», porque o que Deus deseja em verdade é um coração novo, humano humano, que não se mova por interesses, mas por amor desinteressado a Deus e aos irmãos; e onde Ele possa habitar.
Eis a troca comercial que Deus espera de nós!
Não é aprazível nem pacificador ler o relato da expulsão dos vendedores do Templo.
(A piedade popular chama-lhe vendilhões!). Onde está o sempre doce e misericordioso Jesus? Talvez o problema não seja de Jesus. Talvez o problema esteja nos vendedores e não em Jesus. Mas afinal, que mal, se mal fizeram, que mal fizeram eles, que mal justificaria a actuação iracunda do Salvador?
Sim, o problema está nos vendedores, e quem sabe, também em nós. É por isso que este trecho do Evangelho é lido na Quaresma, a fim de reorientarmos o nosso comércio com Deus.
Os vendedores do Templo eram um conjunto de comerciantes que englobavam cambistas (pois ao Templo afluiam pessoas vindas de muitas nações) e vendedores de animais: passarinhos, pombas e rolas, cordeiros, cabritos, touros. O seu comércio redundou no aproveitamento do culto a Deus para alcançar um enriquecimento pessoal injusto. (A liturgia do Templo implicava a oferta e imolação de animais a Deus.) Por isso, a reacção de Jesus é contra o comércio feito à sombra de Deus, que convida mais aos sacrifícios (imolação) de animais, que à conversão do coração do peregrino (e hoje, o nosso).
O mais certo é que Jesus soubesse que muitos dos seus contemporâneos buscavam a Deus em todos os sítios, menos dentro do seu coração. Jesus sabia que o mais fácil é o cumprimento do ritual externo, e que o mais esquecido e desprezado é a conversão do coração.
Choca-nos a indignação de Jesus? Então, cuidado! Porque também é possível que ainda hoje, nós, os crentes, continuemos a viver uma fé pouco séria e à margem da conversão a Deus e aos seus critérios de justiça e amor. Choca-nos a ideia de comerciar com Deus? Então, cuidado! Porque ainda hoje é muito frequente a fé-comércio: — Eu dou orações, Tu, ó Deus, dás-me tal e qual, o que te pedir!
São muitas as situações que nos reforçam a ideia deste comércio religioso: oferecer algo a Deus em troca do que Lhe peço; zangar-me com Ele se não me ouvir; fazer-lhe promessas se Ele consentir nos nossos pedidos (não vá Ele dizer que não!).
Mandou outrora Deus dizer pelo Profeta que quer «misericórdia e não sacrifícios», porque o que Deus deseja em verdade é um coração novo, humano humano, que não se mova por interesses, mas por amor desinteressado a Deus e aos irmãos; e onde Ele possa habitar.
Eis a troca comercial que Deus espera de nós!
Continuação de Santa Quaresma.
Chama do Carmo I NS 22 I 15 de Março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Faleceu o Prof. Moreira
Nos idos de 70, talvez um pouco mais, o Professor Moreira — Fernando José Moreira — leccionou a discíplina de Português no nosso Seminário do Carmo, ao tempo que aqui havia aulas internas.Os seus alunos, entre os quais o P. Carlos Gonçalves, guardam dele grata memória.
Era natural de Macedo de Cavaleiros. Faleceu aos 82 anos de idade, na passada Terça-feira, dia 10. A Comunidade do Carmo apresenta à sua esposa Dª Maria Eduarda e a seus filhos e netos sentidas condolências.
Celebraremos Missa de 7º Dia pela sua alma, às 08:00h da próxima Segunda-feira, dia 16 de Março.
Descanse em paz.
segunda-feira, 9 de março de 2009
A incomparável paciência de procurar o alto! - O lugar do jovem na Igreja e na sociedade
O primeiro fim de semana de março costuma ser passado num convento. Foi o caso deste anos. Éramos uns vinte e tais, vindos de vários lugares para parar e reflectir um pouco sobre os jovens (n)o Carmo. Qual é o lugar da Juventude no Carmo? Suficiente? Querem mais? Não sabem pedir mais? Apresentamos aqui a reflexão do Jorge Teixeira que teve o bom gosto de a escrever. É um pequeno conteúdo sobre o tempo, o modo e o lugar dos jovens no Carmo. É uma abordagem. Não a última, nem a melhor. Mas é sincera e é confirmada pela experiência pesssoal, que os restantes confirmaram com o seu silêncio e atenção.1. Introdução
Ao longo desta apresentação procurarei mostrar a importância dos jovens na Igreja Católica e na sociedade civil. O seu papel e a sua missão e, principalmente, os desafios que lhe são colocados nos dias de hoje.
Para isso começarei por fazer uma breve contextualização da situação actual do religioso e da Igreja Católica, principalmente a nível histórico-social.
2. A situação actual do religioso
A partir da modernidade (Iluminismo - século XVIII) muitos esperavam que a religião fosse expulsa das sociedades e remetida para a memória. O que não veio a suceder.
O religioso sofreu, no entanto, a partir desta época inúmeras alterações.
Na verdade, passou a procurar-se mais a salvação a nível individual, desvalorizando-se a pertença a uma comunidade. Desde logo, este aspecto implica consequências na forma como os jovens se relacionam com o religioso, provocando um "fosso que separa cada vez mais as gerações recentes e as instituições religiosas." A colectividade – Igreja – passou a estar presente quase só nos ritos de passagem (nascimento, casamento e morte).
No entanto, não podemos afirmar que o religioso está em crise. As pessoas continuam a procurá-lo, continuam a buscar respostas no transcendente. Aliás, o religioso tornou-se num "negócio" forte, que traz consigo um poderoso marketing, senão vejamos, como exemplo, as ciências do oculto, os livros de auto-ajuda e as clínicas de espiritualidade.
A Europa onde vivemos é, hoje cada vez mais, uma sociedade multi-cultural e inter-religiosa, onde a liberdade religiosa deve/tem de imperar. Vigorando a laicidade, não podemos também deixar de constatar que, como referia o Papa João Paulo II, a Europa é incompreensível sem o Cristianismo, este é nas palavras do referido Papa, a "alma da Europa", sendo os valores cristãos património universal.
Perante este quadro, qual o lugar do jovem?
Seguir a opinião mais ou menos instituída de que o religioso está fora de moda? Remeter a sua fé para um espaço privado (a sua casa, a sua igreja paroquial)?
Ou deverá, por outro lado, assumir-se como cristão em todas as vertentes da sua vida, respeitando, obviamente o espaço e as decisões das outras pessoas?
Notas: este texto segue de perto aquele que foi apresentado à reflexão no Encontro de (In) formação em Viana do Castelo, no dia 28 de Fevereiro. É uma reflexão despretensiosa, mas que pretende, de forma crítica, ser construtiva. O título do texto é retirado de um poema de Daniel Faria.
Bibliografia: Teixeira, Alfredo, Não Sabemos Já Donde a Luz Mana – Ensaio Sobre as Identidades Religiosas, Paulinas, Prior Velho, 2004.
3. A juventude
A imagem que se tem da juventude é de um grupo que se impõe pelo incumprimento e pelo desrespeito. Os jovens são aqueles que vão contra o imposto, muitas vezes, segundo a opinião dos mais velhos, passando por cima de valores que até então pareciam tidos como certos.
Certo é que a juventude é uma fase curta (em termos cronológicos) das nossas vidas e que por isso deve ser valorizada e é sempre significativa. Nesta fase as experiências devem ser marcantes e construtoras de sentido.
Actualmente: seremos, de facto, um grupo que perdeu os valores e que se deixa guiar como alguém que não tem rumo? Perdemos os valores que vinham dos nossos antepassados? Vivemos a angústia de não saber para onde caminhamos e como o fazemos?
Perante este cenário onde se encaixam os jovens católicos? Qual a atitude: lutar, empenhar-se ou resignar-se?
Também sabemos que, actualmente, muitos não querem a Igreja. A questão que se levanta é porque não a querem?
Ser religioso e mais ser católico é algo que não está na moda, que não dá gozo imediato. O religioso é, portanto, olhado de lado. Para além disto, parece-me que os jovens estão cansados da rotina, da repetição, de saberem (ou julgarem) que sempre virá mais do mesmo (muitos que frequentaram a Igreja deixaram de o fazer, mesmo sendo de famílias católicas). Para além destes aspectos, destacaria a moral sexual como algo que, não sendo cumprido por muitos católicos, continua a ser uma das "bandeiras" pela qual os jovens afirmam afastar-se.
Quanto aos jovens católicos, julgo que é preciso não esquecermos que não basta dizer que são amados, é necessário que os jovens sintam esse amor. Os documentos oficiais apontam para a importância dos jovens, mas depois nas dioceses e na vida paroquial, os jovens não são tidos como uma voz importante, ainda que sejam obviamente inexperientes.
Na verdade, não podemos de deixar de considerar que o modelo apresentado sofre de algum desgaste. Perante todas as mudanças que sofre o mundo é imperativo que a Igreja seja capaz de fazer uma leitura profética dos tempos e acompanhe este processo. Estão também cansados das "lições moralistas" que saem da catequese e das homilias. A liturgia é, pois, um dos campos a necessitar de maior capacidade de resposta às necessidades actuais. As celebrações são rotineiras, sem capacidade de surpreender, sem provocar emoção. Para além disto, não temos capacidade de fazer uma releitura diferente dos textos bíblicos e o cântico é pobre e distante da linguagem juvenil.
Depois, há a questão do acompanhamento dos jovens. Continuamos, como Igreja, a valorizar quase só a catequese de iniciação e de adolescência, o que leva a que após o Crisma (diploma da catequese?), os jovens (salvo dignas excepções) sejam deixados sem acompanhamento. A formação dos jovens termina e passam de adolescentes a adultos na fé (seres autónomos e sem necessidade de acompanhamento). Parece-me necessário que exista um acompanhamento efectivo dos jovens, seja ao nível dos secretariados diocesanos da juventude seja a nível paroquial, dando uma formação séria e coerente aos jovens interessados. Não podemos continuar a ter uma fé de "hipermercado". Temos de promover nos jovens uma fé intelectualmente honesta (e não uma fé cega), que promova uma adesão de coração.
No meio de tudo isto será possível pedir a colaboração dos jovens se só se lhes pede adaptação ao que já existe sem procurar receber o que trazem de bom, sem aproveitar a sua alegria, a sua esperança e o seu dinamismo?
É, neste momento portanto, imperativo que haja na Igreja abertura de mentalidade. E esta abertura tem de ser de todos: desde os bispos, aos padres, aos leigos e, claro, aos próprios jovens.
Não podemos esquecer que a Igreja não é a hierarquia (bispos e padres), mas também são os leigos e, portanto, os jovens.
Não se trata, no entanto, de inventar um novo modelo. A Tradição não pode, obviamente, ser esquecida ou julgada incompetente. Há, antes, a necessidade de renovar, bebendo continuamente na fonte (não esquecendo que a fonte primeira são os Evangelhos e a Sagrada Escritura).
Aos jovens pede-se, desde logo, que tragam à Igreja o dinamismo que lhes é inerente. Sem os jovens a sociedade e, consequentemente, a Igreja seriam muito pacíficas, mas esta paz estaria marcada pela morte, já que não haveria também o crescimento e as mudanças necessárias. A igreja e o mundo precisa que os jovens clamem a sua fé, mas os jovens precisam que os cristãos mais velhos os apoiem, confortem, ensinem e incentivem.
É urgente desde logo que a Igreja busque, de facto, novas linguagens. Mas não basta afirmá-lo, é necessário, fazê-lo efectivamente.
De facto, notámos que houve investimento desde há algum tempo em actividades de intensidade emocional, porque estas se tornam significativas para os jovens e são este tipo de actividades que marcam e os acompanham ao longo da vida de forma especial. São exemplos disto que afirmo, as Jornadas da Juventude e as peregrinações a Taizé.
Outro aspecto que considero relevante é o dever de promovermos um maior diálogo com as artes. A Igreja não pode continuar arredada da proximidade com as artes. Não pode continuar a ter desconfiança em relação à arte e aos artistas, que são os grandes produtores de ideias. Não podemos continuar a ter igrejas e esculturas que não primam pela beleza. Porque repetimos as imagens até ao limite e não procuramos novas formas de comunicar?
Há ainda a acrescentar a relação de proximidade que os jovens têm com a arte. A música, o teatro, a pintura, a literatura têm com muitos jovens uma relação muito contígua.
A arte não é inútil, transporta-nos para outra dimensão, coloca-nos perante o escândalo, a provação e o abismo. A arte, um pouco como os místicos, leva a um arrebatamento. A experiencia estética torna-se uma experiência-limite, e a beleza entra pelos sentidos.
Em relação à arte gostaria de referir um caso actual: Tiago Guillul, que é músico e também pastor baptista na Igreja de São Domingos de Benfica (religião e panque roque é o lema do seu blogue). Na verdade, editou um álbum que não deixa de ser de índole religiosa e que obteve ecos em muita comunicação social e em muitos artistas. A música pode ser uma das artes a explorar mais como forma de comunicação com os jovens e como forma de evangelização.
Há ainda outros campos onde o papel dos jovens pode e deve ser valorizado. Enumero alguns deles: o voluntariado, os grupos de jovens, os grupos católicos universitários, entre outros.
4.2. Ordem dos Padres Carmelitas Descalços
5. O lugar do jovem na sociedade civil
Os jovens católicos não podem esquecer que são jovens no mundo e do mundo que não esquecem o caminho: Jesus. Por isso, em todos os locais devem apresentar uma vida de autenticidade e de testemunho. Respeitando o outro enquanto ser crente ou não, o jovem católico deverá assumir-se enquanto tal, reafirmando a sua fé como uma decisão pessoal que compromete toda a vida.
Por tudo isto, julgo que o jovem católico não se também pode excluir da vida civil. Assim, deve ser, por exemplo, politicamente interessado.
6. Conclusão
"É próprio da condição humana e, particularmente, da juventude buscar o Absoluto, o sentido e a plenitude da existência. Amados jovens, não vos contenteis com nada menos do que os mais altos ideais! Não vos deixeis desanimar por aqueles que, desiludidos da vida, se tornaram surdos aos anseios mais profundos e autênticos do seu coração. Tendes razão para não vos resignardes com diversões insípidas, modas passageiras e projectos redutivos. Se mantiverdes com ardor os vossos anelos pelo Senhor, sabereis evitar a mediocridade e o conformismo, tão espalhados na nossa sociedade." (João Paulo II)
Ao longo desta apresentação procurarei mostrar a importância dos jovens na Igreja Católica e na sociedade civil. O seu papel e a sua missão e, principalmente, os desafios que lhe são colocados nos dias de hoje.
Para isso começarei por fazer uma breve contextualização da situação actual do religioso e da Igreja Católica, principalmente a nível histórico-social.
2. A situação actual do religioso
A partir da modernidade (Iluminismo - século XVIII) muitos esperavam que a religião fosse expulsa das sociedades e remetida para a memória. O que não veio a suceder.
O religioso sofreu, no entanto, a partir desta época inúmeras alterações.
Na verdade, passou a procurar-se mais a salvação a nível individual, desvalorizando-se a pertença a uma comunidade. Desde logo, este aspecto implica consequências na forma como os jovens se relacionam com o religioso, provocando um "fosso que separa cada vez mais as gerações recentes e as instituições religiosas." A colectividade – Igreja – passou a estar presente quase só nos ritos de passagem (nascimento, casamento e morte).
No entanto, não podemos afirmar que o religioso está em crise. As pessoas continuam a procurá-lo, continuam a buscar respostas no transcendente. Aliás, o religioso tornou-se num "negócio" forte, que traz consigo um poderoso marketing, senão vejamos, como exemplo, as ciências do oculto, os livros de auto-ajuda e as clínicas de espiritualidade.
A Europa onde vivemos é, hoje cada vez mais, uma sociedade multi-cultural e inter-religiosa, onde a liberdade religiosa deve/tem de imperar. Vigorando a laicidade, não podemos também deixar de constatar que, como referia o Papa João Paulo II, a Europa é incompreensível sem o Cristianismo, este é nas palavras do referido Papa, a "alma da Europa", sendo os valores cristãos património universal.
Perante este quadro, qual o lugar do jovem?
Seguir a opinião mais ou menos instituída de que o religioso está fora de moda? Remeter a sua fé para um espaço privado (a sua casa, a sua igreja paroquial)?
Ou deverá, por outro lado, assumir-se como cristão em todas as vertentes da sua vida, respeitando, obviamente o espaço e as decisões das outras pessoas?
Notas: este texto segue de perto aquele que foi apresentado à reflexão no Encontro de (In) formação em Viana do Castelo, no dia 28 de Fevereiro. É uma reflexão despretensiosa, mas que pretende, de forma crítica, ser construtiva. O título do texto é retirado de um poema de Daniel Faria.
Bibliografia: Teixeira, Alfredo, Não Sabemos Já Donde a Luz Mana – Ensaio Sobre as Identidades Religiosas, Paulinas, Prior Velho, 2004.
3. A juventude
A imagem que se tem da juventude é de um grupo que se impõe pelo incumprimento e pelo desrespeito. Os jovens são aqueles que vão contra o imposto, muitas vezes, segundo a opinião dos mais velhos, passando por cima de valores que até então pareciam tidos como certos.
Certo é que a juventude é uma fase curta (em termos cronológicos) das nossas vidas e que por isso deve ser valorizada e é sempre significativa. Nesta fase as experiências devem ser marcantes e construtoras de sentido.
Actualmente: seremos, de facto, um grupo que perdeu os valores e que se deixa guiar como alguém que não tem rumo? Perdemos os valores que vinham dos nossos antepassados? Vivemos a angústia de não saber para onde caminhamos e como o fazemos?
Perante este cenário onde se encaixam os jovens católicos? Qual a atitude: lutar, empenhar-se ou resignar-se?
4. O lugar do jovem na Igreja Católica
4.1. Situação actual; desafios e anseios
4.1. Situação actual; desafios e anseios
Globalmente, julgo que podemos afirmar que os jovens sabem que têm lugar na Igreja, uma vez que todos são recebidos nela e há lugar para eles.Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa.(Adília Lopes)
Também sabemos que, actualmente, muitos não querem a Igreja. A questão que se levanta é porque não a querem?
Ser religioso e mais ser católico é algo que não está na moda, que não dá gozo imediato. O religioso é, portanto, olhado de lado. Para além disto, parece-me que os jovens estão cansados da rotina, da repetição, de saberem (ou julgarem) que sempre virá mais do mesmo (muitos que frequentaram a Igreja deixaram de o fazer, mesmo sendo de famílias católicas). Para além destes aspectos, destacaria a moral sexual como algo que, não sendo cumprido por muitos católicos, continua a ser uma das "bandeiras" pela qual os jovens afirmam afastar-se.
Quanto aos jovens católicos, julgo que é preciso não esquecermos que não basta dizer que são amados, é necessário que os jovens sintam esse amor. Os documentos oficiais apontam para a importância dos jovens, mas depois nas dioceses e na vida paroquial, os jovens não são tidos como uma voz importante, ainda que sejam obviamente inexperientes.
Na verdade, não podemos de deixar de considerar que o modelo apresentado sofre de algum desgaste. Perante todas as mudanças que sofre o mundo é imperativo que a Igreja seja capaz de fazer uma leitura profética dos tempos e acompanhe este processo. Estão também cansados das "lições moralistas" que saem da catequese e das homilias. A liturgia é, pois, um dos campos a necessitar de maior capacidade de resposta às necessidades actuais. As celebrações são rotineiras, sem capacidade de surpreender, sem provocar emoção. Para além disto, não temos capacidade de fazer uma releitura diferente dos textos bíblicos e o cântico é pobre e distante da linguagem juvenil.
Depois, há a questão do acompanhamento dos jovens. Continuamos, como Igreja, a valorizar quase só a catequese de iniciação e de adolescência, o que leva a que após o Crisma (diploma da catequese?), os jovens (salvo dignas excepções) sejam deixados sem acompanhamento. A formação dos jovens termina e passam de adolescentes a adultos na fé (seres autónomos e sem necessidade de acompanhamento). Parece-me necessário que exista um acompanhamento efectivo dos jovens, seja ao nível dos secretariados diocesanos da juventude seja a nível paroquial, dando uma formação séria e coerente aos jovens interessados. Não podemos continuar a ter uma fé de "hipermercado". Temos de promover nos jovens uma fé intelectualmente honesta (e não uma fé cega), que promova uma adesão de coração.
No meio de tudo isto será possível pedir a colaboração dos jovens se só se lhes pede adaptação ao que já existe sem procurar receber o que trazem de bom, sem aproveitar a sua alegria, a sua esperança e o seu dinamismo?
É, neste momento portanto, imperativo que haja na Igreja abertura de mentalidade. E esta abertura tem de ser de todos: desde os bispos, aos padres, aos leigos e, claro, aos próprios jovens.
Não podemos esquecer que a Igreja não é a hierarquia (bispos e padres), mas também são os leigos e, portanto, os jovens.
Não se trata, no entanto, de inventar um novo modelo. A Tradição não pode, obviamente, ser esquecida ou julgada incompetente. Há, antes, a necessidade de renovar, bebendo continuamente na fonte (não esquecendo que a fonte primeira são os Evangelhos e a Sagrada Escritura).
Aos jovens pede-se, desde logo, que tragam à Igreja o dinamismo que lhes é inerente. Sem os jovens a sociedade e, consequentemente, a Igreja seriam muito pacíficas, mas esta paz estaria marcada pela morte, já que não haveria também o crescimento e as mudanças necessárias. A igreja e o mundo precisa que os jovens clamem a sua fé, mas os jovens precisam que os cristãos mais velhos os apoiem, confortem, ensinem e incentivem.
É urgente desde logo que a Igreja busque, de facto, novas linguagens. Mas não basta afirmá-lo, é necessário, fazê-lo efectivamente.
De facto, notámos que houve investimento desde há algum tempo em actividades de intensidade emocional, porque estas se tornam significativas para os jovens e são este tipo de actividades que marcam e os acompanham ao longo da vida de forma especial. São exemplos disto que afirmo, as Jornadas da Juventude e as peregrinações a Taizé.
Outro aspecto que considero relevante é o dever de promovermos um maior diálogo com as artes. A Igreja não pode continuar arredada da proximidade com as artes. Não pode continuar a ter desconfiança em relação à arte e aos artistas, que são os grandes produtores de ideias. Não podemos continuar a ter igrejas e esculturas que não primam pela beleza. Porque repetimos as imagens até ao limite e não procuramos novas formas de comunicar?
Há ainda a acrescentar a relação de proximidade que os jovens têm com a arte. A música, o teatro, a pintura, a literatura têm com muitos jovens uma relação muito contígua.
A arte não é inútil, transporta-nos para outra dimensão, coloca-nos perante o escândalo, a provação e o abismo. A arte, um pouco como os místicos, leva a um arrebatamento. A experiencia estética torna-se uma experiência-limite, e a beleza entra pelos sentidos.
Em relação à arte gostaria de referir um caso actual: Tiago Guillul, que é músico e também pastor baptista na Igreja de São Domingos de Benfica (religião e panque roque é o lema do seu blogue). Na verdade, editou um álbum que não deixa de ser de índole religiosa e que obteve ecos em muita comunicação social e em muitos artistas. A música pode ser uma das artes a explorar mais como forma de comunicação com os jovens e como forma de evangelização.
Há ainda outros campos onde o papel dos jovens pode e deve ser valorizado. Enumero alguns deles: o voluntariado, os grupos de jovens, os grupos católicos universitários, entre outros.
4.2. Ordem dos Padres Carmelitas Descalços
e o Movimento Carmo Jovem
"A Igreja tem tantas coisas belas a dizer e a mostrar ao mundo: não só pelo seu património artístico (...). Para citar só dois, Francisco de Assis com o seu cântico ao irmão Sol e S. João da Cruz com os seus poemas. O belo tem tudo a ver com o bem. O belo pode realizar a síntese do verdadeiro e do bem." (Cardeal Daneels).
Há, portanto, um património que deve ser dado a conhecer aos jovens.
O Carmo Jovem foi um espaço encontrado pela Ordem para dar relevo ao papel dos jovens e para lhe dar espaço de crescimento na fé.
O Movimento procura abranger jovens de várias idades e de várias zonas geográficas de Portugal. Refira-se ainda a autonomia construtiva que o Movimento tem perante a Ordem. Esta liberdade responsável permite um crescimento saudável. Destacaria, brevemente, duas ideias: o facto de muitas das actividades serem, de facto, significativas e perdurarem como momentos de carminho para sempre na memória de muitos jovens (recordo, por exemplo, o Acampaki, a Clarminhada) e a aproximação feita pelos religiosos, por falarem, com palavras e gestos, uma linguagem juvenil.
"A Igreja tem tantas coisas belas a dizer e a mostrar ao mundo: não só pelo seu património artístico (...). Para citar só dois, Francisco de Assis com o seu cântico ao irmão Sol e S. João da Cruz com os seus poemas. O belo tem tudo a ver com o bem. O belo pode realizar a síntese do verdadeiro e do bem." (Cardeal Daneels).
Há, portanto, um património que deve ser dado a conhecer aos jovens.
O Carmo Jovem foi um espaço encontrado pela Ordem para dar relevo ao papel dos jovens e para lhe dar espaço de crescimento na fé.
O Movimento procura abranger jovens de várias idades e de várias zonas geográficas de Portugal. Refira-se ainda a autonomia construtiva que o Movimento tem perante a Ordem. Esta liberdade responsável permite um crescimento saudável. Destacaria, brevemente, duas ideias: o facto de muitas das actividades serem, de facto, significativas e perdurarem como momentos de carminho para sempre na memória de muitos jovens (recordo, por exemplo, o Acampaki, a Clarminhada) e a aproximação feita pelos religiosos, por falarem, com palavras e gestos, uma linguagem juvenil.
5. O lugar do jovem na sociedade civil
Os jovens católicos não podem esquecer que são jovens no mundo e do mundo que não esquecem o caminho: Jesus. Por isso, em todos os locais devem apresentar uma vida de autenticidade e de testemunho. Respeitando o outro enquanto ser crente ou não, o jovem católico deverá assumir-se enquanto tal, reafirmando a sua fé como uma decisão pessoal que compromete toda a vida.
Por tudo isto, julgo que o jovem católico não se também pode excluir da vida civil. Assim, deve ser, por exemplo, politicamente interessado.
6. Conclusão
"É próprio da condição humana e, particularmente, da juventude buscar o Absoluto, o sentido e a plenitude da existência. Amados jovens, não vos contenteis com nada menos do que os mais altos ideais! Não vos deixeis desanimar por aqueles que, desiludidos da vida, se tornaram surdos aos anseios mais profundos e autênticos do seu coração. Tendes razão para não vos resignardes com diversões insípidas, modas passageiras e projectos redutivos. Se mantiverdes com ardor os vossos anelos pelo Senhor, sabereis evitar a mediocridade e o conformismo, tão espalhados na nossa sociedade." (João Paulo II)
Jorge TeixeiraPresidente do Movimento do Carmo Jovem1 de Março de 2009, Convento do Carmo de Viana do Castelo
domingo, 8 de março de 2009
Cruz da Família Soares
sábado, 7 de março de 2009
Mestre Sopas
Um dos segredos mais bem guardados do nosso convento está na cozinha. (bolas, acabei de revelá-lo...) Melhor dito, está nas mãos do sr. Elias, aqui no blog: Mestre Sopas. Se não soubesse fazer mais nada valeriam as sopas, que bem valem uma visita a Viana ainda que seja vir do outro mundo. O homem é diplomado em cozinha conventual, não põe sal, e no geral, cozinha como quem reza salmos. Bem merece lugar aqui no blog.
Um problema de escuta, não de ouvidos
Os investigadores duma universidade inglesa publicitaram um recente estudo linguístico que tem a sua curiosidade, a de se saber quais teriam sido as primeiras palavras da língua inglesa e quais seriam as que nos próximos tempos mais rapidamente cairiam em desuso.A linguagem tem o seu quê. Afinal de contas é pela palavra que comunicamos, dizemos sentimentos e preços, estados de alma e damos ordens, dizemos afectos e construímos ciência, seguramos aviões no ar e os navios vogam os mares, lançamos uma criança ao mundo e dizemos a beleza e a salvação. Se as palavras desaparecem é porque desaparece o campo em que são semeadas e dali já não seja previsível colher frutos ou tirar proveitos. Neste Domingo, a voz do Pai diz-nos: Escutai!
Medo de escutar
Temos medo de escutar. E mais medo ainda do silêncio. Nenhum homem como o de hoje escutou tanto; ninguém, desde as origens, disse ou ouviu tantas palavras como nós. Desde que os primeiros sons de entendimento foram ditos na primigénia caverna ou nas pradarias da caça comum que ouvimos palavras que nos agradam e saboreamos com gosto, e outras que nos aborrecem, razão pela qual nós desligamos os canais de comunicação e se possível partimos para outra.
Existem palavras que nos metem medo; às vezes, muito medo! São palavras dos pais que não transigem com os nossos desejos e gostos, ou palavras dos superiores que exigem de nós atenção e reflexão assertivas, ou palavras de leis que alinham e recentram as relações humanas, ou palavras da Igreja que ensinam e dão sentido à vida, transmitem valores humanos e cristãos, palavras nem sempre de veludo, porque, de quando em vez, os nossos ouvidos hão-de ser confrontados pelo destino final e elevado da existência.
Um abismo atrai outro abismo
Quantas vezes essas palavras despertam medos solapadamente adormecidos na nossa psique?
Sim, não é bem um medo de palavras. É antes um medo a nós mesmos, pois o fim é como um abismo, dá vertigem.
Já lá diz um Salmo que um abismo atrai outro abismo, pelo que se entenderá aqui que o da palavra clama pelo da Palavra. O da palavra criada pelo do Verbo incriado.
A palavra humana tem a ousadia de dizer a divina. Como não nos dará isso vertigem?, como não tremeremos ao sentir que bastas vezes nos havemos de elevar prontamente ao nível da existência que nos corresponde como seres humanos de apelo divino?, e ainda mais: nós somos discípulos de Jesus, a Palavra dita em eterno silêncio, e que em silêncio há-de ser escutada: não nos dará esse estatuto um responsabilidade maior de ouvir e entender o que aos outros é permitido ignorar?
Urgir, escutar e arrancar
A Quaresma é boa para a escuta. Urge escutar. Urge arrancar dos ouvidos a inflação de palavras, e do coração as raízes do medo. Urge semear campos de silêncio ao lado das florestas de palavras. Sim, floresçam fecundos campos de silêncio onde brotem frescos jardins de palavras com sentido e fragâncias que temperem e reverdesçam a alma. Esta Quaresma pode ser uma boa oportunidade para arrancar o medo daninho, todo o medo e qualquer medo que afogue o silêncio e destempere a palavra.
Escutai!
Quando por fim a voz do Pai se fez ouvir (terminava assim a profunda seca de séculos em que Deus não se deixara ouvir!), disse: Escutai!
Não foi fácil acolher a proposta de Deus. Nunca é fácil escutar. Mais parece tarefa de subalternos, ou não tivessem os reis conselheiros a quem por vezes ouvem...
Sim, os primeiros discípulos da Palavra ouviam, mas não entendiam. Habituados a escutar interpretações de segunda mão, mais afeitas ao interesse próprio que ao exigente serviço da verdade e da justiça, eles não entendiam!
É mais fácil viver a fé construída pelas nossas ideias e interesses que aquela que Jesus pregou, mais austera e directa ao coração da verdade!
Para algo Deus fala. Para algo deve ser ouvido, como no caso em que Jesus começou a falar depois de tanto tempo sem se ouvir a Voz. Mas, então, não é verdade que muitas vezes não fazemos o que Ele fala e nós ouvimos: Fala de cruz, e nós propomos deserção! Fala de humildade, e queremos empanzinar de poder!
A Palavra é o protagonista. Nós o ouvido e os actores secundários. É por isso que no Evangelho ficou o Escutai!, é por ser preciso ouvi-l’O só a Ele, pois, lamentavelmente, não é só a Ele que nós escutamos!
Chama do Carmo I NS 21 I 8 de Março de 2009
Estádio Rompe Sapatilhas
Hoje dá pena vê-lo estaleiro de carros durante a semana (La crise oblige). Mas dá gosto vê-lo ao sábado de manhã servir para o que foi criado: pontapé na bola!
Uma visita rápida
quinta-feira, 5 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
Há dias assim!
Para acompanhar mais:
«É agora o tempo favorável!»
No ‘retiro’ ‘retirámo-nos’; mas não saímos fora da vida para nela abrir um parêntesis. Quisemos vivê-la mais intensamente. O ‘retiro’ é um tempo de abastecimento nos caminhos da vida. Caminhos pejados de agruras, como sempre desde que há humanos. Mas caminhos que hoje se percorrem a uma velocidade vertiginosa, em trabalhos, telefonemas, actividades diversas, reuniões... Os trabalhos do quotidiano precipitam-nos na voragem da pressa. Não nos falta o dinheiro. Falta-nos o tempo. Daí a necessidade de parar, para restauro das próprias forças e carregar baterias, qual viático para continuar a caminhar pelas vias do Senhor.
Esta paragem no tempo não foi tempo perdido. Foi tempo ganho ou recuperado: foi um investimento. Investimento seguro, se fizemos destes dias de retiro um tempo salvífico. Os gregos tinham duas palavras para dizer «tempo»: Kairós e Chrónos. Chrónos é o tempo do calendário, contado pelos astros. Segundo a mitologia grega, o deus Chrónos mutilou o pai e devorava os filhos apenas nascidos, para que estes não o destronassem… Com esta concepção mítica significava-se que o tempo cronológico nos devora; é o tempo do relógio que nos envelhece e nos mata. É o tempo indolor e incolor, um tempo atomizado, fragmentado, esboroado em múltiplos fragmentos que não se podem juntar. É o tempo vazio, que nada tem para dar a ninguém. É o tempo infecundo, um tempo para se gastar, como qualquer outra mercadoria à venda no supermercado, um tempo barato, para usar e deitar fora. Mas, porque o tempo cronológico nos quer destruir, suscita uma resposta recriadora, uma luta pela existência por parte dos humanos criados, para, de alguma forma, o vencermos. A forma primeira em que se apresenta a nossa luta pela vida é uma luta contra o tempo cronológico, uma luta contra-relógio, em que, fisicamente, somos vencidos.
Essa luta deveria tornar-nos conscientes do acesso possível a um tempo diferente do tempo cronológico, aquele que os gregos chamavam Kairós, um tempo salvífico, pelo qual podemos ser salvos, o tempo definido e determinado, o tempo marcante, o tempo da graça, que nos lança para o futuro pelos caminhos da verdade e da bondade, da rectidão, da lealdade e da felicidade. É o tempo da acção de Deus em favor do homem, por exemplo, o tempo do Advento e do Natal, o tempo Quaresma e da Páscoa, o tempo da receptividade, da festa e da história humana. É o tempo com sentido, que dá sentido à vida, vivida com consciência e com densidade. É o tempo em que nos situamos e nos empenhamos livremente na construção de um mundo sempre melhor. É o tempo de que fala S. Paulo: “Exortamo-vos a que não recebais em vão a graça de Deus; pois Ele diz: ‘no tempo favorável (kairõ dektõ) escutei-te, no dia da salvação ajudei-te’[Is 49,8]. É agora o tempo favorável (kairós euprósdektos); é agora o dia da salvação” (2Cor 6,1-2).
Habituados durante séculos a contrapor tempo e eternidade, precisamos de recuperar o valor do tempo em que construímos a nossa pequena e grande história de salvação. Desde que o Filho eterno de Deus se tornou temporal, nós, seus discípulos, não podemos desprezar o calendário como algo fútil. Para o sábio de Israel (Qohélet 3,1-8), “tudo tem o seu tempo”. Para o cristão, o tempo é tudo, porque ele é o arco de vida que nos é dado para podermos amar. Nele construímos a eternidade. Perder um minuto significa perder algo que tem a ver com a eternidade. O tempo é o único transporte que temos para chegar à eternidade: é o nosso avião, não a nossa mansão. O tempo é o lugar para a responsabilidade. Ciente dessa realidade inelutável, Paulo exorta-nos: “Olhai atentamente como viveis. Não sejais néscios, mas sábios, aproveitando o tempo (kairón) ao máximo, porque estes dias são maus” (Ef 5,16; Col 4,5).
Para cada um de nós, o tempo é o precioso dom que recebemos no dia da nossa concepção. É o breve instante em que nos transformamos naquilo que somos e seremos. Nada de dramatismo. Mas também nada de esbanjamento, porque «o tempo é breve». Sempre que tivermos oportunidade de amar, esse é o melhor tempo de cada dia. O melhor testemunho que se poderá dar de nós diante de Deus e dos homens é: “teve tempo para mim!” Foi quando identificámos o tempo com o amor.
Ora, estes dias de retiro, que dedicámos a pensar Deus de novo, foram para nós dias de salvação, um tempo kairós. Vivendo-os no sossego contemplativo, proclamámos que não nos queremos render ao Chrónos que nos vai engolindo e deteriorando, mas que aceitamos desafios sempre mais altos para continuar a responder com generosidade aos apelos e às carências dos nossos irmãos. Não queremos deixar-nos vencer pelo Chrónos. Queremos sonhar como se devêssemos viver para sempre; queremos viver hoje como se devêssemos morrer amanhã. Ámen.
P. Armindo dos Santos Vaz
terça-feira, 3 de março de 2009
Rumo à Canonização (IX)
A MEM´ROIA DOS POBRES E LISBOA EM PALAVRAS
O gram Condestabre
Em o seu mosteiro,
Da-nos sua sopa,
Mai-la sua ropa
mai-lo seu dinheiro.
A benção de Deos
Cahio na CaldeiraD
e Nuno Alves Pereira,
Que abondo cresceo,
E todo-lo deo.
Se comer queredes
Non bades alem:
Don menga non tem,
Ahi lo comerdes,
Com lo bedes.
segunda-feira, 2 de março de 2009
06 - 08 Março | Encontro Matrimonial
Aqui, no Centro de Nossa Senhora do Carmo, vai realizar-se um Encontro de espiritualidade matrimonial para casais que queiram enriquecer e aprofundar a sua relação. Contactos: 968418983 e 965852852.
(Caminhar) com Deus e o Diabo
A presença do Maligno nas nossas vidas é uma constante irrenunciável. Talvez devesse começar estas palavras dizendo que a presença de Deus em nossas vidas é real, permanente, benéfica, salutar. O Pai está connosco e nós caminhamos na intempérie dos dias sob a Sua mão protectora; o Filho está connosco até ao fim dos tempos como Pão e como Palavra que fortalecem as nossas debilidades; o Espírito Santo está connosco como fogo novo e brisa suave, como aguaceiro ameno que nos refresca e reanima.O Bem e o Mal, o trigo e o joio, a luz e as trevas, isso tudo, e mais, e menos, são a nossa vida. Sim, também o Mal. Ele toca-nos, fere-nos, seduz-nos. Bem e Mal são duas presenças e dois apelos que ressoam poderosamente no nosso interior. Um mais sedutor outro mais austero, ambos, a seu tempo, e também em sobreposição, falam-nos e fazem-nos vibrar. Somos tocados pela graça e pelo pecado. Somos aliciados pela doce-amargo da tentação e abençoados pela divina mão.
Vamos todos ao deserto
Hoje, Jesus vai para o deserto. Como nós, para o deserto da Quaresma. Deus fala e empurra, e nós vamos. O Mal chama e mesmo não querendo, damos-lhe a mão, e por vezes, seguimo-lo.
Vivemos em presença do Bem. E do Mal. Como Jesus. Também Ele sentiu o apelo do Maligno, como se relata no Evangelho de cada primeiro domingo da Quaresma. Em Jesus o Bem sentiu o apelo do Mal. É bem verdade que «nós não temos um sumo sacerdote incapaz de partilhar connosco o peso das nossas debilidades.» Sim, o Mal tocou a carne e o espírito de Jesus, porque Jesus é igual a nós, excepto no pecado. Não nos restem dúvidas: Jesus foi tentado em tudo, e não apenas uma vez! Foi tentado, e venceu!
O Espírito Santo conduziu Jesus para o deserto, onde Satanás O tentou. Sim, a vida de Jesus esteve inundada pela alegria e força do Espírito Santo, mas, ainda assim, não deixou de ser tocada pelo Maligno.
Quem não se sentiu já na encruzilhada?
Espantamo-nos que assim seja: como pode ser que Jesus seja tentado, e mais, não uma mas muitas vezes? Sim, o Filho bem amado do Pai provou de todos os cálices que se servem à mesa dos humanos, excepto do licor do pecado. Assim Jesus, assim nós. A nós como a Ele são-nos oferecidos vinhos e licores, mas nem todos se devem beber; são-nos propostos caminhos de êxito estrondoso, de sucesso cheio de luzes, de facilidades sedutoras, mas nem todos se devem percorrer, nem todos se devem provar e escolher.
Quem não se sentiu já na encruzilhada?
Quem não teve já de confessar como Paulo: «faço o mal que não quero, e não faço o bem que quero?» Porque, como bem sabemos e Paulo também o confirma, «levamos na carne um anjo de Satanás que nos esbofeteia.»
Nem tudo vale
Haveríamos de ser mais cuidadosos, pois nem tudo vale. É necessário fazer mais vezes a verificação da origem das escolhas da nossa vida. Sim, nem tudo vale. Não vale ser feliz, só porque se quer ser feliz. Não vale conquistar o direito a sorrir e a gozar como se fora um direito inerente ao nascer e ao viver.
Grande valor é o da paciência que nasce duma interioridade educada e burilada no caminho dos dias e, tantas vezes, dos sofrimentos. Sim, grande valor é o da paciência!
Porém, não havemos jamais de ignorar que pelos caminhos que pisamos não vamos sós, não vão apenas os amigos e o Amigo. Vão também os adversários e o Inimigo, que tantas vezes nos aponta belas miragens sedutoras, sussurando--nos: «Felizes os que têm; felizes os que podem; felizes os que se alimentam de prazer!»
Já alguém exclamou que o maior mérito do Diabo é fazer crer que não existe. Existe. Tenta e seduz. Oferece sonhos e premeia escolhas. Jesus soube-o, os santos souberam-no. Jesus conviveu em sua companhia, os santos também.
Livrai-nos do mal
Estamos em Quaresma, tempo para rezar e tempo para caminhar. Tempo de Pai Nosso.
Jesus foi tentado, nós também. Quaresma é tempo favorável para Deus e oportuno para o Diabo. É tempo para rezarmos: «não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal».
Tantas vezes rezamos pedindo ajuda contra o Mal, por que tantas vezes o Mal se insinua no nosso coração com artes e engenhos e manhas que só ele! Ergamos o coração e as mãos para o Pai de quem nos vem todos os bens, porque bem sabemos que outros que saciam as nossas ânsias nos vêm de quem não nos quer bem!
Chama do Carmo I NS20 I 1 de Março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Cruz da Família Pires
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