terça-feira, 20 de outubro de 2009

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (VII)


Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção V (cap 37 ao 40)
A última parte é constituída pelos capítulos finais do Livro da Vida, do 37 ao 40, nos quais a Santa, animada pelo P. Garcia de Toledo, retoma a narrativa autobiográfica para completar a sequência da terceira parte com o que naquele momento está a viver. Contrastando com os temores e perplexidades de então, manifesta-se aqui um sentimento de serenidade e segurança interior que a leva a contar novas experiências com absoluta convicção.

Pistas de leitura da Secção V
Como comunidade, contemplamos com Santa Teresa as maravilhas operadas por Deus, que continua a fazer nascer espaços de oração, pobreza e fraternidade. Contemplamos a nossa comunidade e tentamos edificá-la à imagem do sonho teresiano tornado realidade no Carmelo de S. José. Somos chamados pela Madre a apressa-nos a servir Sua Majestade, para que se realizem em nós e por nós milagres semelhantes àqueles que por meio de Santa Teresa se realizaram, dos quais ela nos fala neste livro da sua vida. “Desta maneira vivo agora, Senhor e Padre meu [P. García de Toledo]. Suplique V. Mercê a Deus que me leve para Si ou que me dê em que O sirva.” (V 40:23)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A visita dum grande missionário

Foi na tarde de Sábado. O telefone tocou. Há telefonemas assim. Inesperados, surpresos.
Aprestava-me para sair de casa quando me telefonam prevenindo-me da chegada do P. Filipe Baranda. Quando nasci para a Ordem era ele o Geral. Nunca o conheci e tinha (tenho) uma grande estima por ele. Podendo ser o que quisesse, foi, no fim do seu generalato, desprendido e livre, para as missões.
É um homem fecundo. Poderia fazer muitas coisas, e elegeu ser missionário carmelita oferecendo a sua vida para chamar para o Carmelo. Dezoito anos de vida missionária deram direito a doze missionários!
Pude, enfim, abraçá-lo e vê-lo sorrir (como um menino). E depois tive de partir. Mas vi ali um homem de fé, de alegria, carmelita inteiro, dedicado, filho e servidor da Igreja, um homem onde é possível surpreender uma larguíssima vida interior (também é bem grande por fora!), cheio de Deus.
Homens destes sentem-se bem e fazem-nos sentir bem. Sinceramente não poderia ter desejado melhor abraço ou melhor prenda no Dia Mundial das Missões!
Obrigado, P. Filipe, pela sua visita à nossa comunidade.

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (VI)


Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção IV (cap. 32 a 36)
A quarta parte vai dos capítulos 32 a 36, onde aparentemente a Santa se desvia do discurso sobre a sua vida para tratar de acontecimentos exteriores: a fundação do mosteiro de S. José de Ávila. Mas o acontecimento e a crónica são, segundo a própria autora, mercê do anteriormente narrado, fruto e efeito da sua experiência mística, convertida em fonte de vida para os outros. A sua história pessoal de salvação encadeia-se na História da Salvação e Santa Teresa, juntamente com o grupo das suas primeiras seguidoras, dispõe-se no Carmelo de S. José de Ávila a servir a Cristo e a sua Igreja. As graças recebidas revelam-se, portanto, não como um privilégio particular de que Teresa desfrutará pessoalmente, mas como um dom eclesial do qual todos hão-de beneficiar.

Pistas de leitura da Secção IV
Deus nada dá apenas a quem dá. Fazemos parte da comunidade humana e fazemos parte da Igreja, posta no meio da humanidade como luz que alumia, como uma cidade no alto de um monte. Levedura e fermento para uma sociedade que corre o risco de voltar as costas a Deus. A experiência de Santa Teresa, que ela nos convida a fazer própria, é a de que todas as graças místicas recebidas são em favor dos outros, para a humanidade e para a Igreja. Deus põe a Sua mão na história como toque salvador através de Teresa, animando-a à fundação do mosteiro de São José. E do mesmo modo, põe a Sua mão sobre nós a fim de nos convidar a deixar de lado qualquer projecto pessoal e a abraçarmos em Seu Nome até mesmo aquilo que nos parece completamente incompreensível.

domingo, 18 de outubro de 2009

O Papa e S. Teresa

No passado dia 14, vésperas da Solenidade de S. Teresa, no decurso da audência pública, o Papa Bento XVI apresentou a figura de Santa Teresa de Jesus «como modelo para os jovens, os doentes e os recém-casados.» Disse o Papa: «Que esta grande Santa vos prove a vós, queridos jovens, que o amor autêntico não vos pode separar da verdade. E a vós, queridos doentes, que ela vos ajude a compreender que a Cruz é o mistério de amor que redime o sofrimento humano. E que a vós, queridos recém-casados, que ela se mostre como modelo de fidelidade a Deus que sempre pede a cada um uma missão especial.»

Abertura V centenário nascimento de S. Teresa

O Padre Geral Saverio Cannistrà presidiu à Eucaristia da Solenidade de Santa Teresa na Faculdade de Teologia Carmelitana, o Teresianum. E ali anunciou a abertura da preparação do V Centenário do Nascimento de Santa Teresa de Jesus que se celebrará no ano de 2015.
Na sua homilia disse: «Desde hoje os Carmelitas comprometem-se, tanto pessoalcomo comunitariamente, a dedicar todos os dias um pouco do nosso tempo e da nossa atenção à leitura dos escritos de Teresa.» E acrescentou: «É um compromisso discreto, escondido mas essencial»; «Um compromisso que nos há-de colocar em comunhão com ela, para conhecermos a sua pessoa que nos fala e nos con hecermos a nós mesmos.»

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (V)

Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção III (cap. 23 a 31)
Ao longo dos capítulos 23 a 31 a Autora regressa à narração autobiográfica, mas já não como na primeira secção. Agora a distância de que falávamos entre o sujeito narrador e a personagem reduz-se ao mínimo, confluindo ambos numa mudança de identidade que se anuncia desde o princípio com expressão e experiência similares às de S. Paulo “É outro livro novo, digo, outra vida nova: até aqui era a minha; a que tenho vivido desde que comecei a declarar estas coisas de oração vivia Deus em mim.” (V 23:1)

Pistas de leitura da Secção III
Nesta secção, Deus faz-Se ainda mais protagonista da vida de Teresa, que é uma vida nova. A tal ponto que a pessoa, como aconteceu com Teresa, chega a surpreender-se por reconhecer Deus tão perto, tão enamorado, concedendo constantemente graças à alma que Ele ama. Um Deus tão amoroso e concedendo tantas graças, consegue, por fim, vencer a resistências e as dúvidas e a pessoa chega a mover-se em harmonia com Deus, que Se converte em centro, raiz e objectivo único do homem e da mulher. As graças recebidas por Teresa (visões, locuções, etc.) sendo importantes, não constituem o essencial da experiência mística; o essencial é o ensinamento que por meio delas se recebe, o aprofundamento da experiência de comunhão com Deus, próximo e amigo da pessoa. Teresa fará constar os frutos das suas experiências místicas: riqueza pessoal, mudança moral, crescimento no amor de Deus e dos outros, humildade, rejeição do mal, etc. Ao lado deste panorama tão rico de graças e mercês, aparecem as provações, tentações e rejeições, incompreensões e durezas. A perfeição não se alcança rapidamente, nem o caminho que a ela conduz está isento de dificuldades, interiores e exteriores. Acima de tudo, a Santa chamará a atenção para o desânimo que pode causar a própria fraqueza: porém, não existe outra saída senão confiar no Senhor e ter paciência connosco mesmos; não nos cansarmos; aguardar no Senhor; perseverar na oração e fazer cada um o que está ao seu alcance, até que os desejos se tornem obras.

sábado, 17 de outubro de 2009

Jornada Mundial das Missões

Realiza-se neste diomingo mais uma Jornada Mundial das Missões. Esta Jornada está subordinada ao tema Igreja de Cristo, luz das nações. Será interessante recordar neste dia o mandato de Jesus «Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está nos céus.»
Bom domingo, boa jornada missionária.

XXIX Domingo do Tempo Comum

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (IV)

Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção II (cap. 10 a 22)
O capítulo 10 é um capítulo de transição. E os capítulos 11 a 22 são uma exposição detalhada dos quatro graus de oração, através do uso de uma imagem alegórica: as quatro maneiras de regar o horto, que correspondem à oração de meditação (c. 11-13), a oração de recolhimento infuso e de quietude (c. 14-15), a oração do sono das potências (c. 16-17) e a oração de união (c. 18-21). O capítulo 22 resume e coroa todo o itinerário espiritual, com a mediação insubstituível de Jesus Cristo “por Quem nos vêm todos os bens.” (V 22:7) Esta secção irá preparar-nos para compreender melhor a vida nova que ela experimenta desde a sua entrada na experiência mística.

Pistas de leitura da secção II
A oração é o âmbito de encontro privilegiado entre Deus e a pessoa humana, no qual se realiza o milagre da transformação. Deus senta-Se à mesa do homem e da mulher, gosta de passear com eles, com o objectivo de lhes comunicar a Sua própria natureza. Por sua vez, parte da pessoa, exige-se, no âmbito da oração, uma disposição desapegada e amorosa. A oração não é uma prática em que nos buscamos a nós mesmos ou em que procuramos consolações espirituais. É antes a porta aberta para a acção de Deus que, ao Seu ritmo e não ao nosso, nos irá dando a conhecer a Sua amizade e o Seu amor, tomando as rédeas da nossa vida. Jesus Cristo, a Sua sacratíssima Humanidade, tem um papel insubstituível neste processo: nEle fomos salvos e por Ele Deus concede-nos todas as graças necessárias à nossa transformação à Sua imagem; abandoná-lO é fechar-se a qualquer progresso espiritual.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (III)

Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção I (cap. 1 a 9)
A primeira parte do livro abarca os capítulos 1 a 9, nos quais Santa Teresa traça um retrato autobiográfico de quarenta anos de existência, desde a infância até ao acontecimento fundante da sua experiência mística. Ao longo da narração, Teresa parece desdobrar-se em dois sujeitos: narrador e personagem; o narrador possui a perspectiva que ela tem ao escrever, enquanto que a personagem actua e se relaciona segundo a perspectiva que a própria Teresa tinha quando sucederam os factos narrados. A secção é de um dramatismo crescente no qual o leitor se vê claramente envolvido, até chegar ao episódio da conversão, que a Santa descreve como o acontecimento chave da sua vida, aquele que marca um antes e um depois.

Pistas de leitura da secção I
Neste conjunto de capítulos, Teresa fala-nos verdadeiramente de si mesma e da sua família: conta-nos a sua vida de criança, adolescente e jovem, a sua primeira vocação, o seu encontro com a vida carmelita, etc. Mas, acima de tudo, fala-nos de Deus, da acção de Deus nela, de um Deus dinâmico e activo que não deixa nada por fazer no Seu desejo de aproximar-Se do ser humano, de Se abaixar para partilhar a sua vida e o transformar, para além de qualquer crise. Baseada na sua experiência pessoal, Teresa ensina-nos que Deus é uma presença positiva, que melhora a pessoa, encoraja os seus bons desejos e perdoa a suas culpas.Para mostrar de maneira ainda mais clara a grandeza de Deus e o Seu desejo inesgotável de transformar a pessoa, Teresa apresenta-se a si mesma como ingrata, resistente à acção divina. Não se trata, porém, de uma visão pessimista ou negativa da pessoa humana, apenas pretende manifestar bem o carácter inigualável da iniciativa divina, fazer-nos ver que a acção de Deus não depende dos nossos méritos, (embora valorize as nossas boas intenções) mas única e exclusivamente da Sua misericórdia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Zapatero lê Santa Teresa de Jesus

Ao que parece os nossos vizinhos peninsulares ficaram surpreendidos com o seu Primeiro Ministro. E não foi para menos! Então não é que José Luis Zapatero, num entrevista de 25 de Setembro, ao Diario de Avila confirmou que lê a teoria económica da Santa?
Zapatero tem à cabeceira o livro de José Antonio Álvarez Vásquez: Teresa de Jesús y la economía del siglo XVI. E é aí que tem lido tudo o que diz respeito à visão da Santa sobre os «dinheiros e negócios». Ali pode o Presidente Zapatero descobrir «os ensinamentos teresianos sobre o bom uso dos dinheiros», algo em que ela, fundadora de tantos conventos, era muito entendida, tendo ensinado várias gerações de Carmelitas a controlar as entradas e as saídas.
Mas as declarações não se ficaram por aqui. O Presidente do Governo espanhol declarou mais. Disse ter tirado bons apontamentos das recomendações de S. Teresa, que logo «fez chegar à sua Ministra da Economia, Elena Salgado, especialmente aquelas ensinamentoss em que a Santa recomenda que só se deva gastar aquilo que se tem.»
Ora aqui está uma notícia pitoresca. Surpreende é certo, mas o que é certo é que Zapatero podia aprender muito mais de Santa Teresa que economia e finanças. E se ela sabia muito mais!
Bem sei eu quem no Céu está hoje a sorrir.

http://teresadejesus.carmelitas.pt

Na véspera da Solenidade da nossa mãe Santa Teresa de Jesus começou a navegar a página oficial em portugês do V Centenário do seu nascimento. Como não se conhece nenhuma similar, ainda que não se duvide do seu próximo futuro aparecimento, os nossos parabéns e agradecimentos à Comissão de Espiritualidade. Há ali e promete haver ali muitas mais ferramentas com que se possa ir preparando tão extraordinário acontecimento.
A seguir. A visitar. A aprender.
Bons ventos. Boa navegação.

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (II)

Guia de leitura do Livro da Vida de Santa Teresa de Jesus
1. Um livro vivo
Este livro vivo é a primeira obra da Santa e carece de título autêntico. Foram os bibliotecários de El Escorial que escreveram o que chegou até nós na primeira página. De todas as suas obras, o Livro da Vida é o escrito mais extensa e nele Teresa se define como escritora. Trata-se, além disso, de um escrito profundo, arrebatador, uma autêntica revelação da sua alma, a ponto de ela mesma o chamar assim: “A minha alma” (na Carta a Doña Luísa de la Cerda, 23 de Junho de 1568).
Santa Teresa fez neste livro um esforço por derramar nas suas páginas a totalidade da sua pessoa, o que leva os críticos literários a considerarem-no o livro mais pessoal de toda a literatura espanhola. Isto é assim, porque Santa Teresa não pretende simplesmente escrever uma autobiografia, mas contar ao leitor a sua vida como uma história de salvação, como um espaço de encontro com Deus. A Santa narra-nos o modo como Deus assume o protagonismo da sua vida, esperando-a (cfr Prólogo) e transformando-a pacientemente. Desta forma, o livro conta a intervenção de Deus na vida da mulher que é Teresa de Jesus, com uma intenção comprometedora, quer dizer animando o leitor a dispor-se para que Deus assuma também o protagonismo da sua própria vida.
Apesar de ter sido escrito em diferentes períodos (1562-1565), trata-se de uma obra muito pensada e com uma estrutura bem definida, alternando a narração de acontecimentos biográficos com a exposição de carácter doutrinal. Este ritmo entre o narrativo e o didáctico é uma característica muito peculiar da escritora e nota comum a todos os seus escritos. Ela, que é uma narradora excepcional, não se limita a transmitir uma crónica mas, levada por uma imparável ânsia de comunicar, prefere exercer o ofício de directora espiritual, fazendo da narrativa biográfica uma plataforma para o doutrinal, procurando acolhimento para as suas palavras, mais do que resposta às mesmas.

Os 10 mandamentos teresianos

1. Ser agradecidos ao Senhor por tudo o que Ele nos concede.
2. Cultivar e viver uma relação de amizade com Deus.
3. Ser humildes nas situações do dia-a-dia.
4. Agir sempre de acordo com a verdade.
5. Realizar todas as coisas com firme determinação.
6 .Ter grandeza de alma sem nos deixarmos abater pelos obstáculos, dificuldades e problemas da vida.
7. Manifestar o amor de Deus, amando o próximo.
8. Revelar a alegria de nos sentirmos amados por Deus.
9. Descobrir em tudo a vontade de Deus.
10. Ter a certeza de que tudo passa, de que a paciência tudo alcança e de que só Deus basta.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (I)

A Comissão de Preparação do V Centenário do Nascimento de Santa Teresa de Jesus já arregaçou as mangas e começou a produzir. Ofereceu recentement um Guia de leitura do Livro da Vida, para nos ajudar a ler pessoal e comunitariamente. Hoje e durante os próximos dias oferecemos esta boa ferramenta com votos de bom proveito a todos os que se (re)animarem à sua leitura. O texto que editamos foi parcialmente adaptado do oficial, com vistas a melhorar as possibilidades de leitura.
Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
Introdução
Propomos que nos coloquemos diante do Livro da Vida diferentemente de quem tenciona ler um livro por curiosidade ou obrigação. Tomemos consciência de que nos encontramos diante de um bom livro, que nos interpela, que conta coisas que de algum modo sentimos como nossas: o que se relata no Livro da Vida, de alguma maneira está dentro de nós, acontece connosco. O Livro da Vida pode ser lido de maneira participativa, porque a Santa Madre propõe-nos a sua história pessoal como um caminho de experiência para nós. O modo como ela se deixou conduzir é uma orientação adequada para a aventura interior que nos leva ao encontro com Deus. Ela di-lo explicitamente quando afirma que ao escrever é sua intenção “estimular as almas com um tão grande bem.” (V 18:8) Esta confissão espontânea dá-nos a chave de leitura que deve guiar a abordagem ao Livro da Vida e a todos os escritos teresianos. Santa Teresa é mediadora de uma Presença activa, a presença de Deus; tem a eficácia de propiciar o encontro pessoal, não só com ela, mas também com o seu interlocutor divino. Aliás, sempre que Teresa fala de Deus fala diante dEle, coram Dei, de maneira a que Ele apareça e Se manifeste por Si mesmo. Propomos, pois, uma leitura, receptiva e vibrante, como a que costumava fazer o seu primeiro editor, Fr. Luís de León: “Sempre que os leio os escritos teresianos volto a admirar-me e, em muitas passagens, parece-me que não é génio humano o que oiço; e não duvido que o Espírito Santo falava nela em muitos lugares, e que lhe guiava a pena e a mão, pois assim o manifesta a luz que põe nas coisas obscuras e o fogo que acende com suas palavras no coração de quem as lê.” Esta convicção multiplica-se nos seus filhos e filhas: como Carmelitas, somos chamados de um modo particular a encontrar a nossa verdade, a Verdade, nas páginas deste livro vivo.Muitos dos nossos irmãos e irmãs confirmam explicitamente esta experiência ao contar-nos a sua vocação ou conversão. como fruto do encontro com Teresa e com Jesus, caminho, verdade e vida, através da leitura das suas obras, particularmente do Livro da Vida: casos de Francisco de Santa Maria Pulgar e Tomás de Jesus, no séc. XVI, até Teresa Benedita da Cruz, no séc. XX.Assim no-lo recordam também as nossas Constituições: “A origem da nossa família no Carmelo e o sentido mais profundo da nossa vocação estão estreitamente ligados à vida espiritual e ao carisma de Santa Teresa, e sobretudo às graças místicas, sob cujo influxo ela concebeu o propósito de renovar a Ordem.” Além disso, se queremos fazer uma leitura verdadeiramente proveitosa, não esqueçamos o que nos dizia o Propósito Geral, P. Xavier Cannistrà, no prefácio do documento “Para Vós nasci”, do 90º Capítulo Geral: “Assim que abrimos as obras de Santa Teresa deparamo-nos com o extraordinário prólogo do Livro da Vida, no qual ela adverte o leitor para que não esqueça o lado obscuro da sua pessoa, do qual não lhe é permitido falar, porque apenas lhe foi dada licença para escrever sobre o seu modo de orar e sobre as graças recebidas. É uma declaração que nos põe imediatamente fora do convencional estilo hagiográfico e nos reconduz à autenticidade de uma vida cristã em contínuo estado de conversão. Se Teresa escreve isto é precisamente para que ninguém se sinta excluído da possibilidade de percorrer o seu caminho e de receber graças semelhantes às que ela experimentou. Mas, se entre nós e Teresa se ergue uma barreira feita de estereótipos, mais conformes aos cânones de uma certa hagiografia ou de uma certa teologia espiritual do que à história real de Teresa, a escuta das suas palavras não poderá converter-se para nós em manancial de saudável renovação, e ameaça converter-se num piedoso exercício, do qual poderão resultar, na melhor das hipóteses, considerações de teor moralista ou espiritualista”.

Faltam 1 dia para a Festa de S. Teresa

"Mil vidas daria eu para remédio de uma alma!"
(Santa Madre Teresa de Jesus)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

S. Teresa e a B. Alexandrina de Balazar

É indiscutível que entre os santos existem similitudes, caminho semelhantes e até filiações. Nada espanta a esse respeito. A descrição de Santa Teresa a respeito da graça que teve de ver seu coração traspassado por um dardo ardente das mãos de um Serafim, tornou-se ponto de referência para eventos místicos semelhantes ocorridos na vida de outros personagens da Igreja, como no caso da Bem-aventurada Alexandrina da Costa, portuguesa do século XX, beatificada por J. Paulo II em 2004, e que viveu 13 anos apenas sustentada pela comunhão diária, sem se alimentar ou beber absolutamente nada. Sua descrição da graça da transverberação é muito parecida com a da Santa Teresa:

Escreve Santa Teresa de Jesus:
«Via um anjo ao pé de mim, para o lado esquerdo, em forma corporal, se o que não costumo ver senão por maravilha. Ainda que muitas vezes se me representam anjos, é sem os ver, senão como na visão passada, que disse antes. Nesta visão quis o Senhor que o visse assim: não era grande mas pequeno, formoso em extremo, o rosto tão incendido, que parecia dos anjos mais sublimes que parecem todos se abrasam. Devem ser os que chamam Querubins, que os nomes não mos dizem, mas bem vejo que no Céu há tanta diferença duns anjos a outros e destes outros a outros, que não o saberia dizer. Via-lhe nas mãos um dardo de oiro comprido e, no fim da ponta de ferro, me parecia que tinha um pouco de fogo. Parecia-me meter-me este pelo coração algumas vezes e que me chegava às entranhas. Ao tirá-lo, dir-se-ia que as levava consigo, e me deixava toda abrasada em grande amor de Deus. Era tão intensa a dor, que me fazia dar aqueles queixumes e tão excessiva a suavidade que me causava esta grandíssima dor, que não se pode desejar que se tire, nem a alma se contenta com menos de que com Deus. Não é dor corporal mas espiritual, embora o corpo não deixa de ter a sua parte, e até muita. É um requebro tão suave que têm entre si a alma e Deus, que suplico à Sua bondade o dê a gostar a quem pensar que minto ». (Livro da Vida, cap. 29-13)

Escreve a Bem-aventurada Alexandrina:
«Ao meu lado direito estava a Mãezinha, à frente, Jesus, e, à esquerda, o Anjo com uma lança na mão. Por cima de nós e em nós desceu o Céu com todo o seu azul, guarnecido de Anjos; muito no cimo, um grande trono da Santíssima Trindade. Tudo era luz, gozo, doçura e amor. A vida do Céu! A vida das almas! Vivia-se ali, mergulhada naquele amor de gozo, parecido com uma nuvem ou fumo branco, que por si se sustenta e conserva no ar; era um nadar de doçura. A um sinal de Jesus, o Anjo levantou a lança, cravou-ma no coração; trespassou-mo, dum lado ao outro; não senti dor. No mesmo momento que ele retirou a lança, vieram do coração de Jesus para o meu muitos raios de amor mais belos que ouro, mais brilhantes e encantadores do que os raios do sol ao nascer. Trespassaram-me todo o coração esses raios, e pareciam reflectir-se no mundo e nele se espalharem. É indizível o gozo e o fogo que eu senti.»

Faltam 2 dias para a Festa de S. Teresa

"Falte-me tudo, meu Deus, mas se Vós não me desamparardes, não vos faltarei eu a Vós!"
(Santa Madre Teresa de Jesus)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

Faltam 4 dias para a Festa de S. Teresa

"Não coloqueis o vosso apoio só em rezar e contemplar, porque se não procurais virtudes e nelas não vos exercitais, ficareis anãs para sempre."
(Santa Madre Teresa de Jesus)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Faltam 6 dias para a Festa de S. Teresa

"Ninguém escolheu a Deus por amigo, que Ele não lhe pagasse."
(Santa Madre Teresa de Jesus)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Faltam 9 dias para a Festa de S. Teresa

"Aqueles que deveras amam a Deus, amam tudo o que é bom, querem tudo o que é bom, favorecem tudo o que é bom. Com os bons sempre se unem, ajudando-os e defendendo-os. Não prezam senão a verdade e o que é digno de ser amado."
(Santa Madre Teresa de Jesus)

sábado, 3 de outubro de 2009

O Domingo

Que o Domingo seja vivido como um dia em que os cristãos se reúnem para celebrar o Senhor ressuscitado, participando na Eucaristia.
1. Praticar o domingo
Não desconsiderando o possível valor subjectivo das razões que levam muitos baptizados a abandonar a participação habitual na Eucaristia de domingo, importa manter o essencial: o domingo é, por excelência, o dia do cristão, porque é o dia da ressurreição do seu Senhor, Jesus Cristo; pela mesma razão, o domingo é também o dia da Igreja; e é, por excelência, o dia da Eucaristia, na qual se faz memória e se actualiza o mistério pascal de Cristo – é a Páscoa semanal dos cristãos. Objectivamente, nenhum cristão abandona esta dimensão do domingo (celebrar o seu Senhor ressuscitado, unido à comunidade cristã, pela participação activa e comprometida na Eucaristia) sem renunciar à sua identidade e à sua fé. Por isso, praticar o domingo foi sempre, desde os primórdios do Cristianismo, a marca distintiva dos fiéis – ao ponto de muitos terem dado a vida pelo direito a fazê-lo, celebrando a Eucaristia, pois, diziam, «sem o domingo – e a Eucaristia – não podemos viver».

2.Praticar o domingo em tempo de mudança
Hoje, a vida social e profissional organiza-se segundo ritmos próprios, não raro, pouco propícios à tradicional vivência do domingo. Este pode ser dia de trabalho, de actividades desportivas, de viagens ou encontros sociais, de descanso para quem passou a noite em discotecas ou bares... Quanto aos cristãos, cabe-lhes continuar a testemunhar, em comunidade, a dimensão originária do domingo: dia para celebrar o Senhor Jesus ressuscitado, fazendo do domingo um dia de festa, respirável e diferente, um dia santo. Este será um testemunho cada vez mais necessário, embora mais difícil, à medida que a laicização das nossas sociedades se for aprofundando e as suas raízes cristãs forem sendo esquecidas, quando não combatidas. Haverá, certamente, adaptações a fazer, como aconteceu com o alargamento do tempo celebrativo do domingo, iniciado ao cair da tarde de sábado. Não se pode é abandonar o essencial: celebrar o domingo, em Igreja, celebrando a Eucaristia.

3. Praticar o domingo com menos padres e menos celebrações
A diminuição de cristãos que praticam o domingo – a diminuição de cristãos, simplesmente – vem-se acentuando nas últimas décadas. O mesmo acontece com o número de padres. Em geral, porém, não se verifica uma equivalente redução no número de celebrações de Eucaristias dominicais – o resultado é que muitos padres, com várias paróquias a seu cargo, formadas por comunidades cada vez mais pequenas, correm de umas para outras, presidindo a celebrações apressadas, sem a necessária preparação e com ainda menos disposição. Quando mesmo esta «solução» já é de todo impraticável, começa a recorrer-se às «celebrações da Palavra», orientadas por religiosas ou leigos, nos domingos em que não é possível a celebração local da Eucaristia.
Seria bom pensar outras possibilidades. Por exemplo, convocar várias comunidades locais para, em conjunto, celebrarem a Eucaristia. Dada a abundância de meios de transporte particulares, não se afigura nada de extraordinário. De caminho, podia incentivar-se a vivência da fraternidade cristã, pela partilha do automóvel com quem não tem, combatendo-se uma das pragas maiores da sociedade actual, o individualismo egoísta, ao qual os cristãos não ficam imunes. Este acto de se deslocar e fazer comunidade com outras comunidades, celebrando o Senhor Jesus ressuscitado, fortaleceria os laços entre pessoas e comunidades e seria profundamente educativo. Obrigaria também a mudar hábitos, dos padres e dos leigos? Sem dúvida. Mas seria preço pequeno a pagar para termos Eucaristias dominicais melhor preparadas e mais intensamente vividas. E isso não é assunto de pequena importância, antes deve mobilizar todas as nossas energias, pois, «sem o domingo, não podemos viver» como cristãos.

Elias Couto

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ícone de Teresinha

Ícone pintado por ocasião da visita das relíquias de Santa Teresinha a Inglaterra (16 Setembro a 16 de Outubro 2009), para o Convento do Carmo de Oxford.

Frases que nos fazem (XIII)

«Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo». (S. João Maria Vianney)