segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Encontros nas festas da Cidade

Estava o Cortejo Etnográfico das Festas da Agonia em preparos, quando passei por ele um pouco ao lado. E um pouco ao lado, a modo de resguardo, estava um Cesto de Flores vindo da Festa das Rosas de Vila Franca, obra da Associação Cultural daquela freguesia.
Apresentaram-me esta arte floral há 15 anos e desde aí me deixei prender por ela. E aquele cesto mais me prendeu e a quem me acompanhava quando nele vi (bem) desenhados a Igreja e o Convento do Carmo. Perguntei a razão da escolha. «Porque é um monumento da nossa Cidade e a festa é da Cidade!». Nem mais e muito obrigado.

sábado, 21 de agosto de 2010

Outros encontros

O Verão foi razão para encontros. As imagens assinalam alguns e apontam futuros.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Armas de Fé do Bispo de Viana do Castelo

O Escudo de D. Anacleto Cordeiro Gonçalves de Oliveira apresenta-se esquartelado, tendo em chefe o rio ondulado, em azul e branco, que vai desaguar na ponta do escudo, no mar de Viana do Castelo, de verde e prata.
À direita do chefe, de vermelho, apresenta-se o Livro da Bíblia, em branco e ouro, e à esquerda, de prata, o anagrama de Nossa Senhora, em azul.
No coração do escudo está a Cruz grega com a sobreposição da Cruz gótica radiada, em ouro.
No flanco direito, em verde, alimenta-se o Cordeiro, de branco, e no flanco esquerdo, de terra, desenvolve-se a robusta e viçosa Oliveira.
Encimado pela Mitra Episcopal e assente no Listei com o lema de vida: "Escravo de Todos".
in Diário do Minho de 16 de Agosto

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Homilia de D. Anacleto Oliveira na entrada solene na Diocese

1. A primeira vez que visitei esta Diocese de Viana do Castelo, depois da minha nomeação para seu Bispo, foi há pouco mais de um mês: uma visita de apenas dois dias, mas na qual colhi impressões e experimentei sensações que desejo transmitir-vos.
Fui acompanhado pelo meu antecessor neste ministério, o Senhor Dom José Pedreira, a pessoa que certamente mais bem conhece esta Diocese. Nela nasceu, serviu-a longo tempo como presbítero e, durante quase 13 anos, como Bispo.
Agradeço-lhe muito, Senhor Dom José, a disponibilidade com que me guiou nesse primeiro contacto com as gentes e as terras de Viana.
Tive oportunidade, em Darque, de conhecer o Centro Pastoral Paulo VI, o novo auditório e a Casa do Clero, onde contactei com alguns sacerdotes e familiares que aí vivem.
Visitámos, depois, na cidade de Viana, a Cúria Diocesana, a igreja do Convento de São Domingos, rezando junto do sepulcro do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires, passámos pelo Colégio do Minho, detivemo-nos, um pouco mais longamente, no Seminário e na Catedral onde nos encontramos.
Reunimo-nos com os membros da Comissão Organizadora desta minha apresentação solene à comunidade de Viana do Castelo e ainda com o Colégio de Consultores, aos quais agradeço todo o empenhamento.
Tive ainda oportunidade de visitar as sedes de todos os restantes Arciprestados: Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção, Ponte de Lima, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Melgaço e Paredes de Coura.
Apesar de ter sido uma visita informal, não anunciada, encontrámo-nos, ainda que de passagem, com vários sacerdotes e cristãos leigos, muitos dos quais, para agradável surpresa minha, me reconheceram e saudaram com particular afabilidade.
Perante tudo o que fui recebendo e presenciando, confesso que dei comigo a ver as coisas com olhos e sentimentos de uma criança, que se deixa encantar pelo que vê e espera – aquela maneira de ver e sentir de que só como adultos nos damos verdadeiramente conta. Vou tentar esclarecer melhor.

2. Existem, ainda hoje, dois dos edifícios que muito marcaram a minha vida na infância e princípio da adolescência, mas nos quais, desde então, não voltei a entrar. Refiro-me à Escola Primária da minha terra natal, as Cortes, e ao edifício do Seminário Menor da Cova da Iria, em frente da Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo. Hoje, no meu imaginário, são dois edifícios enormes, com salas muitíssimo maiores do que, vistas de fora, na realidade podem ter. Como explicar esta discrepância?
É natural que, com o rodar dos anos, se mantenha a percepção desse tempo, sobretudo tratando-se de duas instituições que muito contribuíram para a minha formação. Sem tudo o que lá aprendi, não seria hoje quem sou. Esses símbolos continuam grandes para mim, pelo que de grandioso me proporcionaram. São grandes pelo lugar insubstituível que ocupam na minha existência.
Mas penso que há uma outra razão, que não é alheia a todo este processo: o modo como vemos as coisas depende muito do nosso estado de espírito e da situação em que nos encontramos, quando as vivenciamos. Para uma criança, tudo é grande, ainda que só mais tarde, em adulto, ganhe plena consciência dessa grandiosidade.
Mas também pode suceder o inverso: quanto mais grandiosas forem as coisas, os acontecimentos e as pessoas com que nos deparamos, seja a que nível for, mais pequenos poderemos sentir-nos. Mesmo sendo adultos. Mesmo então continuamos sujeitos a tantas limitações, fragilidades, dependências. Sem sermos infantis, transpomos connosco a criança que fomos.

3. Foi um pouco de tudo isto que senti, quando, no mês passado, ia percorrendo esta Diocese: meu Deus, como tudo isto é enorme para mim!
Enorme, acima de tudo, pelo peso da responsabilidade que aqui me espera como vosso Bispo. Segundo o Directório para o Ministério Pastoral dos Bispos (n. 1), “o Bispo, ao ter-se em conta a si mesmo e às suas funções, deve ter presente, como centro que define a sua identidade e a sua missão, o mistério de Cristo e as características que o Senhor Jesus quis para a sua Igreja, «povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (LG)”.
E o mesmo Directório esclarece o que essa identidade, na prática, significa: “Vigário do «grande Pastor das ovelhas» (Heb 13, 20), o Bispo deve manifestar com a sua vida e com o seu ministério episcopal a paternidade de Deus, a bondade, a solicitude, a misericórdia, a doçura e a autoridade de Cristo, o qual veio para dar a vida e para fazer de todos os homens uma só família, reconciliada no amor do Pai, e a perene vitalidade do Espírito Santo que anima a Igreja e a apoia na sua debilidade humana” (Ibidem).
Vigário de Cristo, com uma missão divina, trinitária! – Mas quem sou eu para assumir tal responsabilidade?
Uma missão repartida pelas três funções de ensinar, santificar e governar, que, por sua vez, se realizam numa imensidão de actividades que envolvem um sem número de pessoas, como agentes e destinatários – presbíteros, religiosos e leigos, cristãos e até não cristãos, com problemas e necessidades de toda a ordem! E todos à espera de uma palavra ou um gesto, uma orientação ou uma decisão da parte do Bispo.
Mais: nesse primeiro contacto fiquei com a impressão de que são grandes as expectativas que me esperam; o que é normal e até gratificante. Mas estarei eu à altura de merecer a confiança que depositam em mim?
É certo que nem tudo é novidade para mim. Dou graças a Deus pelos cinco anos que me concedeu no Patriarcado de Lisboa e pela experiência que fui adquirindo com o Senhor Cardeal Dom José Policarpo, os restantes bispos auxiliares, tantos padres, diáconos, cristãos consagrados e leigos. Mas, tenho consciência de que irei encontrar aqui uma realidade diferente, quer a nível social, cultural e económico quer mesmo a nível religioso. Para não falar da responsabilidade de ser o primeiro animador da Fé.
Razões, portanto, entre muitas outras que não vêm a propósito, para me sentir pequeno, como uma criança que tudo espera… mas confiante.

4. Sim, por estranho que pareça, é assim – pequeno como uma criança – que me reconheço. Mais: estou plenamente convencido de que só assim devo sentir-me. Por isso não mais entrei nos lugares da minha infância de que falei há pouco. Preciso de continuar a vê-los, como tantas outras coisas, com olhos de criança, para não perder de vista a importância de, mesmo em adulto, conservar a sensibilidade e a abertura de uma criança.
Não para fugir às responsabilidades que me esperam. Uma criança só evita aqueles em quem não confia. A quem lhe oferece motivos de confiança, ela entrega-se, muito mais do que um adulto. Entrega-se, porque, nas suas carências e necessidade de viver e crescer, precisa de quem lhe dê o que não tem. As crianças são, por natureza, dependentes.
E é nesse sentido que Jesus faz delas modelos de fé. Aos discípulos, desejosos de saber “quem é o maior no reino dos Céus”, e depois de colocar uma criança no meio deles, diz Ele: “Em verdade vos digo: se não vos converterdes e vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus” (Mt 18, 1-4).
Isto é, Deus só entra e reina na vida daqueles que d’Ele se tornam totalmente dependentes, a Ele se abandonam pela fé, como uma criança ao pai e à mãe que lhe são queridos. No dizer do Santo Padre, na sua recente peregrinação a Fátima, “a fé em Deus (…) pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo” (Homilia em Fátima, 13.05.2010)
Um dos maiores exemplos desta entrega de fé é o de Santa Maria, padroeira desta Diocese e que, nesta solenidade da sua Assunção, veneramos como a Maior. Maior por ser tão pequena. Ao ver-se eleita para a missão sobre-humana de ser Mãe do Filho do Altíssimo, foi então que ela mais se apercebeu da sua pequenez. Sentiu-o mais do que nunca, quando se viu extremamente agraciada por Deus. E foi, levada por essa graça, que se entregou: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38). A graça do Senhor, que a fez sentir-se tão humilde, como uma escrava, foi essa mesma graça que a levou a dar-se ao Senhor, para a plena realização da sua palavra.
E foi assim que o Filho de Deus ganhou corpo no seu corpo virginal: pela graça da fé – a graça que sempre precede, acompanha e alimenta toda a entrega de fé – como uma criança que, se ama o pai e a mãe, deve-o afinal ao amor que deles recebe.
E quão feliz Maria se sentiu assim, totalmente possuída pelo Senhor. Ouvimo-lo há pouco, de sua prima Santa Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” A bênção do Filho apodera-se da Mãe. E esta é feliz, porque “acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 42.45).
E como reagiu Maria às palavras de Isabel? – “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador”. Repare-se como toda ela, neste louvor, se confia ao Senhor: com o corpo que fala, a alma que vibra e o espírito de que vive. Tudo isto, porque Ele, o Deus Salvador, “pôs os olhos na humildade da sua serva” (Lc 1, 46-48).

5. Por isso, desde então, todas as gerações lhe chamam “bem-aventurada”. Chamamos-lhe assim, na medida em que fazemos, também nós e no grau que nos é acessível, a sua experiência de fé. Também por meio de nós, o Senhor quer fazer “maravilhas”, fruto da “sua misericórdia”: a misericórdia que, ao mesmo tempo, nos faz sentir pequenos e nos capacita para sermos agentes de tudo aquilo que só Ele tem poder para realizar (Lc 1, 49.50).
Vejamos o que, sobre isso, as leituras bíblicas desta celebração ainda nos sugerem.
Segundo a do livro do Apocalipse (12, 1-6), é o Senhor, na sua infinita misericórdia, que faz de nós o Seu Povo, aquela “mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça”: a mulher que Deus ama e que, à imagem de Maria e por meio dela, dá à luz o Messias; a mulher que, depois da glorificação de Cristo, tem de retirar-se para o deserto das carências e do sofrimento, mas onde recebe de Deus a energia necessária para enfrentar o poder do mal e não ceder à tentação de alinhar com os seus adoradores.
Ainda hoje a Igreja sofre perseguições; e é sua missão assegurar que os seus membros se não deixem conquistar por tantos ídolos destruidores.
Em Fátima, o Papa chamava a nossa atenção, como Bispos, para isso: para o que se passa em vários âmbitos da nossa sociedade, onde, segundo as suas palavras, há “crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã.” E exortava-nos a que, “mesmo aqueles que lá defendem com coragem um pensamento católico vigoroso e fiel ao Magistério continuem a receber o vosso estímulo e palavra esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade cristã” (Discurso aos Bispos, 13.05.2010).
E, em Lisboa, afirmava que “para fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política” – “para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do Cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano” (Homilia em Lisboa, 12.05.2010).
Trata-se da mesma mensagem da ressurreição de Cristo que, há pouco, São Paulo proclamava como “primícias” da nossa ressurreição (1 Cor 15, 20.23). Também a essa mensagem podemos associar outras palavras do Santo Padre, neste caso relativas à esperança que nos anima: “Só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além” (Ibidem).
Só Cristo! – O mesmo Cristo que passou pela terrível humilhação da cruz e pelo qual o Deus Todo-poderoso “manifestou o poder de seu braço e dispersou os soberbos; derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1, 51-53).
Palavras que Maria coloca nos nossos lábios, como programa de vida: da minha como Bispo e da de cada um de vós, particularmente os da diocese que me é confiada, com colaboradores que o Senhor me concede e aos quais me confio… como uma criança.

6. Convido-vos, caríssimos Diocesanos, a fazermos todos o mesmo: a conservarmo-nos dependentes uns dos outros, unindo os carismas que o Espírito do Senhor suscita em cada um de nós, em ordem à construção das comunidades a que pertencemos e que precisam de todos. Só assim, poderemos, para já, realizar plenamente o Projecto Pastoral Diocesano, escolhido para o triénio que termina no próximo ano: o de encarnarmos nas nossas vidas e levarmos outros a encarnar, conforme o título dado a esse Projecto, “A Palavra de Deus feita amor entre nós.”
Que esse amor ganhe expressões concretas, dentro e fora das nossas comunidades cristãs, nomeadamente em relação a tantos carenciados e bens materiais e espirituais, entre os quais destaco, pela sua actualidade, os que têm estado a braços com os incêndios que têm assolado terras da nossa Diocese e fora dela.
Mas lembremo-nos de que esse amor só é possível ou, pelo menos, é muito mais possível, se todos nos entregarmos inteiramente nas mãos de Deus, deixando-nos encantar e conquistar pela sua misericórdia de Pai, para que Ele, em nós, continue a fazer maravilhas. Confiemo-nos a Ele, com estas palavras do Salmo 130/131 que Ele próprio coloca nos meus lábios:

“Senhor, não se eleva soberbo o meu coração,
nem se levantam altivos os meus olhos.
Não ambiciono grandezas nem coisas superiores a mim.
Antes fico sossegado e tranquilo como criança ao colo da mãe.
Espera, Israel, no Senhor, agora e para sempre.”
Espera, Igreja de Viana, no Senhor
agora e para sempre!
Amen.

Viana do Castelo, 15 de Agosto de 2010

+ Anacleto de Oliveira, Bispo de Viana do Castelo

domingo, 15 de agosto de 2010

sábado, 14 de agosto de 2010

Uma apresentação do novo Bispode Viana feita com amor e humor

Anacleto traz um nome que implica alguma dificuldade para dizer na Oração Eucarística, um nome pouco vulgar entre nós e que significa «aquele que é chamado de novo». Espero que esta tenha sido a última chamada e que não venha a «ser chamado de novo» para outro lado, relegando-nos mais uma vez para a condição de diocese de transição (D. Júlio e D. Armindo...)
Era este também o nome do terceiro Papa, (também conhecido como Cleto) que governou a Igreja entre 76 e 88, no tempo de grandes perseguições de que acabou mártir, não sem ter implementado o culto ao seu antecessor S. Pedro e as fórmulas de saudação e bênção papal.
O nosso novo Bispo ostenta uma figura de cariz profético, mas também simpática: Gostaria de ver nele um Isaías... um Amós talvez... eventualmente um Ezequiel. Procurem perceber porque digo isto...
Tem como lema episcopal «Escravo de todos» o que nos recorda o mesmo lema de D. Armindo Lopes Coelho (Omnium me servum feci= fiz-me escravo de todos). Não sei se ele reparou na coincidência e se não haverá aqui uma predestinação. No entanto este lema infunde uma grande esperança num homem cujo sentido de serviço é patente na primeira saudação à Diocese de Viana do Castelo. Aliás o serviço é o tema da sua Tese de Doutoramento sobre a 2 Carta aos Coríntios, capítulos 2 e 5: «O serviço da justiça e da reconciliação na apologia da Segunda Carta aos Coríntios». Trata-se das passagens em que São Paulo procura defender-se dos que o atacavam. Parece uma perspectiva interessante para traçarmos um quadro mesmo da personalidade de D. Anacleto.
Como também é Cordeiro de nome, espero bem que represente a dimensão iasiana dos bens messiânicos (Is 11, 6), que não seja enviado «como cordeiro para o meio de lobos» ( Lc 10, 3) e que os lobos da região (que ele ainda conhece mal... ) sejam apenas os da Peneda...
É também Oliveira e isso evoca a paz... desde os tempos diluvianos, à abundância do Apocalipse.
Penso, por isso, que temos razões para acalentar muita esperança, nesta mudança que esperemos seja de Bispo e muito mais...
É natural de Cortes, Leiria. Também temos em Monção uma freguesia de Cortes (Paróquia de Mazedo) um dos locais em que na Diocese se invoca Nossa Senhora da Cabeça.
Para quem não o conhece, já são alguns elementos... e um pouco de humor que não faz mal nenhum.
P. Jorge Barbosa

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Carmo solidário com o Haiti


O Carmo solidário com o Haiti fez chegar à Nunciatura Apostólica em Portugal o donativo
em favor das vítimas do terramoto do Haiti. As notícias esqueceram a tragédia, muitoembora o pão continue a faltar na mesa dos haitianos.
A nossa migalha já foi enviada e ali há-de chegar via Conselho Pontifício Cor Unum do Vaticano. A todos os que colaboraram agradecemos e para todos imploramos as bênçãos de Deus e de sua Mãe, a Senhora do Carmo.

domingo, 18 de julho de 2010

Vamos de férias?

Vamos de férias. Melhor, quem pode vai de férias. Mas os que vão vão mesmo de férias?
Pelo menos a Chama do Carmo pára aqui e retorna em Outubro. Fazemos uma pausa nesta canseira e vamos distender-nos um pouco. O que a Chama tem de calor informativo e formativo pára aqui um pouco.
É tempo para descanso, para retempero das forças, para regenerar o espírito.
Voltaremos.
Não, nem todos vão de férias. Neste momento lembro-me dos doentes crónicos e graves. A doença não lhes dá tréguas nem alívio, nem conforto ou descanso algum. Quem dera que alguém lhes dera. E isso pareceria já cheirar a férias.
Nestes dias de crise lembro-me dos que continuam a via sacra da busca de emprego, procurando donde sacar um punhado de cêntimos para comprar o pão de cada dia.
E lembro-me dos que não tirarão férias porque o orçamento familiar tem de ir em socorro de alguém conhecido que ficou desempregado (que também não terá férias!).
E lembro-me dos que terão férias porque a empresa fecha para férias. E esses até talvez agradecessem trabalhar, porque estão em contenção de despesas e por isso ficarão rondando por aqui, pelo terreiro da cidade, acolhendo pedacinhos de céu que ela vai tendo para oferecer aos de casa e aos forasteiros.
Muitos vão de férias, mas nem todos irão.
Deus não tira férias, porque Deus é amor e o amor jamais descansa. Deus fica com os que ficam e parte com os que partem. Reúne-se com os que continuam a caminhar a vida e a rezar a fé, e com os que percorrendo as rotas várias das férias encontrarão beleza e fraternidade, mãos abertas e olhares de paz.
Deus não vai de férias.
E muitos irão de férias mas não descansarão nem fruirão da beleza e da serenidade que só o tempo com tempo para não fazer nada permite. Por isso, se, podendo, for de férias, perca tempo. Não passe ao lado. Não passe o tempo todo correndo, mesmo que seja para se encharcar de alta cultura. Já basta correr contra o tempo no resto do ano. As férias são para repousar. Repouse junto da família, embora ficando alerta para a intensidade de relações que as férias proporcionam até à compressão. Durma mais, descanse mais. Passeie um pouco, ouça os filhos, projecte com eles os seus sonhos, reavalie o projecto da sua família. (E, claro, como sempre, haverá dores e queixas, por isso vele para não pressionar demasiado nas feridas e rasgões que todas as famílias têm.) Programe com tempo os percursos alternativos para as suas deslocações, a fim de ter tempo para parar num daqueles miradouros que nos alargam os horizontes dos olhos e da alma; ou subir calmamente a uma ermida ou santuário e ali descansar à sua sombra e saudar o Senhor ou a Senhora do lugar bendizendo a Deus por tantas maravilhas; ou parar num lugar que nos fala da gesta heróica nossos antepassados.
As férias são para deixar o tempo esvair-se: Por vezes a beleza do silêncio e da paz entra-nos suavemente pela porta se a deixarmos entreaberta. Importa por isso que ao menos uma vez no ano deixemos o tempo correr como quem perde para ganhar.
Quem tanto se esforçou na labuta diária deveria depois saber perder tempo para ganhar em profundidade o gozo do encontro.
É impensável que se possa chegar de férias mais cansado que na partida; que à hora do recomeço dos trabalhos se esteja tão exausto como se não tivesse havido férias ou se se regressasse dum combate. Parece irreal, mas é verdade. Há quem faça das férias uma canseira, uma correria louca para absorver o máximo daquilo que esteve impedido de contemplar e apreciar no resto do ano. Mas não, isso não são férias. As férias que cansam, que não dão repouso nem ao corpo nem ao espírito não merecem esse nome. São comércio e sobretudo exploração do homem e da natureza! As suas férias deveriam ser abertura ao puro dom e ao gratuito. Se for de férias saiba fazer diferença: beba descontraidamente das fontes do silêncio e da palavra amena, do encontro e da contemplação.
O melhor das férias não está na promessa dos cartazes de publicidade, mas nas janelas da alma que se abrem para renovar o ar.
Chama do Carmo I NS 79 I Julho 18, 2010

Bandeira da Vitória

Hoje, pelas 10:30h, na Biblioteca Municipal, com discreta solenidade foi apresentado o livro Bandeira da Vitória, da autoria dum Pobre Peregrino cuja pena lavrou 291 páguinas sobre a história do Carmelo de Santa Tesinha do Menino Jesus, o antigo Carmelo do Desterro de Jesus, Maria e José, e a passada e actual relação com a jovem Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, que se reúne para rezar e tem seus serviços paroquias na antiga Igreja das Carmelitas.
Na mesa presidencial o escriba reconheceu o Pároco, o Administrador Apostólico da Diocese e a Vereadora da Cultura.

Intimidades

O Carmelo de Santa Teresinha e São João Evangelista e a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima deram estampa um livro titulado Bandeira da Vitória, de autor que preferiu cognominar-se Pobre Peregrino, embora o nome jamais apareça em algum lugar do livro.
Aqui deixamos notícia dum livro onde «poderemos ler intimidade de união e diálogo com Deus, em escritos reservados e confidenciais. nada mais confidencial e sagrado do que o relacionamento pessoal de alguém com Deus.»

Servidores

Fique ainda aqui registado fotograficamente alguns dos que dão uma mão (em boa verdade, o coração!) na Missa das Dez. A eles e a todos que a Senhora do Carmo os abençoe.

Pequeno abraço

No fim da Missa das Dez uma pequena multidão de quase setenta pessoas aproximou-se do Altar para receber a imposição do santo escapulário do Carmo. A catequese foi singela, por isso se paroximram os simples de coração.
Eis alguns pequenos flashes daquele pequeno eterno abraço da Mãe do Carmo aos seus filhos.

Mãe abençoada

Hoje quando no fim da Missa das Dez impunha o Escapulário cuidei de posicionar os meninos à frente da pequenina assembleia que se dispôs a recebê-lo. Senti então olhando-me uns olhos marejados. Eram olhos jovens!
Perguntei-lhe: — São seus filhos?
— São, respondeu-me.
— Três filhos, que belo! (Disse para concluir.)
— Não, os cinco é que são meus filhos!
— Os cinco!?
— Os cinco, disse com simplicidade. E os cinco mais velhos ficaram na Noruega.
— Dez?
— Sim, dez!
— Que Deus a abençoe!
— Sou muito abençoada, padre. Respondeu-me com os belos olhos cheios de bênçãos...
(E os filhos fitando-nos simplesmente, pois quase nada percebem desta estranha língua daquela mãe luso-norueguesa.)

sábado, 17 de julho de 2010

Saudação ao Senhor D. José Augusto

No fim da celebração Missa da Solenidade de Nossa Senhora do Carmo, duas crianças, a Inês e a Margarida, e uma das jovens da Comunidade, a Maria João, em nome de todos, saudou o Senhor D. José com as seguintes palavras:
«Senhor D. José:
Neste dia, Festa da nossa Mãe, a Senhora do Carmo, queremos agradecer-lhe de forma especial a sua presença na Diocese de Viana do Castelo, a quem serviu durante treze anos.
Mais do que muitas palavras, o nosso gesto de gratidão traduz-se na oferta simbólica de um ramo de flores com um significado especial: é um ramo com treze flores diferentes.
Assim como cada ano tem a sua graça, assim também podemos pensar que juntos fazem um belo ramo que nos cabe agradecer. Nenhum ano terá sido igual a outro, certamente; mas todos eles exalam o perfume do serviço e apostolado em favor da Igreja nas nossas comunidades.
Cada flor, cada ano de gratidão!
Gratidão pelo carinho com que sempre participou na Festa que hoje celebramos, à qual nunca faltou, marcando a sua presença amiga.
Gratidão por todas as vezes em que, com as suas palavras de Pastor e irmão mais velho nos falou de Nossa Senhora do Carmo e nos incentivou a continuar a devoção a tão terna Mãe e ao seu Escapulário.
Gratidão pela boa disposição que o acompanhou durante as suas visitas ao nosso Convento.
Gratidão ainda pelo apostolado que exerceu em favor de Cristo na nossa Diocese.
Pedimos a Nossa Senhora do Carmo que sempre o proteja e cubra com o seu Manto Branco, para que nunca lhe falte o ânimo em prosseguir a missão a que o dever o chama agora a exercer de outra maneira.

Flor do Carmelo
vide florida
esplendor do céu.
Virgem fecunda,
singular,
Mãe sem par
de homem ignorada!
A este teu filho
vem dar tua ajuda,
ó Estrela do Mar!»

Bispo florido

No final da Missa da Solenidade presidida pelo Senhor D. José Augusto, Administrador Apostólico da Diocese, havia flores para todos e um ramo para o senhor bispo como se explicará noutro lugar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Feliz dia do Carmo

Um dia do Carmo muito feliz!

Hoje a Virgem Maria foi-nos dada por Mãe.
Hoje Maria mostrou-nos a sua misericórdia.
Hoje Maria derramou sobre nós o seu amor com solicitude celestial.
Hoje celebramos a solenidade santa da Mãe e Formosura do Carmelo.
Hoje os filhos do seu amor celebram os seus benefícios.
Hoje a Estrela do mar ilumina com a luz da sua graça a sua Família, como sinal de esperança segura e de consolação.
Hoje o Carmo, iluminado com a solenidade sagrada de tão excelsa Mãe, exulta e canta de alegria.
Celebremos jubilosos os seus louvores e o dom do seu amor sem fim, neste dia tão santo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Parabéns, Bábá!

A Bárbara faz anos no mesmo dia que o Prior da Casa. Como o visitou nesse dia recebeu uma prenda a condizer com o nome do Prior. E o Prior ficou com os dois beijinhos.
Parabéns, Bárbara.

Foto de família

Foto de família dos Casais do Menino Jesus que nos visitaram e aqui permaneceram um fim de semanda de profunda oração, reflexão teresiana e amizade carmelita.
Bem-hajam. Esperamos o regresso em Dezembro, como prometido.

Aula teresiana

Os casais do Menino Jesus subiram ao Carmo de Viana do Castelo para reforçar os laços espirituais da família. Aqui passaram o fim de semana 10 e 11 de Julho em descontraído ambiente de oração e espiritualidade matrimonial e carmelitana.
As fotos documentam uma aula (ou arremedo) sobre S. Teresa de Jesus, a partir dos motivos teresianos que se encontram belamente aparelhados na talha da Sacristia Velha. O professor cujo nome convém não recordar prometeu sair-se melhor em próxima edição. E todos agradeceram.

sábado, 10 de julho de 2010

Com estilo! (A propósito da celebração da Solenidade de Nossa Senhora do Carmo)

Julho é o mês que nos convida a recordar a realidade do Carmo. Porque é o mês da Senhora do monte santo que é o Carmelo, como um dia, há muitos séculos atrás, a proclamaram os eremitas que o habitavam, chamando-a Senhora do Lugar (do Carmelo). Sentiam-se sucessores do grande profeta Elias que em séculos remotos vira subir até ao seu cume uma nuvenzinha branca, pequena e doce — como símbolo da Virgem Maria —, que empapou campos e bosques quase mortos de sede.
O Carmelo (ou Carmo) é o monte de Maria, como o Monte Sião em Jerusalém, é o de Deus. Esta ideia tão forte tornou o Carmelo num ideal de vida que ao longo dos séculos tem inspirado inúmeras gerações a viver um estilo de vida dedicado a Nossa Senhora e pelas suas mãos a Deus.
No seu tempo, os profetas Elias e Eliseu e seus discípulos viveram e saborearam da amenidade do lugar, e dali partiram com frequência como arautos de Deus. Depois, ali se recolheram os desiludidos das Cruzadas e com a simplicidade de Elias ali fizeram reverdescer a memória de Deus e a consagração a Nossa Senhora.
Nos séculos sequentes alguns gigantes da Igreja cresceram olhando de novo o Carmelo: é o caso de S. João da Cruz, S. Teresa de Jesus, Santa Teresinha, B. Isabel da Trindade, S. Teresa Benedita da Cruz, S.Rafael Kalinowski. Cada um contemplou-o desde ângulos diversos, e engrandeceu-o de beleza espiritual.
O Carmelo não é um mito carente de verdade, causador de sentimentalismos superficiais. É um mito grandioso, verdadeiro, fruto de séculos de reflexão e inspiração bíblica e facilitador de experiências profundas. É um simbolismo rico de carga espiritual pela sua simplicidade, pela sua formosura de encher os olhos e a alma, pelos seus inesgotáveis tesouros.
Um autor espiritual escreveu:
«O Carmelo é um lugar de holocausto e de graça. O monte sobre o qual descende o fogo do céu para abrasar o incombustível.
O monte cujas águas fecundas se precipitam para o vale para regar os campos, os jardins, os soutos, as pradarias. O monte inesgotável, cristalino.
O monte coberto por um espesso véu de árvores que esconde no secreto a sua silenciosa riqueza. O Carmo, o símbolo de Nossa Senhora, é o símbolo deste poder real que tudo abarca como o monte do perfeito amor.»
Este santo monte de Maria, o Carmelo, com a sua verdade forte é apelo para numerosas vidas que o escalam; com a sua assombrosa beleza interior converte-se numa vocação, num ideal para a vida, numa meta cheia de ilusão, num chamamento divino para o compromisso.
Todos somos chamados. E de alguma maneira nos sentimos impelidos a subir ao cume da Montanha do Carmelo, para gozar dos seus frutos. Por isso, devemos procurar conhecer os seus caminhos, tantas vezes insondáveis, e tantas vezes limitados também. Porque o Carmelo, com a amplidão dos seus horizontes tem as suas características próprias, que não podem ser esquecidas, sob pena de confundir-se com outra coisa diferente. Pode ser descrito com prosa bíblica, doutrinal, e pode cantar-se com versos ardentes como fez João da Cruz; pode ser contemplado a partir dos claustros e da temporalidade do mundo, na sua variedade de situações; pode escalá-lo o homem de contemplação e o activo e missionário. Amplo, tão amplo é o Carmo! Mas concreto e de perfis claros.
Em qualquer tempo ou era Carmelo há-de coincidir com o espírito que o forjou. Primeiro com o espírito de serviço de Maria. Logo, com o espírito dos Carmelitas que o habitaram e vieram a ser alicerce dos grandes homens e mulheres que o tornaram um símbolo sublime dentro da Igreja.
Assim como geograficamente cada monte tem a sua peculiaridade que o singulariza no espaço, de modo mais evidente os montes simbólicos adquirem o seu selo próprio.
O Carmelo é ideal por natureza. Espiritualiza, eleva. É uma ascensão, uma subida que percorre os nadas da miséria, o fugaz e o frágil, o superficial e a desordem.
O Carmelo é bosque, é espessura. Fala de interioridade da alma, da reflexão serena, da paz. Foge da superficialidade, da banalidade.
O Carmelo é cume da contemplação. Nele há que acostumar-se a contemplar, a elevar o olhar para Deus, a ver o seu reflexo nas coisas, nos problemas, na história, a olhar as coisas com um sentido verdadeiro. Aquele sentido que lhe dá o seu Criador, a olhá-las com repouso, sem grandes pressas, com serenidade de espírito. A fim de encontrar-se unido com a verdade, não com a falsidade de egoísmo, da soberba, da paixão alterada, que desfiguram as realidades.
Os chamados ao Carmo somos convidados ao encontro a sós com Deus: no cimo do monte está a perfeição. E o encontro a sós, com a verdade.
É por isso que o Carmo é mais que um monte, é um estilo. O Carmo tem estilo. É um estilo distinto e bem definido. O seu estilo, não é exclusivo dos Padres Carmelitas ou das Irmãs Carmelitas. É um estilo que é propriedade da Igreja, disponível a todos cristãos, a todos aqueles que querem subir, superar-se, transformar-se, chegar a alcançar algo muito belo e digno na sua vida. Não é preciso que venham para o convento, porque é um estilo que pode ser alcançado em qualquer parte, onde viva e trabalhe quem se sentir tocado pela beleza do Monte.
Todos os caminhos do Carmo são iluminados e acompanhados por Nossa Senhora, pelo seu exemplo e pela sua presença. O rico simbolismo do Carmo constitui-se durante séculos sob o seu olhar, porque ela, nossa Mãe e Irmã, é nosso modelo e fundamento exemplar.
Maria do Carmo é contemplativa. É limitada e vive da fé, Maria é vivida e comprometida. Ela pode falar-nos muitíssimo de espiritualidade, de silêncio interior, de contemplação de Deus, de simplicidade, de serenidade através dos acontecimentos da vida, de sacrifício pelos irmãos, de tudo o que é bom.
O mês de Julho, o da festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, é um mês de reflexão e de revisão de vida para todos aqueles que vivem na Igreja a ilusão, o ideal do Carmo.
Chama do Carmo I NS 78 I Julho 11, 2010

Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
(Eugénio de Andrade)