
No termo do ano sacerdotal reflectir connosco, uma sala cheia de leigos, e os Padres Carmelitas da comunidade, a razão e a finalidade desta decisão do Papa. Tema: “Vós sois um sacerdócio real”(1Pe 2:9) Carta de Pedro escrita por Silvano, escrivão de Pedro, à volta do ano 67.
No desenvolvimento do tema o Pe. Pablo base-ou-se na primeira Carta de S. Pedro; na Carta de proclamação do Ano Sacerdotal do Papa Bento XVI; num texto da Primeira Apologia de S. Justino (séc. II) sobre o Batismo de regeneração; num texto de João Paulo II - Ecclesiam de Eucharistia, nº 21 e na homilia de Bento xvi aos sacerdotes reunidos na Praça S. Pedro, no dia 11 Junho 2010.
Porquê a decisão do Papa em determinar um ano de oração pelos sacerdotes e com eles?
1º- Os 150 anos da morte de S. João Maria Vianney (1786 – 1859), pároco de Ars, diocese de Belley – Santo Patrono de todos os párocos do mundo. Foi pároco 42 anos em Ars, onde com uma eficaz pregação, mortificação, caridade e oração, atraiu e converteu um grande número de pessoas. Revelou dons especiais na administração do sacramento da Penitência e na direcção espiritual.
2º- Apelar “à renovação interior dos sacerdotes”, pretendendo atingir “um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo” (Bento XVI).
3º- A falta de credibilidade crescente pelos escândalos ocorridos na Igreja.
4º- Aprofundamento da vocação sacerdotal de todos os batizados. Cooperação ministros orde-nados e fiéis leigos.
Em que consiste ser “um sacerdócio real”?
“Vós sois linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo resgatado a fim de proclamar as maravilhas Daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.”
Cada um de nós foi resgatado ao mundo das trevas pelo sacramento do Batismo. São Justino no seu texto O Batismo de Regeneração fala-nos do nosso primeiro nascimento segundo a lei da natureza, e dum segundo nascimento fruto de uma escolha livre e consciente, que nos conduz ao Batismo pela água para nossa regeneração e perdão dos pecados cometidos; sendo este antecedido por penitência. Sobre aquele que é batizado pela água é pronunciado o nome do Criador e Senhor Deus de todas as coisas: “A este Batismo dá-se o nome de Iluminação porque os ini-ciados nesta doutrina ficam iluminados na sua inte-ligência.” (S. Justino, Ap.1,61,12)
Assim sendo “todos os batizados fiéis leigos e fiéis ordenados” estão ligados à “proclamação das maravilhas de Deus… …aproximando-vos Dele, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus, também vós – como pedras vivas – entrais na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.”(1Pe 2:4-6) E ainda: “Exorto-vos ir-mãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agra-dável a Deus. Seja este o vosso verdadeiro culto, o espiritual.”
(Rom 12:1)
Impõe-se uma chamada ao sentido da palavra sacrifício – (sacrum facere, que significa fazer sa-grado ou consagar, isto é, devolver à propriedade de Deus. E ao sentido da palavra corpo isto é, vi-da, como acto de louvor e entrega. Nesta lingua-gem está bem presente a passagem do Antigo Testamento para um Tempo Novo com Jesus. O fim das ofertas materiais exteriores a nós, e o convite a nos ofertarmos.
Com o Batismo estamos conscientemente a de-volver a Deus – a deixar-se consagrar – aquilo que é Dele: a nossa vida, e tudo o que nela está contido. E na Eucaristia o cristão associa a hóstia viva da sua vida no dia-a-dia à Hóstia consagrada do Corpo de Cristo que vai receber na comunhão, de modo a que se transfigure toda a existência e assim se transforme o mundo segundo o Evan-gelho.
Em jeito de conclusão refiro alguns excertos da homilia de Bento XVI aos sacerdotes a 11/06/2010: “Deus como Bom Pastor precede-nos e guia-nos. O Senhor mostra como se realiza de forma justa nosso ser homens. Ensina-nos a arte de ser pessoa. Em um momento histórico no qual Deus parece distante e inalcançável cada cristão e cada sacerdote deveriam transformar-se, a partir de Cristo, em fontes que comunicam vida aos demais. Deveríamos dar a água da vida a um mundo sedento.”
Maria Tereza H. de Gouveia
Chama do Carmo I NS 76 I Junho 27, 2010
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