domingo, 7 de Fevereiro de 2010

O que é a liturgia?


Um bom número de colaboradores da pastoral litúrgica da comunidade reuniu-se este sábado para mais um momento de oração, reflexão e formação. A terminar lemos este pequeno texto sobre o que é a liturgia, que suscitou grande apreço e pedidos vários de publicação. Então, aqui fica.

A palavra LIT - URGIA vem da língua grega: laos = povo e ergon = acção, trabalho, serviço, ofício... Unindo os dois termos que formam a palavra, encontramos a raiz mais profunda do significado da liturgia, ou seja: acção, trabalho, serviço do povo e realizado em benefício do povo, isto é: um serviço público, como dizemos hoje.
Antes mesmo desta palavra ser usada pela Igreja, os gregos usavam-na para indicar um trabalho solidário. Por exemplo, quando se abria uma estrada, ou se construía uma ponte ou se realizava um trabalho que trouxesse benefício à população, entre os gregos dizia-se: realizámos uma liturgia!
Este sentido primeiro da palavra ajuda-nos a entender o que deve ser hoje a liturgia cristã nas nossas comunidades, sobretudo depois de séculos de história em que a liturgia ficou reduzida a uma acção realizada por ministros ordenados para o povo. Durante séculos a liturgia era uma acção em que o povo não tomava parte, apenas “assistia” como expectador e, muitas vezes, sem compreender o que estava a ser feito.
Graças ao Concílio Vaticano II, realizado há mais de quatro décadas, voltamos ao sentido genuíno da Liturgia, como acção do povo baptizado e, por isso todo ele povo sacerdotal, chamado ao louvor de Deus e à transformação e santificação da vida e da história. A liturgia é uma acção conjunta em parceria com o próprio Deus, numa dinâmica de aliança e participação cada vez mais activa, consciente, plena e frutuosa.
Mas, de que acção se trata? Que trabalho é este que podemos considerar “fonte e cume” do nosso ser e de nosso agir cristão?
Contemplando com o olhar da fé a nossa história, constatamos que Deus se manifesta sempre agindo amorosamente e que a sua acção é permanente serviço à vida, um bem que atinge toda a humanidade e todo o cosmos. É sempre acção criadora, libertadora, transformadora e santificadora que, não só nos atinge, mas nos envolve e nos torna agentes, participantes desta sua acção, numa aliança de amor e compromisso.
A maneira mais concreta, perfeita e plena de Deus agir a nosso favor foi através de Jesus, o Verbo Encarnado, o Filho amado que se fez irmão e servidor (liturgo) com sua encarnação, vida, paixão e principalmente pela sua morte e ressurreição. E mais, entregou-nos sua força, energia divina, o seu Espírito, pelo qual nos faz capazes de agir também como filhos/as amados de Deus Pai, realizando e continuando com Ele esta acção libertadora, redentora a serviço de vida abundante para todos e seu Reino se estabeleça definitivamente.
Portanto, o sentido mais amplo da Liturgia é toda a acção realizada por Deus, em Jesus Cristo e, através do seu Espírito em nós e através de nós a toda a humanidade.
Maria de Lurdes Tavarez

Domingo V do tempo Comum

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Se todos os cristãos fossem assim!

A pesca que hoje se relata no Evangelho foi muito mais que uma pescaria mais. Espantam nela a abundância da graça de Deus coadjuvada pela fraqueza humana, e a insuficiência de todo o esforço e valor humanos assumidos com independência. E revela igualmente muito sobre o nosso primeiro Papa: Era um homem sabido e capaz, aberto e confiante a Deus, pronto a reconhecer Alguém maior que ele quando em presença, disponível para trabalhar apesar da canseira e contra as regras. Pedro é ainda exemplo de cabeça dura, mas também da disponibilidade humana que torna possíveis os milagres de Deus. Ele confirma que são os soldados cansados quem ganha as batalhas! Se todos os cristãos fossem assim!
Simão era um profissional. Não sabia de figos e figueiras bravias, ofício do profeta Amós; nem de ovelhas e rebanhos, com0 o rei David.
Sabia pescar, escolher as melhores águas, ler os ventos e as estrelas, guiar a barca até aos bancos de peixe que lhe garantiam riqueza a si, a André e ao pai Jonas, e o sustento das famílias dos pescadores contratados. Na verdade, teria pelo menos dois barcos, talvez até uma pequena frota. Não era um pescador pelintra que logo passa fome quando o mar manda. Eram próspero, tinha uma PME de pesca, secagem, armazenamento e venda de peixe. (Comercearia até talvez com Roma!)
Por essa altura de florescimento económico dois jovens agitavam as águas das consciências galileias. Um era o intrépido Baptista que perdera entretanto a cabeça na prisão. O outro era Jesus, o carpinteiro de Nazaré. Este logo entra improvável na vida de Simão. À primeira vista nada no famoso rabi o recomenda para a faina: quem se julgava ele para chegar e logo mandar sair as barcas para a pesca à plena luz do dia? Por certo saberá de enxós e martelos, mas isso não garante saberes de redes, velas e correntezas. Por isso, Simão hesitou porque a ordem de Jesus era bem certo que era errada; por outro lado, ele já vira como a palavra de Jesus era eficaz (quando a sua sogra estivera doente com febre)! Nestas alturas qualquer homem hesita, até um habituado a dar o peito às tempestades. Além disso, a ordem era segura e serena. Simão hesitou, mas obedeceu e confiou. E ao leme lá conduziu a barca para águas profundas. E o improvável milagre deu-se. Aqui ficam os factos e o diálogo, e uma interpretação:
1. «Estavam a lavar as redes.»
Quer a faina tenha sido rica de peixes ou de algas ninguém regressa ao aconchego do lar sem o lavar das artes. A boa ordem das coisas assim o exige. Aquela brega nocturna fora dura (porque sem Jesus) e mais duro era o lavar por não haver recompensa...
2. «E do barco pôs-se a ensinar a multidão.»
Era concerteza uma enorme multidão concentrada à-beira lago. Por isso a barca de Simão se revelou o lugar ideal para Jesus pregar. Sinal que uma barca não serve só para a pesca e o amanho da vida, serve também para anunciar e oferecer a libertação.
3. «Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
O profissional da pesca não está nada convencido que a maneira do carpinteiro pescar seja melhor que a sua. Mas a palavra de Jesus deveria ser bem poderosa. E não teve maneira de a ignorar, só pôde obedecer e confiar. Simão Pedro depressa compreenderá que é sempre melhor embarcar nos projectos de Jesus, que manda a Igreja abandonar a segurança das águas calmas e avançar para as profundas.
4. «E apanharam tão grande quantidade de peixes.»
Na noite de todas as oportunidades a faina falhara, porque só tinham confiado nas próprias forças, na perícia e tino humanos. No mais que improvável lançar das redes ao meio-dia apanharam tão avultada quantidade de peixe que quase afundou não uma mas duas barcas! Entre um e outro lançamento das redes, o frustrado e o abundante, esteve Jesus e a confiança na sua palavra.
5. «Fizeram sinal para os virem ajudar.»
A medida de Deus é diferente das medidas humanas. Onde o homem vê falência e fraqueza Deus vê possibilidade e abundância. Depois da descrença de Pedro veio a confiança e esta viu-se recompensada com uma pescaria excessiva, milagrosa, suficiente para outros que tinham confiado menos que Pedro. E até esses tiveram de se converter e acorrer para ajudar!
6. «Sou um homem pecador.»
Perante a poderosa manifestação do poder de Jesus, de duas coisas tomou Pedro consciência: de que era homem, e de que era pecador. Aquele pescador primário e de carácter áspero deixa sair do fundo do coração uma sincera oração e reconhecimento: só Deus pode criar do nada, tirar abundância da debilidade, fazer reverdecer o corpo cansado, reanimar para um anúncio renovado! Perante Deus o homem pode reconhecer os seus limites e oferecer a disponibilidade para que a graça se comunique.
7. «Eles deixaram tudo e seguiram Jesus.»
A prova provada é que a vida com Jesus é diferente, luminosa. Se Jesus aceita frequentar as nossas frágeis barcas para desde ali anunciar o Reino, também é possível e justo que nos habilitemos a ir com Jesus na sua barca. Hoje na nossa, amanhã na dele. A nossa poderá ir ao fundo, a de Jesus se for ao fundo será só para provar que todos podemos caminhar sobre as águas.
Chama do Carmo I NS56 I Fevereiro 07, 2009

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Visita de mais um ex-

O Rui Alves foi um dos meninos do Seminário. Coube-lhe até viver em dois Seminários (aqui em Viana), que é como quem diz teve de andar de casa às costas. Já tinha saudades, mas não veio pelas saudades. Ainda assim visitou a cozinha e os cozinheiros que bem conhece. Foi bem disposto, recomenda que todos visitem o Seminário, deixou a morada para ser convocado para os Encontros da Geração 80 e prometeu voltar. E nós cá vos esperamos.

O presépio Melo

O Natal já lá vai. A exposição de presépios também. Até a Senhora das Candeias já passou. Mas cabe ainda aqui falar dos presépios que animaram a vida da nossa comunidade durante os dias de Natal. Eram de quase todos dos grupos apostólicos, mas também do GAF e dos Sobrinhos Melo (Ponte de Lima). E aqui estão eles com o seu presépio no dia em que o vieram buscar. Mas num apreciado gesto de gentileza deixaram-no ficar par ao convento, prometeram outro para o ano e até os meninos vão fazer desenhos. A ver vamos.
(De Aveiro também esteve para vir um mas a maré ia alta...)
Muito obrigado pela colaboração nesta animação natalícia e pela amizade com que se ergueram quase vinte presépios.

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

CIRP recomposta

Depois da celebração do Dia do Consagrado ocorrida na Paróquia de São Miguel de Perre, a CIRP de Viana do Castelo reuniu-se esta noite no Carmo, para avaliar o caminho andado e programar algum outro mais.
E tendo em vista que as Irmãs Margarida Santos e Paula André deixaram neste Verão passado a Direcção da CIRP achamos bem agregar a nós novas colaboradoras. A Direcção ficou pois assim constituída:
Presidente: P. Paulo Correia, Passionista.
Secretária: Ir. Maria Celeste Guarda, Franciscana Hospitaleira.
Tesoureiro: P. João Costa, Carmelita Descalço.
Vogal: P. José de Castro, Espiritano.
Vogal: Ir. Maria de Fátima Ribeiro, Franciscana Hospitaleira.
Vogal: Ir. Maria Fernanda Afonso, Salesiana.
Vogal: Ir. Anabela T. Silva, Salesiana.
Vogal: Ir. Maria da Luz Araújo, Reparadora da Santa Face.

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Se não tiver caridade

Se eu tivesse em mim
todas as emissoras,
os palcos de rock do mundo inteiro,
os altares e cátedras,
e os parlamentos todos, mas não tivesse Amor;
seria ... apenas ruído, ruído no ruído.

Se tivesse o dom de adivinhar
E o dom de encher os estádios
E de fazer curas milagrosas
E uma suposta fé, capaz de transportar
Qualquer montanha,
Mas não tivesse Amor;
Eu seria apenas ... um circo religioso.

Se eu distribuísse,
Em cabazes de Natal
E em badalados gestos caritativos,
Os bens que ganhei - bem? mal?, quem sabe?
Quem não sabe? -
E fosse até capaz de gastar a minha saúde
Para ser mais eficiente, mas não tivesse Amor,
Eu seria apenas ... imagem entre imagens.

Paciente é o Amor e disponível,
Como um regaço materno.
Não tem inveja nem se vangloria.
Não procura tirar juros como os Bancos,
Sabe ser gratuito e solidário,
como a mesa da Páscoa.
Não pactua com a injustiça, nunca!
Faz a festa da Verdade.
Sabe esperar, forçando impertinente
as portas do futuro.

O Amor não passará,
mesmo que passe
Tudo o que não é ele.
No entardecer da vida
O Amor nos julgará.

Agora são as três:

A fé que é a noite escura;
A pequena esperança, tão tenaz;
E ele, o Amor, que é o maior.
Um dia, para sempre,
Para lá da noite e da espera,
Será só o Amor.

D. Pedro Casaldáliga

Semana da Vida Religiosa

Ben, Catherin, Gregori e Mike são três rapazes e uma rapariga, melhor dito, três consagrados e uma consagrada, religiosos portanto, cujas vidas são bem reais e que há uns anos foram passados para os quadradinhos a fim de corporizar uma campanha vocacional. A campanha decorreu em Inglaterra, nos âmbitos católicos e foi de grande êxito porque permitiu chegar aos jovens ilustrando vidas reais de consagração e vida sacerdotal. Depois da campanha os números cresceram nos Noviciados e nos Seminários. Os méritos não serão todos da campanha, mas que está terá ajudado lá isso sim. Entretanto, boa semana de oração e acção de graças pelo dom da Vida Religiosa às nossas Igrejas.

Solidários na esperança (Para a Semana da Vida Consagrada)

Existe na Igreja um conjunto alargado de discípulos, leigos e clérigos, que dá pelo nome de Consagrados. Também dão pelo nome de religiosos e religiosas, frades e freiras. A correspondência não é exacta porque o nome agrega outros estilos de vida comprometidos no seguimento radical de Jesus marcados por uma consagração — tais como a vida monástica, os eremitas, a vida religiosa apostólica, os institutos seculares e as novas comunidades. A entrega e identificação com Cristo obriga ao serviço da Igreja e do Evangelho e à promoção da dignidade humana. Desde quase as origens da Igreja existem cristãos que deixando as suas famílias e vidas profissionais delas se destacam para viverem como irmãos, isto é, agrupados em comunidade fraterna e apostólica, para em comunidade se entregarem a Deus em resposta livre ao Seu chamamento. Não constituem família nem pertencem à hierarquia da Igreja, mas formam famílias de irmãos e são Igreja viva em acordes de fraternidade.
Estão no meio de nós, no meio do mundo, peregrinos como todos. Em Portugal são um pequeno resto de quase 8000 almas, que geram um impacto maior do que na realidade se vê. Frequentamos algumas das suas casas sem por vezes nos apercebermos e até valorizarmos o seu compromisso concreto. O Dia 2 de Fevereiro faz memória da consagração de Jesus ao Pai, sucedida quarenta dias depois do Natal. É esse o dia dos Consagrados. O dia em que a Igreja eleva uma oração de acção de graças por tantas e tantas vidas buscadoras de santidade.
Louvemos o Senhor pelo seu imenso amor por nós, que a tantos faz viver em verdade, o amor filial, o amor conjugal, qualquer forma de amor fraterno. Louvemo-lO igualmente pelos vários carismas que neste momento concede à Diocese de Viana do Castelo. (Texto da Ir. Fernanda Afonso, Salesiana:)
1. Pelo Carmelo de Santa Teresinha e de S. João Evangelista, pela Congregação das Irmãs Reparadoras Missionárias da Santa Face e pela Ordem dos Padre Carmelitas Descalços, louvado sejas, Senhor, Deus nosso Pai.
Nós te damos graças, Senhor, por estes carismas que privilegiam a contemplação do teu rosto, invisível aos olhos mas visível ao coração! Que a lâmpada do teu amor arda sem cessar em nossos corações, desde o anoitecer ao amanhecer, em perene acção de graças.
2. Senhor, Jesus Cristo, Tu és o único verdadeiro mensageiro do amor do Pai, mas quiseste fazer-nos participantes dessa tua missão. Louvado sejas, Senhor, pelos carismas dedicados especificamente à evangelização e à propagação da Tua palavra, presentes na nossa diocese: as Irmãs Missionárias do Espírito Santo , os Padres da Congregação do Espírito Santo, as Irmãs Salesianas - Filhas de Maria Auxiliadora, a Congregação dos Missionários Passionistas, a Companhia de Santa Teresa de Jesus, as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição e as Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição e de S. Miguel. Que todos nos alimentemos da Tua Palavra e esta esteja sempre em nossos lábios.
3. Senhor Deus, nosso Pai, que continuas a actuar no mundo, através da força do Teu Espírito, nós te Louvamos, Força do Amor! Força do Pai! É o teu poder transformador que nos torna testemunhas do Teu Reino já presente neste mundo! Louvado sejas pela força do teu Espírito que se manifesta nos Institutos Seculares presentes entre nós: Voluntárias de D. Bosco, Caritas Christi, Servas do Apostolado Missionário e Cooperadoras da Família, que são fermento de esperança na massa deste mundo que resiste em levedar. Envia, Senhor, sobre todos nós, o Teu Espírito para sermos testemunhas do teu amor no dia a dia.
Estes, em Viana, e muitos outros, pelo mundo fora, estamos, de onde em onde, ao serviço da esperança. Cada um segundo o seu carisma, que é como quem diz, segundo o seu estilo e a aportação que o Espírito lhe infunde.
O singelo cartaz da Semana da Vida Religiosa tem no centro uma cruz contornada por uma aspiral em ascensão; sobre ambas se derrama uma densa chuva de línguas de fogo de muitas cores e formas várias. A Vida Religiosa enquanto dom é chuva fecunda de alegria e compromisso, audácia, valentia e generosidade. Alguém disse que no Céu se entra com uma carta de apresentação dos pobres. Se assim é como creio, podemos vê-la a ser escrita pelos Consagrados, hora a hora, com letras em forma de testemunho, em todos os campos da vida, desde os sem fé aos sem nada, dos piedosos e misericordiosos à educação dos infantes, das novas formas de injustiça ao mundo da cultura.
Aonde as brechas inundarem a humanidade de gelo e de frio, aí se faz sentir a leveza do brilho da chama do Espírito de Deus comunicado pela presença dos Consagrados. Ainda não viu?
O problema não é do Espírito Santo!
Chama do Carmo I NS55 I Janeiro 31, 2010

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Papa quer padres na net

Bento XVI quer que os padres aproveitem as potencialidades das novas tecnologias, na área da comunicação, marcando uma presença diferente no mundo “digital”.
Os sacerdotes, indica o Papa, devem “anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis, inclusive para a evangelização e a catequese”.
“Os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e pastoralmente ilimitadas”, acrescenta.
Os desafios são lançados na mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, que terá como tema “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios a serviço da Palavra”e será celebrado a 16 de Maio de 2010.
"A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios actuais de comunicação", indica o Papa.
A celebração deste ano pretende levar os padres a considerar os novos meios de comunicação como um recurso para o seu ministério.
“O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo”, indica Bento XVI.
Reconhecendo que “os modernos meios de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem”, o Papa precisa que “a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal”.
Para Bento XVI, as “vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas” tornaram-se um instrumento útil para abordar “ questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil”.
“Pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações”, acrescenta.
Em pleno Ano Sacerdotal, o Papa escreve que o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma "história nova", porque “quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais o sacerdote será chamado a ocupar-se pastoralmente disso, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra”.
Bento XVI alerta para o risco de uma utilização “determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado”.
“Aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o papel próprio de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital”, observa.
Através dos modernos meios de comunicação, assinala Bento XVI, “o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios - adquirido já no período de formação - com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte”.
“No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede»”, diz ainda.
O Papa lembra a necessidade de assegurar sempre “a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais”.
“Uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas”, frisa Bento XVI.
A mensagem para este dia é publicada todos os anos a 24 de Janeiro, por se celebrar a memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro das comunicações sociais. Este ano foi antecipada por este dia coincidir com um Domingo.
Texto e foto: Ecclesia.

Domingo IV Tempo Comum

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Oração pelos Consagrados

Pai de imenso amor e omnipotente,
fonte da minha esperança e da minha alegria.

«Tudo o que é meu é teu.»
Pai, acredito firmemente:
o teu amor ultrapassa-nos até ao infinito.
Como pode o amor dos teus filhos competir com o teu?
Oh! A imensidade do teu amor paterno!
Tudo o que é teu é meu.
Aconselhaste-me a rezar com sinceridade.
Então confio-me a Ti, Pai pleno de bondade.

«Tudo é graça.»
Pai, creio firmemente:
ordenaste desde sempre,
todas as coisas para nosso maior bem.
Não cessas de guiar a minha vida.
Acompanhas cada um dos meus passos.
Que poderei temer?
Prostrado, adoro a tua santa vontade.
Entrego-me totalmente nas tuas mãos,
é através de Ti que tudo acontece.
Eu que sou teu filho, creio que tudo é graça.

«De tudo sou capaz naquele que me dá força.»
Pai, creio firmemente:
nada ultrapassa o poder da tua Providência.
O teu amor é infinito,
e eu quero aceitar tudo com coração alegre.
O louvor e o reconhecimento são eternos.
Unidos à Virgem Maria,
associando as suas vozes às de todas as nações,
S. José e os anjos cantam a glória de Deus
por todos os séculos dos séculos.
Ámen.

Congresso de formadores europeus

Cerca de 40 Carmelitas Descalços, formadores das Províncias carmelitanas de Itália, Portugal, França, Hungria, Polónia, Croácia, Áustria, Bélgica, Malta, Espanha, Líbano e Egipto estão reunidos em Ávila para estudar a temática «Discernimento da vocação e acompanhamento vocacional».
Na abertura do Congresso o P. Pascual Gil, Presidente da Conferência Europeia de Provinciais saudou os congressistas e aproveitou para contextualizar a realidade dos Encontros Europeus de Estudantes (jovens professos), que tiveram origem em Beas de Segura (Espanha) no ano de 1990.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Domingo III Tempo Comum

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Quando um membro sofre, todos sofrem com ele

E agora o Haiti não nos sai da cabeça. As imagens acumulam-se sobre imagens, e os relatos sobre relatos. Creio firmemente que somos poupados ao pior de tudo, ao pior horror. Ainda assim contemplamos a tragédia como quem a esconjura para longe, como quem procura afastar os nevoeiros dum sonho mau.
Depois do abalo que fez ruir os prédios e os palácios e deixou erguidas as barracas mais pobres, a audácia maior era a de escapar com vida, e a tragédia maior o socorro e amparo dos sobreviventes.
Doem-me mil feridas que se remultiplicam na tragédia dos sobreviventes. Dói-me o Haiti. E oxalá a dor continue a doer, e jamais alguma foleirice obnubile aquela rasgão que demorará anos a curar.
O Haiti é um membro sofredor; cabe ao resto do corpo — a comunidade internacional, a comunidade dos cristãos —, condoer-se com as dores daquele membro. E sará-lo.
É o que diz hoje a segunda leitura da Missa tirada da primeira Carta de Paulo aos cristãos de Corinto.
Em cem segundos um país mudou. E poucos foram os que no corpo nada sofreram. Mas a tragédia acabou tocando a todos, marcando-lhes a alma, arranhando-lhes os sonhos, torcegando-lhes os sentimentos.
Quão fina é a linha entre a vida e a morte!
Todos sofremos no Haiti. Um corpo não sobrevive muito tempo com um membro estroncado e paralisado. O que dói no Haiti a todos dói.
O Santo Padre já confirmou: morreram o bispo de Porto Príncipe, muitos sacerdotes, religiosos e religiosas e muitos seminaristas. Para além de figuras de Estado, do pensamento e das artes, do voluntariado internacional, da classe média e de todas as classes. As quase inexistentes estruturas civil, política e administrativa também ruíram. Quando se dá um tão grande recuo da capacidade de intervenção da vontade humana quase só resta Deus: «Agora no Haiti manda Deus», gemeu desamparado um popular.
Seja, mas sinceramente não sei que coisas pensarão os haitianos quando este domingo forem à Missa. Como enfrentarão eles a Palavra de Deus quando escutarem a proclamação do Evangelho:«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos; um ano favorável da parte do Senhor»?
Para eles já será boa notícia se tiverem de comer, se souberem que amanhã alguém lhes trará farinha e água. Que dentro de algum tempo vão reganhar a vida voltando ao trabalho. E ter um tecto que os cubra. Como enfrentarão eles, tão doridos e tão sem nada, a certeza de Jesus: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir»?
Jesus confirma que a Escritura se cumpre no hoje da vida das pessoas que O ouvem! Mas, como será precisa a fé e a disposição para ver a vida com olhos de haitiano — isto é, vê-la ao contrário do que ela é quando é serena e ordenada —, vê-la com os olhos de Jesus para ver que a Escritura se cumpre! Sim, soará muito estranho neste domingo aos cristãos haitianos ouvir o texto que o profeta Isaías escreveu 500 anos antes de Jesus o ler e comentar na sinagoga de Nazaré. Séculos depois Jesus soube actualizá-lo para o hoje do seu tempo, porque serviu os pobres, os cativos e os cegos e assim traduziu a Boa Nova em vida: o seu serviço foi anúncio libertador para aquele hoje.
Hoje Jesus traz a promessa do cumprimento da boa notícia do Evangelho também para o destroçado Haiti, e menos para quem tem barriga cheia e não precisa de Boa Nova e por isso não a ouve nem a quer ouvir. Jesus insiste que a Escritura se cumpre nos ouvintes que O ouvem. Porque o Espírito O ungiu e O enviou para libertar. O cumprimento da Escritura é a própria pessoa de Jesus. Ele é a graça, a libertação e a consolação. Por isso, acreditar Nele é dar já hoje cumprimento à Escritura. Quando a Escritura fala fala Cristo, Ela é a Palavra de Deus que se fez carne em Jesus. É Nele que se acha a realização da Escritura. Ele é o desejo de Deus se nos comunicar, por isso, hoje, Ele chegará como pão, água, bênção e cura.
É domingo, o dia do Senhor. Em todo o mundo de matriz cristã renovaremos o memorial de Jesus. Uns celebraremos confortavelmente a Eucaristia, outros celebrá-la-ão no desgarro da tragédia e das ruínas. (E não apenas no Haiti) Hoje é domingo para todos, dia em que a Palavra de salvação se cumpre. Todos somos corpo de Cristo, no qual coexistimos unidos e diversos.
Em cada Missa nós vamos construindo o corpo de Cristo. Ele continua vivo, crescendo presente no mundo, actuando e libertando. Vamos colaborar, vamos reconstruir porque quando um membro sofre todos sofremos com ele.
Chama do Carmo I NS54 I Janeiro 24, 2010

Grupo de Crisma

Está em curso na Comunidade do Carmo a criação dum grupo de preparação para o Sacramento do Crisma. Destina-se a jovens dos 18 aos 25 anos. Se desejas reflectir e amadurecer a tua fé informa-te e inscreve-te na Secretaria.

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Oração

Senhor,
que a Tua Palavra toque o meu coração,
para que o Evangelho
afaste as nuvens do pessimismo e do cansaço
e traga a certeza do Teu amor.
Cria em mim,
o silêncio para escutar a Tua voz,
penetra no meu coração com a espada da Tua Palavra,
para que, à luz da Tua sabedoria,
possa avaliar as coisas terrenas das eternas,
a ser livre e pobre pelo Teu Reino,
testemunhando ao mundo
que Tu estás vivo no meio de nós,
como fonte de fraternidade, de justiça e de paz. Amén.
(Anónimo)

Haiti: todas as Irmãs estão bem

Só no Domingo à tarde foi possível confirmar a situação do Carmelo de Porto Príncipe. A prioresa Ir. Jaqueline Marie de la Trinité confirmou que todas as irmãs da comunidade e o mosteiro estão «sãs e salvas».
A incerteza que se viveu ficou a dever-se às notícias contraditórias que foram chegaram por canais diversos à Casa Generalícia, e à impossibilidade de comunicar com o carmelo. Porém, essa dificuldade já foi ultrapassada através dum contacto presencial. As irmãs pedem simplesmente que «sigam rezando pela difícil situação em que o país se encontra imerso».