domingo, 22 de Novembro de 2009

Jesus, tu és o Cristo

Jesus, Tu és o Cristo, o Messias enviado de Deus!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o nosso único Salvador!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o nosso Rei!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Senhor!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Senhor do Universo, o Senhor do Mundo!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és a Testemunha fiel do Amor do Pai!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és verdadeiramente o nosso Deus!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Descendente de David!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Filho do Homem, descende sobre as nuvens;
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Príncipe, o mais belo de todos os filhos dos homens!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Alfa, o sentido primeiro e o princípio de toda a nossa Vida!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

Jesus, Tu és o Ómega, a meta última e o final feliz da nossa Vida!
Senhor, venha a nós o Teu reino.

sábado, 21 de Novembro de 2009

A vida inteira

Falamos de Ti
como se Tu nos tivesses amado primeiro uma só vez.
É, porém, dia após dia, a vida inteira,
que Tu nos amas primeiro.
Quando acordo pela manhã e elevo para Ti a minha alma,
Tu és o primeiro,
Tu amas-me primeiro.
Se pela madrugada me levanto,
e logo
para Ti a minha alma e a minha oração elevo,
Tu precedes-me,
Tu já me amaste primeiro.
É sempre assim.
E nós, ingratos,
falamos como se Tu nos tivesses amado primeiro
uma só vez…
(Soren Kierkgaard)

Obrigado, grande Rei!

Terminamos o ano litúrgico colocando Jesus no lugar mais alto das nossas vidas. Não é uma entronização encenada de poderes e resplendores que muito encenam e nada são. O que sim, o que nós declaramos com a nossa presença nas igrejas e com a celebração desta festa é que Jesus é a nossa referência maior, e o referente de toda a pessoa que trabalha pela verdade e pela justiça, pela reconciliação e pela paz.
Jesus é rei porque anunciou e inaugurou o reino de Deus. Mas o que é o reino de Deus? Aqui fica a resposta com as respostas erradas. Só depois vem a certa.

Os nacionalistas
identificavam o reino de Deus com a restauração da monarquia do célebre rei David. Esse reconhecimento implicava obviamente um confronto militar com o Império Romano que ocupava Jerusalém. Jesus nunca assumiu esta posição.

Os sacerdotes
identificavam o reino de Deus com a restauração do Templo de Jerusalém. Jesus jamais assumiu essa opção; antes preferiu chamar ao Templo uma «cova de ladrões» e um «mercado».

Os fariseus
identificavam o reino de Deus com o império da Lei. Segundo eles o Messias ensinaria todo o Povo a cumprir excelentemente a Lei e assim se construiria o reino de Deus. Esta também não é a opção de Jesus, que sempre pôs a Lei ao serviço do homem!

Jesus
seguiu por outro caminho e identificou o reino de Deus com a vida do povo pobre e oprimido. Jesus é rei porque cura os doentes e dá vida aos mortos; porque veio trazer vida e vida em abundância. Jesus é rei e reina na cruz, desde a pobreza e o despojamento, o não-poder e a identificação com os pequeninos. Jesus é rei porque proclama e inaugura o reino de Deus, um reino que não se identifica nem com a monarquia nem com o Templo nem com a Lei, apenas com o povo pobre. O poder de Jesus Rei é o poder de libertar da opressão.

Para nós
proclamar Cristo como Rei é viver diariamente os valores do seu reinado. Ele quer ser proclamado Rei pela humildade do nosso serviço à vida, pelo nosso compromisso com os pobres, pela afirmação do nosso testemunho pessoal nos ambientes onde acontece a nossa vida: nas nossas famílias, nas nossas escolas, nos nossos trabalhos, nos nossos amigos. Jesus é hoje Rei se O soubermos afirmar como Ele se disse a Si mesmo e aos mesmos a quem Ele se disse e por quem ofereceu a Sua vida.
Na solenidade de hoje proclamamos que Jesus é Rei, porém, convém recordar o aviso que Ele nos deixou: «O meu reino não é deste mundo»!
Afinal a sua autoridade e o seu poder encontram-se na sua maneira de viver, de se relacionar com as pessoas, de estar próximo dos desamparados e dos sofredores.
Jesus não impõe a sua presença. Jesus não castiga nem condena, nem excomunga nunca ninguém. Jesus apenas convence a quem tem fome de libertação. Ele liberta e fermenta em nós a comunhão e a libertação.

Nós
somos o rosto da Igreja. E cabe-nos a grata tarefa de mostrar aos homens e mulheres deste mundo o rosto amoroso e acolhedor de Deus. É preciso para isso púlpitos e sermões? Não. É bastante que o digamos com a experiência da vida no dia a dia.
E que Deus temos nós experimentado? Sempre que participamos na Eucaristia saímos libertados que libertam, ou o encontro com Ele nada liberta em nós, a nada nos compromete, a nada nos impele? A sua presença clara e luminosa e o seu olhar lavam-nos os olhos a fim de O reconhecermos nos pobres e necessitados? Assim reina Jesus, hoje e sempre! Na medida em que o acreditemos — que acreditemos na maneira sem poder de reinar —, assim nós iremos desvelando a presença do reino salvador de Deus no nosso mundo, mas que, sobretudo, como dizia Jesus, está presente em cada um de nós. Obrigado, ó grande Rei!
Chama do Carmo I NS 45 I 22 Outubro 2009

Venha a nós o vosso reino!

Pai nosso que estás e reinas no Céu
que estás também e queres reinar na Terra
ajuda-nos a ser e viver como irmãos.

Que o teu nome seja bendito, santificado, respeitado;
que todos Te conheçam,
e que nós Te demos a conhecer na nossa vida.

Que venha o teu Reino: que venha a justiça,
a solidariedade, a paz:
que ninguém morra de fome, nem de sede, nem de ódio;
que ninguém seja explorado, oprimido,
que ninguém seja excluído, marginalizado, descriminado.

Que venha o teu Reino, o teu Espírito,
e se apodere dos nossos corações
e comece neles a reinar com força,
para que nos empenhemos já em fazer a tua vontade
na terra, como se faz no céu;
para que antecipemos já no solo
o reino de solidariedade que há no Céu.
Amen.
(José E. Ruiz de Galarreta)

Breve Sumário da História de Deus

«Ainda que todas as coisas passadas sejam notórias a Vossas Altezas, a história de Deus tem tais profundezas que nunca se perdem ser recontadas.» (Gil Vicente, Auto do Breve Sumário) e assim se vai repondo em cena o Breve Sumário da História de Deus, que o encenador Nuno Carinhas justifica por ser «absolutamente pertinente» debater a vida e a religião; porque «pode estar a nossa sociedade arredada desse livro fundamental que é a Bíblia?»; porque «parece que há um luxo mais entre os católicos que entre os protestantes, de não querer saber, de não querer reflectir.»
A ver no Teatro Nacional São João, até 20 de Dezembro.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Alakrana

A Estrela do Mar é Nossa Senhora do Carmo. Em Espanha os marítimos da Galiza e do País VCasco, entre outros, têm-na por padroeira. Num dos portos viscaínos (perdoem-me erros político-histórico-geográficos, se os há.) existe uma capela subaquática dedicada a Nossa Senhora do Carmo. Não há barco de pescadores que por ali passe que não se sinta abençoado por tão boa padroeira. E também é costume que uma imagem do Carmo presida a cada navio. É a tradição.
O Alakrana é um pesqueiro basco. Nos últimos tempos foi aprisionado ao largo da Somália. O seu capitão Ricardo Blach narrou ultimamente que depois do pesqueiro ter sido sequestrado por piratas samalis estes lançaram borda fora a imagem de Nossa Senhora do Carmo, que agora descansa no fundo dos oceanos.
Mas podia ter sido pior. O capitão contou que os sequestradores ainda se mostraram benignos, «porque se fossem os daquele clã (que se encontrava ao largo) tínheis morrido».
«Verdade ou mentira não sei, disse o capitão, pois passamos por tanto que até deliramos!».

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Preces pelos sacerdotes

Maria, Mãe dos sacerdotes, intercede junto do Seu filho por todos nós. Irmãos e irmãs, peçamos a Maria que proteja todos os sacerdotes para que possam realizar com amor e dedicação o seu apostolado. Oremos ao Senhor: — Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.

1. Peçamos a intercessão de Maria por todos os vocacionados, para que a Mãe os ajude a discernir a sua vocação na Igreja de Cristo. Oremos ao Senhor.

2. Peçamos a intercessão de Maria por todos os neo-sacerdotes, para que encontrem na Mãe o testemunho, modelo de vida e de missão, para realizarem o seu apostolado na Igreja de Cristo. Oremos ao Senhor.

3. Peçamos a intercessão de Maria por todos os sacerdotes enfermos e pelos debilitados que já realizaram o seu apostolado com amor e dedicação, para que encontrem na Mãe conforto e carinho nas horas de maior necessidade. Oremos ao Senhor.

4. Peçamos por intercessão de Maria por todos os sacerdotes falecidos, para que a Mãe interceda por eles como advogada junto de seu Filho Jesus. Oremos ao Senhor.

V. Ó Jesus, Pastor Eterno das nossas almas,
R. Enviai bons trabalhadores para a Vossa seara.

Pai Nosso.

Oração final
Ó Jesus, Mestre divino, que chamastes os Apóstolos a seguir-Vos, continuai a passar pelos nossos caminhos, pelas nossas famílias, pelas nossas escolas e continuai a repetir o convite a muitos dos nossos jovens. Dai alegria e coragem às pessoas convidadas. Dai-lhes força para que vos sejam fiéis como apóstolos leigos, como sacerdotes, como religiosos e religiosas, para o bem do Povo de Deus e de toda a Humanidade. Amen.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Tiradas (II)

«Durante o Ano Sacerdotal vou levar os miúdos da catequese ao Seminário e a um convento; não quero que lhes acontece o que me aconteceu a mim: só fui a um Carmelo quando tinha 50 anos! Encontrei lá uma noviça linda como as estrelas! Entrou lá contra a vontade da família, mas agora tem uma saobrinha de 14 anos que diz: — Vou ser como a tia!
Eu pobre de mim, não tenho um sobrinho que diga: — quero ser padre como o tio!»
(Outro participante do XV Fórum Sacerdotal)

sábado, 14 de Novembro de 2009

A influência da família em S. Teresa

A família é a primeira escola onde se aprende a ser pessoa em relação (acatar ordens, negociar, pensar nos outros, renunciar a certos gostos, ser generosos, partilhar, dedicar-se, dar e receber carinho).
A família de Santa Teresa terá alguma coisa a dizer-nos, hoje? Dom Alonso perdeu a sua primeira mulher. Ficou viúvo muito novo, com dois filhos, e voltou a casar. Teresa (28.3.1515) é filha do segundo casamento de Dom Alonso com Dona Beatriz de Ahumada (uma jovem de Olmedo, de 15 anos). Dois filhos do primeiro casamento, mais dez do segundo, fazem com que na família de Teresa haja 12 irmãos.
Teresa já é freira e os seus confessores mandam-lhe que faça um relato da sua vida espiritual, das mercês que o Senhor lhe faz. Ela remonta à infância. Começa por dizer: “O ter pais virtuosos e tementes de Deus me deveria bastar se eu não fosse tão ruim…, com o que o Senhor me favoreceu para ser boa” (V 1, 1).
Teresa reconhece que tudo o que é em adulta começou a forjar-se na infância, vendo como viviam os pais, relacionando-se com os irmãos, partilhando a amizade com os seus familiares. Vamos dividir esta reflexão em três alíneas: Pais, irmãos e familiares. Nascemos, vivemos e morremos entre eles. Deles e com eles, aprendemos a ser pessoas.

1. OS PAIS
Teresa reconhece a influência de seus pais, as suas virtudes, como viviam a sua relação com Deus…Para ela foram um dom de Deus e o espelho onde se revia.
1. Seu pai era afeiçoado “a ler bons livros, e por isso os tinha em vernáculo para que os filhos os lessem.” A mãe gostava dos “livros de cavalaria” (V 1,1). O resultado foi que estes costumes dos pais despertaram em Teresa o gosto pela leitura.
Quinhentos anos depois, muitos de nós continuamos a acreditar na influência educativa que tem a vida dos pais na dos filhos: as reacções, conversas, gestos, divertimentos, esperanças, crenças… tudo educa. Ser pai é transmitir vida e a tarefa não termina com dar à luz os filhos.
2. “O cuidado que a minha mãe tinha em nos fazer rezar e em sermos devotos de Nossa Senhora e de alguns santos, começou a despertar-me, na idade – segundo creio – de seis ou sete anos”.
Actualmente, muitos de nós continuamos a defender a necessidade de pôr os filhos em contacto com Deus, de educar a sua dimensão transcendente, de agradecer a Deus a vida, de rezar. Porque, nos nossos dias, manifestar publicamente a fé é um acto de coragem e coerência. E porque teremos de nos acobardar perante os que põem em ridículo a nossa religião? A vivência da fé na família continua a ser actual e necessária para o crescimento equilibrado dos filhos.
3. “Era meu pai um homem de muita caridade para com os pobres e de piedade para com os doentes (…), era de grande verdade. Nunca ninguém o viu jurar ou murmurar. Sobremaneira honesto”. “Ajudava-me não ver nos meus pais senão apoio para a virtude: tinham muitas” (V 1, 2).
Hoje, muitos de nós continuamos a apostar em recuperar o valor da verdade, da honradez e da honestidade. Se, na sociedade, respiramos mentira, egoísmo, deslealdade e ânsia de poder a qualquer preço, é porque na família não “se dá valor aos valores”. É urgente recuperar a eficácia da educação das virtudes: fortaleza, temperança, prudência, justiça, fé, esperança, caridade.
4. “A minha mãe tinha também muitas virtudes, e passou a vida com grandes enfermidades. Grandíssima honestidade (…), muito serena e de grande entendimento” (V 1, 3).
Quinhentos anos depois, continuamos a reconhecer a grandeza das nossas mães. E surpreendemo-nos a fazer coisas que elas faziam, usando expressões que elas diziam, admirando e agradecendo uma vida de entrega silenciosa e muitas vezes sacrificada.
Continuamos a acreditar que ser mãe significa defender a vida do filho, antes e depois de ele nascer. Continuamos a acreditar que o sacrifício é um valor vigente e necessário na família e na sociedade. E que a capacidade de sofrimento e de renúncia torna o homem forte face às dificuldades. Serão fortes e sofridos os nossos jovens?
5. “Lembro-me de que, quando a minha mãe morreu, tinha eu pouco menos de doze anos de idade. Quando comecei a compreender o que tinha perdido, fui-me aflita a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-lhe com muitas lágrimas que Ela fosse minha mãe. Parece-me que, embora o tenha feito com candura, me tem valido” (V 1,7).
Quinhentos anos depois damo-nos conta de que o maior conflito, o maior sofrimento que existe numa família continua a ser a doença e a morte dos seres queridos.
A morte dos pais, quando os filhos são ainda pequenos, envolve a família num mar de incerteza e insegurança. A solidão converte-se em companheira absoluta, surgem com força as perguntas pelo significado da existência e a pessoa fica como que desvalida, desprotegida pela ausência do pai ou da mãe. Quando se tem fé, pode-se recorrer ao Senhor, à Virgem Maria, pode-se rezar mesmo que não se compreenda, mas a dor e as lágrimas são inevitáveis: “Supliquei-lhe com muitas lágrimas que Ela fosse minha mãe”.
Vivemos numa sociedade cheia de contradições. Por um lado, envolve-nos a violência e a morte nos telejornais, nos filmes, nas séries televisivas e nos jogos de vídeo. Por outro, evitamos falar da outra vida, do mais além. Habituando os filhos a brincar com a morte, tiramos valor à vida.
“Foi coisa para louvar o Senhor a morte que teve (meu pai), e o desejo que tinha de morrer, os conselhos que nos deu… encarregando-nos que o encomendássemos a Deus… que víssemos como tudo acaba” (V 7, 15).

II. OS IRMÃOS
1. “Éramos três irmãs e nove irmãos. Todos se pareciam com seus pais – pela bondade de Deus – em serem virtuosos” (V 1, 4).
Quinhentos anos depois, os investigadores e estudiosos da família descobrem que a relação entre os pais determina a relação entre os irmãos. Se vêem coerência de vida nos pais, aprendem a ser coerentes.
2. “Tinha um irmão quase da minha idade (…) Juntávamo-nos a ler vidas de santos. (…) Espantava-nos muito dizer que pena e glória era para sempre (…) Acontecia-nos estar muito tempo tratando disto e gostávamos de dizer muitas vezes: para sempre, sempre, sempre! Com pronunciar isto muito tempo era o Senhor servido que me ficasse impresso, na meninice, o caminho da verdade” (V 1, 5).
Hoje, continuamos a defender a importância das relações entre irmãos. Do ponto de vista social, são um ensaio, uma preparação para a inserção de crianças e jovens no grupo de amigos, na escola e na sociedade. Do ponto de vista pessoal, estas relações determinam o desenvolvimento e a configuração da personalidade e das crenças, porque os irmãos têm tendência a imitar-se.
3. “Dava esmola como podia, e podia pouco. Procurava solidão para rezar as minhas devoções, que eram bastantes, em especial o Rosário, de que a minha mãe era muito devota, e por isso nos fazia sê-lo” (V 1, 6).
Quinhentos anos depois, continuamos a observar que cada um sabe o que lhe ensinam. E que uma sociedade sem Deus, como a nossa, é fruto de uma série de causas que convergem, entre as quais está a educação na família e na escola. Em que momentos ou acontecimentos da vida reza a família de hoje? Quem vai ensinar os filhos a rezar quando desapareça a geração das avós? Que sinais religiosos vêem os nossos filhos nas suas casas? Em que celebrações da fé participa toda a família? Quem educa a dimensão transcendente das nossas crianças, adolescentes e jovens?
4. Teresa interessa-se pela sorte e negócios de seus irmãos: “Nada me dá tanto contentamento como o de que os meus irmãos, a quem tanto amo, tenham luz para querer o que é melhor. (E digo-lhes) agora que ponham todos os seus negócios em Suas mãos, que sua Majestade fará em tudo o que mais nos convém” (Carta 23, 3).

III. OS FAMILIARES
1. “Tinha uns primos irmãos… Eram quase da minha idade, pouco mais velhos do que eu; andávamos sempre juntos… Recebi toda a má influência de uma familiar que frequentava muito a nossa casa”. Meu pai e minha irmã lamentavam muito esta amizade” (V 2, 4).
Quinhentos anos depois, assistimos ao efeito produzido por uma má companhia. “Sobretudo no tempo da mocidade deve ser maior o mal que causa” – diz Santa Teresa.
E a experiência diz-nos que isto continua a ser verdade. Muitos pais procuram com todo o cuidado uns bons amigos para os seus filhos e temem sempre que se juntem com más companhias.

CONCLUSÃO
De tudo isto, fica-nos uma certeza: Santa Teresa teve a sorte e o dom da família. O ter pais virtuosos, irmãos com quem partilhava sonhos e esperanças… tudo isso fez dela uma mulher de fé firme, comprometida com a vida, dependente de Deus e com desejo de procurar e viver “a verdade de quando era menina”.
O testemunho da vida de Teresa de Jesus tem de nos dar forças para sermos defensores da família como sustentáculo e força da sociedade, como a melhor escola de valores. Tem de nos fortalecer na certeza de que a família é um valor para a sociedade e não podemos permitir que ninguém ponha em ridículo nem ataque a sua existência.
Deve tornar-nos críticos dos meios de comunicação e de todos o que se empenham em nos oferecer modelos de relações familiares em que não existe o respeito, nem o amor para com o outro, nem a defesa da vida e da dignidade humanas.
Basta-nos acender a televisão em qualquer dia, e até me atreveria a dizer a qualquer hora, para ver e escutar história de famílias em que tudo vale, histórias de jovens sem pudor, sem um questionamento sério sobre a vida. Onde está o direito da família a ser protegida pelo Estado se, na Televisão pública, se destrói a família?
A família actual vive num mar de incertezas. Assistimos a uma ausência de valores humanos, sociais e religiosos. Os pais preocupam-se com a educação dos filhos e do seu futuro. Os filhos vivem à margem dos pais. Perante este panorama, permitam-me que lhes diga:
Teresa escolheu viver na família carmelitana. Também nela havia grandes problemas para os quais era difícil encontrar solução. O que ela via na sua Ordem, vamos aplicá-lo ao que qualquer pai ou mãe vive na sua família.
“Estando um dia muito amargurada com o remédio da Ordem, disse-me o Senhor: ‘Faz o que estiver na tua mão e deixa-Me tu a Mim e não te preocupes com nada; goza do bem que te foi dado, que é muito grande; o meu Pai deleita-Se contigo e o Espírito Santo ama-te’ (CC 10ª,Toledo, Junho de 1570).
É esta a mensagem que eu gostaria de transmitir hoje aos pais e mães: que reconheçam o bem da família, que gozem dela, que agradeçam a Deus o dom dos filhos, que aproximem os filhos de Deus e os ponham nas Suas mãos. Que acreditem e vivam o amor que Deus lhes tem. Pusemos Deus fora dos nossos lares e até da nossa vida. Talvez esteja nisso todo o problema.
Que Teresa de Jesus nos sirva de modelo na oração, na fortaleza de vida, na confiança no Deus que nos salva e a Quem devemos tudo!
Júlia Villa Garcia
Trad. P. Vasco Nuno

Para este Domingo

Era uma vez um rei que estava quase a morrer. Mandou então chamar o bobo da corte que mais o fazia rir com as suas piadas. Mas nem o melhor humor lhe arrancou um sorriso.
— Porque estais tão triste, Majestade?, perguntou.
— Porque vou fazer uma grande viagem, respondeu o rei.
— Mas como ides fazer um longa viagem se não estais preparado? Onde estão as vossas malas? E as vossas roupas? Onde estão os cavalos?
— É esse o problema, respondeu o rei. Descuidei-me! Estive sempre tão ocupado com outras coisas e agora tenho pouco tempo para me preparar.
— Tomai, pois, a minha gorrra, respondeu-lhe o bobo, ficai com o meu apito e as minhas campainhas, pois sois mais tonto que eu. Ides fazer a viagem mais longa da vossa vida e a única coisa que ocorer é chamar-me!

Oração sacerdotal

Senhor, és a minha herança:
toda a minha riqueza,
toda a minha vida,
toda a minha esperança!

Não me deste sequer
um palmo de terra,
para construir,
em paz e em segurança,
a casa e a família de sangue!

Mas és Tu, para Mim,
a vasta Terra da Promessa,
para onde parto, cada dia,
sem renda e sem garantia,
deserto fértil da funda alegria
de servir os teus filhos sem conta
ou sem emenda!

Senhor,
não me dês a Terra onde Te encontrar,
porque estás sempre na minha presença,
e a herança que me toca
é comer da Tua Palavra,
beber do teu cálice
viver do teu serviço.

Projecta-me em Ti,
Pátria do meu coração.
Abandona-me à Tua direita
para conhecer as delícias
que dás aos teus eleitos,
sem tempo, e sem medida!

Domingo XXXIII do Tempo Comum


Tiradas (I)

— «Se o povo de Deus rezasse pelos padres quanto os critica eramos todos santos!»
(Um dos participantes no XV Forum Sacerdotal)

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Um evangelho vocacional

— «Se a nossa pastoral não for vocacional será um aborto!»
(D. António Monteiro, citado pelo Pe Jorge Madureira)

— «Será que somos padres/pais que geram vocações?»
(Pe Jorge Madureira)

— «Um dos frutos que se podem esperar do Ano Sacerdotal é o encontrar a chave do aumento de vocações sacerdotais.»
(Pe Jorge Madureira)

— «Será que estamos a educar para a diferença cristã, que apele para a entrega e a fidelidade?»
(Pe Jorge Madureira)

— «Dizem as estatísticas que 12% dos jovens sentem em algum momento uma inquietação vocacional. Perdêmo-los porque não estamos próximos para perceber esse desabrochar e responder a essa inquietação.»
(Pe Jorge Madureira)

— «O Padre deve chamar um a um os jovens para que se ponham diante de Deus, a fim de ler em si a intenção de Deus a seu respeito.»
(Pe Jorge Madureira)

— «A vocação é um tesouro da Igreja, amada por Jesus, que a promove em grupo de colaboradores: temos de chegar à apresentação explícita da vocação.»

(Pe Jorge Madureira)

— «O Padre é um evangelho vocacional. É uma boa nova.»
(Pe Jorge Madureira)

— «A infância ainda é o tempo da sementeira vocacional. mas a vocação é para todas as idades: ontem apareceu-me um senhor de 78 anos querendo ser padre!»
(Pe Jorge Madureira)

Kerit, retiro de silêncio

Os Jovens Carmelitas propõem um Kerit, que é um retiro de silêncio em Avessadas. Será de 27 a 29 de Novembro. Para quem já foi crismado. Mais informações no carmojovem@gmail.com

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Saborosas pitadas

Mais saborosas pitadas do XV Fórum Sacerdotal. São do Cón. Emanuel Silva, jovem sacerdote de Portalegre. Vale a pena ler (e meditar):

— «As palavras que salvam o mundo estão inventadas; agora só falta salvar o mundo.»
(Almada Negreiros, citado pelo Cón. Emanuel Silva)

— «Se queres chegar depressa, caminha sozinho. Se queres chegar longe, caminha acompanhado.»
(Provérbio africano, citado pelo Cón. Emanuel Silva)

— «A pedra que atiramos aos outros ferem mais a nossa mão.»
(S. Gregório Magno, citado pelo Cón. Emanuel Silva)

— «Eu não preciso de amigos que façam o que eu faço, porque a minha sombra faz isso melhor que eles. Não devemos desistir de acolher a diferença: a caridade suplanta tudo.»
(Um amigo citado pelo Cón. Emanuel Silva)

— «O sacerdócio só se entenderá bem no Céu!»
(Con. Emanuel Silva)

— «Não é mau que o sacerdote seja surpreendido em flagrante delito diante do Sacrário!»
(Cardeal de Viena num retiro a sacerdotes, citado pelo Cón. Emanuel Silva)

— «O Bom Deus pediu-nos para sermos sal e não mel.»
(S. Cura d'Ars, citado pelo Cón. Emanuel Silva)

— «O importante é o subliminar. Diz que és sacerdote, mas di-lo com estilo!»
(Cón. Emanuel Silva)

— «Entre nós há muitos professores, agentes de viagens, gestores, agricultores, futebolistas, escritores, treinadores, construtores... 'que até parecem padres', como o povo desconfia!»
(Cón. Emanuel Silva)
— «O acolhimento é metade do sacramento.»
(Cón. Emanuel Silva, e nem o Cura d'Ars diria melhor!)

Prece

Senhor, deito-me na cama
Coberto de sofrimento;
E a todo o comprimento
Sou sete palmos de lama:
Sete palmos de excremento
Da terra-mãe que me chama
Senhor, ergo-me do fim
Desta minha condição:
Onde era sim, digo não,
Onde era não, digo sim;
Mas não calo a voz do chão
Que grita dentro de mim.
Senhor, acaba comigo
Antes do dia marcado;
Um golpe bem acertado,
O tiro dum inimigo ...
Qualquer pretexto tirado
Dos sarcasmos que te digo.

Miguel Torga
Vila Nova, 11 de Dezembro de 1934