O jejum que eu aprecio é que tu repartas o teu pão com o faminto.
Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
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quarta-feira, 5 de março de 2014
sábado, 25 de janeiro de 2014
Um sermão muito curto!
Conversão. Jesus era considerado galileu, por ter vivido quase só na cidadezinha de Nazaré. Ao tempo de Jesus a região da Galileia – literalmente, «A Província» – era uma região desprezada, por ser escura e sombria, porque ali se concentravam os pagãos alheios à fé judaica e outros não crentes indiferenciados. Por assim dizer, a Galileia foi naturalmente a primeira escolha e primeiro destino de Jesus para o anúncio da salvação do Reino. O Evangelho deste domingo descreve como Jesus se revela como o concretizador das promessas dos profetas: Jesus surge ali como a luz que começa a brilhar e propõe à humanidade a Boa Nova da chegada do Reino. Ao apelo de Jesus respondem logo os discípulos: eles são os primeiros! Coube-lhes receber em primeira mão a proposta de Jesus, e foram eles também os encarregados de ser testemunhas e portadores da Boa Notícia a toda a terra.
As palavras de Jesus eram curtas e directas. E por isso eficazes e anda redondas. Já ouviu o Sermão de Jesus?
Conta-se de um pároco de aldeia que certo dia, quase por acaso, se apercebeu que um dos seus paroquianos decidira não voltar a entrar na igreja. Tinha ele um argumento poderoso que sustentava tal decisão: o dito homem descobrira que podia falar directamente com Deus passeando livremente pela natureza, como se estivesse na assembleia dominical!
Uma noite o pároco decidiu visitá-lo. Bateu à porta e foi recebido. Sentaram-se ambos à lareira e os dois homens deixaram-se ficar palrando sobre mil assuntos, mas sem jamais abordar a participação na missa.
Ao fim de um bom bocado o pároco apanhou a tenaz e tirou uma brasa do lume, e acto contínuo colocou a brasa refulgente no chão entre os dois.
E ficaram a olhar.
E os dois viram que, pouco a pouco, a brasa começava a apagar-se até se ir desfazendo em cinza. Por sua vez, as outras ardiam valentemente e reluziam de calor e as suas chamas bailavam alegres sob os olhares de ambos.
O pároco permanecia em silêncio.
Finalmente o paroquiano quebrou o ruidoso silêncio, e disse: — No próximo domingo estarei na missa!
Talvez a historieta nada a tenha a ver com o evangelho deste domingo, ou talvez sim. Ali se narra que Jesus, cheio do Espírito Santo, depois do seu baptismo, deu início à sua caminhada evangélica, ao seu ministério.
O seu baptismo foi, poderíamos dizer, a sua graduação, o acto em que o Espírito assina o seu diploma e o Pai lhe confere o anel da união de amor.
E assim municiado partiu Jesus para a Galileia, a terra da escuridão dos pagãos e dos não crentes. E foi ali que começou a sua pregação. O sermão de Jesus era curtíssimo, tão curto que não há cristão que não conheça a música e a letra. Dizia: — É preciso mudar de vida. O reino de Deus está próximo!
Jesus não mudava a letra. E de música também não. O sermão que a antena das pessoas recolhia era só o da conversão: — É preciso mudar de vida. O reino de Deus está próximo!
Conversão não diz só respeito à mudança de costumes, nem tão-só às escravidões da carne, ou às seduções do mundo e às tentações. Não, isso não, pois estas sempre nos vão acompanhar ao longo da vida e nos irão tentar repetidamente.
Conversão é tudo isso e muito mais que isso: não podemos assumi-la só pela negativa, havemos de vê-la também pela positiva. Conversão é, sobretudo, encontrar-se com a força da mudança; e a força que nos impulsiona para a mudança é só uma: a pessoa de Jesus Cristo! Só em comunhão com Jesus é que alguém pode iniciar o caminho de mudança e de conversão!
Conversão é seguir o Senhor. E aquele que chamou Pedro, André, Tiago e João e Teresa foi Jesus! Só Ele nos empolga de tal maneira que descobrirmos ter encontrado o caminho verdadeiro e nos determinamos a segui-Lo!
Hoje somos nós os chamados a ser discípulos. Já ouviu, você, o convite de Jesus? Já O escutou a dizer o seu nome? Sente-se chamado? Julga, porventura, que é hoje mais difícil segui-Lo que antes? Já se deu conta da existência de um chamamento sociológico e de uma intransmissível resposta pessoal?
Para se ser discípulo de Jesus é importante deixar-se encontrar por Ele. Ele não força, mas vai passando, hoje e amanhã, junto à porta da sua casa ou do seu escritório, junto às redes do seu barco ou pela eira da sua casa. Tornar- se discípulo de Jesus é deixar-se fazer seu discípulo! Repare: conversão não é uma conquista, mas um ser conquistado. É muitíssimo importante deixar tudo e segui-Lo, porque «o Reino está próximo».
Não somos cristãos para nos salvarmos, mas para transformarmos o mundo em lugar agradável a Deus — o seu reino. E só existe um método: fazer-se pescador ao largo do mar da vida!
Chama do Carmo I NS 214 I Janeiro 26 2014
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sábado, 9 de novembro de 2013
Parágrafo teresiano
Aconteceu-me que, entrando um dia no oratório, vi uma imagem, que para ali trouxeram a guardar; tinham-na ido buscar para certa festa que se fazia na casa. Era a de Cristo muito chagado e tão devota que, ao pôr nela os olhos, toda eu me perturbei por O ver assim, porque representava bem o que passou por nós. Foi tanto o que senti por tão mal Lhe ter agradecido aquelas chagas, que o coração, me parece, se me partia e arrojei-me junto d’Ele com grandíssimo derramamento de lágrimas, suplicando-Lhe me fortalecesse de uma vez para sempre para não O ofender.
Era muito devota da gloriosa Madalena e muitas, muitas vezes, pensava na sua conversão, em especial quando comungava. Como sabia de certeza que o Senhor estava ali dentro de mim, punha-me a Seus pés, parecendo-me que não eram de rejeitar as minhas lágrimas; nem mesmo sabia o que dizia, que muito fazia Ele consentindo que as derramasse por Sua causa, pois tão depressa olvidava aquele sentimento.
Mas, esta última vez, desta imagem que digo, parece-me que me aproveitou mais, porque estava já muito desconfiada de mim e punha toda a minha confiança em Deus. Penso que Lhe disse então que não me levantaria dali até que fizesse o que Lhe suplicava. Creio certamente que me aproveitou, porque fui melhorando muito desde então.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA 9:1-3
domingo, 3 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Parágrafo teresiano
Quando comecei a ler as «Confissões», parecia-me ver-me ali. Comecei a encomendar-me muito a este glorioso Santo. Quando cheguei à sua conversão e li como ouviu aquela voz no jardim, não me parecia senão que o Senhor me falava a mim; de tal modo o sentiu o meu coração. Estive um grande bocado que toda me desfazia em lágrimas, e dentro de mim mesma com grande aflição e fadiga.
Oh! o que sofre uma alma, valha-me Deus, por perder a liberdade que havia de ter de ser senhora, e que tormentos padece! Admiro-me agora como podia viver em tanto tormento. Seja Deus louvado, que me deu vida para sair de morte tão mortal!
Estou convencida que a minha alma ganhou tantas forças da Divina Majestade, que deve ter ouvido meus clamores e ter tido dó de tantas lágrimas. Começou a crescer em mim a disposição de estar mais tempo com Ele e a tirarem-se-me dos olhos as ocasiões; porque, uma vez afastadas estas, logo voltava a amar Sua Majestade. Bem entendia eu, a meu ver, que O amava, mas não compreendia em que consistia o amar deveras a Deus, como o devia entender.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA 9:7.9
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