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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sobre a Bíblia


Os hebreus não colocavam títulos aos seus livros. Chamavam-nos pela primeira ou primeiras palavras de cada texto. Os nomes que hoje usamos para os livros bíblicos vêm do grego e expressam os conteúdos de cada volume.
O conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia, que são os fundamentais para os judeus, chama-se Torá, isto é, Lei; em grego: Pentateuco, cinco livros.
O primeiro livro da Bíblia chama-se em hebreu Bereshit («no princípio») e em grego Génesis, as origens.
O segundo livro chama-se Shemot («os nomes») e em grego Êxodo, a saída.
O terceiro chama-se Wayyiqrá («e chamou») e em grego Levítico, porque trata dos membros da tribo de Levi, os encarregados do culto divino.
O quarto chama-se Bamidbar («no deserto») e em grego Números, por causa das numerosa genealogias que guarda.
O quinto chama-se Debarim («palavras») e em grego Deuteronómio, isto é Segunda Lei, porque reelabora os conteúdos do êxodo.
Podemos dividir os livros do Antigo Testamento nos seguintes grupos:
1. Pentateuco: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio.
2. Livros históricos: Josué, Livros de Samuel, Livros dos Reis, Livros das Crónicas, Livros dos Macabeus, e outros menores.
3. Livros proféticos: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, e os doze Profetas Menores.
4. Livros poéticos: Salmos, Cântico dos cânticos, Lamentações; e Livros Sapienciais: Job, Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria, Eclesiástico.
Como é natural, os hebreus chamavam Tanaj ao que os cristãos chamamos Antigo Testamento.
O Novo Testamento consta dos seguintes grupos:
1. Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
2. Livro dos Actos dos Apóstolos.
3. Cartas de Paulo: nelas se inclui a Carta aos Hebreus cuja autoria será de um discípulo do Apóstolo.
4. Cartas Católicas, cuja autoria pertence aos Apóstolos Tiago, Pedro, João e Judas.
5. Livro do Apocalipse.
A actual divisão em capítulos e versículos é relativamente recente, e começou a usar-se na Idade Média para facilitar as citações. No séc XVI com o aparecimento da imprensa o seu uso generalizou-se.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Tradução possível


Não está permitido ler a Bíblia nas escolas.
Nas prisões, sim!
Se deixassem as crianças lê-la nas escolas,
muitos deles não iriam lê-la à prisão!!

[Que fazer com tanta ironia?]

sábado, 21 de novembro de 2009

Breve Sumário da História de Deus

«Ainda que todas as coisas passadas sejam notórias a Vossas Altezas, a história de Deus tem tais profundezas que nunca se perdem ser recontadas.» (Gil Vicente, Auto do Breve Sumário) e assim se vai repondo em cena o Breve Sumário da História de Deus, que o encenador Nuno Carinhas justifica por ser «absolutamente pertinente» debater a vida e a religião; porque «pode estar a nossa sociedade arredada desse livro fundamental que é a Bíblia?»; porque «parece que há um luxo mais entre os católicos que entre os protestantes, de não querer saber, de não querer reflectir.»
A ver no Teatro Nacional São João, até 20 de Dezembro.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mastigar a Bíblia


Para alguma coisa há-de servir ler jornais. Hoje valeu-me conhecer (ouvir falar de Erri di Luca, escritor italiano contemporâneo) Não tem fé, mas lê todos os dias, pela manhã, a Bíblia. Para abrir a dureza do crâneo. É capaz de ter razão. Aqui fica um excerto da entrevista que deu à Ipsilon de 6 de Novembro:

É verdade que começa o dia lendo versículos da Bíblia «para que o dia tenha um fio condutor»?
Acordo todos os dias estudando o hebraico antigo. Não sou crente. Tenho necessidade disso para despertar, como algo que acompanha o café, para forçar a caixa fechada do meu crânio.

Mas o hebraico da Bíblia ou de outros livros?
O hebraico antigo da Bíblia.

Porquê esse fascínio pelo texto bíblico?
Porque aquele é o formato original do qual descende toda a nossa civilização religiosa. Para mim aquele é um texto obrigatório. E aproveito de maneira escandalosa do facto de só eu o conhecer. E de poder desmascarar todas as traduções péssimas, ruins e mal intencionadas. Aproveito o talento que tenho, mas o texto deveria ser conhecido por todos.

É nesse sentido que fala da Bíblia como um caroço de azeitona?Sim. As palavras que lia de manhã, quando trabalhava como operário, tinha-as como companhia para todos o resto do dia. Remastigava-as no trabalho das obras e fazia como se fosse um caroço de azeitona que me ficava na boca.

Quando fala de caroço de azeitona quer dizer que a Bíblia é, como dizem os cristãos, um alimento?Um aperitivo.

Já traduziu vários livros da Bíblia, escreveu «Em Nome da Mãe», uma das mais belas narrativas ficcionadas do nascimento de Jesus. Há um livro ou uma personagem da Bíblia de que mais gosta?
José. Nenhum dos evangelhos diz que era velho, podemos imaginá-lo jovem, belo e enamorado.
O seu nome vem do verbo hebraico yasaf, que quer dizer acrescentar. Yosef, à letra, é aquele que acrescenta. E o que acrescenta ele? Para já, a sua fé. Ele acredita na versão da sua noiva, grávida mas não dele. Acrescenta a sua fé à fé da rapariga que tinha acolhido aquela notícia.
Acrescenta-se ainda como esposo daquela rapariga, impedindo assim a condenação à morte, porque ela, perante a lei, era adúltera. E acrescenta-se enquanto segundo pai daquela estranha criatura aparecida no meio deles. Jesus, Yeshu em hebraico. Ele contribui e muito para esta história. No evangelho não é tido em conta mas nesses nove meses deu um contributo enorme.