sábado, 22 de março de 2014

Dez ideias para o meu exame de consciência


Confissão. É um sacramento e uma das práticas quaresmais mais marcantes. Tem, porém, nos tempos actuais, muitas objecções: Porque temos de confessar-nos a um padre? Existe o pecado ou foi inventado pelos padres para nos portarmos bem? E se existe porque não podemos confessar-nos directamente a Deus? Porque dizer as coisas de que mais me envergonho a um pecador como eu? Que talvez as valorize diferentemente de mim?
Sim, tu podes confessar-te no segredo do teu coração directamente a Deus. Mas só a absolvição dos pecados que o sacerdote te dá no sacramento pode comunicar-te a certeza interior de teres sido verdadeiramente perdoado e acolhido pelo Pai que está nos céus, porque Cristo confiou ao ministério da Igreja o poder de atar e desatar, de excluir e de admitir na comunidade da aliança.
A celebração da Páscoa está aí a dois passos. Não te demores. Prepara-te para a alegria do encontro com Deus mediante um sacerdote no sacramento da reconciliação. Não celebres a Páscoa desajeitadamente. Prepara-te para a confissão, em um clima de oração, respondendo a estas perguntas sob o olhar de Deus, eventualmente verificando com quem possa ajudar-te a caminhar mais rápido na via do Senhor.
Lê e medita. Mas não stresses, porque mais depressa te cansas de pecar que Deus de perdoar. Lê e medita em paz.

1. «Não terás outro Deus além de mim» (Dt 5,7). «Amarás ao Senhor com todo teu coração, com toda tua alma e com toda tua mente» (Mt 22, 37).
> Amo assim o Senhor? Dou-lhe o primeiro lugar em tudo na minha vida? Empenho-me em rejeitar todo o ídolo que possa interpor-se entre mim e Ele, seja o dinheiro, o prazer, a superstição ou o poder? Escuto com fé a sua Palavra? Sou perseverante na oração?

2. «Não tomarás em falso o nome do Senhor teu Deus» (Dt 5, 11).
> Respeito o santo nome de Deus? Abuso ao referir-me a Ele ofendendo-o ou servindo-me dele em lugar de servi-lo? Bendigo a Deus em cada um de meus actos? Acolho-me sem reservas à sua vontade sobre mim, confiando totalmente nele? Confio-me com humildade e confiança à orientação e ao ensinamento dos pastores que o Senhor deu a sua Igreja? Empenho-me em aprofundar e nutrir minha vida de fé?

3. «Santificarás as festas» (cf. Dt 5, 12-15).
> Vivo a centralidade do domingo, começando pelo seu centro que é a celebração da eucaristia, e os outros dias consagrados ao Senhor para louvá-lo e dar-lhe graças para confiar-me a ele e repousar nele? Participo com fidelidade e empenho na liturgia festiva, preparando-me para ela com a oração e esforçando-me em obter fruto durante toda a semana? Santifico os dia de festa com algum gesto de amor para com quem precisa?

4. «Honra teu pai e tua mãe» (Dt 5, 16).
> Amo e respeito quem me deu a vida? Esforço-me por compreendê-los e ajudá-los, sobretudo nas suas fraquezas e seus limites?

5. «Não matar» (Dt 5, 17).
> Esforço-me por respeitar e promover a vida em todas suas etapas e em todos seus aspectos? Faço tudo o que está em meu poder pelo bem dos demais? Fiz mal a alguém com a intenção explícita de fazê-lo?
«Amarás o próximo como a ti mesmo» (Mt 22, 39). Como vivo a caridade para com o próximo? Estou atento e disponível, sobretudo para com os mais pobres e os mais fracos? Amo-me a mim mesmo, sabendo aceitar os meus limites sob o olhar de Deus?

6. «Não cometerás atos impuros» (cf. Dt 5, 18). «Não desejarás a mulher de teu próximo» (Dt 5, 21).
> Sou casto nos pensamentos e nas acções? Esforço-me por amar com gratidão, livre da tentação da posse e dos apegos? Respeito sempre e em tudo a dignidade da pessoa humana? Trato o meu corpo e o corpo dos demais como templo do Espírito Santo?

7. «Não roubar» (Dt 5, 19). «Não desejar os bens alheios» (Dt 5, 21).
> Respeito os bens da criação? Sou honesto no trabalho e nas minhas relações com os demais? Respeito o fruto do trabalho dos demais? Sou invejoso do bem dos outros? Esforço-me em fazer os outros felizes ou só penso na minha felicidade?

8. «Não pronunciar falso testemunho» (Dt 5, 20).
> Sou sincero e leal em cada palavra e acção? Testemunho sempre e só a verdade? Trato de dar confiança e actuo de modo a merecê-la?

9. Esforço-me por seguir e imitar Jesus no caminho da minha entrega a Deus e aos outros? Tento ser como Ele, humilde, pobre e casto?

10. Encontro o Senhor fielmente nos sacramentos, na comunhão fraterna e no serviço aos mais pobres? Vivo a esperança na vida eterna, olhando cada coisa à luz do Deus que chega e confiando sempre em suas promessas?

Chama do Carmo I NS 221 I Março 23 2014


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