Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Profeta Jeremias, Hoje (II)
Mas Jeremias acabava sempre reconciliando-se com Deus e convertia-se novamente, reafirmando a sua esperança de que no fim de tantas dores tudo acabaria bem. Jeremias confiava: Deus é quem governa e Dele será a vitória final
O jovem profeta Jeremias é um exemplo de coragem e fidelidade para os jovens católicos que nos dias de hoje são hostilizados nas escolas, universidades e outros ambientes, por causa da sua fé e dos seus valores cristãos.
É claro, poucos são aqueles cuja experiência de fé se identifica com a de Jeremias. A maioria, na verdade, prefere adaptar-se aos seus amigos, a quem amam mais do que a Cristo; assim, evitam proferir qualquer palavra que possa contrariar a opinião do grupo. As suas línguas são frouxas.
Muitos desses católicos frouxos vêem como demonstração de ódio qualquer palavra que expresse a justa ira. E justificam-se com chavões batidos: “Não podemos julgar ninguém”; “Cristo pregou o amor, palavras duras semeiam a divisão”; “devemos procurar viver em paz com todos…”. Segundo eles, da boca de um autêntico cristão só podem sair palavras positivas e de “paz”.
Sobre esse tipo de pessoas, Jeremias disse: “Sem responsabilidade, querem curar a ferida do meu povo, dizendo: ‘Paz! Paz!’, quando não existe paz” (Jer 6,14). Eles ignoram completamente as palavras do Mestre: “Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa.” (Mateus 10, 34-36)
Para ti que caminhas como Jeremias só tenho uma palavra: persevera! Os momentos difíceis passam todos; em breve, tu recordarás esta época de dificuldades com alegria. Lembra-te e acredita: o Senhor dar-te-á amigos cem vezes mais verdadeiros do que estes que porventura tenhas perdido.
Profeta Jeremias, hoje
Tu és jovem, católico devoto, e a tua popularidade anda em baixa na escola, na faculdade ou entre os amigos do bairro? É normal! Estranho seria se fosse diferente. Talvez tu sejas – salvas as devidas proporções – uma espécie de “Jeremias contemporâneo”.
Não há profeta na Bíblia que melhor represente a situação de muitos jovens católicos de hoje do que Jeremias. Ele sonhava em poder dar umas voltas com os amigos, sentar-se na esplanada, e ficar a falar. Enfim, queria ser um jovem normal.
Mas os planos de Deus para a sua vida eram outros…
Ainda no ventre de sua mãe, Jeremias foi escolhido e consagrado por Deus como profeta (Jer 1,5). Ao chegar à adolescência, recebeu a missão de propagar as profecias mais agoirentas de toda a história de Israel. As suas palavras saíam duras e expressavam a justa ira do Senhor. E, para o profeta, isso tinha um preço…
“Nunca me sentei numa roda alegre para me divertir. Forçado pela tua mão, sentava-me sozinho, pois encheste-me de cólera. Porque será que a minha dor não tem fim e a minha ferida é tão grave e sem remédio?” (Jer 15, 17-18)
O povo vacilava na fé em demasia, e as consequências de tanta maldade seriam nefastas. Porém, ninguém estava disposto a escutar as censuras e as previsões do profeta – tais como a destruição de Jerusalém, do templo de Salomão e o longo exílio dos hebreus na Babilónia –, e por isso o tratavam-no como um maluco fanático e inconveniente.
A Palavra de Deus, que Jeremias havia “devorado”, e era motivo para “festa e alegria” no seu coração (Jer 15, 16) tornou-se para ele uma pesada cruz. Ao longo da sua vuda Jeremias foi preso, sofreu diversas tentativas de assassinato e, por onde passava, era alvo de ofensas e zombarias. Por isso, se sentiu muitas vezes tentado a abandonar sua missão. Mas manteve a fé e perseverou.
“A palavra de Jahvé tornou-se para mim motivo de vergonha e escárnio o dia inteiro. A mim mesmo dizia: ‘Não pensarei mais n’Ele, não falarei mais no seu Nome!’Jahvé, porém, está ao meu lado como valente guerreiro. Por isso, aqueles que me perseguem tropeçarão e não conseguirão vencer…” (Jer 20, 8-11)
Como um típico jovem em crise, Jeremias amaldiçoou por mais de uma vez o dia em que nasceu. A Sua relação com Deus era dramática: os momentos de ternura e louvor se alternavam com queixas e ressentimentos. Chegou mesmo a acusar o Senhor de ser pouco confiável (Jer 15, 18).
Não há profeta na Bíblia que melhor represente a situação de muitos jovens católicos de hoje do que Jeremias. Ele sonhava em poder dar umas voltas com os amigos, sentar-se na esplanada, e ficar a falar. Enfim, queria ser um jovem normal.
Mas os planos de Deus para a sua vida eram outros…
Ainda no ventre de sua mãe, Jeremias foi escolhido e consagrado por Deus como profeta (Jer 1,5). Ao chegar à adolescência, recebeu a missão de propagar as profecias mais agoirentas de toda a história de Israel. As suas palavras saíam duras e expressavam a justa ira do Senhor. E, para o profeta, isso tinha um preço…
“Nunca me sentei numa roda alegre para me divertir. Forçado pela tua mão, sentava-me sozinho, pois encheste-me de cólera. Porque será que a minha dor não tem fim e a minha ferida é tão grave e sem remédio?” (Jer 15, 17-18)
O povo vacilava na fé em demasia, e as consequências de tanta maldade seriam nefastas. Porém, ninguém estava disposto a escutar as censuras e as previsões do profeta – tais como a destruição de Jerusalém, do templo de Salomão e o longo exílio dos hebreus na Babilónia –, e por isso o tratavam-no como um maluco fanático e inconveniente.
A Palavra de Deus, que Jeremias havia “devorado”, e era motivo para “festa e alegria” no seu coração (Jer 15, 16) tornou-se para ele uma pesada cruz. Ao longo da sua vuda Jeremias foi preso, sofreu diversas tentativas de assassinato e, por onde passava, era alvo de ofensas e zombarias. Por isso, se sentiu muitas vezes tentado a abandonar sua missão. Mas manteve a fé e perseverou.
“A palavra de Jahvé tornou-se para mim motivo de vergonha e escárnio o dia inteiro. A mim mesmo dizia: ‘Não pensarei mais n’Ele, não falarei mais no seu Nome!’Jahvé, porém, está ao meu lado como valente guerreiro. Por isso, aqueles que me perseguem tropeçarão e não conseguirão vencer…” (Jer 20, 8-11)
Como um típico jovem em crise, Jeremias amaldiçoou por mais de uma vez o dia em que nasceu. A Sua relação com Deus era dramática: os momentos de ternura e louvor se alternavam com queixas e ressentimentos. Chegou mesmo a acusar o Senhor de ser pouco confiável (Jer 15, 18).
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Três pequenos rostos de consagrados
Senhor, pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado,
ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer, e sem acertar o combinado.
Aceita, Senhor, nesta Semana do Consagrado,
a minha oração com estes três Carmelitas.
Frei Lourenço da Ressurreição
1614, Hériménil, Lorena, França.
1691, Paris, França.
Senhor,
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Lourenço da Ressurreição.
Três anos foi soldado
mas dali saiu magoado e manchado
pelo pecado.
Carmelita se fez em Paris,
que Deus assim quis.
Quinze anos de cozinheiro
outros tantos de sapateiro.
Foi assim que aprendeu a viver
a presença de Deus no trabalho.
E a conversar com Ele sem prever
e sem cuidar de se preparar,
sem necessidade de delicadezas,
simplesmente a com Ele estar
com simplicidade e bondade.
Sempre de avental posto
e sorriso no rosto lutou contra o mal;
e a gosto dizia que as palavras pouco valem
porque só o amor faz tudo.
E ao morrer
declarou com solenidade
que poderia partir para a eternidade
porque ali faria o que sempre fizera:
a Deus bendizer e louvar,
amar e adorar,
por nada mais ser necessário.
Ámen.
Frei José António da Imaculada Conceição
1914, Pamplona, Espanha.
1990, Marco Canaveses, Portugal.
Senhor,
eu te louvo e agradeço pela vida venerável
de Frei José António da Imaculada Conceição,
vindo de outra nação para junto de nós.
Por aqui caminhou,
aqui ajuntou, serviu e amou
a Deus e a sua Mãe
a quem
o coração entregou.
Sua vida desvelou, todo inteiro se deu
e para si nada reservou.
Amava o Menino Jesus e o Santuário,
onde morreu,
a Nossa Senhora e o seu Escapulário,
onde perto viveu.
E Aveiro e Viana onde rezou,
ensinou e animou, celebrou e confessou.
Recordo-lhe a letra ponderada e linda,
o rosto maduro, a fronte larga e ainda
umas mãos feitas para abençoar.
Recordo-lhe o português perfeito e belo
e o anelo de aqui ficar
nesta terra que em nome do Santo Deus
ajudou a santificar.
Recordo-lhe as contas certas,
as mãos ágeis e despertas,
o gosto pela festa e de preparar
um jantar – eu bem sei –
bem digno de um rei!
Recordo-lhe a têmpera ardente,
a alma silente, o olhar aceso e vivo,
o coração contemplativo e manso
e os pés de profeta sem descanso
e sem meta.
E é assim que recordo no coração
o bem-aventurado Frei José António
da Imaculada Conceição.
Recordo por fim, pois não posso esquecer
o venerável de joelhos,
diante de nós, novos e velhos,
dando-nos a derradeira lição
do dar humilde e humilde receber o perdão.
Frei Jean-Thierry Ebogo
do Menino Jesus e da Paixão
1982, Mfou Awae, Camarões.
2006, Milão, Itália.
Senhor,
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Frei Jean-Thierry do Menino Jesus e da Paixão,
que quis ser como Jesus, mas pequenino
como Jesus Menino.
Foi menino de brincadeiras,
santas e rezadeiras,
acólito, catequista e promotor vocacional.
Quis também ser cientista para ajudar
o seu povo no campo social.
Era alegre e de bom humor, poeta
simples e sempre da classe primeira.
Animador de festas e muito admirado
acabou entrando no noviciado
Carmelita, para ser sacerdote de pureza inteira.
Na curta vida de vinte e dois anos
nada é fácil ou breve de contar,
porque tudo é tão denso,
imensamente mais do que penso.
Morreu jovem olhando o bom Jesus
a quem tanto se queria igualar.
Sofrendo muito sofreu a Paixão
do Verbo Incarnado num hospital de Milão
sem nunca dizer não
a mais um e outro contratempo.
Morreu depois de ter professado
e sem nunca algo ter negado
ao bom Jesus e a sua Mãe.
Quem o viu o sabe, quem o sabe o contou:
Perto do fim o menino sorria em sua cama
vestido com o hábito da Mãe do Carmo
a quem Ele tanto tinha honrado.
E posta a branca capa da pureza
que com tanta firmeza tinha amado.
E assim morreu
quem tão curto viveu e tão rápido subiu
o cume da perfeição do místico monte,
como quem foi feito para triunfar
num rápido caminhar
o curto caminho da fonte.
Chama do Carmo I NS 174 I Fevereiro 3 2013
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado,
ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer, e sem acertar o combinado.
Aceita, Senhor, nesta Semana do Consagrado,
a minha oração com estes três Carmelitas.
Frei Lourenço da Ressurreição
1614, Hériménil, Lorena, França.
1691, Paris, França.
Senhor,
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Lourenço da Ressurreição.
Três anos foi soldado
mas dali saiu magoado e manchado
pelo pecado.
Carmelita se fez em Paris,
que Deus assim quis.
Quinze anos de cozinheiro
outros tantos de sapateiro.
Foi assim que aprendeu a viver
a presença de Deus no trabalho.
E a conversar com Ele sem prever
e sem cuidar de se preparar,
sem necessidade de delicadezas,
simplesmente a com Ele estar
com simplicidade e bondade.
Sempre de avental posto
e sorriso no rosto lutou contra o mal;
e a gosto dizia que as palavras pouco valem
porque só o amor faz tudo.
E ao morrer
declarou com solenidade
que poderia partir para a eternidade
porque ali faria o que sempre fizera:
a Deus bendizer e louvar,
amar e adorar,
por nada mais ser necessário.
Ámen.
Frei José António da Imaculada Conceição
1914, Pamplona, Espanha.
1990, Marco Canaveses, Portugal.
Senhor,
eu te louvo e agradeço pela vida venerável
de Frei José António da Imaculada Conceição,
vindo de outra nação para junto de nós.
Por aqui caminhou,
aqui ajuntou, serviu e amou
a Deus e a sua Mãe
a quem
o coração entregou.
Sua vida desvelou, todo inteiro se deu
e para si nada reservou.
Amava o Menino Jesus e o Santuário,
onde morreu,
a Nossa Senhora e o seu Escapulário,
onde perto viveu.
E Aveiro e Viana onde rezou,
ensinou e animou, celebrou e confessou.
Recordo-lhe a letra ponderada e linda,
o rosto maduro, a fronte larga e ainda
umas mãos feitas para abençoar.
Recordo-lhe o português perfeito e belo
e o anelo de aqui ficar
nesta terra que em nome do Santo Deus
ajudou a santificar.
Recordo-lhe as contas certas,
as mãos ágeis e despertas,
o gosto pela festa e de preparar
um jantar – eu bem sei –
bem digno de um rei!
Recordo-lhe a têmpera ardente,
a alma silente, o olhar aceso e vivo,
o coração contemplativo e manso
e os pés de profeta sem descanso
e sem meta.
E é assim que recordo no coração
o bem-aventurado Frei José António
da Imaculada Conceição.
Recordo por fim, pois não posso esquecer
o venerável de joelhos,
diante de nós, novos e velhos,
dando-nos a derradeira lição
do dar humilde e humilde receber o perdão.
Frei Jean-Thierry Ebogo
do Menino Jesus e da Paixão
1982, Mfou Awae, Camarões.
2006, Milão, Itália.
Senhor,
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Frei Jean-Thierry do Menino Jesus e da Paixão,
que quis ser como Jesus, mas pequenino
como Jesus Menino.
Foi menino de brincadeiras,
santas e rezadeiras,
acólito, catequista e promotor vocacional.
Quis também ser cientista para ajudar
o seu povo no campo social.
Era alegre e de bom humor, poeta
simples e sempre da classe primeira.
Animador de festas e muito admirado
acabou entrando no noviciado
Carmelita, para ser sacerdote de pureza inteira.
Na curta vida de vinte e dois anos
nada é fácil ou breve de contar,
porque tudo é tão denso,
imensamente mais do que penso.
Morreu jovem olhando o bom Jesus
a quem tanto se queria igualar.
Sofrendo muito sofreu a Paixão
do Verbo Incarnado num hospital de Milão
sem nunca dizer não
a mais um e outro contratempo.
Morreu depois de ter professado
e sem nunca algo ter negado
ao bom Jesus e a sua Mãe.
Quem o viu o sabe, quem o sabe o contou:
Perto do fim o menino sorria em sua cama
vestido com o hábito da Mãe do Carmo
a quem Ele tanto tinha honrado.
E posta a branca capa da pureza
que com tanta firmeza tinha amado.
E assim morreu
quem tão curto viveu e tão rápido subiu
o cume da perfeição do místico monte,
como quem foi feito para triunfar
num rápido caminhar
o curto caminho da fonte.
Chama do Carmo I NS 174 I Fevereiro 3 2013
As sementes e os frutos
Uma mulher caminhava por um shopping quando viu uma loja nova. Ao entrar, levou um susto: Deus, em pessoa, estava atendendo no balcão.
– Pode pedir o que quiser, disse Deus.
Depois de pensar um momento, ela virou-se para o Altíssimo:
– Quero ser feliz – disse. – Quero paz, dinheiro, capacidade de ser compreendida. E quero ir para o céu quando morrer.
Achou que estava sendo egoísta, e resolveu incluir os outros nos pedidos.
– E quero que tudo isto seja também concedido aos meus amigos.
Deus abriu alguns potes que estavam na prateleira atrás dele, tirou vários grãos de dentro, e estendeu para a mulher.
– Aí estão as sementes – disse. Aqui nós não vendemos os frutos.
– Pode pedir o que quiser, disse Deus.
Depois de pensar um momento, ela virou-se para o Altíssimo:
– Quero ser feliz – disse. – Quero paz, dinheiro, capacidade de ser compreendida. E quero ir para o céu quando morrer.
Achou que estava sendo egoísta, e resolveu incluir os outros nos pedidos.
– E quero que tudo isto seja também concedido aos meus amigos.
Deus abriu alguns potes que estavam na prateleira atrás dele, tirou vários grãos de dentro, e estendeu para a mulher.
– Aí estão as sementes – disse. Aqui nós não vendemos os frutos.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Semana do Consagrado - Frei Jean-Thierry do Menino Jesus e da Paixão
Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Frei Jean-Thierry do Menino Jesus e da Paixão,
que quis ser como Jesus, mas pequenino
como Jesus Menino.
Foi menino de brincadeiras,
santas e rezadeiras,
acólito, catequista e promotor vocacional.
Quis também ser cientista para ajudar o seu povo
no campo social.
Era alegre e de bom humor, poeta
simples e sempre da classe primeira.
Animador de festas e muito admirado
acabou entrando no noviciado
Carmelita, para ser sacerdote de pureza inteira.
Na curta vida de vinte e dois anos
nada é fácil ou breve de contar,
porque tudo é tão denso,
imensamente mais do que penso.
Morreu jovem olhando o bom Jesus
a quem tanto se queria igualar.
Sofrendo muito sofreu a Paixão
do Verbo Incarnado num hospital de Milão
sem nunca dizer não
a mais um e outro contratempo.
Morreu depois de ter professado
e sem nunca algo ter negado
ao bom Jesus e a sua Mãe.
Quem o viu o sabe, quem o sabe o contou:
Perto do fim o menino sorria em sua cama
vestido com o hábito da Mãe do Carmo
a quem Ele tanto tinha honrado.
E posta a branca capa da pureza
que com tanta firmeza tinha amado.
E assim morreu
quem tão curto viveu e tão rápido subiu
o cume da perfeição do místico monte,
como quem foi feito para triunfar
num rápido caminhar o curto caminho da fonte.
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Frei Jean-Thierry do Menino Jesus e da Paixão,
que quis ser como Jesus, mas pequenino
como Jesus Menino.
Foi menino de brincadeiras,
santas e rezadeiras,
acólito, catequista e promotor vocacional.
Quis também ser cientista para ajudar o seu povo
no campo social.
Era alegre e de bom humor, poeta
simples e sempre da classe primeira.
Animador de festas e muito admirado
acabou entrando no noviciado
Carmelita, para ser sacerdote de pureza inteira.
Na curta vida de vinte e dois anos
nada é fácil ou breve de contar,
porque tudo é tão denso,
imensamente mais do que penso.
Morreu jovem olhando o bom Jesus
a quem tanto se queria igualar.
Sofrendo muito sofreu a Paixão
do Verbo Incarnado num hospital de Milão
sem nunca dizer não
a mais um e outro contratempo.
Morreu depois de ter professado
e sem nunca algo ter negado
ao bom Jesus e a sua Mãe.
Quem o viu o sabe, quem o sabe o contou:
Perto do fim o menino sorria em sua cama
vestido com o hábito da Mãe do Carmo
a quem Ele tanto tinha honrado.
E posta a branca capa da pureza
que com tanta firmeza tinha amado.
E assim morreu
quem tão curto viveu e tão rápido subiu
o cume da perfeição do místico monte,
como quem foi feito para triunfar
num rápido caminhar o curto caminho da fonte.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Semana do Consagrado - Venerável Chiquitunga
Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Venerável Chiquitunga,
a Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado,
por ela tão amado e tão visitado
nos pobres materiais e espirituais,
nos meninos da catequese e nos jovens
trabalhadores, que foram seus amores
com os universitários amáveis.
Para todos quis ser um raiozinho de luz
e assim foi levando o sorriso de Jesus
ao leito dos incuráveis.
Como a sede da entrega total não se perdeu
no Carmelo toda a Deus se deu
porque ali conseguiu achar o amor que devia amar.
De todo o coração amava o apostolado
e por isso as mãos levemente erguia
e nada perdia do fio das horas do dia,
até que por fim, toda inteira se ofereceu
a seu Amor tão adorado.
Escondida em Jesus viveu rezando
a Deus tudo dando, e a Humanidade abençoando.
E por fim foi sem surpresa
que o ladrão incurável a assaltou
e de nova forma toda a Jesus se entregou,
a fim de que a tomasse como noiva que amasse
e desejasse como sua.
Para o que Ele quisesse d’Ele ela só queria ser:
Era assim que devia ser, pensava em seu peito,
que de Jesus tudo aceito,
porque se assim quer Ele lá sabe o porquê.
Assim se ficou aguardando, toda para Ele se reservando
e do amor de Jesus se enchendo
e não vivendo senão para Ele, que sendo tão pequena
não o era no ardor de cumprir a sua vontade
e corresponder à sua amizade.
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Venerável Chiquitunga,
a Irmã Maria Felícia de Jesus Sacramentado,
por ela tão amado e tão visitado
nos pobres materiais e espirituais,
nos meninos da catequese e nos jovens
trabalhadores, que foram seus amores
com os universitários amáveis.
Para todos quis ser um raiozinho de luz
e assim foi levando o sorriso de Jesus
ao leito dos incuráveis.
Como a sede da entrega total não se perdeu
no Carmelo toda a Deus se deu
porque ali conseguiu achar o amor que devia amar.
De todo o coração amava o apostolado
e por isso as mãos levemente erguia
e nada perdia do fio das horas do dia,
até que por fim, toda inteira se ofereceu
a seu Amor tão adorado.
Escondida em Jesus viveu rezando
a Deus tudo dando, e a Humanidade abençoando.
E por fim foi sem surpresa
que o ladrão incurável a assaltou
e de nova forma toda a Jesus se entregou,
a fim de que a tomasse como noiva que amasse
e desejasse como sua.
Para o que Ele quisesse d’Ele ela só queria ser:
Era assim que devia ser, pensava em seu peito,
que de Jesus tudo aceito,
porque se assim quer Ele lá sabe o porquê.
Assim se ficou aguardando, toda para Ele se reservando
e do amor de Jesus se enchendo
e não vivendo senão para Ele, que sendo tão pequena
não o era no ardor de cumprir a sua vontade
e corresponder à sua amizade.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Oração para encerrar a Semana dos Consagrados
Ó Maria, Mãe da Igreja,
confiamos-Te a nossa vida consagrada,
derrama sobre nós a plenitude da luz divina:
ensina-nos a viver
na escuta da Palavra de Deus,
na humildade do seguimento de Jesus,
teu Filho e Senhor nosso,
no acolhimento da visita do Espírito Santo,
na alegria diária do magnificat,
no labor do Evangelho,
na edificação da Igreja pela santidade de vida.
Ámen!
confiamos-Te a nossa vida consagrada,
derrama sobre nós a plenitude da luz divina:
ensina-nos a viver
na escuta da Palavra de Deus,
na humildade do seguimento de Jesus,
teu Filho e Senhor nosso,
no acolhimento da visita do Espírito Santo,
na alegria diária do magnificat,
no labor do Evangelho,
na edificação da Igreja pela santidade de vida.
Ámen!
Semana do Consagrado - Frei José António da Imaculada Conceição
Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela vida venerável
de Frei José António da Imaculada Conceição,
vindo de outra nação para junto de nós.
Por aqui caminhou,
aqui ajuntou, serviu e amou
a Deus e a sua Mãe
a quem
o coração entregou.
Sua vida desvelou, todo inteiro se deu
e para si nada reservou.
Amava o Menino Jesus e o Santuário,
onde morreu,
Nossa Senhora e o seu Escapulário,
onde perto viveu.
E Aveiro e Viana onde rezou,
ensinou e animou, celebrou e confessou.
Recordo-lhe a letra ponderada e linda,
o rosto maduro, a fronte larga e ainda
umas mãos feitas para abençoar.
Recordo-lhe o português perfeito e belo
e o anelo de aqui ficar
nesta terra que em nome do Santo Deus
ajudou a santificar.
Recordo-lhe as contas certas,
as mãos ágeis e despertas,
o gosto pela festa e de preparar
um jantar – eu bem sei –
bem digno de um rei!
Recordo-lhe a têmpera ardente,
a alma silente, o olhar aceso e vivo,
o coração contemplativo e manso
e os pés de profeta sem descanso
e sem meta.
E é assim que recordo no coração
o bem-aventurado Frei José António
da Imaculada Conceição.
Recordo por fim, pois não posso esquecer
o venerável de joelhos,
diante de nós, novos e velhos,
dando-nos a derradeira lição
do dar humilde e humilde receber o perdão.
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela vida venerável
de Frei José António da Imaculada Conceição,
vindo de outra nação para junto de nós.
Por aqui caminhou,
aqui ajuntou, serviu e amou
a Deus e a sua Mãe
a quem
o coração entregou.
Sua vida desvelou, todo inteiro se deu
e para si nada reservou.
Amava o Menino Jesus e o Santuário,
onde morreu,
Nossa Senhora e o seu Escapulário,
onde perto viveu.
E Aveiro e Viana onde rezou,
ensinou e animou, celebrou e confessou.
Recordo-lhe a letra ponderada e linda,
o rosto maduro, a fronte larga e ainda
umas mãos feitas para abençoar.
Recordo-lhe o português perfeito e belo
e o anelo de aqui ficar
nesta terra que em nome do Santo Deus
ajudou a santificar.
Recordo-lhe as contas certas,
as mãos ágeis e despertas,
o gosto pela festa e de preparar
um jantar – eu bem sei –
bem digno de um rei!
Recordo-lhe a têmpera ardente,
a alma silente, o olhar aceso e vivo,
o coração contemplativo e manso
e os pés de profeta sem descanso
e sem meta.
E é assim que recordo no coração
o bem-aventurado Frei José António
da Imaculada Conceição.
Recordo por fim, pois não posso esquecer
o venerável de joelhos,
diante de nós, novos e velhos,
dando-nos a derradeira lição
do dar humilde e humilde receber o perdão.
A via do Carmelo
Mark Neugebauer foi educado como judeu ortodoxo. A determinado momento da sua vida convenceu-se de que Jesus era o Messias prometido e tornou-se judeu messiânico; um pouco mais tarde integrou o cristianismo evangélico de tipo carismático, e em 2009 entrou na Igreja Católica movido pelo exemplo de outros judeus católicos e pelas leituras de S. Teresa Benedita da Cruz, S. João da Cruz e Santa Teresa de Jesus.
Neugbauer explica que nunca deixou de ser judeu, nem messiânico, nem evangélico. Para ele o caminho tem sido um crescimento em plenitude, «de soma e multiplicação», nunca de divisão e subtracção. «A minha conversão ao Senhor é diária», diz. Como católico, desfruta de tudo o que encontra na Igreja: a tradição, a história, a cultura, o Papa, a pessoa real de Cristo na missa... poder partilhar com muita gente as raízes judaicas da fé.
Um dia Mark sonhou com «uns homens vestidos de castanho». Uns amigos recomendaram-lhe que procurasse conhecer a oração contemplativa e os grandes mestres carmelitas: Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Ficou em pulgas. E depois rendeu-se.
Entretanto, começou a rezar perguntando a Deus se deveria tornar-se católico. E acrescentava: «Não sou digno de te receber». Logo de seguida leu a biografia de Edith Stein e pediu a Deus que lhe enviasse alguns judeus católicos que lhe confirmassem se era correcto converter-se em católico. E sentiu que Deus lhe respondia: «Já te enviei um, que mais queres?». Referia-se a Edith Stein, e confirma que sentiu que os escritos e a oração desta santa judia e carmelita muito ajudaram a sua fé.
Neugbauer explica que nunca deixou de ser judeu, nem messiânico, nem evangélico. Para ele o caminho tem sido um crescimento em plenitude, «de soma e multiplicação», nunca de divisão e subtracção. «A minha conversão ao Senhor é diária», diz. Como católico, desfruta de tudo o que encontra na Igreja: a tradição, a história, a cultura, o Papa, a pessoa real de Cristo na missa... poder partilhar com muita gente as raízes judaicas da fé.
Um dia Mark sonhou com «uns homens vestidos de castanho». Uns amigos recomendaram-lhe que procurasse conhecer a oração contemplativa e os grandes mestres carmelitas: Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz. Ficou em pulgas. E depois rendeu-se.
Entretanto, começou a rezar perguntando a Deus se deveria tornar-se católico. E acrescentava: «Não sou digno de te receber». Logo de seguida leu a biografia de Edith Stein e pediu a Deus que lhe enviasse alguns judeus católicos que lhe confirmassem se era correcto converter-se em católico. E sentiu que Deus lhe respondia: «Já te enviei um, que mais queres?». Referia-se a Edith Stein, e confirma que sentiu que os escritos e a oração desta santa judia e carmelita muito ajudaram a sua fé.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Semana do Consagrado - Irmã Mary Mackillop
Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Irmã Mary
Mackillop – Santa Maria da Cruz,
freira ardente por Jesus
e pelos humanos pequeninos
que Ele em vida tanto amou.
Ela como Ele diante de nada parou,
nada temeu.
Como água fresca a todos se deu:
às crianças necessitadas, às mulheres andadas,
aos idosos desamparados,
aos sem abrigo parados,
aos aborígenes feios, aos imigrantes sem freios.
A todos amou com amor
como manda e fez Nosso Senhor,
pois que de outro jeito
ela não sabia fazer
cama, caminha ou leito.
E assim amou especialmente
os que partiam pelo mundo
com coração vagabundo,
os que chegavam de qualquer maneira
e por ali ficavam sem eira nem beira.
Essa era a sua religião:
disponibilidade para servir
e a todos unir ao Sagrado Coração;
disponibilidade para obedecer
a quem precisasse de uma mão,
um refúgio temporário ou um lar,
um copo de leite e um pão,
um catecismo, uma palavra sossegada,
ou um conselho como uma âncora.
Essa era a sua religião
que ela vivia passando pelas margens,
pela fria periferia:
cuidar os meninos pobres
sem temer nem chorar a excomunhão
que lhe impunham os fartos poderosos
muito cientes do seu saber
e seus direitos, sem pensar
em partilhar para fazer crescer
o Reino que diziam servir e amar.
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Irmã Mary
Mackillop – Santa Maria da Cruz,
freira ardente por Jesus
e pelos humanos pequeninos
que Ele em vida tanto amou.
Ela como Ele diante de nada parou,
nada temeu.
Como água fresca a todos se deu:
às crianças necessitadas, às mulheres andadas,
aos idosos desamparados,
aos sem abrigo parados,
aos aborígenes feios, aos imigrantes sem freios.
A todos amou com amor
como manda e fez Nosso Senhor,
pois que de outro jeito
ela não sabia fazer
cama, caminha ou leito.
E assim amou especialmente
os que partiam pelo mundo
com coração vagabundo,
os que chegavam de qualquer maneira
e por ali ficavam sem eira nem beira.
Essa era a sua religião:
disponibilidade para servir
e a todos unir ao Sagrado Coração;
disponibilidade para obedecer
a quem precisasse de uma mão,
um refúgio temporário ou um lar,
um copo de leite e um pão,
um catecismo, uma palavra sossegada,
ou um conselho como uma âncora.
Essa era a sua religião
que ela vivia passando pelas margens,
pela fria periferia:
cuidar os meninos pobres
sem temer nem chorar a excomunhão
que lhe impunham os fartos poderosos
muito cientes do seu saber
e seus direitos, sem pensar
em partilhar para fazer crescer
o Reino que diziam servir e amar.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Semana do Comsagrado - Irmã Catarina de Jesus
Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Irmã
Catarina da Cruz
monja santa, simples e inocente,
cuja vida foi um Ai Jesus!
A cozinha foi o seu céu e cenário,
seu armário e seu sacrário,
e a horta uma escola e um recreio:
ali ia, ali colhia
um repolho, uma alface,
duas ou três folhas de loureiro,
uns agriões e um ramo de salsa.
E indo ou vindo do seu passeio
sempre esperta reparava
que ao passar pela balsa
as rãs cantadoras fugiam
e de um salto se recolhiam
no verde lodo profundo.
Ó Irmã Catarina,
foi necessário um Doutor santo e sábio
enviado por Nosso Senhor
para te acalmar e iluminar
com palavra santa e natural.
E contigo ficamos a saber
que as rãs buscam o centro profundo
onde ruindade alguma do mundo
pode chegar a fazer-nos mal.
E assim se devem esconder
os que em Deus querem crescer:
devem ir para o mais fundo e mergulhar
no mar que é Deus
e ali se esconder e repousar
e assim continuar a cumprir o dever
de dar de comer ou beber
a todos os peregrinos da fé,
que assim manda quem É.
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pela Irmã
Catarina da Cruz
monja santa, simples e inocente,
cuja vida foi um Ai Jesus!
A cozinha foi o seu céu e cenário,
seu armário e seu sacrário,
e a horta uma escola e um recreio:
ali ia, ali colhia
um repolho, uma alface,
duas ou três folhas de loureiro,
uns agriões e um ramo de salsa.
E indo ou vindo do seu passeio
sempre esperta reparava
que ao passar pela balsa
as rãs cantadoras fugiam
e de um salto se recolhiam
no verde lodo profundo.
Ó Irmã Catarina,
foi necessário um Doutor santo e sábio
enviado por Nosso Senhor
para te acalmar e iluminar
com palavra santa e natural.
E contigo ficamos a saber
que as rãs buscam o centro profundo
onde ruindade alguma do mundo
pode chegar a fazer-nos mal.
E assim se devem esconder
os que em Deus querem crescer:
devem ir para o mais fundo e mergulhar
no mar que é Deus
e ali se esconder e repousar
e assim continuar a cumprir o dever
de dar de comer ou beber
a todos os peregrinos da fé,
que assim manda quem É.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A tempestade
- Senhor, como são altas as ondas,
E tão escura a noite!
Não poderias dar-lhe alguma claridade?
É que velo solitária na noite!
- Segura o leme com mãos firmes,
Tem confiança, mantém a calma.
A tua barca é-Me preciosa,
A bom porto a levarei.
Mantém, sem desistires,
Os olhos na bússola.
É ela que ajuda a chegar ao destino
No meio de noites e tempestades.
A agulha da bússola
oscila mas mostra segura a direção.
Ela te indicará o cabo
Aonde quero que arribes.
Tem confiança, mantém a calma :
Por noites e tempestades
A vontade de Deus, fiel, te guiará,
Se vigilante for teu coração.
Edith Stein, 1940
Semana do Consagrado - Venerável Lourenço da Ressurreição
Senhor,
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Lourenço da Ressurreição.
Três anos foi soldado
mas dali saiu magoado
e manchado pelo pecado.
Carmelita se fez em Paris,
que Deus assim quis.
Quinze anos de cozinheiro
outros tantos de sapateiro.
Foi assim que aprendeu a viver
a presença de Deus no trabalho.
E a conversar com Ele sem prever
e sem cuidar de se preparar,
sem necessidade de delicadezas,
simplesmente a com Ele estar
com simplicidade e bondade.
Sempre de avental posto
e sorriso no rosto
lutou contra o mal;
e a gosto dizia que as palavras pouco valem
porque só o amor faz tudo.
E ao morrer
declarou com solenidade
que poderia partir para a eternidade
porque ali faria o que sempre fizera:
a Deus bendizer e louvar,
amar e adorar,
por nada mais ser necessário.
Ámen.
pessoas há que me dizem muito.
e outras muitas que não me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a erguer as mãos e a rezar,
a pôr a razão a cantar, a alma a bendizer,
e eu, desconcertado, ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o combinado.
Nesta Semana do Consagrado
eu te louvo e agradeço pelo Irmão
Lourenço da Ressurreição.
Três anos foi soldado
mas dali saiu magoado
e manchado pelo pecado.
Carmelita se fez em Paris,
que Deus assim quis.
Quinze anos de cozinheiro
outros tantos de sapateiro.
Foi assim que aprendeu a viver
a presença de Deus no trabalho.
E a conversar com Ele sem prever
e sem cuidar de se preparar,
sem necessidade de delicadezas,
simplesmente a com Ele estar
com simplicidade e bondade.
Sempre de avental posto
e sorriso no rosto
lutou contra o mal;
e a gosto dizia que as palavras pouco valem
porque só o amor faz tudo.
E ao morrer
declarou com solenidade
que poderia partir para a eternidade
porque ali faria o que sempre fizera:
a Deus bendizer e louvar,
amar e adorar,
por nada mais ser necessário.
Ámen.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Semana do Consagrado - A abrir
Senhor,
pessoas há que me dizem
muito.
e outras muitas que não
me dizem mesmo nada.
Todos, porém, me
ajudaram como ninguém
a abrir o coração, a
erguer as mãos e a rezar,
a pôr razão a cantar, a
alma a bendizer,
e eu, desconcertado,
ficando tantas vezes sem saber
o que falar ou dizer,
e sem acertar o
combinado.
Nesta Semana do
Consagrado
eu te louvo e agradeço
pela minha história
de que vou perdendo
memória.
Porém, meu passos e a
planta dos pés
ficam marcados no barro
fresco da estrada,
nas almas frescas e
brandas
de quantos sem saber,
ou sabendo
foram comigo
percorrendo
um pedaço do caminho da
fé.
Uns comigo foram
meninos,
Outros peregrinos,
apóstolos muitos.
Movidos pelo teu
Espírito,
queremos também todos, ó Pai,
encontrar e reconhecer hoje
Aquele que veio e é sempre esperado.
Queremos também nós, como Simeão,
acolhê-l’O nos braços,
vê-l’O, contemplá-l’O com os nossos olhos,
exultar de gratidão
à luz do seu rosto.
Queremos também nós, como Ana,
consumar a nossa vida
em santidade e alegria,
para que tudo em nós
seja oblação agradável aos vossos olhos
e puro louvor e acção de graças.
Ámen.
queremos também todos, ó Pai,
encontrar e reconhecer hoje
Aquele que veio e é sempre esperado.
Queremos também nós, como Simeão,
acolhê-l’O nos braços,
vê-l’O, contemplá-l’O com os nossos olhos,
exultar de gratidão
à luz do seu rosto.
Queremos também nós, como Ana,
consumar a nossa vida
em santidade e alegria,
para que tudo em nós
seja oblação agradável aos vossos olhos
e puro louvor e acção de graças.
Ámen.
O livro Caminho de Perfeição (Breve apresentação)
Se nos próximos tempos passear pelos nossos claustros encontrará uma exposição dedicada ao livro Caminho de Perfeição, de Santa Teresa de Jesus. Vale a pena chegar mais cedo à Missa, ou sair mais tarde. Pense nisso... E passe por lá. Mas deixe-me perguntar-lhe: Não estaremos nós demasiado habituados a papa para bébés, ou até nos recusemos a comer comida substancial e saborosa? Sim: Quantos dos nossos cristãos de hoje leram em sua vida um bom livro de espiritualidade? Um livro que tenha ajudado a construir a personalidade da nossa Igreja?
Teresa é mãe e mestra e o livro Caminho de Perfeição é a prova disso, pois nele se condensam as ideias chave sobre a origem e fim da sua obra fundacional. Este Livro é um código de espiritualidade e livro programático da nova Ordem dos Carmelitas. D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora e amigo da Santa, declarou ao lê-lo: «Aqui neste livro está toda a alma da Madre Teresa de Jesus».
O Livro Caminho de Perfeição nasce das vivências conventuais na primeira fundação de Santa Teresa e é intemporal, porque nele está toda a alma de Teresa e a alma é imortal! Como um catecismo, foi primeiramente dirigido às suas freiras para que aprendessem a rezar como Teresa, mas prontamente se converteu no seu discurso vivo e directo à Humanidade. É talvez uma carta inacabada, um diálogo que há-de continuar na história de cada um de nós!
O Caminho da Perfeição foi escrito depois da sua autobiografia, o Livro da Vida – esse livro que tanto espantou os seus confessores, que tão bem a conheciam! (Ou talvez não!) Obviamente obedeceu aos seus confessores, que haviam sido instigados pelas freiras do mosteiro de S. José, para o escrever. O objectivo é ajudá-las, pois que era sua priora.
O Livro trata «de algumas coisas sobre a oração». É sabido que durante a sua escrita a Madre não consultou outros livros, pois não os tinha à mão (Nem a Bíblia, sequer!; pois tal não era permitido.), e ao mesmo tempo não se tem a si mesma como escritora de ofício. E mais que fiar-se do seu saber fia-se, isso sim, da inspiração de Deus. Por isso só escreverá ou dirá «o que o Senhor me der a entender», o que deva ser dito.
O Livro foi escrito num tempo apaziguador e ameno, mas por entre muitos trabalhos e ocupações e com larguíssimas interrupções, que, longe de o prejudicarem, o enriquecem. Ao conclui-lo Teresa reconhecerá o pouco que de si nele pôs, embora também refira a sua experiência pessoal exercida e recolhida em «alguns mosteiros». Existem dois originais autógrafos, o segundo é mais cuidado, com melhor grafia e nova redacção. Podemos assumir que foi um Livro escrito para o grande público: embora a Santa se dirija às «suas irmãs» a quem rapidamente nomeia como «filhas suas», o que universaliza os destinatários.
A data da elaboração não é certa, mas deve oscilar entre os anos 1566-69. O mais importante, porém, é que se trata dum livro pedagógico, através do qual a Santa visa formar e dar identidade às suas freiras, para serviço da Igreja.
Assim como os exércitos têm um de ataque e outro de retaguarda, assim a Igreja. O exército avançado da Igreja são os professores e os pregadores, o da retaguarda são as carmelitas e os contempaltivos que oram por eles! Por isso, muito se preocupou a Santa em ensiná-las a rezar pela Igreja!
A última parte do Livro usou-a para comentar a oração do Pai Nosso, provando que também a oração vocal se pode converter em oração contemplativa.
Os tempos de Santa Teresa não foram fáceis. Veja-se, o exemplo: o Cardeal Carlos de Guisa, no dia 23 de Novembro de 1562 (O primeiro mosteiro de Teresa – São José de Ávila – havia sido fundado apenas três meses antes!), informou o Concílio de Trento que:
«Existem por todos os reinos da Europa discórdias, ódios, pilhagens e guerras civis, que os templos sagrados são destruídos, os sacerdotes e os religiosos são assassinados junto ao altar, as hóstias consagradas são vilmente pisadas aos pés, ardem enormes fogueiras de paramentos e imagens de santos, as relíquias são convertidas em cinzas ou atiradas aos rios…»
Sensível a este deplorável cenário Teresa sente que tem de ser útil à sua Igreja, mas a Igreja não está aberta à ajuda das mulheres que, pela sua condição feminina, não podem empunhar armas: não podem pregar nem escrever. Por isso, Teresa refugia-se na única possibilidade que lhe resta: rezar, sofrer pela Igreja, viver o melhor possível a sua consagração na vivência dos conselhos evangélicos. Isso mesmo o diz ela ao abrir o Livro Caminho de Perfeição.
O século XVI espanhol é um século de fé cristã. A política é sobretudo uma política religiosa, a guerra é guerra religiosa, a cultura é cultura religiosa, a arte é arte religiosa, e assim tudo o resto. Vários problemas sociais dificultam a vida em Espanha: a entrada na fé cristã dos cristãos novos provindos do Islamismo e do Judaísmo, a ideia de raça e de nobreza, as questões de honra e linhagem, o fantasma do Protestantismo, o alumbradismo como vivência pessoal da fé sem recurso a mediações. Estes e outros problemas assustavam tanto a Santa que a levaram a escrever: «É um risco muito arriscado ir por este caminho». O caminho novo era o seu pensamento e a sua obra orante e fundacional!
Face a esses tempos tão aziagos Teresa teve uma ideia: formar comunidades de mulheres que orassem e ajudassem a Igreja com a sua oração, porque:
«Vós, Senhor da minha alma, não afastastes as mulheres quando andáveis no mundo, antes as favorecestes com muito carinho e encontrastes nelas tanto ou mais amor que nos homens. Já basta, Senhor, que o mundo nos tenha encurraladas, que não possamos fazer nada em público! Eu vejo, porém, os tempos de maneira que não existe razão para recusar ânimos virtuosos e fortes, mesmo que sejam de mulheres!»
Foi por isso que escreveu o livro Caminho de Perfeição: porque a oração é um serviço à Igreja, com determinada determinação, em solidão e silêncio, em fraternidade
Chama do Carmo I NS 173 I Janeiro 27 2013
Teresa é mãe e mestra e o livro Caminho de Perfeição é a prova disso, pois nele se condensam as ideias chave sobre a origem e fim da sua obra fundacional. Este Livro é um código de espiritualidade e livro programático da nova Ordem dos Carmelitas. D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora e amigo da Santa, declarou ao lê-lo: «Aqui neste livro está toda a alma da Madre Teresa de Jesus».
O Livro Caminho de Perfeição nasce das vivências conventuais na primeira fundação de Santa Teresa e é intemporal, porque nele está toda a alma de Teresa e a alma é imortal! Como um catecismo, foi primeiramente dirigido às suas freiras para que aprendessem a rezar como Teresa, mas prontamente se converteu no seu discurso vivo e directo à Humanidade. É talvez uma carta inacabada, um diálogo que há-de continuar na história de cada um de nós!
O Caminho da Perfeição foi escrito depois da sua autobiografia, o Livro da Vida – esse livro que tanto espantou os seus confessores, que tão bem a conheciam! (Ou talvez não!) Obviamente obedeceu aos seus confessores, que haviam sido instigados pelas freiras do mosteiro de S. José, para o escrever. O objectivo é ajudá-las, pois que era sua priora.
O Livro trata «de algumas coisas sobre a oração». É sabido que durante a sua escrita a Madre não consultou outros livros, pois não os tinha à mão (Nem a Bíblia, sequer!; pois tal não era permitido.), e ao mesmo tempo não se tem a si mesma como escritora de ofício. E mais que fiar-se do seu saber fia-se, isso sim, da inspiração de Deus. Por isso só escreverá ou dirá «o que o Senhor me der a entender», o que deva ser dito.
O Livro foi escrito num tempo apaziguador e ameno, mas por entre muitos trabalhos e ocupações e com larguíssimas interrupções, que, longe de o prejudicarem, o enriquecem. Ao conclui-lo Teresa reconhecerá o pouco que de si nele pôs, embora também refira a sua experiência pessoal exercida e recolhida em «alguns mosteiros». Existem dois originais autógrafos, o segundo é mais cuidado, com melhor grafia e nova redacção. Podemos assumir que foi um Livro escrito para o grande público: embora a Santa se dirija às «suas irmãs» a quem rapidamente nomeia como «filhas suas», o que universaliza os destinatários.
A data da elaboração não é certa, mas deve oscilar entre os anos 1566-69. O mais importante, porém, é que se trata dum livro pedagógico, através do qual a Santa visa formar e dar identidade às suas freiras, para serviço da Igreja.
Assim como os exércitos têm um de ataque e outro de retaguarda, assim a Igreja. O exército avançado da Igreja são os professores e os pregadores, o da retaguarda são as carmelitas e os contempaltivos que oram por eles! Por isso, muito se preocupou a Santa em ensiná-las a rezar pela Igreja!
A última parte do Livro usou-a para comentar a oração do Pai Nosso, provando que também a oração vocal se pode converter em oração contemplativa.
Os tempos de Santa Teresa não foram fáceis. Veja-se, o exemplo: o Cardeal Carlos de Guisa, no dia 23 de Novembro de 1562 (O primeiro mosteiro de Teresa – São José de Ávila – havia sido fundado apenas três meses antes!), informou o Concílio de Trento que:
«Existem por todos os reinos da Europa discórdias, ódios, pilhagens e guerras civis, que os templos sagrados são destruídos, os sacerdotes e os religiosos são assassinados junto ao altar, as hóstias consagradas são vilmente pisadas aos pés, ardem enormes fogueiras de paramentos e imagens de santos, as relíquias são convertidas em cinzas ou atiradas aos rios…»
Sensível a este deplorável cenário Teresa sente que tem de ser útil à sua Igreja, mas a Igreja não está aberta à ajuda das mulheres que, pela sua condição feminina, não podem empunhar armas: não podem pregar nem escrever. Por isso, Teresa refugia-se na única possibilidade que lhe resta: rezar, sofrer pela Igreja, viver o melhor possível a sua consagração na vivência dos conselhos evangélicos. Isso mesmo o diz ela ao abrir o Livro Caminho de Perfeição.
O século XVI espanhol é um século de fé cristã. A política é sobretudo uma política religiosa, a guerra é guerra religiosa, a cultura é cultura religiosa, a arte é arte religiosa, e assim tudo o resto. Vários problemas sociais dificultam a vida em Espanha: a entrada na fé cristã dos cristãos novos provindos do Islamismo e do Judaísmo, a ideia de raça e de nobreza, as questões de honra e linhagem, o fantasma do Protestantismo, o alumbradismo como vivência pessoal da fé sem recurso a mediações. Estes e outros problemas assustavam tanto a Santa que a levaram a escrever: «É um risco muito arriscado ir por este caminho». O caminho novo era o seu pensamento e a sua obra orante e fundacional!
Face a esses tempos tão aziagos Teresa teve uma ideia: formar comunidades de mulheres que orassem e ajudassem a Igreja com a sua oração, porque:
«Vós, Senhor da minha alma, não afastastes as mulheres quando andáveis no mundo, antes as favorecestes com muito carinho e encontrastes nelas tanto ou mais amor que nos homens. Já basta, Senhor, que o mundo nos tenha encurraladas, que não possamos fazer nada em público! Eu vejo, porém, os tempos de maneira que não existe razão para recusar ânimos virtuosos e fortes, mesmo que sejam de mulheres!»
Foi por isso que escreveu o livro Caminho de Perfeição: porque a oração é um serviço à Igreja, com determinada determinação, em solidão e silêncio, em fraternidade
Chama do Carmo I NS 173 I Janeiro 27 2013
São Herique de Ossó
27 de Janeiro
São Henrique de Ossó [1840-1895]
SANTO
CARMELITA
Pequena Biografia
Enrique
de Ossó nasceu em Vinebre, Espanha, no dia 15 de Outubro de 1840. Aos 14 anos
perdeu a mãe, vitima do cólera. Esta perda prematura, despertou no jovem
Enrique o desejo de ser sacerdote: “Serei sempre de Jesus, seu ministro, seu
apóstolo, seu missionário de paz e de amor”. Foi ordenado sacerdote aos 27
anos. Teve uma vida curta, pois morreu antes de completar 56 anos, mas nem por
isso foi menos intensa na entrega a Deus e no serviço aos irmãos. Profundamente
movido pela experiência de ser criatura amada e acompanhada por Deus e pelo
desejo de fazer com que outras pessoas também conhecessem e amassem Jesus. Desenvolveu
uma série de atividades, atingindo especialmente as crianças e a mulher. Toda a
sua vida foi a confirmação do desejo de ser ministro, apóstolo e missionário de
Jesus. Desde muito jovem aproximou-se de Santa Teresa, através da leitura de
seus escritos. Cativado pelos ensinamentos e pela vida de Santa Teresa,
tornou-se um incansável propagador da sua doutrina, despertando nos seus
leitores e seguidores admiração e amor. Quem se aproxima de Enrique, inevitavelmente
chega a Teresa. Santo Enrique de Ossó foi o fundador da Companhia de Santa
Teresa de Jesus, Congregação das irmãs teresianas. É importante conhece-lo para
compreender melhor qual o papel da educação teresiana na sociedade de hoje.
Oração
Ó Deus que em São Henrique unistes maravilhosamente
a oração contínua e o apostolado incansável: concedei-nos por sua intercessão
que, permanecendo no amor de Cristo, sirvamos a Igreja com palavras e obras.
Ensinamento
«Educar uma mulher é educar uma família»
sábado, 26 de janeiro de 2013
Um simples verso (II)
Para escrever um simples verso, não basta lembrar-se do passado. É preciso saber esquecer, e ter paciência para esperar até que estas lembranças retornem novamente.
Porque um verso não é feito de memórias. Ele transforma-se em nosso sangue, e se confunde com a própria existência. Só então chega o momento mágico quando nasce a primeira palavra, e ela traz consigo o verdadeiro poema.
Porque um verso não é feito de memórias. Ele transforma-se em nosso sangue, e se confunde com a própria existência. Só então chega o momento mágico quando nasce a primeira palavra, e ela traz consigo o verdadeiro poema.
Um simples verso
Para escrever um simples verso, é preciso conhecer muitas cidades, homens, animais. É preciso ter a alma aberta para o vôo dos pássaros, e ser capaz de perceber os gestos das flores que se abrem ao amanhecer.
Para escrever um simples verso, é preciso viajar por regiões desconhecidas, estar preparado para encontros e desencontros inesperados. É preciso saber voltar a momentos de nossa infância que até hoje não conseguimos compreender. É preciso lembrar do que sentimos quando ferimos alguém que sempre nos desejou o melhor possível. Para escrever um simples verso, é preciso passar muitas manhãs diante do mar, muitas tardes diante do por do sol, muitas noites diante de quem amamos. Tudo isto para escrever um simples verso.
Para escrever um simples verso, é preciso viajar por regiões desconhecidas, estar preparado para encontros e desencontros inesperados. É preciso saber voltar a momentos de nossa infância que até hoje não conseguimos compreender. É preciso lembrar do que sentimos quando ferimos alguém que sempre nos desejou o melhor possível. Para escrever um simples verso, é preciso passar muitas manhãs diante do mar, muitas tardes diante do por do sol, muitas noites diante de quem amamos. Tudo isto para escrever um simples verso.
Uma migalha de palavra, um banquete de silêncio
Empurrado para ir, fui ao lugar onde Ele sempre espera. Entrei e com o joelho a tocar no chão bati na porta da fé. O sempre ali presente abriu-me a porta e convidou-me a entrar e eu aproximei as minhas escuridões da Sua luz. Levava na algibeira perguntas e pedidos e o depósito da esperança a chegar à reserva.Como sempre deixou-me a iniciativa, deu-me a liberdade de colocar na mesa aquilo que trazia. Meti a mão na algibeira procurando o que lá trazia mas não encontrei nada. Insisti na procura e a única coisa que encontrei foi esta migalha de palavra: “olá”. Coloquei-a sobre a mesa e Ele respondeu servindo um banquete de silêncio. Ceei com o meu amigo Deus, comendo silêncio.
No final daquele banquete de silêncio, começado com uma migalha de palavra, saboreei um abraço amigo que dizia: “o que trazias na algibeira tirei-te quando bateste à porta da fé. Que isso não te pese mais. Estou contigo e com os que te são próximos, vai em paz”.
V. Araújo
No final daquele banquete de silêncio, começado com uma migalha de palavra, saboreei um abraço amigo que dizia: “o que trazias na algibeira tirei-te quando bateste à porta da fé. Que isso não te pese mais. Estou contigo e com os que te são próximos, vai em paz”.
V. Araújo
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Peregrinos na fé, apóstolos na evangelização do mundo
1. CONSAGRADO, PEREGRINO DA FÉ
O batismo, assumido de forma livre e responsável, como participação no mistério pascal de Jesus Cristo, incorporação na sua Igreja e sacramento da comunhão com Deus, Santíssima Trindade, constitui o início do longo peregrinar da fé do cristão. Trata-se de um “caminho que dura a vida inteira... tem início com o batismo... e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna” (Bento XVI, A Porta da Fé, 1).
Entre todos os cristãos, os Consagrados assumem explicitamente a totalidade da vida como uma peregrinação na fé, como um sinal da transformação operada pelo batismo e como um testemunho da graça da comunhão com Deus.
Neste Ano da Fé, todo o consagrado tem oportunidade de refazer a história da sua vida humana, da sua fé e da sua vocação. Encontrará a linha contínua do amor de Deus, manifestado de muitas formas, recordará os momentos fortes do caminho realizado na procura das respostas a dar-Lhe, perceberá as dúvidas, fraquezas e, porventura, alguns retrocessos e infidelidades. Acima de tudo, verá que a fé é uma contínua resposta a um dom recebido, que implica todas as dimensões da vida e que há-de progredir sempre até que ele viva totalmente da fé, tal como diz o apóstolo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2, 20).
Apesar da sua condição de batizados e consagrados na Igreja, os consagrados não podem considerar a fé como um “pressuposto óbvio da sua vida diária” (Bento XVI, A Porta da Fé, 2). Correm, portanto, o risco comum a todos os cristãos de parar em qualquer fase da sua peregrinação, de se descentrarem de Deus em favor das tarefas quotidianas, de investir tanto nas obras humanas que descuidem a obra de Deus, que consiste em “crer n’Aquele que Ele enviou” (Jo 6, 29).
2. APÓSTOLOS DA FORÇA E DA BELEZA DA FÉ
Com muita alegria, reconhecemos que os Consagrados são, entre nós, autênticos apóstolos da força e da beleza da fé, ou seja, verdadeiros catecismos abertos aos fiéis, pois neles podem “descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada” (Bento XVI, A Porta da Fé, 9).
Hoje, como em todos os tempos, a força e a beleza da fé só podem encontrar-se quando ela é vivida na radicalidade evangélica. Os Consagrados são, na Igreja, aqueles em quem se espera encontrar de forma mais visível esse testemunho, em virtude dos conselhos evangélicos, a via da radicalidade que amorosamente assumem como dom e compromisso.
Precisamos urgentemente de homens e mulheres totalmente imbuídos de Cristo, que mostrem a outra face, isto é, que se distanciem dos critérios terrenos e se deixem conduzir pelos critérios do alto.
A força da fé só pode revelar-se por meio de pessoas reais que a experimentem e testemunhem como capaz de transformar as suas vidas. Do mesmo modo, a beleza da fé somente se revela por meio das vidas belas de homens e mulheres cheios de Deus, a origem e a fonte de toda a beleza.
Aos consagrados pedimos que se adentrem com profundidade no mistério da fé, única razão de ser da sua vocação e da sua vida, no respeito pela peculiaridade dos carismas de que são herdeiros. Pela sua autenticidade e pela radicalidade da sua entrega na pobreza, na castidade e na obediência, tornar-se-ão os apóstolos da força e da beleza da fé.
3. IMPELIDOS PELO AMOR DE CRISTO A EVANGELIZAR
“É o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar” (Bento XVI, A Porta da Fé, 7). Válido para todos os cristãos, este princípio encontra maior evidência nos consagrados, cuja vocação específica é precisamente a evangelização do mundo por meio da realização do seu carisma fundador. Todos evangelizam já por meio do seu estado e do seu estilo de vida marcada pelo conhecimento do amor de Cristo, assumido pessoalmente e partilhado comunitariamente; alguns, porém, evangelizam também pela dedicação ao trabalho direto de anúncio da Boa Nova, na pregação, na catequese, no ensino, na ação social, na prática da caridade cristã, na missão ad gentes.
Mais do que as palavras, o veículo de transmissão da fé é o testemunho, de tal modo que o contacto com os verdadeiros crentes é o melhor caminho para o encontro pessoal com Cristo. Os Consagrados encontram-se entre os que mais capacidade têm para realizar esta missão de levar os homens a Cristo, pelo que a Igreja muito deles tem a esperar quando se trata de fazer a evangelização do mundo.
Portugal deve muito daquilo que é e, portanto, da sua identidade, à incansável ação dos Consagrados que, impregnaram de Evangelho a sua história. A difusão da fé cristã, o progresso nos valores humanos fundamentais, o crescimento espiritual e o desenvolvimento cultural, são, em grande parte ação destes homens e mulheres entregues a Cristo por amor dos irmãos.
Nesta Semana do Consagrado 2013, a Igreja portuguesa renova os sentimentos de gratidão pelo trabalho realizado em favor da fé e da evangelização. Invocamos sobre todos os Consagrados a força do Espírito Santo, para que faça deles cristãos alegres por crerem e cheios do entusiasmo na comunicação da fé (Bento XVI, A Porta da Fé, 7).
Confiamos todos os Institutos e todos os seus membros a Nossa Senhora, pobre, casta e em tudo obediente à vontade do Pai, ícone da Igreja que caminha na fé do Filho de Deus.
Coimbra, 08 de Dezembro de 2012
+ Virgílio do Nascimento Antunes
Oração para abrir a Semana dos Consagrados
queremos também nós, ó Pai,
encontrar e reconhecer hoje
Aquele que veio e é sempre esperado.
Queremos também nós, como Simeão,
acolhê-l’O nos braços,
vê-l’O, contemplá-l’O com os nossos olhos,
exultar de gratidão
à luz do seu rosto.
Queremos também nós, como Ana,
consumar a nossa vida
em santidade e alegria,
para que tudo em nós
seja oblação agradável aos vossos olhos
e puro louvor e ação de graças.
Ámen.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
O bom pai
O discípulo perguntou: «quando devo colocar em prática o que aprendi?»
O mestre respondeu: «ainda estou a ensinar-te. Por quê toda essa impaciência de colocar algo em prática? Espere a hora certa.»No momento seguinte, o outro discípulo perguntou: «quando devo colocar em prática as coisas que aprendi?»
«Imediatamente», respondeu o mestre.
«Mestre, tu não ages com justiça», reclamou o primeiro. “O meu colega sabe tanto como eu, e o senhor não o proibiu de agir.»
«Um bom pai conhece a essência de seus filhos», disse o mestre. «Ele freia aquele que é ousado demais, e empurra o que não sabe andar com as próprias pernas.»
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