Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
quinta-feira, 14 de março de 2013
Francisco ou Francisco I?
Francisco. Parece ser o mais acertado, mas a dúvida ainda não está desfeita. O certo é que não há segundo, logo é só Francisco. Porém João Paulo I, foi sempre primus. Logo...
Parece que sempre foi Papa
Depois de rezar a Nossa Senhor confiando-lhe o seu pontificado e sobretudo, depois de rezar por nós!
Bênção Apostólica "Urbi et Orbi":
Irmãos e irmãs, boa-noite!
Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.
[Recitação do Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai]
E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!
E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.
[…]
Agora dar-vos-ei a Bênção, a vós e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade.
[Bênção]
Irmãos e irmãs, tenho de vos deixar. Muito obrigado pelo acolhimento! Rezai por mim e até breve! Ver-nos-emos em breve: amanhã quero ir rezar aos pés de Nossa Senhora, para que guarde Roma inteira. Boa noite e bom descanso!
(Tradução do Vaticano)
Um papa do fim do mundo
Francisco é o Papa da Igreja Católica.
Na varanda central da Basílica Vaticana, onde sempre se apresentou como “Bispo de Roma”, mostrou-se determinado a iniciar um “caminho de fraternidade, de amor, de confiança” com todo o povo.
Sem estar entre os “papabile” desta eleição, o cardeal Bergoglio emergia como uma possibilidade, recordando-se o relevo que teve há 8 anos, quando foi eleito Bento XVI e o seu nome era referido como estando entre os candidatos.
Surge agora, aos 76 anos, e na certeza de que o foram buscar “quase ao fim do mundo”.
Ser da América Latina é muito mais do que uma curiosidade estatística. Sem lhe retirar o facto ficar na história como o primeiro Papa do Continente Americano, a escolha de Francisco representa uma nova forma de comunicar, de viver e de celebrar a fé que chega ao Vaticano.
As palavras, os gestos e a atitude diante do povo que o esperou, durante uma tarde de chuva em Roma, revelam essa diferença. Que ficará para sempre marcada por esse pedido que dirigiu a todo o povo: antes de dar a bênção, pediu-a a todos os que preenchiam a Praça de S. Pedro.
E fez-se silêncio.
“É a oração do povo, pedindo a bênção para o seu Bispo”, disse depois de pedir a oração de todos para que fosse abençoado pelo Senhor!
“Até breve. Boa noite e bom descanso”.
Até breve, Santo Padre. Ou, como Francisco preferiu sempre dizer: até breve, Bispo de Roma…
O que é que esta diferença vai significar?
Paulo Rocha
Carta do nosso Padre Geral ao Papa Francisco
Santo Padre,
A nossa família de carmelitas descalços, descalças e seculares dá-lhe as mais carinhosas boas-vindas. Com a simplicidade que nos ensinaram os nossos santos pais e mães do Carmo, nós abrimos-lhe a porta do coração. Conte connosco, Santidade, seus filhos e filhas em Cristo Jesus.
A nossa Santa Madre Teresa ensinou-nos a viver o dom da fé em comunhão de amor com a Igreja, em espírito de obediência ao Vigário de Cristo, colocando as nossas vidas ao serviço do Reino. Foi isto que fizemos com os seus Antecessores e isto mesmo faremos Consigo. Guardaremos no nosso coração um sentimento de profunda gratidão para com o Sucessor de Bento XVI, cuja vida tanto nos ajudou a pôr os olhos em Cristo; com ele vivemos em serena confiança, em oração expectante e alegria emocionante a eleição do novo Papa. Em cada dia rezávamos ao Senhor, dizendo-Lhe: «Mostra-nos aquele que escolheste para guiar a barca de Pedro neste tempo de graça.» E agora que já o vimos, acolhemos em Sua Santidade aquele que Deus nos enviou.
Obrigado de todo o coração, por terdes dito sim! Imaginamos que não tenha sido fácil dizê-lo, quando sabemos os trabalhos difíceis que Vos esperam. Porém, nós vimos no vosso rosto a humildade verdadeira de quem se oferece como instrumento do Senhor, de quem deixa que seja o Senhor a operar através das vossas palavras, decisões e acções.
Em Sua Santidade nós reconhecemos uma vez mais a obra do Espírito e a sua força renovadora, que continuamente guarda surpresas para os fiéis e por isso damos graças a Deus.
Santo Padre,
Sendo um pouco atrevidos, gostaríamos de lhe dizer que queremos ser seus amigos. Gostaríamos que a nossa família do Carmo seja para Sua Santidade como uma nova Betânia, onde possa descansar das suas canseiras e onde, juntos, possamos falar das coisas que mais amamos: do nosso Amigo Jesus Cristo, da sua Igreja e dos mais necessitados do nosso tempo. O nome que Vós escolhestes a isso nos anima: é o nome de quem, seguindo as pegadas de Cristo, quis ser sempre o mais pequeno dos irmãos.
Convosco seremos missionários, sempre que vos fizerdes ao caminho para anunciar o Evangelho a todo o mundo. Quando proclameis com força e valentia a paz e a justiça do Reino de Deus estaremos unidos a Vós. Quando aparecer a cruz, ter-nos-eis a vosso lado para a abraçarmos convosco. E estaremos também a vosso lado quando Vos retirardes em oração para falar ao Coração de Jesus.
Colocamos o vosso pontificado sob a protecção de Nossa Senhora, que para nós é «Flor do Carmelo, Vinha florida, Esplendor do céu, Virgem fecunda, terna Mãe e Estrela do mar.»
Que Deus Vos abençoe!
Os vosso filhos e filhas do Carmo.
Frei Savério Canistrà
A nossa família de carmelitas descalços, descalças e seculares dá-lhe as mais carinhosas boas-vindas. Com a simplicidade que nos ensinaram os nossos santos pais e mães do Carmo, nós abrimos-lhe a porta do coração. Conte connosco, Santidade, seus filhos e filhas em Cristo Jesus.
A nossa Santa Madre Teresa ensinou-nos a viver o dom da fé em comunhão de amor com a Igreja, em espírito de obediência ao Vigário de Cristo, colocando as nossas vidas ao serviço do Reino. Foi isto que fizemos com os seus Antecessores e isto mesmo faremos Consigo. Guardaremos no nosso coração um sentimento de profunda gratidão para com o Sucessor de Bento XVI, cuja vida tanto nos ajudou a pôr os olhos em Cristo; com ele vivemos em serena confiança, em oração expectante e alegria emocionante a eleição do novo Papa. Em cada dia rezávamos ao Senhor, dizendo-Lhe: «Mostra-nos aquele que escolheste para guiar a barca de Pedro neste tempo de graça.» E agora que já o vimos, acolhemos em Sua Santidade aquele que Deus nos enviou.
Obrigado de todo o coração, por terdes dito sim! Imaginamos que não tenha sido fácil dizê-lo, quando sabemos os trabalhos difíceis que Vos esperam. Porém, nós vimos no vosso rosto a humildade verdadeira de quem se oferece como instrumento do Senhor, de quem deixa que seja o Senhor a operar através das vossas palavras, decisões e acções.
Em Sua Santidade nós reconhecemos uma vez mais a obra do Espírito e a sua força renovadora, que continuamente guarda surpresas para os fiéis e por isso damos graças a Deus.
Santo Padre,
Sendo um pouco atrevidos, gostaríamos de lhe dizer que queremos ser seus amigos. Gostaríamos que a nossa família do Carmo seja para Sua Santidade como uma nova Betânia, onde possa descansar das suas canseiras e onde, juntos, possamos falar das coisas que mais amamos: do nosso Amigo Jesus Cristo, da sua Igreja e dos mais necessitados do nosso tempo. O nome que Vós escolhestes a isso nos anima: é o nome de quem, seguindo as pegadas de Cristo, quis ser sempre o mais pequeno dos irmãos.
Convosco seremos missionários, sempre que vos fizerdes ao caminho para anunciar o Evangelho a todo o mundo. Quando proclameis com força e valentia a paz e a justiça do Reino de Deus estaremos unidos a Vós. Quando aparecer a cruz, ter-nos-eis a vosso lado para a abraçarmos convosco. E estaremos também a vosso lado quando Vos retirardes em oração para falar ao Coração de Jesus.
Colocamos o vosso pontificado sob a protecção de Nossa Senhora, que para nós é «Flor do Carmelo, Vinha florida, Esplendor do céu, Virgem fecunda, terna Mãe e Estrela do mar.»
Que Deus Vos abençoe!
Os vosso filhos e filhas do Carmo.
Frei Savério Canistrà
quarta-feira, 13 de março de 2013
A hora impossível de um Papa Francisco I
Os quartos de Bento XVI estão vazios: com que o nome irá responder ao Escrutinador o próximo papa que irá dormir no seu leito? Após o anúncio do conclave, o pontífice pré-escolhido tem "um minuto inteiro" para pensar a respeito. O primeiro sinal da Igreja que muda poderia ser o nome do sucessor de Ratzinger. Da sacada, ninguém nunca anunciou "eis Francisco", Francisco I, para reiterar o compromisso do santo que protege a Itália, mas sempre esquecido pelos descendentes de Pedro.
(A reportagem é de Maurizio Chierici, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 08-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.)
Ele morreu há quase oito séculos, mas ninguém se sentiu disposto a abraçar a sua espiritualidade e a sua dedicação absoluta à vida dos outros. "Francisco é um nome impossível para a carga de poderes com os quais, ao longo dos séculos, foi construído o papado: infalibilidade, soberania, controle na forma de todo serviço, autoridade sobre milhões de fiéis, responsabilidade de propostas. Não é uma questão de humildade pessoal. Francisco impõe uma pobreza difícil a qualquer soberano vaticano".
Raniero La Valle não imagina que o próximo papa possa se lembrar disso. O que o conforta é a renúncia de Bento XVI, que restitui ao pontífice a fragilidade humana. Reevocada por Paulo VI no seu único discurso de improviso depois do Concílio: ele pediu que a Igreja se tornasse pobre "não só no ser, mas também no aparecer", palavras que se esvaíram com o tempo.
Diretor e testemunho para o jornal Avvenire, dos bispos italianos, nos anos do Concílio Vaticano II, La Valle hoje gira o mundo pela Rai em busca dos últimos. Entre os livros Dalla parte di Abele, Pacem in Terris, La teologia della liberazione e a belíssima memória Il mio Novecento. Ele lidera os Comitês Dossetti para a Defesa da Constituição. A separação da Igreja da gestão dos bens é um tormento que atravessa os anos: quem também o invoca é Heinrich Böll, prêmio Nobel de Literatura que cresceu no pacifismo católico da Alemanha ano zero.
"Será sempre tarde demais quando a Igreja e a aristocracia se separarem das suas imensas propriedades, dos seus tesouros, das ridículas e pomposas ninharias com as quais elas continuam se adornando. Um aspecto do mundo ocidental são, justamente, as propriedades das Igrejas. Terrível fardo que pesa sobre o atormentado e sofredor líder daquela que é ainda hoje a mais poderosa das Igrejas. Quem poderia renunciar à propriedade? Quem, senão essa Igreja que não tem descendentes? Torna-se cada vez mais tarde".
Era 1969. Em Castel Gandolfo, o Papa Montini repetia as mesmas palavras: "Com este Vaticano, nunca haverá um papa chamado Francisco, porque Francisco destruía as regras humanas apenas na obediência ao Evangelho. Nenhuma estrutura piramidal, nenhuma burocracia, nenhum privilégio". Quando ele descobriu que um irmão da Ordem construiu para si uma pequena casa, ele subiu ao telhado e, uma a uma, arrancou as suas telhas: que pobreza é essa se muitos irmãos se refugiam nas grutas da campanha? Quem o lembra é Ettore Masina, vaticanista e escritor que relatou o Concílio.
Francisco vinha da riqueza do pai, do qual se separou despojando-se das roupas diante do bispo e de uma multidão de curiosos. A pobreza é a vocação que o fez passar por louco. "Portanto, é impossível, nos nossos anos, que um pontífice chamado Francisco possa habitar no Vaticano. Ele deveria viver na última paróquia de Roma".
O padre Paolo Farinella, pároco no centro de Gênova de uma paróquia sem paroquianos, viveu em Jerusalém nos anos do cardeal Martini. Estudou hebraico, aramaico e grego. Tem duas graduações em teologia bíblica, sobretudo a análise religiosa e política da Terra Santa devastada por repressões e intifadas. Os seus livros são publicadas pela editora Gabrielli. Em 2000, publicou o romance Habemus Papam, Francesco I. Dez anos depois, ele o reescreveu com o título Habemus papam. La leggenda del papa che abolì il Vaticano [A lenda do papa que aboliu o Vaticano], mas a história não muda.
Ele conta a história de um pároco genovês chamado a Roma, onde os Padres do conclave não chegam a um acordo, e um cardeal que conhece as virtudes do pequeno padre faz a excêntrica proposta: e se escolhêssemos alguém assim? Pároco desarmado nos círculos da burocracia vaticana. Papa ideal nas mãos dos manipuladores. Eis a surpresa: assim que o Escrutinador se dirige a ele para perguntar-lhe "quomodo vocaberis?", como você quer se chamar, o velho padre responde: "Francisco I".
E, quando, do trono, se dirige ao povo, a voz não treme: "Escolhi o nome de Francisco não por um capricho político, mas sim para que ele permaneça como marca de fogo na minha carne. Deve ser um lembrete constante a levar a sério o Evangelho: a caridade como lei, a pobreza como estilo, a comunhão como método".
A multidão observa, perplexa, os paramentos que brilham. "Eu sei perfeitamente o que vocês estão pensando: prega bem, mas pratica mal". Com lentidão exasperada, começa a se despojar. "Deponho esta férula de prata: como diz Marcos, não levem para a viagem nada mais do que um bastão. Deponho este chapéu anacrónico: mais do que um pastor, ele me mostra como um sátrapa oriental". Ele se desfolha como uma cebola: do anel de zafira, da cruz de ouro maciço, dos paramentos "luxuosos que deveriam render glória a Deus e se tornam ofensa para os pobres".
Ele fica com uma túnica branca. "E, por um momento, bispos e cardeais se envergonharam por não estarem nus como Adão e, olhando-se adornados pelos mantos no espelho da sua alma, se reconheceram ridículos".
Maurizio Chierici,
In Il Fatto Quotidiano, 08 de Março de 2013
Sorridente!
Papa Francisco, Papa sorridente.
Papa inesperado, Papa já não esperado.
Papa simples, Papa que reza e nos põe a rezar.
Papa de velhos óculos de massa.
Papa que nos dá a bênção, mas primeiro no-la pede!
Papa que vai mudar, Papa para amar.
Já se ouve o mundo a cantar o Papa novo!
Estou contente!
Boa noite, bom descanso a quem puder!
Papa inesperado, Papa já não esperado.
Papa simples, Papa que reza e nos põe a rezar.
Papa de velhos óculos de massa.
Papa que nos dá a bênção, mas primeiro no-la pede!
Papa que vai mudar, Papa para amar.
Já se ouve o mundo a cantar o Papa novo!
Estou contente!
Boa noite, bom descanso a quem puder!
Comecemos o nosso caminho juntos
Apareceu todo de branco e com uma crus de madeira ao peito. Sem mais adornos, contrastanto com tantos cardeais que o ladeavam.
Como bispo de Buenos Aires renunciou ao palácio episcopal, vivia num simples andar. Andava a pé e tomava o autocarro. Durante a noite visitava os doentes, leigos e sacerdotes, em suas casas e nos hospitais.
Inicalmente hierático, logo que lhe apresentaram o microfe deu «as boas noites» e pediu uma oração pelo bispo emérito de Roma, Cardeal Ratzinger.
E de seguida declarou: «Comecemos o nosso caminho juntos, bispo e povo. Antes da bênção quero pedir-vos um favor. Pedi ao Senhor que abençoe o vosso bispo. Em silêncio, oremos juntos uns pelos outros, e pelo mundo inteiro.»
Assim seja.
Como bispo de Buenos Aires renunciou ao palácio episcopal, vivia num simples andar. Andava a pé e tomava o autocarro. Durante a noite visitava os doentes, leigos e sacerdotes, em suas casas e nos hospitais.
Inicalmente hierático, logo que lhe apresentaram o microfe deu «as boas noites» e pediu uma oração pelo bispo emérito de Roma, Cardeal Ratzinger.
E de seguida declarou: «Comecemos o nosso caminho juntos, bispo e povo. Antes da bênção quero pedir-vos um favor. Pedi ao Senhor que abençoe o vosso bispo. Em silêncio, oremos juntos uns pelos outros, e pelo mundo inteiro.»
Assim seja.
O próximo Papa poderá chamar-se
Bento XVII?
Improvável. Seria a continuidade de Bento XVI. Mas Bento XVI quis dizer “mais como eu, não”. E há que cumprir o pedido. Só Angelo Scola poderia escolhê-lo, pois conhecia bem Bento XVI de diversos outros sítios. Saberia ser continuador.
João Paulo III?
Não parece. João Paulo II esgotou, pelo menos enquanto os que viveram sob o seu pontificado andarem por cá, a junção dos nomes. Não é que João Paulo II tenha sido um grande papa. Julgo que não foi. E duvido que o seu processo de canonização avance depois do que veio ao de cima com Bento XVI. Mas ninguém quer assumir, julgo eu, a teatralidade, as grandes imagens de João Paulo II.
Paulo VII?
É uma possibilidade. Passaram uns anos. Significaria que o novo Papa aposta na continuidade do Concílio Vaticano II. Fazer o que ainda não foi feito. O milanês Ravasi, como Montini, poderia escolher este nome.
João XXIV?
Outro nome que parece esgotado. Só um reformador optimista humilde poderá voltar a usá-lo. Mas como as coisas estão, é difícil reformar com humildade. E se for optimista, poderá não querer fazer reformas. Um cardeal franciscano poderia escolher este nome. Claudio Hummes, brasileiro, não é carta descartada. E há O’Malley, capuchinho dos EUA.
Francisco I?
Talvez uma doce tentação para Hummes e O’Malley, de matriz franciscana.
Clemente XV?
É uma possibilidade para D. José Policarpo. No anterior conclave disse que se fosse eleito era este o nome escolheria.
Pio XIII?
Um asiático poderia escolher este nome. Tagle, das Filipinas, por exemplo. Um africano também seria capaz de escolher tal nome. Mas não um europeu nem um americano.
Leão XIV?
Demasiado feroz. Quer-se mansidão. A não ser que apareça alguém extremamente humilde, reformador e com um grande sentido de humor e uma elevada auto-estima.
J. P. Ferreira
Improvável. Seria a continuidade de Bento XVI. Mas Bento XVI quis dizer “mais como eu, não”. E há que cumprir o pedido. Só Angelo Scola poderia escolhê-lo, pois conhecia bem Bento XVI de diversos outros sítios. Saberia ser continuador.
João Paulo III?
Não parece. João Paulo II esgotou, pelo menos enquanto os que viveram sob o seu pontificado andarem por cá, a junção dos nomes. Não é que João Paulo II tenha sido um grande papa. Julgo que não foi. E duvido que o seu processo de canonização avance depois do que veio ao de cima com Bento XVI. Mas ninguém quer assumir, julgo eu, a teatralidade, as grandes imagens de João Paulo II.
Paulo VII?
É uma possibilidade. Passaram uns anos. Significaria que o novo Papa aposta na continuidade do Concílio Vaticano II. Fazer o que ainda não foi feito. O milanês Ravasi, como Montini, poderia escolher este nome.
João XXIV?
Outro nome que parece esgotado. Só um reformador optimista humilde poderá voltar a usá-lo. Mas como as coisas estão, é difícil reformar com humildade. E se for optimista, poderá não querer fazer reformas. Um cardeal franciscano poderia escolher este nome. Claudio Hummes, brasileiro, não é carta descartada. E há O’Malley, capuchinho dos EUA.
Francisco I?
Talvez uma doce tentação para Hummes e O’Malley, de matriz franciscana.
Clemente XV?
É uma possibilidade para D. José Policarpo. No anterior conclave disse que se fosse eleito era este o nome escolheria.
Pio XIII?
Um asiático poderia escolher este nome. Tagle, das Filipinas, por exemplo. Um africano também seria capaz de escolher tal nome. Mas não um europeu nem um americano.
Leão XIV?
Demasiado feroz. Quer-se mansidão. A não ser que apareça alguém extremamente humilde, reformador e com um grande sentido de humor e uma elevada auto-estima.
J. P. Ferreira
terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
sábado, 9 de março de 2013
E depois do regresso?
A parábola do Filho pródigo narrada em primeira mão por Jesus está aberta a várias interpretações. Aí vai mais uma.
Muitos de nós crescemos na «Casa de Deus», que é a Igreja. E desde meninos aprendemos a chamar-Lhe «Pai»: recebemos os sacramentos, participamos na catequese, rezámos com simplicidade e confiança de meninos.
Depois crescemos e entrámos na adolescência. Chegámos à crise própria daquela idade, que nos levou a afirmar a nossa personalidade à margem dos ensinamentos dos mais velhos e às vezes contra eles. Então, afastámo-nos de Deus e da sua casa, acusando a religião e os seus preceitos de ser um peso de que tínhamos de nos livrar.
A determinada altura reconsiderámos. E voltámos à Igreja.
Os motivos do regresso podem ser variados, como variados podem ser os caminhos de regresso. E vão desde a maior ou menor sinceridade à maior ou menor consciência do que se está a fazer. O regresso é, porém, sempre difícil e sacrificado.
Eis o que até aqui nos ensinou a atitude do filho mais novo.
A partir daqui a perseverança não é fácil. A Igreja acolhe-nos e forma-nos, convida-nos para retiros e convívios, e a ela lhe oferecemos o nosso tempo e parte do nosso dinheiro para colaborações com a cáritas, missões e outras iniciativas. A perseverança, porém, nem sempre é fácil. Porém, devemos ser fortes, devemos adaptar-nos às circunstâncias e às exigências da fé, e isso, por si só, dá-nos grandes satisfações.
Os anos vão passando e às vezes começamos a sentir-nos como o irmão mais velho. Encontrámos tantas pessoas superficiais que se magoam e magoam os demais, encontramos falsos «irmãos» que nos ferem com o seu comportamento, encontrámos pastores medíocres… Além disso, nós também não somos tão bons como queríamos, nem conseguimos superar os nossos defeitos. E isso frustra-nos. Além disso, a própria acção de Deus mostra-se incompreensível para nós, e a verdade é que não são poucas as vezes em que ficámos na dúvida se seremos «bons» ou «maus», porque tudo nos cansa até mesmo o que nos vem de Deus. Então, o que mais desejamos é pedir explicações a Deus, como se Ele fosse o mais culpado daquilo que sucede nas nossas vidas.
Mas nós sabemos em quem pusemos a nossa vida: nas mãos de Deus. Algures experimentamos o seu amor incompreensível e inabarcável, o seu perdão e misericórdia.
Sim, no mais profundo do nosso coração sentimos que Ele nos diz: «Meu filho!», e recordámos que nos havíamos fiado da sua palavra… que sabemos que o seu amor é único e que só ele nos pode encher o coração; somos conscientes de que o Seu amor é uma prenda que nós não merecemos. E isto ajuda-nos a não consideramos se os outros são merecedores, se sabem acolher, se respondem correctamente, se fazem o que dizem.
Mas não termina aqui o nosso caminho. Falta-nos ainda revestir-nos dos sentimentos do Pai, falta-nos unir-nos de tal maneira a Ele que cheguemos a ter o seu olhar e o seu coração, que sejamos capazes de acolher os outros e de os converter em nossos filhos, de respeitar o seu processo de crescimento e de os acompanhar com paciência, adaptando-nos às suas necessidades.
Volta, Paco
Vive a Igreja em compasso de espera da eleição de um novo Papa. Parece que os cardeais eleitores não têm pressa, e querem, primeiro, conhecer a realidade da Igreja para poder acertar na eleição.
Nas Missas deste domingo IV escutamos a Parábola do Filho Pródigo, ou talvez melhor dito, do Pai Bom e os seus dois filhos. Ele é um pai sempre pai. E é ele o verdadeiro protagonista da parábola. É um pai que não se deixa influenciar pela conduta dos filhos. Façam o que façam serão sempre filhos.
Ao longo da história a figura do filho mais novo tem sido vista como a imagem do mundo moderno que não se sente bem em casa e reclama a parte da sua herança. E logo se aparta para bem longe do olhar do pai. E longe da vinculação paterna aproveita para disfrutar da vida num carpe diem infructuoso, sumindo o dinheiro sem que ninguém o condicione, saboreando a liberdade que o definha.
O regresso de tantos a casa poderia ser a tarefa, ingente, do próximo Papa.
Em língua castelhana familiar Paco quer dizer Francisco. E é um nome muito popular.
Ora conta-se num conto de E. Hemingway que um pai desejava reconciliar-se com um filho fugido de casa para Madrid, a grande cidade. Longe do advento da Internet e querendo localizá-lo, veio o pai a Madrid e colocou um anúncio no jornal de maior circulação madrilena. O anúncio dizia:
«Paco,
aguardo-te ao meio-dia da próxima terça--feira no hotel Montana. Tudo está perdoado. Amo-te, filho. Papá.»
Nós, portugueses, nem imaginamos como em Espanha é popular o nome Paco, pelo que, vai daí, no dia e hora marcados apareceram oitocentos jovens Pacos à porta do Hotel esperando o pai. Foi preciso chamar a polícia para dispersar a multidão!
Pronto, já sei, não passa de uma historieta. Mas por vezes as historietas têm muito que se lhes diga, pois sintetizam verdades cruas como pedras frias, e afiadas como gumes de lanças.
Que quer dizer a história? A si que lhe diz? Por que vieram tantos jovens ao hotel? É possível viver sem perdão? E viver sem pai que perdoe? E sem motivos para pedir perdão?
A magia da história está no perdão do pai: «Filho, disse, tudo está perdoado»! É um perdão de pai sem condições, um perdão livre e rendido, e por isso irresistível. Por isso tantos vieram ao encontro!
Estamos em Quaresma: eis o tempo em que Deus anuncia ao mundo uma mensagem verdadeiramente consoladora, cheia de calor e amor de Pai: Tudo está perdoado! Filho, espero-te em casa! Regressa, por favor!
A todos os Pacos do mundo Deus diz: estás perdoado. Sem condições. Regressa.
Este é o anúncio irresistível do hoje e do sempre da Igreja. Falta que desça dos ouvidos ao coração de tantos, fugitivos e restantes.
Quem de nós é puro? Quem de nós em alguma etapa das nossas vidas não fugiu da casa do Pai e malgastou a sua fortuna? Quem de nós não sentiu ainda necessidade de ir por si e pela sua cabeça, deixando de lado este ou aquele mandamento?
E quem de nós não foi alguma vez o filho mais velho, bem comportado mas cheio de orgulho, que não abandonou a casa, mas sempre pronto a morder nos mais novos? Quem é que nunca foi uma pessoa espiritual e venenosamente mordaz? Quem, de entre os cristãos perfeitos, não mordeu ainda nos que abandonam a Igreja e no Pai extravagante que os recebe de braços abertos e coração sobressaltado?
Por mais esforços que façamos, assim decorre a nossa vida: entre a pura graça do Pai que se nos dá entre abraços, e o arrependimento tosco, tacanho e apoucado.
Mas o que verdadeiramente é novo na parábola de Jesus é o coração do Pai!
A Bíblia conta-nos muitas histórias de dois irmãos, o bom e o mau: Caim e Abel, Ismael e Isaac, Isaú e Jacob, José e os irmãos, o irmão mau mau e o irmão bom mau.
No seu tempo Jesus não se escusou a viver entre e a comer com os maus maus, e foi criticado. Criticado precisamente pelos bons maus, os fariseus, que não O compreenderam nem jamais aceitaram a sua pregação.
Mas bom bom é o Pai! Que belo e sofrido coração tem o Pai! Um coração que nunca se fecha a ninguém! Sempre pronto a correr para abraçar o filho mau mau que regressa a casa! Um coração capaz de esperar e esperar e esperar até amanhecer o motivo para fazer festa e dançar! Um coração que nunca fecha a porta de casa e encontra sempre algum motivo para convidar a entrar! Um coração capaz de reconhecer no coração de qualquer filho algo que se pareça a Si! Algo belo e bom.
Ah!, meu Deus! Eu não quereria imitar o filho mau mau, nem o filho bom mau. Eu quereria mesmo era um coração bom e deixar-me perdoar pelo vosso coração que contínua e mansamente me convida a entrar em casa.
Volta, Paco! Volta, Pepe! Ambos estais perdoados! Vinde, filhos, alegrai o meu pobre coração de pai! Vinde, filhos, façamos festa!
Chama do Carmo I NS 179 I Março 10 2013
Nas Missas deste domingo IV escutamos a Parábola do Filho Pródigo, ou talvez melhor dito, do Pai Bom e os seus dois filhos. Ele é um pai sempre pai. E é ele o verdadeiro protagonista da parábola. É um pai que não se deixa influenciar pela conduta dos filhos. Façam o que façam serão sempre filhos.
Ao longo da história a figura do filho mais novo tem sido vista como a imagem do mundo moderno que não se sente bem em casa e reclama a parte da sua herança. E logo se aparta para bem longe do olhar do pai. E longe da vinculação paterna aproveita para disfrutar da vida num carpe diem infructuoso, sumindo o dinheiro sem que ninguém o condicione, saboreando a liberdade que o definha.
O regresso de tantos a casa poderia ser a tarefa, ingente, do próximo Papa.
Em língua castelhana familiar Paco quer dizer Francisco. E é um nome muito popular.
Ora conta-se num conto de E. Hemingway que um pai desejava reconciliar-se com um filho fugido de casa para Madrid, a grande cidade. Longe do advento da Internet e querendo localizá-lo, veio o pai a Madrid e colocou um anúncio no jornal de maior circulação madrilena. O anúncio dizia:
«Paco,
aguardo-te ao meio-dia da próxima terça--feira no hotel Montana. Tudo está perdoado. Amo-te, filho. Papá.»
Nós, portugueses, nem imaginamos como em Espanha é popular o nome Paco, pelo que, vai daí, no dia e hora marcados apareceram oitocentos jovens Pacos à porta do Hotel esperando o pai. Foi preciso chamar a polícia para dispersar a multidão!
Pronto, já sei, não passa de uma historieta. Mas por vezes as historietas têm muito que se lhes diga, pois sintetizam verdades cruas como pedras frias, e afiadas como gumes de lanças.
Que quer dizer a história? A si que lhe diz? Por que vieram tantos jovens ao hotel? É possível viver sem perdão? E viver sem pai que perdoe? E sem motivos para pedir perdão?
A magia da história está no perdão do pai: «Filho, disse, tudo está perdoado»! É um perdão de pai sem condições, um perdão livre e rendido, e por isso irresistível. Por isso tantos vieram ao encontro!
Estamos em Quaresma: eis o tempo em que Deus anuncia ao mundo uma mensagem verdadeiramente consoladora, cheia de calor e amor de Pai: Tudo está perdoado! Filho, espero-te em casa! Regressa, por favor!
A todos os Pacos do mundo Deus diz: estás perdoado. Sem condições. Regressa.
Este é o anúncio irresistível do hoje e do sempre da Igreja. Falta que desça dos ouvidos ao coração de tantos, fugitivos e restantes.
Quem de nós é puro? Quem de nós em alguma etapa das nossas vidas não fugiu da casa do Pai e malgastou a sua fortuna? Quem de nós não sentiu ainda necessidade de ir por si e pela sua cabeça, deixando de lado este ou aquele mandamento?
E quem de nós não foi alguma vez o filho mais velho, bem comportado mas cheio de orgulho, que não abandonou a casa, mas sempre pronto a morder nos mais novos? Quem é que nunca foi uma pessoa espiritual e venenosamente mordaz? Quem, de entre os cristãos perfeitos, não mordeu ainda nos que abandonam a Igreja e no Pai extravagante que os recebe de braços abertos e coração sobressaltado?
Por mais esforços que façamos, assim decorre a nossa vida: entre a pura graça do Pai que se nos dá entre abraços, e o arrependimento tosco, tacanho e apoucado.
Mas o que verdadeiramente é novo na parábola de Jesus é o coração do Pai!
A Bíblia conta-nos muitas histórias de dois irmãos, o bom e o mau: Caim e Abel, Ismael e Isaac, Isaú e Jacob, José e os irmãos, o irmão mau mau e o irmão bom mau.
No seu tempo Jesus não se escusou a viver entre e a comer com os maus maus, e foi criticado. Criticado precisamente pelos bons maus, os fariseus, que não O compreenderam nem jamais aceitaram a sua pregação.
Mas bom bom é o Pai! Que belo e sofrido coração tem o Pai! Um coração que nunca se fecha a ninguém! Sempre pronto a correr para abraçar o filho mau mau que regressa a casa! Um coração capaz de esperar e esperar e esperar até amanhecer o motivo para fazer festa e dançar! Um coração que nunca fecha a porta de casa e encontra sempre algum motivo para convidar a entrar! Um coração capaz de reconhecer no coração de qualquer filho algo que se pareça a Si! Algo belo e bom.
Ah!, meu Deus! Eu não quereria imitar o filho mau mau, nem o filho bom mau. Eu quereria mesmo era um coração bom e deixar-me perdoar pelo vosso coração que contínua e mansamente me convida a entrar em casa.
Volta, Paco! Volta, Pepe! Ambos estais perdoados! Vinde, filhos, alegrai o meu pobre coração de pai! Vinde, filhos, façamos festa!
Chama do Carmo I NS 179 I Março 10 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
O início do Conclave já está marcado
O Conclave já tem data de início: Terça-feira, 12 de Março. Durante a manhã celebrar-se-á a Missa Pro Eligendo Pontífice, após a qual os Cardeais ficam encerrados cum clavis na Capela Sistina. Ao início da tarde já se realiza a primeira sessão eleitoral.
Rezemos pelo bom sucesso do conclave. E se no dia de São José a Igreja tivesse já um novo Papa?
Rezemos pelo bom sucesso do conclave. E se no dia de São José a Igreja tivesse já um novo Papa?
Museu do Carmo de Braga
A restauração das Congregações Religiosas no nosso país, após a expulsão em 1834, não foi pacífica. Assim, também, o Carmelo Teresiano teve as suas dificuldades, mas a fé, a humildade, o amor a Deus e aos irmãos em Cristo, fê-los voltar a Braga.
Contudo, isto só foi possível trinta e seis anos após da restauração primeira casa da Ordem, em Portugal, graças aos pedidos endereçados ao então Arcebispo de Braga, D. António Bento Martins Júnior, que inicialmente não acolheu muito bem a ideia. Porém, devido à insistência do P. Isidoro da Virgem do Carmo, D. António aconselhou entendimento com os Franciscanos, dado que estes eram os capelães da Igreja do Carmo há cerca de quarenta anos.
Desta feita, o P. Isidoro falou com o Provincial dos Franciscanos, tendo este manifestado querer deixar a capelania do Carmo.
Concretizada esta intenção, o P. Isidoro renovou o pedido ao Sr. Arcebispo que permitiu o tão feliz e desejado acontecimento, o regresso da Ordem a Braga, com a licença de Fundação Canónica concedida a 30 de outubro de 1962.
De seguida, foi necessário proceder à limpeza do convento para que reunisse condições de habitabilidade e reiniciar, assim, a vida carmelitana.
Para assinalar este reinício foi escolhido o dia 3 de março de 1963. Na parte da manhã, foram celebradas duas missas, com elevada participação do povo Bracarense, que depois de saberem que os filhos de Nossa Senhora do Carmo regressavam ao porto de honra, quiseram mostrar o seu orgulho com tal acontecimento.
Às três horas da tarde os sinos começavam a repicar. Nas ruas circundantes do Carmo, era enorme a afluência de fiéis bracarenses, que mantiveram vivo no seu coração, o espírito carmelitano, apesar de anos de ausência.
De diversos pontos do país iam chegando autocarros com frades e leigos que queriam associar-se à grande solenidade.
Às quatro horas da tarde em ponto, deu-se a entrada triunfal dos Irmãos Carmelitas e o Delegado Provincial, P. Isidoro da Virgem do Carmo recebia o Sr. Bispo Auxiliar de Braga, D. Francisco Maria da Silva que celebraria a eucaristia solene. Dele se ouviram com regozijo, sentidas palavras de admiração pela Reforma Teresiana.
Durante a eucaristia, estiveram em lugares de destaque na capela-mor membros de várias Ordens e Congregações Religiosas. Da Companhia de Jesus, esteve presente o Magnifico Reitor da Faculdade de Filosofia Dr. José Patrocínio Bacelar, bem como professores da mesma instituição. A completar o belo cenário, encontravam-se os inúmeros fiéis.
A partir de então, formaram-se as sucessivas comunidades de frades ao longo destes cinquenta anos, que cultivando a vida de oração em ambiente de família, servem o povo de Deus através das seguintes atividades pastorais:
Celebração da eucaristia; Acompanhamento Espiritual; Sacramento da Reconciliação; Retiros; Formação de novas vocações sacerdotais carmelitas; Celebração de casamentos e batizados.
Em setembro de 1978, os frades assumiram a Capelania das Irmãs Carmelitas Descalças do Bom Jesus e entre 1991 e 2012, tiveram a seu encargo todo o trabalho pastoral da paróquia de S. Vicente.
Ao longo do tempo, formaram-se grupos corais, grupos de casais e de jovens e mais recentemente um grupo de acólitos e o Carmelo Secular ou Ordem Terceira (grupo constituído por leigos que têm como lema dar testemunho do Carisma Teresiano nas suas vivências) e, ainda, um grupo de preparação para o Sacramento do Crisma.
De há uns anos a esta parte temos tido a honra de assistir aos concertos de Natal dos grupos corais da casa, organizados nomeadamente, pelo Grupo Coral e Instrumental do Carmo e também pelo Grupo Apocalipse, que através do seu esforço e dedicação dão maior vivacidade às eucaristias dominicais das 11h30 e 18h30, respetivamente.
Não menos reconhecidos, são os recém-criados grupos corais que solenizam as eucaristias das 10h e 12h40. O grupo da eucaristia das 10h é constituído por alguns estudantes timorenses da Universidade do Minho e o grupo da eucaristia das 12h40 é formado por elementos de uma família.
É importante salientar que durante vários anos a celebração da Primeira Comunhão dos alunos do já extinto colégio Dublin, espaço contíguo ao convento, se realizava na Igreja do Carmo.
Esta foi, também, palco de encontros de coros (grupo coral da Paróquia de Sequeira, grupo coral da Paróquia de Dume, Orfeão de Braga, entre outros).
No convento do Carmo realizou-se, ao longo de anos a ceia de Natal e distribuição de bens alimentares às pessoas mais carenciadas da paróquia, iniciativa dinamizada pela Associação Vicentina.
Uma das celebrações mais importantes do ano acontece a 16 de Julho, dia em que se celebra a padroeira, Nossa Senhora do Carmo.
Estamos em tempo de dar graças a Deus por todo o trabalho e bem, que as sucessivas comunidades de frades carmelitas têm realizado nesta cidade. Mesmo os sacerdotes que agora estão noutras comunidades continuam carinhosamente nos nossos corações, bem como os que já partiram para junto do Pai.
Temos presente de modo especial, a atual comunidade formada por três frades: P. Agostinho Castro (Superior), P. Rui Rodrigues e P. Marco Caldas, pedindo-lhes que continuem a dar testemunho da vivência cristã e a orar por todos nós.
Finalmente, um desafio aos jovens bracarenses, que vai no sentido de procurarem conhecer o carisma carmelitano e este ser o despertar de novas vocações para no futuro termos sacerdotes carmelitas, filhos da terra.
Bem-haja a esta grande família!
Lurdes Fernandes, in www.carmelitas.pt.
quinta-feira, 7 de março de 2013
50 anos da restauração da presença carmelitana em Braga
A comunidade dos Carmelitas Descalços da Igreja do Carmo, inaugurou no passado sábado o seu núcleo museológico.A iniciativa contou com a presença do padre provincial Joaquim da Silva Teixeira e de toda a comunidade daquele convento.
De acordo com o provincial, a difusão da palavra do Senhor não se faz somente através da leitura, mas igualmente através da arte e das obras de arte.
A iniciativa contou com um grande número de fiéis que fizeram questão de marcar presença naquela que foi a primeira visita guiada ao recém-inaugurado museu do Carmo, a cargo do frei Marco Caldas.
O espaço ora inaugurado contém imagens, paramentos e outros objectos de culto daquela instituição religiosa, com destaque para a sacristia onde os sacerdotes se preparam para os actos de culto religioso.
Para além destes, o museu do Carmo contém igualmente escritos sobre a vida daquela igreja, com referência ao extinto colégio Dublin, contíguo ao convento, que servia de base de formação de muitos padres carmelitas, quer a nível filosófico, quer a nível teológico.
De resto, existem também algumas referências a personalidades que marcaram, de alguma forma, a vida daquela instituição do foro religioso, nomeadamente D. Francisco Maria da Silva e D. António Bento Martins Júnior.
A animação musical esteve a cargo dos grupos Apocalipse e Grupo Instrumental do Carmo.
Os Carmelitas Descalços de Braga estão a iniciar as comemorações do Jubileu dos 360 anos (1653) da sua fundação e os 50 anos (1963) da sua reconstituição.
Frei Marco Caldas OCD
Oração pela eleição do novo Papa
Será divulgada hoje a data de início do Conclave que vai eleger o sucessor de Bento XVI na cadeira de Pedro. Oremos, como pede a Igreja, pelo bom sucesso do Conclave:
Ó Deus, pastor eterno,
Ó Deus, pastor eterno,
Que governais o vosso rebanho com solicitude constante,
No vosso amor de Pai
Concedei à Igreja um pastor que vos agrade pela virtude
E que vele solícito sobre nós.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
Na unidade do Espírito Santo.
Pai Nosso .
Avé Maria.
Glória.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Cristianismo
«Acredito no Cristianismo tal como acredito que o sol nasce no horizonte: não apenas porque o vejo, mas porque com a sua luz vejo tudo o resto.»
C. S. Lewis
C. S. Lewis
segunda-feira, 4 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Crer na caridade suscita caridade (excertos)
Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele», recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos, agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro». A fé constitui aquela adesão pessoal à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo.
[...] O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo. Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
[...] Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade.
Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n’Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que atua pelo amor» e Ele vem habitar em nós. A fé é conhecer a verdade e aderir a ela.
[...] À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialética». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operactividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus.
[...] Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana.
[...] Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude.
[...] desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!
Benedictus PP. XVI
Chama do Carmo I NS 178 I Março 3 2013
sábado, 2 de março de 2013
As coisas nem sempre são o que parecem
Dois anjos viajavam pelo mundo. Um era novo, o outro era velho.
Ao anoitecer bateram à porta de uma família rica que lhes ofereceram alojamento no sótão.
Enquanto faziam a cama no chão o anjo mais velho viu um buraco na parede e tapou-o. O mais jovem perguntou-lhe porque o fazia, e o velho respondeu: – As coisas nem sempre são o que parecem.No dia seguinte chegaram a uma terriola, e uma família pobre ofereceu-lhes de cear e deu-lhes a melhor cama para passar a noite.
Na manhã seguinte os anjos deram de cara com a família muito chorosa. A sua única vaca da família tinha morrido. O anjo mais jovem, indignado e furioso, perguntou ao companheiro: – Como permitiste semelhante desgraça? Ajudaste os ricos que nos trataram tão mal, mas a esta família que tudo nos deu não fizeste nada.
– As coisas não são o que parecem, respondeu-lhe o anjo velho. Quando nos hospedamos na casa dos ricos vi que havia ouro no buraco e tapei-o para que aquela família egoísta e avarenta nunca o encontrasse. Esta noite enquanto dormíamos veio o anjo da morte buscar a esposa desta casa. E então eu disse-lhe que levasse a vaca em vez da esposa. Como vês as coisas nem são o que parecem.
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