sexta-feira, 6 de novembro de 2009

XV Fórum sacerdotal

No contexto da Semana da Diocese, que celebrou o 32º aniversário da sua criação, celebrou-se o XV Forum Sacerdotal. Aqui ficam algums dados e reflexões.
Nos 32 anos de história foram ordenados 67 sacerdotes, dos quais quatro abandonaram o sacerdócio e dois morreram.
Nos últimos doze anos, o pontificado do actual bispo, foram ordenados 32 sacerdotes.
A diocese é composta por 140 presbíteros.

Crucifixo, sinal +

«Daqui a nada também vão querer eliminar o sinal '+' em Matemática, porque é uma cruz que pode ofendar os das religiões que não têm cruz nenhuma.»
(P. Manuel Morujão, portavoz da CEP)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

— Que direcção tomará a nossa alma?


— Que direcção tomará a nossa alma?
— A que lhe tivermos dado na Terra. Os bons cristãos nunca morrem; dão todos os dias um passo para o paraíso. As neblinas que escurecem a nossa razão serão dissipadas. O nosso espírito terá a inteligência das coisas que lhe são escondidas cá em baixo. Havemos de vê-lO. Vê-lO-emos irmãos! Já pensastes, nisso alguma vez? Havemos de ver Deus! Nós vê-lO-emos a valer! Vê-lO-emos tal como é, face a face! Vê-lO-emos. Vê-lO-emos!
(S. João Maria Vianney)

Coragem

Ressuscitei e agora estou sempre contigo!
A minha mão ampara-te.
Onde quer que tu caias, não cairás no vazio, na destruição, no mada;
cairás em boas mãos, em mãos benignas,
nas minhas mãos e Eu estarei presente, até na travessia da porta da morte.
Onde mais ninguém te poderá acompanhar e para onde nada
e ninguém podes levar, lá estarei Eu, esperando por ti,
para transformar as trevas em luz.

domingo, 1 de novembro de 2009

Comemoração dos fiéis defuntos


A nossa fé, confiança e alegria

Um Professor de Religião e Moral Católica dum colégio escreveu aos pais dos seus alunos sobre o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos. Não foi em Portugal. Por ser um texto 'não-clerical', mas de grande interesse para nós, publico-o confiante que é uma ajuda para muitos:

Queridos pais e mães:
Todos os meninos e meninas deste colégio inscritos na aula de Moral e Religião Católica sabem quando se celebra o seu santo, pois disso são informados no início das aulas e sempre que perguntam.
Os santos ensinam-nos que na ainda na terra podemos ver em íntima comunhão com Deus e com a Igreja triunfante, e o destino de felicidade e plenitude que nos espera junto deles. Só morremos uma vez e quando Deus quer. Depois, acreditando nas palavras de Jesus: «Quem acredita em mim ainda que tenha morrido viverá para sempre», não há mais dor, nem doença, nem morte. Essa é a nossa fé e esperança e o motivo da nossa alegria.
Como sabeis, dentro em pouco a nossa tradição celebra duas datas muito importantes:
1. Domingo, 1 de Novembro, é a Festa da Alegria. Nesse dia vamos à Missa para pedir que todos os nossos familiares, amigos e conhecidos gozemos um dia da comunhão dos santos, com Deus, no Céu. E ao celebrarmos isto em família, tal nos ajuda a vivermos uma só fé.
2. Segunda-feira, dia 2 de Novembro, é para nós uma festa da Esperança. Levamos flores aos cemitérios (palavra que significa dormitório) para honrar e rezar por (e com) os nossos defuntos, para que descansem na paz de Deus. É um dia cheio de recordações e de confiança em reencontrar os nossos seres queridos. Para o cristão a morte não é razão de menosprezo ou de medo, mas de fé na ressurreição que Jesus nos prometeu.
Em resumo, desde a minha responsabilidade como professor de Moral e Religião Católica, só me resta dizer-vos duas coisas que devemos procurar ter em conta e que eu, que também sou pai, as digo aos meus filhos, que:
1. Qualquer festa que celebremos, seja o Halloween ou Todos os Santos, Carnaval ou Semana Santa, a celebremos com o sentido mais agradável e positivo que possa haver, sem misturar contravalores que possam confundir-se com a alegria, a fé e a esperança. Sobretudo se forem contravalores de chacota, morte, medo, necrofilia, relativismo, nihilismo, perda de sentido da vida…)
2. Recuperemos as tradições dos nossos antigos e da nossa cultura cristã, celebrando os santos e neles a exaltação do amor e da vida, da família e do carinho, da verdade e da esperança, da paz e fé ou confiança em Deus, da liberdade e da alegria, da coragem e respeito por todos
Muito obrigado a todos vós pela vossa atenção, interesse e confiança.


Luis Javier

Ouvir Xutos em dia de Todos os Santos

Não, não sou o único,
eu não sou o único
a olhar o Céu.

E quando as nuvens partirem,
O céu azul ficará.
E quando as trevas se abrirem,
vais ver o sol brilhará.
Vais ver o sol brilhará.

Não, não sou o único,
eu não sou o único
a olhar o Céu.

Decálogo para Novembro

1. Não te esqueças que se vives é porque outros viveram antes de ti. Por isso dá graças a Deus pelos teus familiares defuntos. Durante este mês reza todos os dias por eles.
2. Lê a Palavra de Deus que fala de esperança, eternidade e perdão. Ela há-de contextualizar-te e mostrar-te-á como Deus cumpre o que promete.
3. Relativiza as situações e os conflitos. A vida não é para ser vivida com carrancas ou pesos nos ombros. A vida é demasiado curta para ser percorrida sem amor ou sem humor.
4. Pensa no que podes melhorar e a quem possas fazer algum bem. Todos podemos superar-nos em algo: no carácter, linguagem, atitudes ou egocentrismo.
5. Luta pela vida. Enquanto há vida há esperança, lá diz um velho provérbio. Defende a vida, sem esquecer a que não se pode valer.
6. Quando a vida te oferecer razões para chorar, prova-lhe que tens mil e uma razões para rir. Não te deixes vencer pelas dificuldades. Reza.
7. Vive o presente como se fosse o último dia da tua vida. Inicia a noite colocando a tua vida nas mãos de Deus, como se não viesses a acordar. Dormirás em paz.
8. Não esqueças os pequenos cuidados para quem te rodeia. Não esperes que te morra alguém para lhe provares o teu amor. A tua consciência e o dia de amanhã te agradecerão.
9. Vive com intensidade cada momento. Mas, sobretudo, enche-o de fé, esperança e amor. Entre outras razões, porque esse momento pode ser decisivo no teu encontro pessoal com Deus: no entardecer da vida serás examinado no amor.
10. Irradia alegria. Isso mostrará duas coisas: o conteúdo do teu coração, e que o Senhor caminha contigo. O mundo tem coisas de mais, mas faltam-lhe sorrisos e palhaços divinos.

(Xavier L.)

sábado, 31 de outubro de 2009

Bem aventurados

Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus!

No dia de Todos os Santos

Eram uns turistas com vontade de alcançar rapidamente um castelo, no cume duma montanha. Existiam vários caminhos todos muito compridos, excepto um pequeno atalho bastante curto, mas muito difícil e empinado. Indo por ele não havia maneira de para comer ou descansar, e o sol batia forte. Quase ninguém escolhia ir por ele. Por fim, todos menos um escolheram ir pelos caminhos compridos e fáceis. Mas eram tão compridos, tão compridos que os turistas desistiram e regressaram à base. Não chegaram à meta. Outros aproveitaram as sombras para dormitar e conversar, e acabaram os seus dias assim. O que subiu só pelo atalho sofreu todas as dificuldades, e quando julgou que não podia mais encontrou-se frente a frente com o castelo desejado.
Foi o único a chegar.

Para ler é preciso saber

Para ler é preciso saber. Quem o disse no Público de domingo passado (25/IX) foi o Frei Bento Domingues que eu leio com gosto, desde que ele ali escreve. A frase não deve ser original, mas é altamente válida. Também não foi assim escrita, mas de outra maneira, a saber: «Para ler é preciso saber ler.» Se a memória não me falha o teólogo referia-se a um escritor célebre cuja memória me foge sempre que, deixando de escrever, envereda pela publicidade rasca e de mau gosto. É que além de não saber fazer publicidade — evidenciando a excelência do produto, antes desmerecendo do que outros fizeram melhor — também não sabe ler, o que é um forte óbice à possibilidade de bem escrever e de fazer publicidade...

Não é, porém, de leituras, publicidade e escritores que aqui se quer falar. Não seria mau tema para recomeçar a chamear, mas o tempo urge outras reflexões.
É dia de Todos os Santos. E de que haveria de falar se aqui no dia de todos os Santos? De santidade, como é óbvio.
O apelo irrenunciável à santidade está-nos inscrito no ADN espiritual de cada um de nós. De todos nós, sem apelo nem agravo. Outra coisa é que o saibamos, consintamos, promovamos e aceitemos. O mais frequente é que exclamemos como quem esconjura: «— Santo, eu?». «E porque não, apetece responder com estranheza.» E é assim que as fronteiras da santidade são cuidadosamente posicionadas para além do terreiro em que a vida se desenrola: «Isso não é para mim; mas para padres e freiras!».
Outros, que parecem ter aprendido algo na escola da vida, respondem doutra forma: «Como poderei ser santo se sou tão pecador?» E desistem.
E outros ainda, desistentes e conformados, dizem: «Não vale a pena: caímos sempre no mesmo...»
Por fim, os últimos, fascinados por el dorados inatingíveis, confessam: «Santo? Quem quer ser aborrecido? Quem quer deitar fora tantas coisas sem as provar?»
Às objecções a Igreja responde serenamente que o apelo é feito a todos, porque ninguém nasce santo. É um caminho que se faz. Não é um caminho fácil, e o mais importante não é se se cai (ainda que repetidamente) ou se nunca se cai, mas se se cai que se erga.
Santo não é o aquele que nunca cai, mas o que, caindo, logo se ergue com mais ou menos esforço, com mais ou menos marcas, pede perdão ao Senhor, e regressa ao campo de batalha. Quem nunca deita pés ao caminho nunca saberá se chegaria ao fim.
A santidade pede pés e pernas afoitos e coração forte.
Os santos são como os sempre-em-pé: tombam ou são tombados e logo se erguem; tombam ou são tombados mil vezes e mil vezes se põem em pé!
Os santos são os sempre-em-pé!
Sim, podemos ser santos. Podemos repetidamente e contra todos os prognósticos erguer-nos do chão e ficar de pé. E andar. Por que contamos com o perdão de Deus, a compreensão de Deus, o sorriso de Deus, como um pai que levanta uma e outra vez o seu filho infante, caínte. A graça e a força de Deus estão por nós, vêm em socorro das nossas poucas forças e do nosso pouco querer. Mas é preciso querer e querer colaborar com o Senhor. Essa força vem-nos da nossa adesão a Deus e da comunhão com Ele sinalizadas na vida sacramental, na participação da Eucaristia e na oração confiante. Podemos ser santos, isto é, podemos corresponder ao desígnio para o qual fomos criados, porque tudo pode quem confia nAquele que nos dá força; é São Paulo quem o diz.
De facto, não consta que Deus olhe para as fragilidades e indignidades de cada um de nós para nos impedir de sermos seus filhos. Tropeçamos e caímos, e ainda assim somos dignos de ser santos.
Se Deus nos chama a ser santos é porque é possível. E se é possível quem duvidará de Deus? E, já agora, nesse caso, é bom que sejamos fracos, porque forte é só Ele! E é possível, porque Ele o torna possível pela acção do Espírito Santo. É caso para dizer que convém ser-se pequeno para se ser grande, porque os pequeninos é que serão exaltados!
Se quisermos trabalhar só com as nossas forças não venceremos. Mas o que é impossível para nós é fácil para Deus. Por isso, se contamos com a força de Deus, porque a desprezamos? Se temos por nós tanta energia, porque a desperdiçamos?
Enfim, para se ser santo basta querer!
Ah, é verdade: por sinal, quem quer ser santo perde muitas coisas, lá isso perde. Mas é como o outro assunto do escritor: não chegar ler, é preciso saber ler. Que é como diz: não basta ser homem, é preciso querer ser santo. Lá isso é, que esse é o nosso cume. E ninguém chega lá sem pôr os pés ao caminho!

Chama do Carmo I NS42 I 01 Nov '09

Solenidade de Todos os Santos

Gafutebol

A vida também se faz aos pontapés. Na bola. Vai daí, em uma noite escura (no passado dia 27), acenderam-se as luzes do Estádio Rompe Sapatilhas e o pessoal do GAF: técnicos, utentes da comunidade de inserção e um padre saíram das tocas, e durante hora e meia divertiram-se a maltratar a bola. Também deram bons toques e marcaram-se 21 golos. Ah, se o Benfica souber!
Não se sabe se haverá segunda ronda, porque consta que havia por ali olheiros que não deixarão escapar para clube alheio os cristianos ronaldos mais afoitos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Homilia do P. Geral na Festa de S. Teresa

Este ano, a celebração da festa de Santa Teresa tem para nós, Carmelitas, um significado particular. É o ano do Capítulo Geral, onde a nossa família religiosa decidiu iniciar um caminho de preparação para o quinto centenário do nascimento de Teresa. Esta preparação consistirá, principalmente, e segundo as palavras do Documento Capitular Para Vós nasci, em «ler por ano na Ordem, pessoal e comunitariamente, uma obra da Santa Madre Teresa de Jesus, desde o 15 de Outubro de 2009 até ao 2014». Portanto, a partir de hoje, nós, os Carmelitas, tanto a nível pessoal como comunitário, tomamos o compromisso de dedicar, todos os dias, algum do nosso tempo e atenção à leitura dos escritos teresianos. É um compromisso discreto, escondido, mas essencial.
Que poderemos esperar deste «exercício de leitura»? Não vamos ler Santa Teresa apenas para aumentar a nossa cultura, ou retirar dela conteúdos históricos e doutrinais para estudar e ensinar. Vamos lê-la para entrar em comunicação com ela, para nos conhecermos a nós mesmos. O meu professor de filologia românica, Gianfranco Contini, um dos leitores mais agudos que tenho conhecido, definia o bom leitor como «aquele que está disponível para se deixar invadir pelo espírito do outro, através da leitura». É precisamente isto que esperamos da leitura de Teresa: que o seu espírito invada o nosso espírito, os espíritos dos homens e das mulheres deste tempo, que comungam dos problemas, das esperanças e das angústias desta geração.
Os nossos espíritos andam inquietos, como sempre inquieto está o coração do homem peregrino na história, embora esta inquietação adquira actualmente conotações particulares como sejam os traços característicos da nossa sociedade civil, da nossa Igreja, das nossas comunidades familiares e religiosas. Encontramo-nos sedentos como a Samaritana que vai ao poço à procura de água. Mas, qual é a água que verdadeiramente nos pode saciar não só por uns momentos ou superficialmente, mas plena e definitivamente? Não será, certamente, a água que possamos tirar com as nossas forças dos poços que os nossos pais abriram. Mas, é a água que brota copiosamente da pessoa de Jesus, que nos encontra aqui e agora, aparentemente de modo casual, mas que, na realidade, já nos conhece desde sempre e lê, no nosso eu mais profundo, os escuros recantos do nosso coração.
Também Jesus tem sede, e é levado pela sede. A mulher Samaritana e o homem Jesus encontram-se à beira do poço, levados pela procura de água. Jesus, cansado da viagem, no momento de maior calor, sente a mesma sede da mulher que foi ao poço, experimenta a mesma sede dos discípulos que foram à cidade comprar alimentos. A humanidade de Jesus é exactamente a nossa humanidade com os seus achaques e fragilidades, mas também é, em tudo isto e por meio de tudo isto, a humanidade que chega à sua plenitude, «que é perfeita», como diz a Carta aos Hebreus, e por isso mesmo conduzida à sua pátria, que é o seio da relação entre as três Pessoas divinas. É a humanidade do Filho que se alimenta da vontade do Pai e que, perenemente, é saciado e renovado pela água viva do Espírito Santo. Jesus fez uma longa viagem para chegar ao poço onde encontra a Samaritana: não apenas a viagem pelos caminhos da Galileia e da Samaria, mas também a viagem que o levou desde o Pai até ao homem distante, extraviado e infiel. Mas também é maravilhoso constatar que, através do encontro com Ele, a Samaritana inicia a viagem de se encontrar consigo mesma e, portanto, de anúncio e de testemunho: Encontrei Aquele que me conhece bem por dentro, que me fez descobrir a minha verdade e dignidade de filha do Pai.
Não admira nada que Teresa se deixasse fascinar por esta passagem evangélica e se reconhecesse como sendo essa mulher sedenta. Também ela já estava cansada de caminhar – «Porque andava já a minha alma cansada», escreve em Vida 9, 1 – e tinha sede de paz e de luz: Eu entendia que O amava, mas não entendia em que consiste amar deveras a Deus, como o devia entender» (Vida 9, 9). E permanece nesta escuridão e angústia até que a graça a levante à sua actuante presença: Ele estava ali, diante dela, para lhe dizer, com todo o seu corpo chagado, que estava ali por ela e com ela, sempre e em todo o lado. A partir daquele momento Teresa começou a entender que amar deveras a Deus significa, antes de qualquer outra coisa, acolher-se deveras no seu amor. Foi o amor de Deus que venceu a morte pela ressurreição de Jesus. Teresa encontra-se com o Crucificado ressuscitado e no seu corpo vê, lê com clareza o poder deste amor, capaz de superar todas as resistências e abater todos os obstáculos. Teresa abandona-se totalmente a Ele, libertando-se de tudo o que a travava no plano pessoal, social e eclesial. O seu coração ferido é o coração do homem novo, o coração de carne (Ez 11, 19), liberto e aliviado, como no impulso ascensional para o amor, na representação de Bernini, que a atrai para si e a faz sua. Sua esposa, dir-se-á e foi dito, mas mais ainda sua amiga e sua colaboradora. Tal como a Samaritana, descrita como a amiga que fala com Jesus e a discípula que fala aos outros de Jesus, assim é Teresa. À passividade de ser perdoada, escutada e amada por Jesus, corresponde a actividade da amiga e colaboradora que já não se vai espantar mais com a sua debilidade, com as dificuldades materiais ou juízos dos homens, mesmo que sejam eclesiásticos prestigiosos. Teresa põe-se a caminho e não deixará de caminhar até à morte, que para ela é a porta para além da qual continuará a caminhar até ao encontro com Ele, já verdadeiramente Esposo contemplado face a face.
Em todas as páginas e linhas das suas Obras, Teresa convida-nos a segui-la no seu caminho ao encontro do Crucificado ressuscitado. Ela vai-nos repetindo que Jesus Cristo está vivo, com uma vida oferecida e doada a quem a quiser receber. O que é que nos impede de a seguir? O que é que nos impede de fazer a sua mesma experiência? Talvez encontremos uma resposta na passagem do Livro da Sabedoria, proclamado na primeira leitura: «Preferia-a aos ceptros e aos tronos, e, em comparação com ela, tive as riquezas como nada» (Sab 7, 8). A Sabedoria deixa-se encontrar por quem se decide por ela, por quem compromete nela a própria liberdade.
Estamos preenchidos com muitas coisas, coisas que não escolhemos livremente, mas que deixamos a nossa vida preencher-se com elas. Elas não nos alimentam, não nos saciam, não nos aquecem, e, contudo, não temos força para nos libertarmos delas. Sabemos que Teresa lutou durante muito tempo para se libertar do que possuía ou, melhor dizendo, daquilo que a possuía.
Não podemos, portanto, pensar que será mais fácil para nós do que foi para ela, ou que seja possível chegar a uma verdadeira transformação de nós mesmos sem a graça de Deus, ou invocá-lo de maneira incansável sem um compromisso sério da nossa parte. Um compromisso que devemos viver numa dupla direcção: despirmo-nos de tantos impedimentos, que nos atam e confundem, e metermos mãos à obra para realizar responsavelmente o trabalho que nos foi confiado. No fundo, o homem está feito de tal maneira que só a acção obediente à vontade de Deus o pode transformar. E digo-o sabendo perfeitamente como é importante que seja a vontade de Deus, e não a do homem, a que dirija a nossa vontade a partir de dentro.
Que Teresa nos ensine a reencontrar a nossa liberdade para nos entregarmos Àquele que, efectivamente, nos quer livres.

(Tradução do P. Vasco Nuno)

sábado, 24 de outubro de 2009

A visita da Cátia

A Cátia Salvador, os pais e o noivo vieram de Aveiro ao Carmo de Viana. E o lugar do Carmo é sempre a «casa da família», onde se sentem muito bem, «apesar de este ser bastante diferente» dos que conhecem. «É uma realidade muito interessante!» ~
A festa é para o ano, mas há que a preparar desde longe. Foi isso que fizeram. Por isso vieram.
A visita deu para falar de quase tudo: dos rituais e de história, de liturgia, gastronomia, de fé, família e amizade. A foto, descontraída, regista a visita.

Pequeno investigador

Acabou o calor, acabou o Verão. Chegaram o Outono, as aulas e folhas no chão. O recreio do Vasco é vizinho do Convento. Esta tarde veio aqui terminar os TPC iniciados em casa: tinha de coligir informações sobre um monumento da cidade. Nada mais óbvio para ele. Por isso veio, entrou nos calustros, circunandou pelos claustros, conversou, apresentou o irmão e o amigo e levou (algumas) respostas e fotocópias. Também ficou na fotografia e caiu no blog. E até tem estilo... de investigador. (Pelo menos é o único com o livro na mão!)

Domingo XXX do Tempo Comum

Outras fotos da homenagem ao dr. Manoel Batista

Abrir as portas ao futuro

Homenagem ao dr. Manoel Batista, Coordenador do Gaf


O David chegou no carro cinzento da mamá. Era fim de tarde, já noite. Húmida. O David vinha a dormir e as mãos fortes da mamá pegaram nele e transferiram-no para um carrinho de bebé. E o bebé, o carrinho e a mamá subiram uma rampa de pedra lisa. Lá em cima, na sala, já estava quase toda a família Gaf. E continuou a estar. E o David continuou a dormir. Durante uma boa hora. Finalmente chegou o aplaudido, abraçado e fotografado dr. Batista. E o bebé dormia. Sentámo-nos à mesa — A do centro era a do bebé e a do homenageado; um e outro estavam bem aconchegados. O bebé dormia, o homenageado sorria.
Depois da sopa, a carne. Depois do prato a sobremesa, a mesa de música, de café e recordações. E o bebé dormia. Ninguém cantou os Parabéns a Você — Não era disso que se tratava. Mas bateram-se palmas, abriram-se as recordações, escrutinaram-se e comentaram-se as recordações. E o bebé dormia.
O Arisberto cantou Beatles e outras coisas do agrado da família. O David também, mas a dormir.
Também houve discursos e eu como não tive a sorte de dormir como o David, registei as palavras do Coordenador cessante, dr. Manoel Batista:
«Agradeço sentidamente esta homenagem e a maneira como todos estiveram e estão nela, simbolizada nesta recordação, que é do melhor que as manualidades do Gaf produzem e me recorda a minha relação forte com o Gaf.
«Agradeço a todos os que comigo caminharam no Gaf ao longo de quase oito anos. Aprendi imenso com todos. É isso: aprendi com todos os membros das várias direcções do Gaf e com todos os que o serviram em qualquer serviço, mesmo o mais humilde.
«Oito anos foram um bom momento da minha vida!
«Continuem a agarrar este desafio que é o Gaf, porque eu sinto um grande orgulho por pertencer a esta família. Colaborem, dêem as mãos em equipa com a Direcção que se mantém e com o dr. José Lima que assume funções de Coordenador.
«O Gaf é um projecto de serviço aos desvalidos; porque haveríamos de desanimar ou parar?»

E registei as palavras do Director, Pe Carlos Gonçalves:
«É óbvio que a nossa presença é uma manifestação do nosso carinho pelo Batista, que nos legou um grande sinal a esta comunidade de aprendentes.
«No Gaf não há instrutores, é uma boa escola onde todos aprendemos com todos a abrir as portas ao futuro; onde aprendemos o projecto de cidadania de servir os mais desprotegidos.
«Por isso agradeço sentidamente à Comissão que organizou este abraço ao Batista.
«Um dia estava a celebrar a Missa das 10:00 e vi o Zé Lima quando já tinha vários nomes em carteira. Falámos, acertámos e concertámos. E aqui estamos.
«Muito sentidamente agradeço os oito anos de serviço do Batista e sentidamente agradeço também ao Zé Lima por aceitar este desafio.»


E registei as palavras do vice-Director, dr. João Ferreira:
«Apenas uma breve palavra ao Batista: — Batista foi um prazer conhecer-te e conhecer o teu trabalho!»

E durante todos estes entretantos o David dormia consoladamente.
O Arisberto, que pega às teclas com a mesma leveza e agilidade que às compressas, aqueceu de novo o ambiente. A pista de dança animou-se e o Director também por lá saltou.
Já era noite quando o escriba regressou a casa. Ainda viu o bebé a ser transferido para a cadeirinha. Sem acordar. E assim prestou ele uma solene homenagem ao Manoel Batista.
(O dr. Manuel Batista foi o Coordenador do Gabinete de Atendimento à Família nos últimos oito anos. O Gaf tem quase dezasseis. No próximo mês assume funções no serviço de vice-Presidência da Câmara de Melgaço. Parabéns. Obrigado. Bom serviço.)
Bem-vindo, dr. José Lima.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E no fim da visita das relíquias...

As relíquias de S. Teresinha estiveram de visita ao Reino Unido. Foi mais uma peregrinação de Teresinha a casa dos seus irmãos com um grande poder de convocatória.
Uns dias depois do fim da visita das relíquias de Santa Teresinha, que provocaram um reacender da fé católica na Inglaterra, a Igreja anunciou a publicação de uma constituição apostólica do Papa Bento XVI com a qual a Igreja Católica aceita o pedido de numerosos bispos, sacerdotes e fiéis anglicanos de entrar em comunhão plena e visível. Esta disposição responde à solicitude de adesão de um grande número de anglicanos (informou-se que são “entre 20 e 30 bispos” anglicanos que pediram entrada na Igreja Católica), que se encontravam insatisfeitos com algumas modificações que se realizaram dentro desta Comunhão.
O Papa introduzirá “uma estrutura canónica que provê a uma reunião corporativa através da instituição de ordinariatos pessoais, que permitirão aos fiéis ex-anglicanos entrar na plena comunhão com a Igreja Católica, conservando ao mesmo tempo elementos do específico património espiritual e litúrgico anglicano”.
Recordemos que o Carmo teve há alguns anos atrás, um religioso em Roma que trabalhava no acompanhamento de sacerdotes anglicanos que pediam o ingresso na Igreja Católica.
Frei Filipe Boyce foi depois nomeado bispo de Raphoe, na Irlanda, em 1995.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (VII)


Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção V (cap 37 ao 40)
A última parte é constituída pelos capítulos finais do Livro da Vida, do 37 ao 40, nos quais a Santa, animada pelo P. Garcia de Toledo, retoma a narrativa autobiográfica para completar a sequência da terceira parte com o que naquele momento está a viver. Contrastando com os temores e perplexidades de então, manifesta-se aqui um sentimento de serenidade e segurança interior que a leva a contar novas experiências com absoluta convicção.

Pistas de leitura da Secção V
Como comunidade, contemplamos com Santa Teresa as maravilhas operadas por Deus, que continua a fazer nascer espaços de oração, pobreza e fraternidade. Contemplamos a nossa comunidade e tentamos edificá-la à imagem do sonho teresiano tornado realidade no Carmelo de S. José. Somos chamados pela Madre a apressa-nos a servir Sua Majestade, para que se realizem em nós e por nós milagres semelhantes àqueles que por meio de Santa Teresa se realizaram, dos quais ela nos fala neste livro da sua vida. “Desta maneira vivo agora, Senhor e Padre meu [P. García de Toledo]. Suplique V. Mercê a Deus que me leve para Si ou que me dê em que O sirva.” (V 40:23)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A visita dum grande missionário

Foi na tarde de Sábado. O telefone tocou. Há telefonemas assim. Inesperados, surpresos.
Aprestava-me para sair de casa quando me telefonam prevenindo-me da chegada do P. Filipe Baranda. Quando nasci para a Ordem era ele o Geral. Nunca o conheci e tinha (tenho) uma grande estima por ele. Podendo ser o que quisesse, foi, no fim do seu generalato, desprendido e livre, para as missões.
É um homem fecundo. Poderia fazer muitas coisas, e elegeu ser missionário carmelita oferecendo a sua vida para chamar para o Carmelo. Dezoito anos de vida missionária deram direito a doze missionários!
Pude, enfim, abraçá-lo e vê-lo sorrir (como um menino). E depois tive de partir. Mas vi ali um homem de fé, de alegria, carmelita inteiro, dedicado, filho e servidor da Igreja, um homem onde é possível surpreender uma larguíssima vida interior (também é bem grande por fora!), cheio de Deus.
Homens destes sentem-se bem e fazem-nos sentir bem. Sinceramente não poderia ter desejado melhor abraço ou melhor prenda no Dia Mundial das Missões!
Obrigado, P. Filipe, pela sua visita à nossa comunidade.

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (VI)


Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção IV (cap. 32 a 36)
A quarta parte vai dos capítulos 32 a 36, onde aparentemente a Santa se desvia do discurso sobre a sua vida para tratar de acontecimentos exteriores: a fundação do mosteiro de S. José de Ávila. Mas o acontecimento e a crónica são, segundo a própria autora, mercê do anteriormente narrado, fruto e efeito da sua experiência mística, convertida em fonte de vida para os outros. A sua história pessoal de salvação encadeia-se na História da Salvação e Santa Teresa, juntamente com o grupo das suas primeiras seguidoras, dispõe-se no Carmelo de S. José de Ávila a servir a Cristo e a sua Igreja. As graças recebidas revelam-se, portanto, não como um privilégio particular de que Teresa desfrutará pessoalmente, mas como um dom eclesial do qual todos hão-de beneficiar.

Pistas de leitura da Secção IV
Deus nada dá apenas a quem dá. Fazemos parte da comunidade humana e fazemos parte da Igreja, posta no meio da humanidade como luz que alumia, como uma cidade no alto de um monte. Levedura e fermento para uma sociedade que corre o risco de voltar as costas a Deus. A experiência de Santa Teresa, que ela nos convida a fazer própria, é a de que todas as graças místicas recebidas são em favor dos outros, para a humanidade e para a Igreja. Deus põe a Sua mão na história como toque salvador através de Teresa, animando-a à fundação do mosteiro de São José. E do mesmo modo, põe a Sua mão sobre nós a fim de nos convidar a deixar de lado qualquer projecto pessoal e a abraçarmos em Seu Nome até mesmo aquilo que nos parece completamente incompreensível.

domingo, 18 de outubro de 2009

O Papa e S. Teresa

No passado dia 14, vésperas da Solenidade de S. Teresa, no decurso da audência pública, o Papa Bento XVI apresentou a figura de Santa Teresa de Jesus «como modelo para os jovens, os doentes e os recém-casados.» Disse o Papa: «Que esta grande Santa vos prove a vós, queridos jovens, que o amor autêntico não vos pode separar da verdade. E a vós, queridos doentes, que ela vos ajude a compreender que a Cruz é o mistério de amor que redime o sofrimento humano. E que a vós, queridos recém-casados, que ela se mostre como modelo de fidelidade a Deus que sempre pede a cada um uma missão especial.»

Abertura V centenário nascimento de S. Teresa

O Padre Geral Saverio Cannistrà presidiu à Eucaristia da Solenidade de Santa Teresa na Faculdade de Teologia Carmelitana, o Teresianum. E ali anunciou a abertura da preparação do V Centenário do Nascimento de Santa Teresa de Jesus que se celebrará no ano de 2015.
Na sua homilia disse: «Desde hoje os Carmelitas comprometem-se, tanto pessoalcomo comunitariamente, a dedicar todos os dias um pouco do nosso tempo e da nossa atenção à leitura dos escritos de Teresa.» E acrescentou: «É um compromisso discreto, escondido mas essencial»; «Um compromisso que nos há-de colocar em comunhão com ela, para conhecermos a sua pessoa que nos fala e nos con hecermos a nós mesmos.»

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (V)

Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção III (cap. 23 a 31)
Ao longo dos capítulos 23 a 31 a Autora regressa à narração autobiográfica, mas já não como na primeira secção. Agora a distância de que falávamos entre o sujeito narrador e a personagem reduz-se ao mínimo, confluindo ambos numa mudança de identidade que se anuncia desde o princípio com expressão e experiência similares às de S. Paulo “É outro livro novo, digo, outra vida nova: até aqui era a minha; a que tenho vivido desde que comecei a declarar estas coisas de oração vivia Deus em mim.” (V 23:1)

Pistas de leitura da Secção III
Nesta secção, Deus faz-Se ainda mais protagonista da vida de Teresa, que é uma vida nova. A tal ponto que a pessoa, como aconteceu com Teresa, chega a surpreender-se por reconhecer Deus tão perto, tão enamorado, concedendo constantemente graças à alma que Ele ama. Um Deus tão amoroso e concedendo tantas graças, consegue, por fim, vencer a resistências e as dúvidas e a pessoa chega a mover-se em harmonia com Deus, que Se converte em centro, raiz e objectivo único do homem e da mulher. As graças recebidas por Teresa (visões, locuções, etc.) sendo importantes, não constituem o essencial da experiência mística; o essencial é o ensinamento que por meio delas se recebe, o aprofundamento da experiência de comunhão com Deus, próximo e amigo da pessoa. Teresa fará constar os frutos das suas experiências místicas: riqueza pessoal, mudança moral, crescimento no amor de Deus e dos outros, humildade, rejeição do mal, etc. Ao lado deste panorama tão rico de graças e mercês, aparecem as provações, tentações e rejeições, incompreensões e durezas. A perfeição não se alcança rapidamente, nem o caminho que a ela conduz está isento de dificuldades, interiores e exteriores. Acima de tudo, a Santa chamará a atenção para o desânimo que pode causar a própria fraqueza: porém, não existe outra saída senão confiar no Senhor e ter paciência connosco mesmos; não nos cansarmos; aguardar no Senhor; perseverar na oração e fazer cada um o que está ao seu alcance, até que os desejos se tornem obras.

sábado, 17 de outubro de 2009

Jornada Mundial das Missões

Realiza-se neste diomingo mais uma Jornada Mundial das Missões. Esta Jornada está subordinada ao tema Igreja de Cristo, luz das nações. Será interessante recordar neste dia o mandato de Jesus «Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está nos céus.»
Bom domingo, boa jornada missionária.

XXIX Domingo do Tempo Comum

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (IV)

Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção II (cap. 10 a 22)
O capítulo 10 é um capítulo de transição. E os capítulos 11 a 22 são uma exposição detalhada dos quatro graus de oração, através do uso de uma imagem alegórica: as quatro maneiras de regar o horto, que correspondem à oração de meditação (c. 11-13), a oração de recolhimento infuso e de quietude (c. 14-15), a oração do sono das potências (c. 16-17) e a oração de união (c. 18-21). O capítulo 22 resume e coroa todo o itinerário espiritual, com a mediação insubstituível de Jesus Cristo “por Quem nos vêm todos os bens.” (V 22:7) Esta secção irá preparar-nos para compreender melhor a vida nova que ela experimenta desde a sua entrada na experiência mística.

Pistas de leitura da secção II
A oração é o âmbito de encontro privilegiado entre Deus e a pessoa humana, no qual se realiza o milagre da transformação. Deus senta-Se à mesa do homem e da mulher, gosta de passear com eles, com o objectivo de lhes comunicar a Sua própria natureza. Por sua vez, parte da pessoa, exige-se, no âmbito da oração, uma disposição desapegada e amorosa. A oração não é uma prática em que nos buscamos a nós mesmos ou em que procuramos consolações espirituais. É antes a porta aberta para a acção de Deus que, ao Seu ritmo e não ao nosso, nos irá dando a conhecer a Sua amizade e o Seu amor, tomando as rédeas da nossa vida. Jesus Cristo, a Sua sacratíssima Humanidade, tem um papel insubstituível neste processo: nEle fomos salvos e por Ele Deus concede-nos todas as graças necessárias à nossa transformação à Sua imagem; abandoná-lO é fechar-se a qualquer progresso espiritual.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Para ler Santa Teresa - Ficha 1 (III)

Guia de Leitura Livro da Vida de S. Teresa de Jesus
2. Estrutura do livro e pistas de leitura

O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:

Secção I (cap. 1 a 9)
A primeira parte do livro abarca os capítulos 1 a 9, nos quais Santa Teresa traça um retrato autobiográfico de quarenta anos de existência, desde a infância até ao acontecimento fundante da sua experiência mística. Ao longo da narração, Teresa parece desdobrar-se em dois sujeitos: narrador e personagem; o narrador possui a perspectiva que ela tem ao escrever, enquanto que a personagem actua e se relaciona segundo a perspectiva que a própria Teresa tinha quando sucederam os factos narrados. A secção é de um dramatismo crescente no qual o leitor se vê claramente envolvido, até chegar ao episódio da conversão, que a Santa descreve como o acontecimento chave da sua vida, aquele que marca um antes e um depois.

Pistas de leitura da secção I
Neste conjunto de capítulos, Teresa fala-nos verdadeiramente de si mesma e da sua família: conta-nos a sua vida de criança, adolescente e jovem, a sua primeira vocação, o seu encontro com a vida carmelita, etc. Mas, acima de tudo, fala-nos de Deus, da acção de Deus nela, de um Deus dinâmico e activo que não deixa nada por fazer no Seu desejo de aproximar-Se do ser humano, de Se abaixar para partilhar a sua vida e o transformar, para além de qualquer crise. Baseada na sua experiência pessoal, Teresa ensina-nos que Deus é uma presença positiva, que melhora a pessoa, encoraja os seus bons desejos e perdoa a suas culpas.Para mostrar de maneira ainda mais clara a grandeza de Deus e o Seu desejo inesgotável de transformar a pessoa, Teresa apresenta-se a si mesma como ingrata, resistente à acção divina. Não se trata, porém, de uma visão pessimista ou negativa da pessoa humana, apenas pretende manifestar bem o carácter inigualável da iniciativa divina, fazer-nos ver que a acção de Deus não depende dos nossos méritos, (embora valorize as nossas boas intenções) mas única e exclusivamente da Sua misericórdia.